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Peroxissomos

Microcorpos • peroxisomes • microbodies

Pequenas vesículas de membrana única com oxidases e catalase: oxidam ácidos graxos de cadeia muito longa, produzem peróxido de hidrogênio e o destroem em seguida. Invisíveis no HE; abundantes em hepatócitos e no túbulo contorcido proximal.

Tipo
Organela de membrana única
Onde abunda
Fígado e túbulo proximal renal
Pista na lâmina
Catalase (DAB) na ME
Função
Oxida lipídios; degrada H2O2
8–10 min de leitura Atualizado em outubro de 2026

Reconheça a organela

O peroxissomo é uma organela de microscopia eletrônica: no HE não há como vê-lo. Na ME, a reação para catalase com diaminobenzidina (DAB) deixa a matriz escura e o separa de lisossomos e mitocôndrias.

Lâmina histológica

Figura 1. Hepatócito em ME de transmissão após reação citoquímica para catalase (DAB). Peroxissomos como pequenos corpos redondos, muito elétron-densos, entre mitocôndrias e glicogênio.

Roteiro de observação
  1. 1
    MembranaUma só, fina — não há cristas nem dupla membrana.
  2. 2
    MatrizGranular fina e homogênea; escura na reação para catalase.
  3. 3
    CristaloideEm roedores, um núcleo cristalino de urato oxidase; ausente no ser humano.
  4. 4
    VizinhançaPerto do REL e de gotículas lipídicas, com quem troca lipídios.

Em 30 segundos

O essencial de visão geral

  1. Vesículas de membrana única, menores que as mitocôndrias, com matriz granular fina.
  2. Têm oxidases (que geram H2O2) e catalase (que o degrada): enzima marcadora da organela.
  3. Fazem a beta-oxidação dos ácidos graxos de cadeia muito longa, a síntese de plasmalogênios (mielina) e etapas dos ácidos biliares.
  4. Proteínas da matriz vêm de ribossomos livres e entram com sinal próprio (PTS1) por meio das peroxinas; falhas causam a síndrome de Zellweger.

O que são os peroxissomos

Os peroxissomos receberam o nome do peróxido de hidrogênio que produzem e consomem. São organelas pequenas, redondas, com uma membrana e matriz rica em enzimas oxidativas; estão em quase todas as células, mas são numerosos onde o metabolismo lipídico e de desintoxicação é intenso.

Ao contrário de lisossomos, não recebem proteínas pela via RER–Golgi: as enzimas são sintetizadas em ribossomos livres e importadas já dobradas. Novos peroxissomos surgem pela divisão dos existentes e a partir de vesículas do retículo endoplasmático.

Funções que caem em prova

Cadeia muito longa

Só o peroxissomo inicia a oxidação dos ácidos graxos com 22 carbonos ou mais.

Plasmalogênios

Fosfolipídios abundantes na mielina e no coração; primeiras etapas no peroxissomo.

Ácidos biliares

Etapas de encurtamento da cadeia lateral do colesterol no hepatócito.

Desintoxicação

Catalase oxida etanol, fenóis e formaldeído usando o H2O2.

E o ácido úrico?

Na maioria dos mamíferos a urato oxidase do peroxissomo degrada o ácido úrico. O ser humano não tem essa enzima funcional, por isso o urato é o produto final das purinas — base da hiperuricemia e da gota.

Peroxissomos em quatro imagens

Quase todas as imagens úteis são de ME ou de técnicas especiais. Roteiro: número de membranas, aspecto da matriz e célula em que aparecem.

Hepatócito em ME convencional

ME de transmissão, sem citoquímica. Peroxissomos como corpos redondos de membrana única e matriz cinza homogênea, entre mitocôndrias (com cristas), cisternas de RER, REL e rosetas de glicogênio. Repare como são menores e mais simples que as mitocôndrias.

MEHepatócitoMembrana única

Cristaloide em fígado de rato

ME de hepatócito de roedor. Dentro do peroxissomo, um núcleo cristalino retilíneo ou em grade: urato oxidase. É a imagem clássica dos livros, mas não existe no peroxissomo humano.

MERoedorUrato oxidase

Túbulo contorcido proximal

Rim, HE, 400x, com detalhe em ME. No HE, apenas o citoplasma eosinófilo e a borda em escova; na ME, peroxissomos entre as numerosas mitocôndrias basais. Um bom exemplo de célula rica na organela.

HEMERim

Imunofluorescência para catalase

Cultura de células ou corte de fígado, imunofluorescência anti-catalase (ou anti-PMP70), 1000x. Pontos fluorescentes discretos espalhados pelo citoplasma, cada um um peroxissomo; núcleo corado em azul (DAPI).

ImunofluorescênciaCatalasePontos

Na prova prática, o peroxissomo cai quase sempre em eletromicrografia. Reconheça pela membrana única, matriz homogênea e tamanho pequeno; confirme com a citoquímica para catalase.

Do microscópio óptico à ME

  1. Microscópio óptico (HE)

    Não se vê a organela; identifique apenas a célula rica nela — hepatócito, túbulo proximal.

  2. Imunofluorescência

    Anticorpos contra catalase ou proteínas de membrana do peroxissomo dão um padrão em pontos citoplasmáticos.

  3. ME — conte as membranas

    Uma membrana: peroxissomo ou lisossomo. Duas, com cristas: mitocôndria.

  4. ME — olhe a matriz

    Homogênea e granular fina: peroxissomo. Heterogênea, com restos: lisossomo.

  5. Citoquímica

    DAB + H2O2: a catalase oxida o DAB e deixa a matriz elétron-densa.

Pegadinhas

O cristaloide das fotos de livro é de roedor. Peroxissomo não é feito pelo Golgi nem tem manose-6-fosfato. A beta-oxidação de cadeias curtas e médias é mitocondrial; a de cadeia muito longa começa no peroxissomo.

Descrição-modelo para a prova prática

Modelo de descrição

Eletromicrografia de transmissão de hepatócito mostrando, entre mitocôndrias, cisternas de retículo endoplasmático e grânulos de glicogênio, pequenas organelas arredondadas delimitadas por membrana única, de matriz granular fina e homogênea, sem cristas: peroxissomos. A reação citoquímica para catalase (DAB) torna sua matriz elétron-densa, diferenciando-os dos lisossomos.

Se houver núcleo cristalino, cite "cristaloide de urato oxidase (tecido de roedor)".

Corpos redondos na eletromicrografia

Na ME, várias estruturas aparecem como círculos no citoplasma. Membrana, matriz e enzima marcadora são os três critérios.

EstruturaAchado-chaveComo diferenciar
Achado-chaveMembrana única, conteúdo heterogêneo
Como diferenciarRestos de material digerido; fosfatase ácida positiva, catalase negativa.
Achado-chaveDupla membrana e cristas
Como diferenciarCristas internas; maior; citocromo-oxidase positiva.
Achado-chaveDensos, uniformes, apicais
Como diferenciarPolarizados no ápice de células secretoras; saem do Golgi.
Gotícula lipídica
Achado-chaveSem membrana bicamada
Como diferenciarDelimitada por monocamada de fosfolipídio; conteúdo homogêneo cinza-claro.
Achado-chaveTúbulos em corte transversal
Como diferenciarPerfis tubulares contínuos, sem matriz densa; vizinho frequente do peroxissomo.

As doenças peroxissômicas são raras, mas clássicas em prova. Quase todas elevam os ácidos graxos de cadeia muito longa no plasma e atingem mielina, fígado e adrenal.

Doenças peroxissômicas

Há dois grupos: falha da biogênese (a organela não se monta, todas as funções caem) e falha de uma enzima ou transportador (uma via só).

DoençaO que falhaPista clínica
Síndrome de Zellweger
O que falhaGenes PEX: peroxissomos não importam proteínas
Pista clínicaRecém-nascido hipotônico, fácies típica, hepatomegalia, convulsões e cistos renais; sobrevida curta.
Adrenoleucodistrofia ligada ao X
O que falhaTransportador ABCD1 de ácidos graxos de cadeia muito longa
Pista clínicaMeninos com desmielinização cerebral e insuficiência adrenal; ácidos graxos de cadeia muito longa elevados.
Doença de Refsum
O que falhaAlfa-oxidação do ácido fitânico
Pista clínicaRetinite pigmentosa, neuropatia e ataxia; restrição dietética de ácido fitânico.
Condrodisplasia punctata rizomélica
O que falhaSíntese de plasmalogênios
Pista clínicaEncurtamento proximal dos membros e calcificações pontilhadas nas epífises.

Peroxissomo doente → ácidos graxos de cadeia muito longa acumulados → mielina e adrenal são as primeiras vítimas.

Números e fatos de prova

≥ C22Ácidos graxos que começam a ser oxidados no peroxissomo
CatalaseEnzima marcadora da organela
VLCFADosagem plasmática usada na triagem das doenças peroxissômicas

Referências bibliográficas

  1. 1
    Livro-texto2017
    Alberts B, Johnson A, Lewis J, Morgan D, Raff M, Roberts K, Walter P. Biologia Molecular da Célula. 6. ed. Porto Alegre: Artmed; 2017.
  2. 2
    Livro-texto2023
    Junqueira LC, Carneiro J. Histologia Básica: texto e atlas. 14. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan; 2023.
  3. 3
    Livro-texto2021
    Ross MH, Pawlina W. Histologia: texto e atlas — correlações com biologia celular e molecular. 8. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan; 2021.
  4. 4
    Livro-texto2022
    Gartner LP. Tratado de Histologia. 5. ed. Rio de Janeiro: Elsevier; 2022.
  5. 5
    Livro-texto2021
    Kumar V, Abbas AK, Aster JC. Robbins & Cotran Patologia: bases patológicas das doenças. 10. ed. Rio de Janeiro: Elsevier; 2021.

Fontes das imagens

As imagens deste atlas têm finalidade educacional e foram produzidas a partir de lâminas histológicas reais e de representações didáticas.

Parte delas pode ter sido editada ou aprimorada digitalmente para destacar as estruturas e os achados descritos no texto.

Aviso importante

Material educacional. Não substitui o laudo anatomopatológico, a avaliação clínica, os protocolos institucionais nem a consulta às bulas.

Atlas Astrenmed de Histologia • Conteúdo para educação médica. O diagnóstico e a conduta dependem da avaliação clínica individual.
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