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Mancha vermelho-cereja

Cherry-red spot • mácula vermelho-cereja

A fóvea aparece vermelha e brilhante, contrastando com a retina ao redor, que ficou branca e opaca. Não é a fóvea que mudou: é a retina em volta que perdeu a transparência. No adulto, o sinal aponta para oclusão da artéria central da retina — uma emergência; no lactente, para doenças de depósito lisossômico como Tay-Sachs e Niemann-Pick.

Tipo
Sinal macular
Estrutura
Fóvea × retina perifoveal
Mecanismo
Fóvea sem células ganglionares
Pista no exame
Adulto: OACR; lactente: depósito
8–10 min de leitura Atualizado em outubro de 2026

Reconheça o achado

A fóvea é a única região da retina central sem células ganglionares — a retina ali é finíssima. Quando a retina interna ao redor fica branca (por isquemia ou acúmulo de lipídios nas células ganglionares), a fóvea continua transparente e deixa ver o vermelho da coroide: daí o contraste.

Imagem clínica

Figura 1. Oclusão da artéria central da retina: polo posterior branco-leitoso, fóvea vermelha no centro, artérias afiladas e disco discretamente pálido.

Roteiro de observação
  1. 1
    ContrastePonto vermelho central circundado por halo branco-acinzentado.
  2. 2
    Extensão do brancoTodo o polo posterior (OACR) ou um anel perifoveal mais estreito (depósito).
  3. 3
    VasosArtérias finas e coluna segmentada sugerem isquemia; vasos normais, depósito.
  4. 4
    Língua poupadaFaixa de retina normal entre disco e fóvea = artéria ciliorretiniana preservada.

O que é a mancha vermelho-cereja

É um sinal de contraste. A fóvea parece mais vermelha do que o normal porque tudo em volta ficou branco. Qualquer processo que torne opaca a camada de células ganglionares perifoveal pode produzi-la.

No adulto com perda visual súbita, a causa quase sempre é a oclusão da artéria central da retina; o sinal aparece em horas e some em semanas, deixando atrofia óptica. No lactente com regressão neurológica, sugere esfingolipidose; com o tempo, as células ganglionares morrem, a mancha esmaece e o disco fica pálido.

No adulto, é AVC ocular

Mancha vermelho-cereja com perda visual súbita e indolor = oclusão da artéria central da retina. Encaminhe imediatamente a um serviço de AVC e, se acima de 50 anos, investigue arterite de células gigantes no mesmo dia.

Adulto ou lactente: duas leituras do mesmo sinal

Adulto: isquemia

  • Perda visual súbita, unilateral
  • Palidez de todo o polo posterior
  • Artérias finas, êmbolo, DPAR
  • Transitória: some em 4–6 semanas

Lactente: depósito

  • Bilateral, simétrica
  • Anel branco perifoveal
  • Regressão neurológica, hiperacusia, convulsões
  • Esmaece com a atrofia óptica
AchadoO que éDiferença
O que éRetina opaca
DiferençaÉ o fundo branco que cria a mancha; pode ser setorial (sem mancha).
O que éDefeito foveal redondo vermelho
DiferençaRetina ao redor normal; OCT mostra o buraco.
Hemorragia foveal
O que éSangue na fóvea
DiferençaSem palidez ao redor; bloqueio na angiografia.

Quatro situações com mancha vermelho-cereja

Note como a extensão da palidez e o estado dos vasos mudam conforme a causa.

OACR clássica

Retina branca em todo o polo posterior, fóvea vermelha, artérias finas e coluna sanguínea fragmentada ("vagões de trem"). Perda visual súbita para conta-dedos ou pior.

OACREmergência

OACR com artéria ciliorretiniana

Uma língua de retina de cor normal liga o disco à fóvea: a artéria ciliorretiniana, que vem da circulação coroidea, foi poupada. A visão central pode ser surpreendentemente boa.

CiliorretinianaVisão preservada

Doença de Tay-Sachs

Lactente com anel branco perifoveal e fóvea vermelha, bilateral e simétrico. Vasos normais. Acompanha regressão do desenvolvimento e reação de sobressalto exagerada ao som.

LactenteGM2Bilateral

Fase tardia

Semanas após a OACR (ou meses na doença de depósito): a palidez sumiu, a mancha esmaeceu e o disco ficou pálido. A OCT mostra a retina interna afinada.

Atrofia ópticaRetina interna fina

A mancha é visível até com oftalmoscópio direto. O que importa é o contexto: idade, tempo de evolução, um ou dois olhos e o estado neurológico.

Exame passo a passo

  1. História

    Adulto: hora da perda visual, amaurose fugaz, sintomas de arterite, fatores de risco cardiovascular. Criança: desenvolvimento, convulsões, consanguinidade, origem étnica.

  2. Acuidade e pupilas

    DPAR intenso na OACR.

  3. Fundo de olho

    Extensão da palidez, artérias, êmbolos, artéria ciliorretiniana, disco.

  4. OCT

    OACR aguda: retina interna espessa e hiper-refletiva; depósito: hiper-refletividade da camada de células ganglionares.

  5. Próximos exames

    Adulto: VHS/PCR, avaliação de AVC, Doppler de carótidas, ecocardiograma. Lactente: dosagem enzimática (hexosaminidase etc.) e genética.

Como registrar

Modelo de registro

OE: perda visual súbita há 2 h. AV percepção luminosa; DPAR+. Palidez retiniana do polo posterior com mancha vermelho-cereja; artérias afiladas, segmentação da coluna; sem artéria ciliorretiniana; sem êmbolo visível. Hipótese: oclusão da artéria central da retina. Encaminhado ao serviço de AVC; VHS/PCR solicitados.

Anote o horário de início: decide condutas de emergência.

Causas

Dois grandes grupos: isquemia aguda (adultos) e doenças de depósito lisossômico (crianças). Há causas raras de opacificação macular.

Oclusão da artéria central

Êmbolo (carótida, coração), trombose aterosclerótica, arterite de células gigantes, vasculites, estados de hipercoagulabilidade.

Tay-Sachs e Sandhoff

Gangliosidoses GM2 (deficiência de hexosaminidase); lactentes com regressão neurológica.

Niemann-Pick

Deficiência de esfingomielinase; mancha em parte dos casos, com hepatoesplenomegalia.

Outras de depósito

Gangliosidose GM1, sialidose (síndrome mancha vermelho-cereja–mioclonia), galactossialidose, doença de Farber.

Commotio retinae macular

Opacificação traumática perifoveal pode imitar o sinal.

Tóxicas

Intoxicação por quinina e outras causas raras de edema retiniano interno.

Diferencial

CondiçãoAchado-chaveComo diferenciar
Achado-chavePalidez setorial
Como diferenciarMancha cereja ausente ou parcial; êmbolo no ramo.
Achado-chaveOpacificação pós-trauma
Como diferenciarHistória de contusão; OCT nas camadas externas.
Achado-chaveDefeito foveal
Como diferenciarRetina ao redor normal ou com halo de líquido; OCT.
Hemorragia macular
Achado-chaveMancha vermelho-escura
Como diferenciarSangue com borda irregular; sem palidez circundante.

A mancha não se trata; ela dispara a investigação da causa — de emergência no adulto, genética e metabólica na criança.

Para onde cada cenário leva

CenárioConduta
Adulto com perda visual súbitaEmergência: serviço de AVC; investigação embólica; prevenção secundária. Terapias de reperfusão estão em estudo.
Adulto > 50 anos com cefaleia, claudicação mandibular ou VHS altaCorticoide sistêmico imediato e biópsia de artéria temporal; proteger o outro olho.
Lactente com regressão neurológicaNeurologia e genética: dosagem enzimática e teste molecular; aconselhamento familiar.

AAO Retinal and Ophthalmic Artery Occlusions PPP (2025); AHA Scientific Statement (2021).

Referências bibliográficas

  1. 1
    Diretriz2025
    Kovach JL, Bailey ST, Kim SJ, et al.; American Academy of Ophthalmology Preferred Practice Pattern Retina/Vitreous Committee. Retinal and Ophthalmic Artery Occlusions Preferred Practice Pattern®. Ophthalmology. 2025.
  2. 2
    Artigo2021
    Mac Grory B, Schrag M, Biousse V, et al. Management of central retinal artery occlusion: a scientific statement from the American Heart Association. Stroke. 2021;52(6):e282–e294.
  3. 3
    Artigo2005
    Hayreh SS, Zimmerman MB. Central retinal artery occlusion: visual outcome. Am J Ophthalmol. 2005;140(3):376–391.
  4. 4
    Livro-texto2025
    American Academy of Ophthalmology. Basic and Clinical Science Course (BCSC), Section 6: Pediatric Ophthalmology and Strabismus e Section 12: Retina and Vitreous. San Francisco: AAO; 2024–2025.
  5. 5
    Livro-texto2020
    Bowling B. Kanski’s Clinical Ophthalmology: A Systematic Approach. 9. ed. Elsevier; 2020.
  6. 6
    Revisão online2026
    EyeWiki — American Academy of Ophthalmology. Cherry Red Spot. Acesso em 2026.

Fontes das imagens

As imagens deste atlas têm finalidade educacional e foram produzidas a partir de referências clínicas reais e de representações anatômicas didáticas.

Parte delas pode ter sido editada ou aprimorada digitalmente para destacar as estruturas e os achados descritos no texto.

Aviso importante

Material educacional. Não substitui a avaliação oftalmológica, os protocolos institucionais nem a consulta às bulas.

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