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Atlas de Oftalmologia • Mácula

Membrana epirretiniana

Pucker macular • maculopatia em celofane • epiretinal membrane (ERM)

Lâmina fibrocelular avascular que cresce sobre a superfície interna da mácula e, ao se contrair, enruga e espessa a retina. Muito comum após os 50 anos, pode ser só um brilho "em celofane" ou causar metamorfopsia e baixa visual. A OCT define o grau; o tratamento, quando necessário, é a vitrectomia com remoção da membrana.

Interface vítreo-macularAcima de 50 anosMetamorfopsiaVitrectomia + peeling
13–16 min de leitura Atualizado em outubro de 2026

Reconheça o achado

Imagem clínica

Membrana epirretiniana: reflexo brilhante sobre a mácula, pregas radiais e vasos tortuosos convergindo para o centro. Toque para ampliar.

Principais achados
  1. 1
    Reflexo brilhante "em celofane" sobre a mácula
  2. 2
    Pregas retinianas radiais em direção ao centro
  3. 3
    Vasos perifoveais tortuosos e retificados
  4. 4
    Película acinzentada nos casos avançados (pucker)
  5. 5
    Pseudoburaco macular por verticalização das bordas
  6. 6
    OCT: linha hiper-refletiva na superfície e espessamento macular

Em 30 segundos

O essencial de visão geral

  1. A membrana epirretiniana é tecido fibrocelular sobre a membrana limitante interna da mácula.
  2. A forma idiopática se associa ao descolamento posterior do vítreo; a secundária, a roturas, cirurgia, diabetes, oclusões e uveítes.
  3. Contração da membrana causa pregas, espessamento e metamorfopsia.
  4. Tratamento: observação ou vitrectomia com peeling, conforme o impacto funcional.

O que é membrana epirretiniana

No descolamento posterior do vítreo, pequenas falhas na membrana limitante interna e restos de córtex vítreo deixados sobre a mácula funcionam como arcabouço para células que proliferam. Com o tempo, esse tecido se organiza, ganha miofibroblastos e começa a se contrair.

A contração é a responsável pelos sintomas. Uma membrana fina e não contrátil é apenas um brilho no exame; uma membrana espessa e contrátil distorce a fóvea, provoca edema e pode simular um buraco macular.

Membrana epirretiniana = tração tangencial na superfície da mácula. Tração vítreo-macular = tração anteroposterior do vítreo preso à fóvea. As duas podem coexistir.

Epidemiologia e fatores de risco

É uma das alterações maculares mais comuns do idoso. Estudos populacionais encontraram prevalência entre cerca de 7% e 12% após os 40–50 anos, aumentando com a idade; é bilateral em parte expressiva dos casos, muitas vezes assimétrica.

Idade

Rara antes dos 50 anos; aumenta progressivamente depois.

Descolamento do vítreo

Presente na grande maioria das membranas idiopáticas.

Cirurgia ocular

Retinopexia, introflexão escleral, vitrectomia, catarata complicada.

Doença vascular

Retinopatia diabética, oclusões venosas.

Inflamação

Uveítes posteriores e intermediárias.

Laser e trauma

Fotocoagulação, crioterapia e trauma ocular.

Em 30 segundos

O essencial de quadro clínico

  1. Muitos pacientes são assintomáticos; a membrana é achado de exame.
  2. Sintoma mais característico: metamorfopsia; também macropsia e diplopia binocular.
  3. Gass descreveu três graus: celofane, celofane enrugado e pucker macular.
  4. Na OCT, camadas foveais internas ectópicas indicam doença mais avançada.

Sintomas

Os sintomas refletem a deformação da camada de fotorreceptores. Como a retina é puxada para o centro, os cones se aglomeram e as imagens parecem maiores (macropsia) — o oposto do buraco macular, em que se afastam (micropsia).

Metamorfopsia

Linhas onduladas; melhor percebida no Amsler.

Macropsia

Imagem maior no olho afetado.

Diplopia binocular

Aniseiconia dificulta a fusão das imagens.

Baixa visual

Geralmente leve a moderada; grave no pucker espesso.

Leitura

Dificuldade de leitura com boa acuidade de tabela.

Assintomática

Comum nas membranas finas, em celofane.

Graus clínicos (Gass)

A graduação biomicroscópica descreve a espessura e a opacidade da membrana. Ainda é útil na descrição do fundo de olho.

Grau 0

Maculopatia em celofane

Membrana transparente; só um reflexo brilhante irregular. Sem distorção dos vasos. Em geral assintomática.

Grau 1

Celofane enrugado

Pregas finas na superfície e tortuosidade dos vasos perifoveais. Metamorfopsia leve a moderada.

Grau 2

Pucker macular

Membrana opaca, acinzentada, que encobre os vasos; distorção acentuada, edema e às vezes hemorragias.

Estadiamento pela OCT (Govetto)

Govetto e colaboradores (2017) propuseram quatro estágios baseados na OCT. O marcador central são as camadas foveais internas ectópicas (EIFL): faixa contínua de camadas internas que atravessa a fóvea, onde normalmente não deveria haver tecido interno.

EstágioOCTImplicação
1Depressão foveal presente; camadas bem definidasBoa acuidade; geralmente observação
2Perda da depressão foveal; camadas ainda identificáveisMais metamorfopsia
3Camadas foveais internas ectópicas contínuas atravessando a fóveaPior acuidade; ganho cirúrgico menor
4EIFL espessas e camadas retinianas desorganizadasPrognóstico visual mais limitado

Govetto A et al., Am J Ophthalmol 2017.

Em 30 segundos

O essencial de diagnóstico

  1. Diagnóstico clínico confirmado pela OCT.
  2. OCT: linha hiper-refletiva na superfície, pregas, espessamento, perda da depressão foveal.
  3. Angiografia só quando se suspeita de edema ou doença vascular associada.
  4. Sempre examinar a periferia: rotura retiniana pode ser a causa.

Avaliação

O exame busca três respostas: a membrana explica os sintomas? Há causa secundária? Há outra doença macular (DMRI, edema) que limite o resultado?

  1. Acuidade, Amsler e M-CHARTS

    A metamorfopsia pode ser quantificada (M-CHARTS) e acompanhada.

  2. Biomicroscopia do fundo

    Reflexo em celofane, pregas, vasos tortuosos, película acinzentada, pseudoburaco.

  3. Retina periférica

    Mapeamento com depressão escleral: roturas, cicatrizes de laser, sinais de descolamento antigo.

  4. OCT macular

    Membrana, espessura central, EIFL, zona elipsoide, tração vítrea associada.

  5. Angiofluoresceinografia (se necessário)

    Vazamento por edema, oclusão venosa, inflamação.

O que a OCT mostra

A membrana aparece como uma linha hiper-refletiva sobre a retina, às vezes descolada em pontos (deixando espaços entre ela e a superfície). A retina abaixo fica espessada, com contorno ondulado e, nos casos mais avançados, cistos e camadas internas ectópicas.

Achado característico

OCT de membrana epirretiniana

Linha hiper-refletiva na superfície, perda da depressão foveal e camadas foveais internas ectópicas atravessando o centro.

Diagnóstico diferencial

CondiçãoAchado-chaveComo diferenciar
Achado-chaveEscotoma central, micropsia
Como diferenciarOCT: defeito de espessura total; pseudoburaco da MER mantém tecido foveal.
Buraco macular lamelar
Achado-chaveBordas escavadas, perda de tecido
Como diferenciarProliferação epirretiniana isorrefletiva espessa, não contrátil.
Achado-chaveHialoide presa à fóvea
Como diferenciarTração anteroposterior com vítreo visível; pode coexistir com MER.
Achado-chaveEspessamento com cistos
Como diferenciarSem membrana na superfície; vazamento na angiografia; diabetes, oclusão, uveíte.
Achado-chaveMetamorfopsia no idoso
Como diferenciarDrusas e alterações do EPR abaixo da retina, não na superfície.

Galeria: retinografia e OCT

Observe a superfície da retina: o brilho, as pregas e o trajeto dos vasos dizem quanto a membrana está contraindo. Na OCT, procure a linha hiper-refletiva e a forma da fóvea.

Pucker macular

Película acinzentada sobre a mácula com pregas radiais convergindo para o centro e vasos tortuosos "puxados". Compare o trajeto dos vasos com o do olho normal: a retificação e a tortuosidade são sinais de contração.

RetinografiaPregas radiaisVasos tortuosos

Maculopatia em celofane

Apenas um reflexo brilhante, irregular, na superfície da mácula, sem distorção importante dos vasos. Fase em que o paciente costuma ser assintomático e a conduta é observar.

CelofaneReflexo brilhanteObservação

OCT com camadas foveais internas ectópicas

Linha hiper-refletiva na superfície, perda da depressão foveal e faixa contínua de camadas internas atravessando a fóvea (EIFL). Esse padrão indica estágio 3 ou 4 e menor ganho visual após a cirurgia.

OCTEIFLEstágio 3

Peeling da membrana durante a vitrectomia

Membrana corada sendo removida com pinça na superfície da mácula. A coloração (azul brilhante ou similar) facilita ver a membrana e a limitante interna e reduz o risco de membrana residual.

CirurgiaCorantePeeling

Em 30 segundos

O essencial de tratamento

  1. Sem sintomas relevantes: observação com OCT e Amsler.
  2. Metamorfopsia ou baixa visual que atrapalham: vitrectomia via pars plana com peeling da membrana.
  3. Peeling associado da membrana limitante interna reduz a recorrência.
  4. Não há tratamento medicamentoso para a membrana em si.

Quando indicar cirurgia

O PPP da Academia Americana de Oftalmologia orienta que a decisão seja baseada nos sintomas e no impacto funcional. Muitas membranas permanecem estáveis por anos; a remoção espontânea (separação da membrana) é rara, mas descrita.

A favor da cirurgia

  • Metamorfopsia incômoda
  • Queda progressiva da acuidade
  • Diplopia por aniseiconia
  • Edema ou tração associada

A favor de observar

  • Assintomático ou pouco sintomático
  • Membrana em celofane
  • Acuidade boa e estável
  • Paciente prefere não operar

A cirurgia

A vitrectomia remove o vítreo; a membrana é corada e apreendida com pinça, sendo descascada da superfície. Muitos cirurgiões removem também a membrana limitante interna, o que reduz a recorrência. Em geral não é necessário gás nem posicionamento.

  1. Vitrectomia

    Via pars plana.

  2. Coloração

    Azul brilhante ou similar.

  3. Peeling da MER

    Pinça de microcirurgia.

  4. Peeling da MLI

    Opcional; menos recorrência.

  5. Revisão da periferia

    Tratar roturas.

Em olhos fácicos com catarata relevante, a cirurgia combinada (facoemulsificação + vitrectomia) é opção comum.

Complicações

ComplicaçãoComentário
Catarata nuclearMuito comum após vitrectomia em fácicos
Roturas e descolamento de retinaPouco frequentes; exame da periferia é parte da cirurgia
Recorrência da membranaMenor quando a MLI é removida
Edema macular cistoidePode surgir no pós-operatório; tratado com AINE e corticoide tópicos
EndoftalmiteRara

Referências bibliográficas

  1. 1
    Diretriz2024
    American Academy of Ophthalmology Retina/Vitreous Panel. Idiopathic Epiretinal Membrane and Vitreomacular Traction Preferred Practice Pattern®. San Francisco: AAO; 2019, atualização 2024.
  2. 2
    Artigo2017
    Govetto A, Lalane RA 3rd, Sarraf D, Figueroa MS, Hubschman JP. Insights into epiretinal membranes: presence of ectopic inner foveal layers and a new optical coherence tomography staging scheme. Am J Ophthalmol. 2017;175:99–113.
  3. 3
    Livro-texto1997
    Gass JDM. Stereoscopic Atlas of Macular Diseases: Diagnosis and Treatment. 4. ed. St Louis: Mosby; 1997.
  4. 4
    Livro-texto2025
    American Academy of Ophthalmology. Basic and Clinical Science Course (BCSC), Section 12: Retina and Vitreous. San Francisco: AAO; 2024–2025.
  5. 5
    Livro-texto2020
    Bowling B. Kanski’s Clinical Ophthalmology: A Systematic Approach. 9. ed. Elsevier; 2020.
  6. 6
    Artigo2021
    Fung AT, Galvin J, Tran T. Epiretinal membrane: a review. Clin Exp Ophthalmol. 2021;49(3):289–308.
  7. 7
    Diretriz2020
    Hubschman JP, Govetto A, Spaide RF, et al. Optical coherence tomography-based consensus definition for lamellar macular hole. Br J Ophthalmol. 2020;104(12):1741–1747.

Fontes das imagens

As imagens deste atlas têm finalidade educacional e foram produzidas a partir de referências clínicas reais e de representações anatômicas didáticas.

Parte delas pode ter sido editada ou aprimorada digitalmente para destacar as estruturas e os achados descritos no texto.

Aviso importante

Material educacional. Não substitui a avaliação oftalmológica, os protocolos institucionais nem a consulta às bulas.

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