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Atlas de Histologia • Tecido Nervoso

Tanicito

Célula ependimária especializada • tanycyte

Célula ependimária modificada do assoalho e das paredes do III ventrículo: a face apical toca o líquor e um prolongamento basal longo alcança neurônios do hipotálamo e os capilares portais da eminência mediana. É uma ponte entre líquor, sangue e sistema neuroendócrino.

Tipo
Célula ependimária especializada
Onde está
Assoalho do III ventrículo
Pista na lâmina (HE)
Epêndima alongado, sem cílios nítidos
Função
Interface líquor–sangue portal
8–10 min de leitura Atualizado em outubro de 2026

Reconheça a célula

No HE, o tanicito parece uma célula ependimária comum, só que mais alta e quase sem cílios, revestindo a parte baixa do III ventrículo. O que o define — o prolongamento basal que mergulha no hipotálamo — aparece no esquema e em marcações como vimentina.

Lâmina histológica

Figura 1. Assoalho do III ventrículo (eminência mediana), HE, 400x. Revestimento de células cúbicas a colunares, de núcleo alongado e basal, com superfície apical sem cílios evidentes; abaixo, parênquima hipotalâmico com capilares.

Roteiro de observação
  1. 1
    Ache o III ventrículoFenda estreita na linha média entre os dois hipotálamos, acima da haste hipofisária.
  2. 2
    Olhe o assoalho e a base das paredesRevestimento contínuo de células alongadas: é ali que ficam os tanicitos.
  3. 3
    Superfície apicalSem o tapete de cílios do epêndima típico; no máximo microvilos e cílios esparsos.
  4. 4
    Abaixo do revestimentoNa eminência mediana, capilares fenestrados do plexo portal primário.

Em 30 segundos

O essencial de visão geral

  1. É uma célula ependimária especializada, alongada, sem o tapete de cílios do epêndima comum.
  2. Fica no assoalho e nas paredes inferiores do III ventrículo, sobretudo na eminência mediana e junto ao núcleo arqueado.
  3. Seu prolongamento basal chega aos capilares portais e a neurônios do hipotálamo: une líquor, sangue e neurônios.
  4. Participa do controle de eixos neuroendócrinos (reprodutivo, tireoidiano, apetite) e forma a barreira entre líquor e eminência mediana.

O que é o tanicito

O nome vem do grego tanus, "alongado". O tanicito é uma célula ependimária que conservou a forma da glia radial embrionária: um corpo junto ao ventrículo e um prolongamento que atravessa o tecido.

A eminência mediana é um órgão circunventricular: seus capilares são fenestrados e não têm barreira hematoencefálica. Os tanicitos, unidos por junções oclusivas, impedem que substâncias do sangue portal passem livremente ao líquor.

Célula ependimária típica

  • Cúbica a colunar baixa
  • Muitos cílios móveis e microvilos
  • Reveste ventrículos e canal central
  • Move o líquor

Tanicito

  • Alta e alongada
  • Poucos ou nenhum cílio móvel
  • Restrito ao III ventrículo inferior
  • Prolongamento basal longo; papel neuroendócrino

O que o tanicito faz

As funções descritas vêm sobretudo de estudos em animais, mas ajudam a entender por que essa célula fica justamente na porta de entrada do eixo hipotálamo-hipófise.

Transporte

Leva substâncias entre o líquor, o sangue portal e o parênquima hipotalâmico.

Barreira

Junções oclusivas separam a eminência mediana "aberta" do líquor ventricular.

Acesso dos terminais

Os pés terminais se retraem ou avançam sobre os capilares, modulando a liberação de hormônios hipotalâmicos, como o GnRH.

Sensor metabólico

Detecta glicose e hormônios (leptina, hormônio tireoidiano), informando o hipotálamo sobre o estado do corpo.

O tanicito em quatro contextos

O desafio é achar o lugar certo: o III ventrículo inferior. Roteiro: localize o ventrículo, depois compare o revestimento do assoalho com o das paredes altas.

Hipotálamo e III ventrículo

Corte coronal, HE, 40x. Fenda do III ventrículo na linha média, núcleos hipotalâmicos dos dois lados e eminência mediana na base, continuando-se com a haste hipofisária. Serve de mapa para achar a região dos tanicitos.

HE40xOrientação

Revestimento do assoalho

HE, 400x. Células altas, de núcleo alongado e superfície apical lisa, sem cílios evidentes. Compare com o epêndima ciliado das paredes altas ou do aqueduto. Abaixo, capilares da eminência mediana.

HE400xTanicitos

Prolongamentos basais

Imuno-histoquímica para vimentina, 200x. Corpos marcados no revestimento ventricular e prolongamentos longos e paralelos mergulhando no parênquima hipotalâmico até perto dos capilares. Mostra a forma de glia radial.

VimentinaGlia radial

Ultraestrutura do polo apical

ME de transmissão. Superfície voltada ao líquor com microvilos e raros cílios; junções oclusivas entre tanicitos vizinhos. Na base, pés terminais sobre a lâmina basal de capilares fenestrados.

MEJunções oclusivas

Na prática de lâmina, o tanicito é reconhecido pela localização (III ventrículo inferior, eminência mediana) e por ser um epêndima alto e sem cílios. O prolongamento só aparece com marcação específica.

Aumento a aumento

  1. 40x — ache o III ventrículo

    Em corte coronal do diencéfalo, fenda mediana entre os tálamos e, mais abaixo, entre os hipotálamos.

  2. 100x — assoalho e eminência mediana

    Base do ventrículo, sobre a haste hipofisária; área rica em capilares.

  3. 400x — o revestimento

    Células cúbicas altas a colunares, núcleo alongado, superfície sem cílios; diferentemente do epêndima típico, que mostra borda ciliada.

  4. 400x — abaixo do revestimento

    Neurópilo com estriação radial discreta e capilares do plexo portal primário.

  5. Marcações

    Vimentina e nestina destacam corpo e prolongamento; GFAP pode ser positivo em parte das células.

Pegadinhas

Revestimento ciliado em outras partes dos ventrículos = epêndima comum. Epitélio cúbico sobre eixos vasculares em franjas = plexo coroide. Na eminência mediana, falta de barreira hematoencefálica é dos capilares; a barreira para o líquor é feita pelos tanicitos.

Descrição-modelo para a prova prática

Modelo de descrição

Corte de hipotálamo na altura do III ventrículo, corado por HE. O assoalho ventricular, na região da eminência mediana, é revestido por células ependimárias especializadas (tanicitos), cúbicas altas a colunares, de núcleo alongado e superfície apical sem cílios evidentes. Subjacente, parênquima com capilares numerosos correspondentes ao plexo portal primário. Os prolongamentos basais não são individualizados nesta coloração.

Se a lâmina tiver imuno-histoquímica (vimentina), descreva os prolongamentos radiais até os capilares.

Revestimentos e glias parecidos

Tudo o que reveste ventrículo é ependimário ou coroide. O que separa o tanicito é onde ele está e a ausência de cílios; o que o aproxima de outras glias é a forma radial.

EstruturaAchado-chaveComo diferenciar
Achado-chaveCúbica, ciliada, reveste ventrículos
Como diferenciarBorda de cílios nítida; presente em todo o sistema ventricular e no canal central.
Achado-chaveEpitélio cúbico sobre franjas vasculares
Como diferenciarForma vilosidades com eixo de capilares; produz líquor.
Achado-chaveOutra glia radial persistente
Como diferenciarNo cerebelo, camada de Purkinje; não reveste ventrículo.
Achado-chaveNúcleo oval claro no parênquima
Como diferenciarNão forma revestimento; prolongamentos estrelados ao GFAP.

O tanicito fica no cruzamento entre líquor, hipotálamo e hipófise. Entendê-lo ajuda a raciocinar sobre o eixo neuroendócrino e sobre os órgãos circunventriculares.

Eixo hipotálamo-hipófise

Hormônios liberadores (GnRH, TRH, CRH, GHRH) são lançados nos capilares da eminência mediana e chegam à adeno-hipófise pelo sistema porta. Os tanicitos ficam exatamente sobre esse ponto e modulam o acesso dos terminais nervosos aos capilares.

Eixo reprodutivo

Controle da liberação de GnRH ligado ao ciclo e à puberdade.

Eixo tireoidiano

Convertem T4 em T3 localmente, informando o hipotálamo sobre o hormônio tireoidiano.

Apetite

Levam sinais como leptina e glicose ao núcleo arqueado.

Eminência mediana = capilares sem barreira + tanicitos com junções oclusivas: o sangue fala com os neurônios sem invadir o líquor.

Onde aparece na patologia

  • Lesões da região hipotalâmica e da haste (tumores, inflamação, trauma) podem interromper a comunicação com a hipófise e causar hipopituitarismo.
  • A dilatação ventricular da hidrocefalia estira e danifica o revestimento ependimário, incluindo o do III ventrículo.
  • Ependimomas podem exibir padrão tanicítico: células fusiformes alongadas que lembram os tanicitos, um diferencial com outros tumores fusocelulares.

Referências bibliográficas

  1. 1
    Livro-texto2023
    Junqueira LC, Carneiro J. Histologia Básica: texto e atlas. 14. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan; 2023.
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    Ross MH, Pawlina W. Histologia: texto e atlas — correlações com biologia celular e molecular. 8. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan; 2021.
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    Livro-texto2021
    Kierszenbaum AL, Tres LL. Histologia e Biologia Celular: uma introdução à patologia. 5. ed. Rio de Janeiro: Elsevier; 2021.
  4. 4
    Livro-texto2022
    Gartner LP. Tratado de Histologia. 5. ed. Rio de Janeiro: Elsevier; 2022.
  5. 5
    Livro-texto2021
    Kumar V, Abbas AK, Aster JC. Robbins & Cotran Patologia: bases patológicas das doenças. 10. ed. Rio de Janeiro: Elsevier; 2021.

Fontes das imagens

As imagens deste atlas têm finalidade educacional e foram produzidas a partir de lâminas histológicas reais e de representações didáticas.

Parte delas pode ter sido editada ou aprimorada digitalmente para destacar as estruturas e os achados descritos no texto.

Aviso importante

Material educacional. Não substitui o laudo anatomopatológico, a avaliação clínica, os protocolos institucionais nem a consulta às bulas.

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