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Atlas de Histologia • Tecido Nervoso

Neurônio Bipolar

Bipolar neuron

Neurônio com dois prolongamentos em polos opostos do pericário: um dendrito e um axônio. É raro e típico dos órgãos dos sentidos especiais — retina, mucosa olfatória e gânglios da orelha interna.

Tipo
Classificação pelos prolongamentos
Onde está
Retina, olfato, orelha interna
Pista na lâmina
Pericário fusiforme, núcleo central
Função
Transdução e condução sensorial
8–10 min de leitura Atualizado em outubro de 2026

Reconheça o tipo

O neurônio bipolar é fusiforme: um prolongamento sai de cada extremidade. Na lâmina você raramente vê os dois polos; o tipo é deduzido sobretudo pelo órgão e pela camada. O esquema mostra os três lugares onde ele aparece.

Lâmina histológica

Figura 1. Retina, HE, 400x. Na camada nuclear interna, núcleos ovais de células bipolares (com células horizontais, amácrinas e de Müller), entre a camada plexiforme externa (sinapse com fotorreceptores) e a plexiforme interna (sinapse com células ganglionares).

Roteiro de observação
  1. 1
    Ache as três camadas de núcleosNuclear externa (fotorreceptores), nuclear interna (bipolares e outras) e ganglionar.
  2. 2
    Camada nuclear internaNúcleos ovais, densamente agrupados: a maioria é de células bipolares.
  3. 3
    OrientaçãoO dendrito sobe para a plexiforme externa; o axônio desce para a plexiforme interna — perpendiculares às camadas.
  4. 4
    Cadeia verticalFotorreceptor → bipolar → célula ganglionar: a bipolar é o 2º neurônio da via visual.

Em 30 segundos

O essencial de visão geral

  1. Bipolar = um dendrito + um axônio, saindo de polos opostos de um pericário fusiforme.
  2. É raro e restrito aos sentidos especiais: retina, mucosa olfatória, gânglios espiral e vestibular.
  3. Na retina, a célula bipolar é o 2º neurônio da via visual, na camada nuclear interna.
  4. O neurônio olfatório é bipolar e um dos poucos neurônios renovados continuamente no adulto, a partir das células basais.

O que define o neurônio bipolar

Na classificação pelo número de prolongamentos, o bipolar fica entre o multipolar (muitos dendritos) e o pseudounipolar (prolongamento único em T). Seu desenho é linear: o sinal entra por um polo e sai pelo outro, passando pelo pericário.

Esse arranjo serve bem a vias sensoriais diretas, em que a informação de um receptor precisa ser levada com pouca integração ao próximo neurônio.

LocalDendrito recebe deAxônio vai para
Retina (célula bipolar)Cones e bastonetesCélulas ganglionares (e amácrinas)
Mucosa olfatóriaOdorantes, pelos cílios olfatóriosBulbo olfatório (glomérulos)
Gânglio espiralCélulas ciliadas da cócleaNúcleos cocleares do tronco
Gânglio vestibularCélulas ciliadas de máculas e cristasNúcleos vestibulares do tronco

O neurônio olfatório: um bipolar que se renova

Exposto ao ar, o neurônio receptor olfatório tem vida limitada e é substituído durante toda a vida.

  1. Células basais

    Células-tronco na base do epitélio olfatório.

  2. Neurônio imaturo

    Migra para a altura média do epitélio.

  3. Neurônio maduro

    Dendrito com vesícula olfatória e cílios; axônio para o bulbo.

O neurônio bipolar em quatro contextos

O bipolar quase nunca aparece "de corpo inteiro" no HE. Roteiro: reconheça o órgão, ache a camada, depois procure núcleos alongados no eixo da via sensorial.

Camadas da retina

Retina, HE, 200x. Três faixas de núcleos separadas por duas plexiformes rosadas. A camada nuclear interna, no meio, contém as células bipolares; a ganglionar, mais interna, tem núcleos maiores e esparsos.

RetinaHENuclear interna

Epitélio olfatório

Mucosa olfatória, HE, 400x. Epitélio pseudoestratificado alto: núcleos de células de sustentação no topo, núcleos redondos de neurônios bipolares no meio e células basais junto à membrana basal. Na lâmina própria, glândulas de Bowman e feixes de axônios.

OlfatoGlândulas de Bowman

Gânglio espiral

Cóclea, HE, 200x. No modíolo (eixo ósseo), grupos de pericários de neurônios bipolares do gânglio espiral; fibras periféricas seguem para o órgão de Corti e centrais formam o nervo coclear.

CócleaAudição

Célula bipolar isolada

Impregnação argêntica ou imunofluorescência da retina, 400x. Célula fusiforme com dendrito ramificado voltado aos fotorreceptores e axônio terminando na plexiforme interna — os dois polos visíveis.

ImpregnaçãoMorfologia

Em prova, o neurônio bipolar é reconhecido pelo lugar: camada nuclear interna da retina, metade média do epitélio olfatório ou gânglio do modíolo coclear. A forma fusiforme confirma quando aparece.

Aumento a aumento

  1. 40x — identifique o órgão

    Retina (faixa estratificada sob a coroide), cavidade nasal alta (epitélio espesso, sem caliciformes) ou cóclea (espiral óssea).

  2. 100x — ache a camada

    Retina: a faixa nuclear do meio. Olfato: faixa média de núcleos redondos. Cóclea: grupos de células no modíolo.

  3. 400x — o núcleo

    Núcleo oval ou redondo, central num pericário pequeno e alongado no eixo da via.

  4. 400x — os polos

    Quando visíveis, um prolongamento em cada extremidade, em direções opostas.

  5. Colorações especiais

    Impregnação argêntica ou imuno-histoquímica (por exemplo, PKC-alfa para bipolares de bastonete) mostram os dois polos.

Pegadinhas

Na mucosa olfatória, os núcleos mais superficiais são de células de sustentação, não neurônios. Na retina, os núcleos da camada ganglionar são de células ganglionares (multipolares). Gânglio espinal tem pseudounipolares, não bipolares.

Descrição-modelo para a prova prática

Modelo de descrição

Corte de retina corado por HE, com as camadas dispostas da coroide para o vítreo. Na camada nuclear interna, entre as camadas plexiformes externa e interna, observam-se numerosos núcleos ovais, em grande parte de células bipolares: neurônios de pericário pequeno e fusiforme cujo dendrito se dirige aos fotorreceptores e cujo axônio se dirige às células ganglionares. Na mesma camada há núcleos de células horizontais, amácrinas e de Müller.

Na mucosa olfatória, descreva os neurônios bipolares na faixa média do epitélio, entre sustentação e basais.

Bipolar ou outro tipo?

Os três tipos morfológicos se separam pelo número de prolongamentos e, na lâmina, sobretudo pelo órgão. Dentro da retina e do epitélio olfatório, cuidado com as células vizinhas.

EstruturaAchado-chaveComo diferenciar
Achado-chavePericário poligonal, vários dendritos
Como diferenciarSubstância cinzenta do SNC e gânglios autônomos; inclui as células ganglionares da retina.
Achado-chaveProlongamento único em T
Como diferenciarGânglio espinal e gânglios sensitivos cranianos, com anel de satélites.
Achado-chaveNúcleo junto à membrana basal
Como diferenciarNa base do epitélio olfatório; é a célula-tronco que repõe os neurônios.
Achado-chavePseudoestratificado ciliado com caliciformes
Como diferenciarMais baixo, com caliciformes e cílios móveis; sem neurônios nem glândulas de Bowman.

Lesões dos neurônios bipolares tiram visão, olfato, audição ou equilíbrio. Conhecer onde eles ficam ajuda a localizar o problema na via sensorial.

Quando os neurônios bipolares falham

Cada sentido especial tem sua doença típica envolvendo o neurônio bipolar ou a via de que ele faz parte.

Anosmia

Trauma craniano pode romper os axônios olfatórios na lâmina cribriforme; infecções virais respiratórias lesam o epitélio olfatório.

Surdez neurossensorial

Perda de células ciliadas e de neurônios do gânglio espiral; o implante coclear estimula diretamente esses neurônios.

Doenças da retina

Isquemia e doenças hereditárias da retina comprometem a cadeia fotorreceptor → bipolar → ganglionar.

Vertigem

Lesões do nervo e do gânglio vestibular causam vertigem e desequilíbrio.

O neurônio olfatório é dos poucos neurônios repostos no adulto: por isso o olfato pode se recuperar após lesão do epitélio.

Referências bibliográficas

  1. 1
    Livro-texto2023
    Junqueira LC, Carneiro J. Histologia Básica: texto e atlas. 14. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan; 2023.
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    Gartner LP. Tratado de Histologia. 5. ed. Rio de Janeiro: Elsevier; 2022.
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    Livro-texto2021
    Kierszenbaum AL, Tres LL. Histologia e Biologia Celular: uma introdução à patologia. 5. ed. Rio de Janeiro: Elsevier; 2021.
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    Livro-texto2014
    Young B, O’Dowd G, Woodford P. Wheater Histologia Funcional: texto e atlas em cores. 6. ed. Rio de Janeiro: Elsevier; 2014.

Fontes das imagens

As imagens deste atlas têm finalidade educacional e foram produzidas a partir de lâminas histológicas reais e de representações didáticas.

Parte delas pode ter sido editada ou aprimorada digitalmente para destacar as estruturas e os achados descritos no texto.

Aviso importante

Material educacional. Não substitui o laudo anatomopatológico, a avaliação clínica, os protocolos institucionais nem a consulta às bulas.

Atlas Astrenmed de Histologia • Conteúdo para educação médica. O diagnóstico e a conduta dependem da avaliação clínica individual.
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