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Atlas de Histologia • Lâminas de Órgãos

Mucosa Olfatória

Epitélio olfatório • olfactory mucosa

Área especializada do teto da cavidade nasal com um epitélio pseudoestratificado alto formado por neurônios olfatórios bipolares, células de sustentação e células basais. Na lâmina própria, glândulas de Bowman e feixes do nervo olfatório.

Tipo
Epitélio sensorial
Onde está
Teto nasal, concha superior, septo alto
Pista na lâmina (HE)
Epitélio alto sem caliciformes + nervos
Função
Detectar odorantes (olfação)
8–10 min de leitura Atualizado em outubro de 2026

Reconheça a lâmina

À primeira vista, parece epitélio respiratório. A diferença: é mais alto, não tem caliciformes e, logo abaixo, há feixes nervosos e glândulas serosas (de Bowman).

Lâmina histológica

Figura 1. Mucosa olfatória, HE, 400x. Epitélio pseudoestratificado alto, com núcleos em três faixas, sem células caliciformes; lâmina própria com glândulas de Bowman e feixes de axônios amielínicos.

Roteiro de observação
  1. 1
    Faixa apical de núcleosNúcleos ovais perto da superfície: células de sustentação.
  2. 2
    Faixa intermediáriaNúcleos redondos, em várias alturas: neurônios olfatórios.
  3. 3
    Faixa basalNúcleos pequenos junto à membrana basal: células basais.
  4. 4
    Lâmina própriaGlândulas de Bowman (serosas) e feixes de nervo olfatório de aspecto fibrilar e pálido.

Em 30 segundos

O essencial de visão geral

  1. Ocupa o teto da cavidade nasal, a concha superior e a parte alta do septo.
  2. Três células principais: neurônios olfatórios bipolares, de sustentação e basais; não há caliciformes.
  3. Os cílios dos neurônios são imóveis e carregam os receptores de odorantes.
  4. O neurônio olfatório é um dos poucos neurônios renovados continuamente a partir de células basais.

O que é a mucosa olfatória

É o único ponto do corpo em que um neurônio fica com o corpo celular num epitélio e o dendrito exposto ao meio externo. Os axônios desses neurônios, amielínicos, se agrupam em feixes (fila olfatória) que atravessam a lâmina cribriforme do etmoide e fazem sinapse no bulbo olfatório.

As glândulas de Bowman, serosas, lavam continuamente a superfície: dissolvem os odorantes e removem-nos para que novos estímulos sejam percebidos.

Do odorante ao bulbo

Cada neurônio olfatório expressa, em geral, um único tipo de receptor acoplado à proteína G; os neurônios com o mesmo receptor convergem para os mesmos glomérulos do bulbo.

  1. Dissolução

    Odorante no muco das glândulas de Bowman.

  2. Ligação

    Receptor nos cílios imóveis.

  3. Potencial

    Via proteína G olfatória e AMPc.

  4. Sinapse

    Axônio → glomérulo do bulbo olfatório.

A mucosa olfatória em quatro imagens

Roteiro: compare sempre com o epitélio respiratório vizinho — altura, caliciformes e o que há na lâmina própria.

Panorâmica do teto nasal

HE, 100x. Epitélio alto sobre uma lâmina própria rica em glândulas e em feixes nervosos pálidos; acima, osso da lâmina cribriforme. A mucosa respiratória, mais baixa e com caliciformes, aparece numa das bordas.

HE100xLâmina cribriforme

Três faixas de núcleos

HE, 400x. Núcleos ovais apicais (sustentação), núcleos redondos intermediários (neurônios) e núcleos pequenos basais (células basais). Na superfície, uma franja fina de cílios e microvilosidades; nenhuma caliciforme.

HE400xPseudoestratificado

Glândulas de Bowman e fila olfatória

HE, 200x. Ácinos serosos tubuloalveolares com ductos curtos que atravessam o epitélio; ao lado, feixes de axônios amielínicos envoltos por células embainhantes olfatórias, de aspecto fibrilar.

HEBowmanNervo olfatório

Neurônio olfatório na imuno-histoquímica

Imuno-histoquímica para marcador neuronal (por exemplo, proteína marcadora olfatória ou beta-III-tubulina), 400x. Corpos celulares marcados no meio do epitélio, dendritos subindo até a superfície e axônios descendo para a lâmina própria.

IHQNeurônio bipolarDendrito

Epitélio pseudoestratificado alto, sem caliciformes, com feixes nervosos e glândulas serosas logo abaixo, no teto da cavidade nasal = mucosa olfatória.

Aumento a aumento

  1. 40x — a localização

    Teto da cavidade nasal, perto do osso da lâmina cribriforme ou da concha superior.

  2. 100x — a lâmina própria

    Muitas glândulas serosas e feixes nervosos pálidos, de aspecto fibrilar; plexo venoso discreto.

  3. 400x — o epitélio

    Mais alto que o respiratório, com núcleos em três faixas; nenhuma caliciforme.

  4. 400x — a superfície

    Franja fina de cílios e microvilosidades; pigmento castanho-amarelado pode ser visto nas células de sustentação.

Pegadinhas

Epitélio respiratório também é pseudoestratificado e ciliado: procure caliciformes (presentes no respiratório, ausentes no olfatório). Glândulas de Bowman são serosas, não seromucosas. Os feixes da lâmina própria são de axônios amielínicos — não espere bainhas de mielina claras.

Descrição-modelo para a prova prática

Modelo de descrição

Corte histológico do teto da cavidade nasal corado por HE. Mucosa revestida por epitélio pseudoestratificado cilíndrico alto, sem células caliciformes, com três faixas de núcleos: apicais e ovais (células de sustentação), intermediários e arredondados (neurônios olfatórios bipolares) e basais pequenos (células basais). Lâmina própria de conjuntivo frouxo com glândulas tubuloalveolares serosas (glândulas de Bowman) cujos ductos atravessam o epitélio, feixes de axônios amielínicos (fila olfatória) e vasos. Diagnóstico: mucosa olfatória.

Cite a ausência de caliciformes: é o argumento que separa do epitélio respiratório.

Epitélios altos e mucosas parecidas

O diferencial é quase todo com o epitélio respiratório. Os outros itens aparecem quando a lâmina inclui a lâmina própria ou o nervo.

EstruturaAchado-chaveComo diferenciar
Achado-chaveCaliciformes e plexos venosos
Como diferenciarEpitélio mais baixo com caliciformes; glândulas seromucosas; sem feixes nervosos grossos.
Achado-chaveCílios móveis longos
Como diferenciarCílios densos e nítidos no ápice; caliciformes intercaladas.
Achado-chaveFascículos com perineuro
Como diferenciarFila olfatória é amielínica e fica sob o epitélio; nervo periférico típico tem mielina e núcleos de Schwann.
Achado-chaveÁcinos serosos puros
Como diferenciarÓrgão glandular com ductos estriados e gordura; Bowman são pequenas, sob epitélio sensorial.
Achado-chaveEpitélio sensorial em camadas
Como diferenciarDez camadas e fotorreceptores; na olfatória o próprio neurônio é o receptor.

Perda do olfato (anosmia) ou redução (hiposmia) pode vir do epitélio, dos axônios que cruzam a lâmina cribriforme ou do sistema nervoso central.

Causas de anosmia ligadas à mucosa

Como o neurônio olfatório se renova a partir das células basais, muitas perdas por agressão do epitélio se recuperam em semanas a meses. Lesões que cortam os axônios ou destroem as células basais tendem a ser mais duradouras.

Pós-viral

Infecções respiratórias, como a COVID-19, lesam sobretudo as células de sustentação e afetam os neurônios secundariamente.

Trauma craniano

Movimento do encéfalo secciona os filetes olfatórios na lâmina cribriforme; pode haver fístula liquórica.

Síndrome de Kallmann

Falha na migração de neurônios de GnRH junto ao nervo olfatório: anosmia + hipogonadismo hipogonadotrófico.

Doenças neurodegenerativas

Hiposmia pode preceder os sintomas motores na doença de Parkinson e aparecer cedo no Alzheimer.

Mucosa olfatória = neurônio bipolar exposto ao ar + célula basal que o repõe; sem caliciformes, com glândulas de Bowman.

Tumor do epitélio olfatório

O estesioneuroblastoma (neuroblastoma olfatório) nasce no teto da cavidade nasal: ninhos de células pequenas e redondas em matriz fibrilar neural, às vezes com rosetas. Manifesta-se com obstrução nasal e epistaxe unilaterais.

Referências bibliográficas

  1. 1
    Livro-texto2023
    Junqueira LC, Carneiro J. Histologia Básica: texto e atlas. 14. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan; 2023.
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    Livro-texto2022
    Gartner LP. Tratado de Histologia. 5. ed. Rio de Janeiro: Elsevier; 2022.
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    Kierszenbaum AL, Tres LL. Histologia e Biologia Celular: uma introdução à patologia. 5. ed. Rio de Janeiro: Elsevier; 2021.
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    Livro-texto2021
    Kumar V, Abbas AK, Aster JC. Robbins & Cotran Patologia: bases patológicas das doenças. 10. ed. Rio de Janeiro: Elsevier; 2021.

Fontes das imagens

As imagens deste atlas têm finalidade educacional e foram produzidas a partir de lâminas histológicas reais e de representações didáticas.

Parte delas pode ter sido editada ou aprimorada digitalmente para destacar as estruturas e os achados descritos no texto.

Aviso importante

Material educacional. Não substitui o laudo anatomopatológico, a avaliação clínica, os protocolos institucionais nem a consulta às bulas.

Atlas Astrenmed de Histologia • Conteúdo para educação médica. O diagnóstico e a conduta dependem da avaliação clínica individual.
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