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Atlas de Histologia • Lâminas de Órgãos

Glândula Pineal

Epífise cerebral • pineal gland, epiphysis cerebri

Pequena glândula do epitálamo que converte escuridão em melatonina e informa ao corpo a hora do dia. Na lâmina: lóbulos de pinealócitos claros, astrócitos e as inconfundíveis concreções calcárias (areia cerebral).

Tipo
Glândula neuroendócrina
Onde está
Teto do 3º ventrículo
Pista na lâmina (HE)
Areia cerebral basófila
Função
Melatonina: ritmo circadiano
8–10 min de leitura Atualizado em outubro de 2026

Reconheça a glândula

A pineal parece um tecido nervoso "arrumado em lóbulos": células claras sobre um fundo fibrilar, com septos de pia-máter. O que a entrega na hora são as concreções calcárias — massas roxas, lamelares, que nenhum outro órgão do encéfalo tem em tal quantidade.

Lâmina histológica

Figura 1. Glândula pineal, HE, 200x. Lóbulos de pinealócitos de núcleo claro e arredondado, astrócitos de núcleo alongado e escuro, septos conjuntivos com vasos e várias concreções calcárias basófilas e lamelares.

Roteiro de observação
  1. 1
    LóbulosGrupos de células separados por septos finos vindos da pia-máter.
  2. 2
    PinealócitosMaioria. Núcleo grande, claro, lobulado ou redondo, com nucléolo; citoplasma pálido.
  3. 3
    AstrócitosNúcleo menor, alongado e mais escuro, junto aos vasos e entre os lóbulos.
  4. 4
    Areia cerebralConcreções basófilas, arredondadas, em camadas concêntricas, de tamanhos variados.

Em 30 segundos

O essencial de visão geral

  1. Fica no epitálamo, presa ao teto do terceiro ventrículo, e é revestida pela pia-máter, que forma cápsula e septos.
  2. Os pinealócitos produzem melatonina à noite; a luz captada pela retina inibe a secreção.
  3. A inervação é simpática, vinda do gânglio cervical superior, comandado pelo núcleo supraquiasmático do hipotálamo.
  4. A areia cerebral calcifica com a idade e serve de ponto de referência em radiografias e tomografias.

O que é a pineal

A pineal é um pequeno órgão em forma de pinha, derivado do neuroectoderma do diencéfalo. É um dos órgãos circunventriculares: seus capilares são fenestrados e ficam fora da barreira hematoencefálica, permitindo que o hormônio chegue direto ao sangue.

Embora esteja no encéfalo, a pineal não recebe fibras diretas do restante do sistema nervoso central para controlar a secreção: o comando chega por uma via simpática periférica, num desvio que sai pela medula espinal e volta pelo pescoço.

Pinealócito

  • Cerca de 95% das células
  • Núcleo grande, claro, às vezes lobulado
  • Nucléolo evidente
  • Prolongamentos longos até os capilares
  • Produz melatonina

Astrócito intersticial

  • Minoria
  • Núcleo alongado, menor e mais escuro
  • Perivascular e entre lóbulos
  • GFAP positivo
  • Sustentação

Da luz à melatonina

A secreção de melatonina segue o ciclo claro-escuro: sobe à noite e cai durante o dia. Por isso a pineal é chamada de "relógio" ou "calendário" químico do organismo, sinalizando a duração da noite.

  1. Retina

    Células ganglionares sensíveis à luz (melanopsina) enviam o sinal pelo trato retino-hipotalâmico.

  2. Núcleo supraquiasmático

    O relógio-mestre do hipotálamo modula o núcleo paraventricular e, por ele, a coluna intermediolateral da medula torácica.

  3. Gânglio cervical superior

    Fibras simpáticas pós-ganglionares sobem pelos vasos e liberam noradrenalina na pineal, sobretudo no escuro.

  4. Pinealócito

    A noradrenalina ativa a enzima que converte serotonina em N-acetilserotonina, depois em melatonina, lançada nos capilares.

A pineal em quatro imagens

Comece pela arquitetura lobular, depois procure a areia cerebral e só então separe as células.

Panorama lobular

HE, 40x. Órgão pequeno revestido por pia-máter, com septos que dividem o parênquima em lóbulos de tamanhos irregulares. Já em menor aumento aparecem pontos roxos escuros: concreções calcárias.

HE40xLóbulos

Pinealócitos em maior aumento

HE, 400x. Células de núcleo grande, claro e redondo a lobulado, com nucléolo, e citoplasma pálido mal delimitado sobre um fundo fibrilar. Núcleos menores e mais escuros, alongados, são de astrócitos.

HE400xPinealócitos

Areia cerebral

HE, 200x. Concreções calcárias arredondadas, intensamente basófilas, com camadas concêntricas e bordas recortadas, isoladas ou fundidas em grupos. Muitas vezes o corte fica "rasgado" ao redor delas porque o cálcio é duro para a navalha.

HE200xCorpora arenacea

Astrócitos com GFAP

Imuno-histoquímica para GFAP, 200x. Prolongamentos marrons de astrócitos concentrados ao redor dos vasos e nos septos entre lóbulos; os pinealócitos ficam negativos. Mostra que a pineal tem glia própria, como o restante do SNC.

IHQGFAPAstrócitos

Tecido de aspecto neural, lobulado, com células claras e concreções calcárias: essa combinação é praticamente diagnóstica de pineal. Se as concreções faltam (pineal de criança), apoie-se nos lóbulos de pinealócitos.

Aumento a aumento

  1. 40x — forma e lóbulos

    Órgão pequeno, ovalado, com cápsula de pia-máter e septos. Pode vir junto com parte do teto do terceiro ventrículo.

  2. 100x — areia cerebral

    Procure as massas basófilas lamelares; às vezes deixam buracos ou fissuras no corte.

  3. 400x — pinealócitos

    Núcleos claros, redondos ou com reentrâncias, nucléolo visível; citoplasma pálido e limites imprecisos.

  4. 400x — astrócitos e vasos

    Núcleos alongados e escuros, perivasculares; capilares numerosos.

  5. Técnicas especiais

    Impregnação argêntica mostra os prolongamentos dos pinealócitos; GFAP marca os astrócitos; sinaptofisina marca os pinealócitos.

Pegadinhas

Corpos psamomatosos do meningioma e calcosferitos do plexo coroide também são concreções lamelares: confirme o tecido ao redor. A pineal tem lóbulos de pinealócitos; o plexo coroide tem epitélio cúbico sobre eixos vasculares.

Descrição-modelo para a prova prática

Modelo de descrição

Corte histológico corado por HE de órgão pequeno, revestido por pia-máter, com septos de tecido conjuntivo que dividem o parênquima em lóbulos irregulares. Os lóbulos são formados predominantemente por células de núcleo grande, claro, arredondado ou lobulado, com nucléolo evidente e citoplasma pálido (pinealócitos), entremeadas por células de núcleo alongado e hipercromático (astrócitos) e numerosos capilares. Observam-se concreções calcárias basófilas, de estrutura lamelar concêntrica (areia cerebral). Diagnóstico: glândula pineal.

A menção à areia cerebral costuma valer metade da nota.

Tecidos neurais e calcificações

A pineal compartilha o fundo fibrilar com o tecido nervoso e as concreções com outras estruturas. A soma dos dois é o que a define.

EstruturaAchado-chaveComo diferenciar
Achado-chaveEpitélio cúbico sobre eixos vasculares
Como diferenciarPapilas revestidas por epitélio cúbico; pode ter calcosferitos, mas não tem lóbulos de pinealócitos.
Achado-chaveFundo fibrilar com núcleos de pituícitos
Como diferenciarAxônios amielínicos e corpos de Herring; vizinha da adeno-hipófise; sem areia cerebral.
Achado-chaveNeurônios piramidais em camadas
Como diferenciarNeurônios com corpúsculos de Nissl organizados em camadas; sem lóbulos nem concreções.
Achado-chaveNeurônios grandes em núcleos
Como diferenciarNeurônios neurossecretores agrupados em núcleos, sem septos conjuntivos nem calcificações.
Meningioma psamomatoso
Achado-chaveCorpos psamomatosos
Como diferenciarCélulas meningoteliais em turbilhões ao redor das calcificações; contexto de tumor das meninges.

A pineal importa na clínica por três motivos: o ritmo do sono, a calcificação visível na imagem e os tumores da região, que comprimem estruturas vizinhas.

Ritmo, imagem e tumores

Sono e jet lag

Luz noturna e mudança de fuso dessincronizam a curva de melatonina; a melatonina exógena é usada para ajustar o ritmo.

Marco radiológico

A calcificação da pineal aparece na tomografia; seu deslocamento sugere lesão expansiva que empurra a linha média.

Tumores da região

Germinomas e tumores do parênquima pineal comprimem o aqueduto (hidrocefalia) e o teto do mesencéfalo.

Tumor da pineal + paralisia do olhar vertical para cima = síndrome de Parinaud, por compressão do teto do mesencéfalo.

Lesões da região pineal

LesãoOrigemPista
Germinoma
OrigemCélulas germinativas
PistaJovens do sexo masculino; células grandes claras com linfócitos entre os ninhos.
Pineocitoma / pineoblastoma
OrigemPinealócitos
PistaPineocitoma lento, com rosetas pineocitomatosas; pineoblastoma agressivo, de pequenas células azuis.
Cisto da pineal
OrigemDegeneração cística
PistaAchado comum e geralmente sem sintomas na ressonância.

Referências bibliográficas

  1. 1
    Livro-texto2023
    Junqueira LC, Carneiro J. Histologia Básica: texto e atlas. 14. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan; 2023.
  2. 2
    Livro-texto2021
    Ross MH, Pawlina W. Histologia: texto e atlas — correlações com biologia celular e molecular. 8. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan; 2021.
  3. 3
    Livro-texto2022
    Gartner LP. Tratado de Histologia. 5. ed. Rio de Janeiro: Elsevier; 2022.
  4. 4
    Livro-texto2014
    Young B, O’Dowd G, Woodford P. Wheater Histologia Funcional: texto e atlas em cores. 6. ed. Rio de Janeiro: Elsevier; 2014.
  5. 5
    Livro-texto2021
    Kumar V, Abbas AK, Aster JC. Robbins & Cotran Patologia: bases patológicas das doenças. 10. ed. Rio de Janeiro: Elsevier; 2021.

Fontes das imagens

As imagens deste atlas têm finalidade educacional e foram produzidas a partir de lâminas histológicas reais e de representações didáticas.

Parte delas pode ter sido editada ou aprimorada digitalmente para destacar as estruturas e os achados descritos no texto.

Aviso importante

Material educacional. Não substitui o laudo anatomopatológico, a avaliação clínica, os protocolos institucionais nem a consulta às bulas.

Atlas Astrenmed de Histologia • Conteúdo para educação médica. O diagnóstico e a conduta dependem da avaliação clínica individual.
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