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Atlas de Histologia • Organelas

Núcleo

Núcleo celular • nucleus, chromatin, nucleolus

Guarda o DNA e controla a célula. Na lâmina, é a estrutura roxa da hematoxilina e a primeira coisa a observar: forma, posição, cromatina e nucléolo dizem que célula é aquela e o quanto ela trabalha.

Tipo
Organela delimitada por membrana dupla
Onde está
Todas as células, exceto hemácia madura
Pista na lâmina (HE)
Basófilo: roxo pela hematoxilina
Função
Guarda o DNA; transcrição
9–11 min de leitura Atualizado em outubro de 2026

Reconheça o núcleo

O núcleo cora pela hematoxilina porque os ácidos nucleicos são ácidos (basofilia). No HE você lê a cromatina e o nucléolo; o envoltório e os poros só aparecem na microscopia eletrônica.

Lâmina histológica

Figura 1. Neurônio motor e células vizinhas, HE, 400x: núcleo grande e claro com nucléolo evidente no neurônio; núcleos pequenos e escuros nas células da glia.

Roteiro de observação
  1. 1
    Tamanho e formaRedondo, oval, fusiforme, reniforme, lobulado: a forma ajuda a dizer qual é a célula.
  2. 2
    PosiçãoCentral, basal, excêntrica ou periférica (músculo esquelético).
  3. 3
    CromatinaClara e fina (eucromatina) = célula ativa; escura e grumosa (heterocromatina) = célula pouco ativa.
  4. 4
    NucléoloPonto bem corado dentro do núcleo; grande quando há muita síntese proteica.

Em 30 segundos

O essencial de visão geral

  1. O núcleo é basófilo: o DNA e o RNA ligam a hematoxilina e coram de roxo.
  2. Envoltório de membrana dupla, com poros; a membrana externa é contínua com o retículo endoplasmático rugoso.
  3. Eucromatina (clara) = genes ativos; heterocromatina (escura) = DNA condensado e silencioso.
  4. O nucléolo produz o RNA ribossômico; nucléolo grande indica síntese proteica intensa.

O núcleo como "termômetro" da célula

Uma célula que transcreve muitos genes mantém a cromatina aberta: o núcleo fica grande, claro (vesiculoso) e com nucléolo evidente — neurônio, hepatócito, fibroblasto ativo.

Uma célula quiescente ou terminal condensa a cromatina: o núcleo fica pequeno e escuro — linfócito em repouso, fibrócito. No extremo, a hemácia madura e as plaquetas perdem o núcleo.

Eucromatina

  • Cromatina descondensada
  • Cora pouco (núcleo claro)
  • Genes em transcrição
  • Ex.: neurônio, hepatócito

Heterocromatina

  • Cromatina condensada
  • Cora muito (grumos escuros)
  • Genes silenciados
  • Ex.: linfócito, plasmócito (periferia)

Formas de núcleo que identificam células

Muitas células são reconhecidas na lâmina quase só pelo núcleo. Memorize estes padrões.

Multilobulado

Neutrófilo: 3–5 lobos ligados por filamentos.

Roda de carroça

Plasmócito: núcleo excêntrico com heterocromatina em grumos periféricos.

Em charuto

Miócito liso: central, alongado, de pontas rombas.

Periférico

Fibra muscular esquelética: muitos núcleos sob a membrana.

Reniforme

Monócito e macrófago: núcleo em feijão.

Nucléolo "olho de coruja"

Neurônio: núcleo grande, claro, nucléolo central proeminente.

O núcleo em quatro contextos

Em cada imagem, descreva o núcleo antes de olhar o resto: tamanho, forma, posição, cromatina e nucléolo.

Hepatócitos: núcleo ativo

Fígado, HE, 400x. Núcleos redondos, centrais, eucromáticos, com nucléolo nítido; alguns hepatócitos são binucleados. Padrão de célula com síntese proteica intensa (albumina, fatores de coagulação).

HE400xEucromatina

Linfócitos: núcleo condensado

Linfonodo ou esfregaço, 400–1.000x. Núcleo redondo, escuro, ocupando quase toda a célula, com citoplasma em anel fino. Heterocromatina abundante: célula em repouso.

HeterocromatinaRepouso

Envoltório nuclear e poros (MET)

Eletromicrografia de transmissão. Duas membranas separadas pela cisterna perinuclear, interrompidas pelos poros; heterocromatina escura encostada no envoltório e eucromatina clara no centro; nucléolo denso.

METPoros nucleares

Morte celular: alterações nucleares

Área de necrose, HE, 400x. Núcleos encolhidos e muito escuros (picnose), fragmentados (cariorrexe) e células sem núcleo, com contorno "fantasma" (cariólise). O núcleo é o melhor indicador de morte celular na lâmina.

PicnoseCariorrexeCariólise

Ler núcleos é a habilidade número um da histologia e da patologia. Use sempre os mesmos cinco critérios: tamanho, forma, posição, cromatina e nucléolo.

Aumento a aumento

  1. 40x — distribuição

    Áreas muito roxas = muitos núcleos (epitélios, tecido linfoide); áreas rosadas = matriz ou citoplasma abundante.

  2. 100x — padrão

    Núcleos alinhados na base (epitélio cilíndrico), em várias alturas (pseudoestratificado), periféricos (músculo esquelético).

  3. 400x — cromatina

    Fina e clara ou grosseira e escura; homogênea ou em grumos. Compare com núcleos vizinhos normais.

  4. 400x — nucléolo e membrana

    Nucléolo visível? Único ou múltiplo? Contorno nuclear liso ou irregular?

  5. Relação núcleo/citoplasma

    Núcleo ocupando quase toda a célula é normal em linfócitos, mas suspeito em células epiteliais maduras.

Pegadinhas

Núcleo escuro não significa sempre célula morta: linfócitos e plasmócitos são normalmente heterocromáticos. Corte tangencial de núcleo grande pode parecer pequeno e sem nucléolo. Hemácia madura não tem núcleo; hemácia nucleada no sangue periférico é anormal no adulto.

Descrição-modelo para a prova prática

Modelo de descrição

Células com núcleo único, arredondado e central, de contorno regular. Cromatina finamente granular e predominantemente eucromática, com nucléolo evidente e único. Relação núcleo/citoplasma preservada. Aspecto compatível com célula metabolicamente ativa, sem atipias nucleares.

Troque os termos conforme o caso: excêntrico, heterocromático, multilobulado, binucleado.

Pontos e grânulos roxos que não são núcleo

Nem tudo que cora pela hematoxilina é núcleo. O citoplasma rico em ribossomos, grânulos ácidos e depósitos de cálcio também ficam roxos.

EstruturaAchado-chaveComo diferenciar
Achado-chaveGrumos basófilos no citoplasma do neurônio
Como diferenciarFicam fora do núcleo, ao redor dele; são RER e ribossomos, não cromatina.
Achado-chaveCitoplasma arroxeado difuso
Como diferenciarColoração difusa ou basal, sem contorno nuclear; típico de plasmócito e célula acinar.
Achado-chaveGrânulos grandes roxo-escuros
Como diferenciarCobrem e escondem o núcleo; distribuídos pelo citoplasma inteiro.
Calcificação
Achado-chaveDepósitos roxo-escuros irregulares
Como diferenciarAmorfos ou lamelados (corpos psamomatosos), sem cromatina nem membrana; podem rasgar o corte.
Achado-chaveNão aparece individualmente
Como diferenciarMitocôndrias deixam o citoplasma eosinófilo (rosado), não roxo.

O patologista decide entre benigno e maligno, vivo e morto, olhando sobretudo o núcleo. Atipia é, antes de tudo, atipia nuclear.

Núcleo e câncer

Células neoplásicas malignas costumam ter núcleos grandes, de formas e tamanhos variados, hipercromáticos e com nucléolos proeminentes. A relação núcleo/citoplasma aumenta e surgem mitoses atípicas.

  • Pleomorfismo: variação de tamanho e forma entre núcleos.
  • Hipercromasia: núcleo mais escuro que o normal.
  • Relação núcleo/citoplasma aumentada.
  • Nucléolos proeminentes, às vezes múltiplos.
  • Mitoses atípicas (tripolares, multipolares).

Grau histológico, displasia e diagnóstico citológico (como o Papanicolaou) dependem da leitura do núcleo.

Outras situações em que o núcleo fala

SituaçãoAlteração nuclearNa lâmina
Necrose
Alteração nuclearPicnose → cariorrexe → cariólise
Na lâminaNúcleos encolhidos, fragmentados ou ausentes em área eosinófila com inflamação.
Apoptose
Alteração nuclearCondensação e fragmentação da cromatina
Na lâminaCélula isolada, retraída, eosinófila, com fragmentos nucleares; sem inflamação.
Alteração nuclearAtipia nuclear sem invasão
Na lâminaNúcleos aumentados e hipercromáticos perdendo a maturação em direção à superfície.
Infecção viral
Alteração nuclearInclusões intranucleares
Na lâminaHerpes e citomegalovírus formam inclusões nucleares; HPV, coilócitos com núcleo enrugado e halo.

Referências bibliográficas

  1. 1
    Livro-texto2017
    Alberts B, Johnson A, Lewis J, et al. Biologia Molecular da Célula. 6. ed. Porto Alegre: Artmed; 2017.
  2. 2
    Livro-texto2023
    Junqueira LC, Carneiro J. Histologia Básica: texto e atlas. 14. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan; 2023.
  3. 3
    Livro-texto2021
    Ross MH, Pawlina W. Histologia: texto e atlas — correlações com biologia celular e molecular. 8. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan; 2021.
  4. 4
    Livro-texto2022
    Gartner LP. Tratado de Histologia. 5. ed. Rio de Janeiro: Elsevier; 2022.
  5. 5
    Livro-texto2021
    Kumar V, Abbas AK, Aster JC. Robbins & Cotran Patologia: bases patológicas das doenças. 10. ed. Rio de Janeiro: Elsevier; 2021.

Fontes das imagens

As imagens deste atlas têm finalidade educacional e foram produzidas a partir de lâminas histológicas reais e de representações didáticas.

Parte delas pode ter sido editada ou aprimorada digitalmente para destacar as estruturas e os achados descritos no texto.

Aviso importante

Material educacional. Não substitui o laudo anatomopatológico, a avaliação clínica, os protocolos institucionais nem a consulta às bulas.

Atlas Astrenmed de Histologia • Conteúdo para educação médica. O diagnóstico e a conduta dependem da avaliação clínica individual.
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