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Degeneração marginal de Terrien

Terrien marginal degeneration • afinamento corneano periférico não inflamatório

Afinamento periférico, lento e geralmente indolor da córnea, que começa na região superior, com vasos superficiais e uma linha de lipídio na borda que avança para o centro. O epitélio fica íntegro. O problema principal é o astigmatismo crescente; a perfuração é rara, mas possível após trauma leve.

Córnea periféricaComeça em cimaAstigmatismo contra a regraProteção ocular
12–15 min de leitura Atualizado em outubro de 2026

Reconheça o achado

Imagem clínica

Degeneração marginal de Terrien: goteira periférica superior com vasos superficiais e linha de lipídio na borda central. Toque para ampliar.

Principais achados
  1. 1
    Afinamento estromal periférico, inicialmente superior
  2. 2
    Faixa clara entre o afinamento e o limbo no início
  3. 3
    Vascularização superficial cruzando a área fina
  4. 4
    Linha de lipídio amarelada na borda central
  5. 5
    Epitélio íntegro (fluoresceína negativa)
  6. 6
    Astigmatismo contra a regra ou oblíquo; pseudopterígio

Em 30 segundos

O essencial de visão geral

  1. Afinamento periférico não inflamatório, lento, geralmente superior.
  2. Vasos superficiais e linha de lipídio na borda que avança.
  3. Epitélio íntegro e olho calmo — diferente de Mooren e PUK.
  4. Astigmatismo contra a regra/oblíquo; risco de perfuração com trauma.

O que é

Descrita por Terrien em 1900, é uma degeneração rara e idiopática da periferia corneana. Começa com opacidades puntiformes finas no estroma anterior, separadas do limbo por uma faixa clara; com os anos, a área afina, recebe vasos superficiais e a borda central acumula lipídio.

A progressão é lenta e circunferencial; o afinamento pode se estender para os lados e, raramente, envolver toda a periferia. Há uma variante inflamatória, em pacientes mais jovens, com episódios de episclerite ou esclerite.

Terrien = afinamento periférico sem úlcera: epitélio íntegro, pouca dor e evolução em anos. Defeito epitelial e dor intensa mudam o diagnóstico.

Em 30 segundos

O essencial de quadro clínico

  1. Assintomática ou com baixa visual por astigmatismo.
  2. Bilateral e assimétrica, mais em homens.
  3. Forma inflamatória: dor e hiperemia episódicas.
  4. Perfuração é a complicação mais temida.

Sintomas e sinais

Astigmatismo

Contra a regra ou oblíquo, que aumenta com o tempo.

Visão borrada

Pelo astigmatismo irregular.

Irritação leve

Sem dor importante na forma clássica.

Forma inflamatória

Jovens; dor, hiperemia, episclerite.

Pseudopterígio

Conjuntiva sobre a área fina.

Perfuração

Espontânea ou após trauma leve.

Evolução

FaseAspecto
InicialOpacidades puntiformes no estroma periférico superior, faixa clara até o limbo, vasos finos
IntermediáriaGoteira de afinamento com vasos e linha de lipídio na borda central
AvançadaAfinamento extenso, ectasia periférica, astigmatismo alto, risco de perfuração

Em 30 segundos

O essencial de diagnóstico

  1. Diagnóstico clínico na lâmpada de fenda.
  2. Fluoresceína: epitélio íntegro.
  3. Tomografia/OCT de segmento anterior: espessura residual e astigmatismo.
  4. Excluir PUK de doença sistêmica e úlcera de Mooren.

Avaliação

  1. Biomicroscopia

    Localização e extensão, vasos, lipídio, faixa clara, pseudopterígio.

  2. Fluoresceína e Seidel

    Epitélio íntegro; Seidel na suspeita de perfuração.

  3. Tomografia de córnea

    Mapa paquimétrico com afinamento periférico superior; aplanamento do meridiano vertical (astigmatismo contra a regra).

  4. OCT de segmento anterior

    Mede a espessura residual na goteira e acompanha a progressão.

  5. Investigação sistêmica

    Se houver inflamação, dor ou defeito epitelial: fator reumatoide, ANCA, VHS/PCR (PUK).

Diagnóstico diferencial

CondiçãoAchado-chaveComo diferenciar
Achado-chaveÚlcera periférica com borda escavada
Como diferenciarDor intensa, defeito epitelial, progressão rápida; sem lipídio.
Achado-chaveFaixa fina inferior
Como diferenciarInferior, sem vasos nem lipídio; protrusão acima da faixa.
PUK sistêmica
Achado-chaveÚlcera periférica + esclerite
Como diferenciarArtrite reumatoide, vasculites; defeito epitelial e inflamação.
Achado-chaveLipídio periférico
Como diferenciarSem afinamento nem vasos.
Sulco senil (furrow)
Achado-chaveAfinamento leve na zona clara do arco
Como diferenciarIdosos, não progride, sem vasos.

Galeria oftalmológica

Procure três coisas na periferia: afinamento, vasos e a linha amarela de lipídio.

Goteira superior vascularizada

Faixa de afinamento na periferia superior coberta por vasos superficiais, com a linha de lipídio amarelada marcando a borda central.

SuperiorLipídioVasos

Corte óptico na goteira

O feixe mostra o estroma bem mais fino na periferia do que no centro. A parede central é íngreme; a periférica, em rampa.

Corte ópticoAfinamento

Fluoresceína negativa

Apesar do afinamento, a área não cora: o epitélio está íntegro, o que afasta úlcera periférica.

FluoresceínaEpitélio íntegro

Pseudopterígio

Prega de conjuntiva estendendo-se sobre a área fina, em posição oblíqua — diferente do pterígio típico, nasal e interpalpebral.

Pseudopterígio

Em 30 segundos

O essencial de tratamento

  1. Óculos, lentes rígidas ou esclerais para o astigmatismo.
  2. Óculos de proteção (policarbonato) pelo risco de perfuração.
  3. Afinamento extremo ou perfuração: enxerto lamelar em crescente ou tectônico.
  4. Forma inflamatória: corticoide tópico em ciclos curtos.

Abordagem

A maioria dos casos é conduzida só com correção óptica e acompanhamento da espessura. A cirurgia (ceratoplastia lamelar em crescente, enxerto tectônico ou anelar) reforça a periferia e reduz o astigmatismo; a cola de cianoacrilato é uma medida temporária na perfuração pequena.

Óptica

Óculos; lentes rígidas, híbridas ou esclerais.

Proteção

Óculos de policarbonato, sobretudo em esportes.

Cirurgia

Enxerto lamelar em crescente; tectônico se perfurar.

Rotas de tratamento

O tratamento farmacológico é coadjuvante e reservado à forma inflamatória ou ao desconforto de superfície.

Referências bibliográficas

  1. 1
    Livro-texto2025
    American Academy of Ophthalmology. Basic and Clinical Science Course (BCSC), Section 8: External Disease and Cornea. San Francisco: AAO; 2024–2025.
  2. 2
    Livro-texto2020
    Bowling B. Kanski’s Clinical Ophthalmology: A Systematic Approach. 9. ed. Elsevier; 2020.
  3. 3
    Livro-texto2023
    Yanoff M, Duker JS. Ophthalmology. 6. ed. Elsevier; 2023.
  4. 4
    Artigo2015
    Chan AT, Ulate R, Goldich Y, et al. Terrien marginal degeneration: clinical characteristics and outcomes. Am J Ophthalmol. 2015;160(5):867–872.
  5. 5
    Revisão online2026
    EyeWiki (American Academy of Ophthalmology). Terrien Marginal Degeneration. Revisão online; acesso em 2026.

Fontes das imagens

As imagens deste atlas têm finalidade educacional e foram produzidas a partir de referências clínicas reais e de representações anatômicas didáticas.

Parte delas pode ter sido editada ou aprimorada digitalmente para destacar as estruturas e os achados descritos no texto.

Aviso importante

Material educacional. Não substitui a avaliação oftalmológica, os protocolos institucionais nem a consulta às bulas. A decisão cirúrgica depende da espessura residual e do astigmatismo, avaliados pelo especialista em córnea.

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