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Atlas de Histologia • Tecido Muscular

Cardiomiócito

Célula muscular cardíaca • cardiomyocyte, cardiac myocyte

Célula estriada curta, ramificada e com um ou dois núcleos centrais, unida às vizinhas pelos discos intercalares. Contrai sem parar ao longo da vida, depende de metabolismo aeróbico e quase não se divide no adulto.

Tipo
Célula muscular estriada
Onde está
Miocárdio (átrios e ventrículos)
Pista na lâmina (HE)
Núcleo central + discos
Função
Contração rítmica involuntária
10–12 min de leitura Atualizado em outubro de 2026

Reconheça a célula

O cardiomiócito é estriado como a fibra esquelética, mas se comporta como uma célula individual: núcleo no centro, limites marcados pelos discos intercalares e ramos que o conectam a várias vizinhas. O esquema mostra o que o torna resistente à fadiga.

Lâmina histológica

Figura 1. Cardiomiócitos em corte longitudinal, HE, 400x. Células estriadas ramificadas com núcleo oval central, zona perinuclear clara e discos intercalares entre células.

Roteiro de observação
  1. 1
    Limites da célulaDe um disco intercalar ao seguinte: uma célula, com 1–2 núcleos.
  2. 2
    NúcleoOval, central, de cromatina clara; às vezes binucleado.
  3. 3
    Zona perinuclearÁrea clara nos polos do núcleo, com lipofuscina e glicogênio.
  4. 4
    RamosA célula se bifurca e se conecta a mais de uma vizinha.

Em 30 segundos

O essencial de visão geral

  1. Célula estriada curta e ramificada, com um ou dois núcleos centrais — diferente da fibra esquelética, longa e multinucleada.
  2. Une-se às vizinhas pelos discos intercalares; as junções comunicantes fazem o miocárdio contrair como sincício funcional.
  3. Tem túbulos T largos na linha Z, formando díades, e mitocôndrias muito abundantes.
  4. No adulto é praticamente pós-mitótico: a necrose é reparada por cicatriz fibrosa.

Uma célula feita para não parar

O coração contrai dezenas de milhares de vezes por dia, sem descanso. Para isso, o cardiomiócito tem mitocôndrias em grande quantidade, mioglobina e uma rede capilar muito densa — e pouca reserva para trabalhar sem oxigênio. Por isso a isquemia o lesa em minutos.

A contração depende do cálcio, mas, ao contrário do esquelético, parte dele entra de fora pelos canais do sarcolema e dos túbulos T e dispara a liberação do retículo sarcoplasmático. É aí que agem bloqueadores de canal de cálcio e digitálicos.

Ventricular

Maior, com sistema de túbulos T desenvolvido; principal força de ejeção.

Atrial

Menor, com poucos túbulos T e grânulos de peptídeo natriurético atrial perto do núcleo.

Nodal

Células pequenas, pobres em miofibrilas, que geram o ritmo (nó sinoatrial).

Purkinje

Grandes, claras, ricas em glicogênio; conduzem o impulso rapidamente.

Cardiomiócito × miócito esquelético

CaracterísticaCardiomiócitoMiócito esquelético
FormaCurta, ramificadaLonga, cilíndrica, sem ramos
Núcleos1–2, centraisMuitos, periféricos
Junções entre célulasDiscos intercalaresAusentes (cada fibra é isolada)
Túbulo TLargo, na linha Z (díade)Fino, na junção A-I (tríade)
ControleInvoluntário, automáticoVoluntário (neurônio motor)
RegeneraçãoMínima: cicatriz fibrosaPor células satélite

Junqueira & Carneiro; Ross & Pawlina.

O cardiomiócito em quatro imagens

Roteiro: núcleo central, ramos e discos no HE; depois a ultraestrutura que explica a função.

Corte longitudinal: ramos e núcleo central

HE, 400x. Células estriadas que se bifurcam, núcleo oval central com zona clara nos polos e discos intercalares discretos. Acompanhe uma célula de disco a disco.

HE400xRamificação

Corte transversal: núcleo no meio

HE, 400x. Perfis irregulares com um núcleo central rodeado por halo claro; muitos capilares entre as células. As miofibrilas aparecem como pontos dispostos em raios ao redor do núcleo.

HECorte transversal

Lipofuscina perinuclear

HE, 1000x. Grânulos castanho-dourados nos polos do núcleo — pigmento de desgaste que se acumula com a idade em células de vida longa. Não é sinal de doença por si só.

HE1000xLipofuscina

Ultraestrutura

ME de transmissão. Miofibrilas separadas por fileiras de mitocôndrias grandes, túbulo T largo no nível da linha Z formando díade com o retículo sarcoplasmático e, numa extremidade, um disco intercalar.

MEMitocôndriasDíade

Estrias + núcleo central já sugerem cardiomiócito; ramificação e disco intercalar confirmam. No corte transversal, o núcleo central com halo claro é a melhor pista.

Aumento a aumento

  1. 40x — o órgão

    Parede do coração: endocárdio, miocárdio espesso e epicárdio com gordura e vasos coronários.

  2. 100x — o arranjo

    Fibras em várias direções, formando rede; núcleos no centro das fibras.

  3. 400x — a célula

    Núcleo oval central, halo perinuclear, estriações discretas, ramificações.

  4. 1000x — os discos

    Linhas transversais escuras, em degraus, delimitando as células.

  5. Colorações especiais

    PTAH realça discos e estrias; imuno-histoquímica para troponina ou desmina em estudos de lesão.

Pegadinhas

O cardiomiócito é mononucleado ou binucleado — não é sincício verdadeiro. A lipofuscina perinuclear é normal com a idade. Núcleos grandes e retangulares ("em caixa") indicam hipertrofia. Células pálidas sob o endocárdio são fibras de Purkinje.

Descrição-modelo para a prova prática

Modelo de descrição

Corte histológico corado por HE mostrando músculo estriado cardíaco. Células musculares (cardiomiócitos) com estriações transversais, ramificadas, unidas pelas extremidades por discos intercalares, que aparecem como linhas transversais escuras, retilíneas ou em degraus. Cada célula apresenta um ou dois núcleos ovais centrais, com zona perinuclear clara contendo grânulos de lipofuscina. Endomísio delicado e ricamente vascularizado. Ausência de necrose, fibrose ou infiltrado inflamatório.

Use os três critérios: estriação, núcleo central e disco intercalar.

Células que confundem

Dentro e fora do coração, várias células musculares podem ser confundidas com o cardiomiócito. Separe por estrias, número e posição dos núcleos e localização.

CélulaAchado-chaveComo diferenciar
Achado-chaveEstriado, multinucleado, núcleos periféricos
Como diferenciarFibra longa sem ramos e sem discos; estriação mais nítida.
Achado-chaveNúcleo central, sem estrias
Como diferenciarCélula fusiforme, sem ramos nem discos; núcleo em charuto.
Achado-chaveCélula grande, pálida, subendocárdica
Como diferenciarPoucas miofibrilas periféricas e muito glicogênio; é um cardiomiócito especializado em condução.
Achado-chaveCélulas pequenas em conjuntivo denso
Como diferenciarPobres em miofibrilas, no átrio direito junto à artéria nodal.

Alta demanda de oxigênio, quase nenhuma capacidade de divisão e proteínas do sarcômero que vazam para o sangue quando a célula morre: esses três fatos explicam boa parte da cardiologia.

Do cardiomiócito ao exame

Quando o cardiomiócito sofre necrose, a troponina cardíaca passa ao sangue — é o marcador laboratorial do infarto. Quando a parede é estirada por sobrecarga de volume ou pressão, os cardiomiócitos liberam peptídeos natriuréticos (ANP no átrio, BNP no ventrículo), usados no diagnóstico de insuficiência cardíaca.

TroponinaProteína do sarcômero: marcador de necrose miocárdica
ANP / BNPHormônios dos cardiomiócitos liberados ao estiramento
Pós-mitóticoLesão repara por fibrose, não por músculo novo

O cardiomiócito responde à sobrecarga com hipertrofia e à necrose com cicatriz — não com novas células.

Doenças ligadas ao cardiomiócito

DoençaO que falhaNa lâmina
O que falhaIsquemia: necrose de coagulação
Na lâminaFibras hipereosinófilas, onduladas, sem núcleo; bandas de contração; neutrófilos e, depois, granulação e cicatriz.
O que falhaMutações de proteínas do sarcômero
Na lâminaCardiomiócitos hipertróficos e desorganizados, núcleos grandes, fibrose intersticial.
Hipertrofia por sobrecarga
O que falhaHipertensão, valvopatia
Na lâminaCélulas maiores, núcleos "em caixa", mas arranjo preservado.

Referências bibliográficas

  1. 1
    Livro-texto2023
    Junqueira LC, Carneiro J. Histologia Básica: texto e atlas. 14. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan; 2023.
  2. 2
    Livro-texto2021
    Ross MH, Pawlina W. Histologia: texto e atlas — correlações com biologia celular e molecular. 8. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan; 2021.
  3. 3
    Livro-texto2022
    Gartner LP. Tratado de Histologia. 5. ed. Rio de Janeiro: Elsevier; 2022.
  4. 4
    Livro-texto2021
    Kierszenbaum AL, Tres LL. Histologia e Biologia Celular: uma introdução à patologia. 5. ed. Rio de Janeiro: Elsevier; 2021.
  5. 5
    Livro-texto2021
    Kumar V, Abbas AK, Aster JC. Robbins & Cotran Patologia: bases patológicas das doenças. 10. ed. Rio de Janeiro: Elsevier; 2021.

Fontes das imagens

As imagens deste atlas têm finalidade educacional e foram produzidas a partir de lâminas histológicas reais e de representações didáticas.

Parte delas pode ter sido editada ou aprimorada digitalmente para destacar as estruturas e os achados descritos no texto.

Aviso importante

Material educacional. Não substitui o laudo anatomopatológico, a avaliação clínica, os protocolos institucionais nem a consulta às bulas.

Atlas Astrenmed de Histologia • Conteúdo para educação médica. O diagnóstico e a conduta dependem da avaliação clínica individual.
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