Reconheça a lesão
O defeito está dentro do sarcômero, mas o que se vê ao microscópio é a consequência: cardiomiócitos enormes que perderam o alinhamento paralelo.
Figura 1. Miocárdio do septo interventricular na cardiomiopatia hipertrófica, HE: cardiomiócitos hipertróficos com núcleos grandes e hipercromáticos, dispostos em ângulos oblíquos e redemoinhos (desarranjo), separados por fibrose intersticial.
- 1Cardiomiócitos hipertróficos, com núcleos grandes, hipercromáticos e irregulares
- 2Desarranjo: miócitos em ângulos oblíquos, formando redemoinhos
- 3Desarranjo das miofibrilas dentro de cada célula
- 4Fibrose intersticial e cicatrizes de substituição
- 5Artérias intramurais pequenas com parede espessada e luz reduzida
- 6Macroscopia: septo abaulado e placa fibrosa no endocárdio septal
O cardiomiócito é uma célula ramificada, com um ou dois núcleos centrais, unida às vizinhas pelos discos intercalares. Seus sarcômeros, como os do músculo esquelético, têm filamentos grossos de miosina (com a proteína C de ligação) e finos de actina, tropomiosina e troponinas. Na CMH, a mutação em uma dessas proteínas altera a contração e desencadeia hipertrofia e desorganização do tecido.