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Atlas de Histologia • Tecido Epitelial

Célula serosa (acinar)

Célula acinosa serosa • serous acinar cell

Célula piramidal dos ácinos serosos da parótida e do pâncreas exócrino, especializada em exportar proteínas. Tem basofilia basal (RER) e grânulos de zimogênio eosinófilos no ápice — a célula-modelo da via secretora.

Tipo
Célula glandular exócrina
Onde está
Parótida, pâncreas, submandibular
Pista na lâmina (HE)
Base roxa, ápice com grânulos rosa
Função
Secreta enzimas e proteínas
9–11 min de leitura Atualizado em outubro de 2026

Reconheça a célula

A célula serosa é bicolor no HE: a base, cheia de RER, cora de roxo; o ápice, cheio de grânulos de secreção, cora de rosa. Em grupo, as células formam ácinos arredondados com lúmen quase invisível.

Lâmina histológica

Figura 1. Pâncreas exócrino, HE, 400x. Ácinos serosos de células piramidais com núcleo redondo basal, base basófila e ápice repleto de grânulos de zimogênio eosinófilos voltados para um lúmen central diminuto.

Roteiro de observação
  1. 1
    Ache o ácinoGrupo arredondado de células em torno de um ponto central (lúmen estreito).
  2. 2
    Veja a formaPiramidal: base larga na lâmina basal, ápice estreito no lúmen.
  3. 3
    Leia as duas coresBase roxa (RER rico em ribossomos); ápice rosa e granular (zimogênio).
  4. 4
    Olhe o núcleoRedondo, eucromático, com nucléolo, no terço basal.

Em 30 segundos

O essencial de visão geral

  1. Célula piramidal dos ácinos serosos: parótida (quase só serosa), pâncreas exócrino e parte da submandibular.
  2. HE: base basófila (RER) e ápice eosinófilo com grânulos de zimogênio; núcleo redondo basal.
  3. Secreta proteínas: amilase (parótida e pâncreas), pró-enzimas proteolíticas e lipase (pâncreas).
  4. Secreção merócrina regulada — por colecistocinina e acetilcolina no pâncreas; pelo sistema autônomo nas salivares.

O que é a célula serosa

É a célula epitelial glandular que produz uma secreção aquosa e rica em proteínas ("serosa", parecida com o soro), em oposição à secreção viscosa das células mucosas. É o exemplo clássico da via secretora regulada: RER → Golgi → grânulo → exocitose.

No pâncreas, as enzimas proteolíticas são armazenadas como pró-enzimas inativas (tripsinogênio, quimotripsinogênio) e só são ativadas no duodeno — proteção contra autodigestão.

Serosa ou mucosa?

Nas glândulas salivares mistas as duas aparecem lado a lado, e a comparação é questão certa na prova prática.

Célula serosa

  • Citoplasma corado: base roxa, ápice rosa
  • Núcleo redondo, no terço basal
  • Ácino pequeno, lúmen quase invisível
  • Secreção aquosa com enzimas

Célula mucosa

  • Citoplasma claro, espumoso
  • Núcleo achatado contra a base
  • Túbulo com lúmen mais amplo
  • Secreção viscosa, PAS e Alcian blue positivos

A célula serosa em quatro contextos

Roteiro: a forma do ácino, as duas cores do citoplasma e o que acompanha (ductos, células mucosas, ilhotas).

Parótida: glândula serosa pura

HE, 400x. Ácinos serosos compactos, com grânulos apicais finos, entre ductos intercalares e estriados. Adipócitos esparsos no estroma são comuns e aumentam com a idade.

HEParótidaSeroso puro

Pâncreas: ácinos e células centroacinares

HE, 400x. Grânulos de zimogênio grossos e muito eosinófilos no ápice. No centro de alguns ácinos, núcleos claros e achatados de células centroacinares — início do ducto intercalar, exclusivas do pâncreas.

HEPâncreasCentroacinar

Submandibular: semiluas serosas

HE, 400x. Glândula mista: túbulos mucosos claros "coroados" por capuzes de células serosas escuras, as semiluas (parte delas é artefato de fixação). Predominam ácinos serosos.

HEGlândula mistaSemilua

Microscopia eletrônica

ME de transmissão de célula acinar pancreática: RER em cisternas paralelas na base, Golgi supranuclear e grânulos de zimogênio elétron-densos no ápice, próximos ao lúmen.

MERERZimogênio

Procure ácinos escuros e granulosos, agrupados em lóbulos. A combinação base roxa + ápice rosa + núcleo redondo basal é praticamente patognomônica.

Aumento a aumento

  1. 40x — glândula lobulada

    Lóbulos separados por septos de conjuntivo com ductos interlobulares e vasos.

  2. 100x — ácinos escuros

    Parênquima compacto, granuloso e mais corado que as ilhas mucosas claras (se houver). No pâncreas, ilhotas de Langerhans aparecem como ilhas pálidas.

  3. 400x — a célula

    Piramidal, núcleo redondo basal com nucléolo, basofilia infranuclear e grânulos eosinófilos apicais.

  4. 400x — o que acompanha

    Ductos intercalares (cúbicos baixos), ductos estriados (salivares) e células centroacinares (pâncreas).

Pegadinhas

Pâncreas × parótida: o pâncreas tem ilhotas e células centroacinares e não tem ductos estriados; a parótida tem muitos ductos estriados e adipócitos. Ácinos serosos com núcleo redondo não devem ser confundidos com hepatócitos, que formam cordões e não ácinos.

Descrição-modelo para a prova prática

Modelo de descrição

Corte histológico corado por HE de glândula exócrina lobulada, cujo parênquima é formado por ácinos arredondados de células piramidais, com núcleo esférico em posição basal, citoplasma basófilo na região infranuclear e ápice eosinófilo com grânulos de zimogênio, delimitando lúmen estreito: ácinos serosos. Ductos intercalares e estriados (ou células centroacinares) no interior dos lóbulos. Ausência de atipias.

Cite o órgão: parótida (ductos estriados, adipócitos) ou pâncreas (ilhotas, centroacinares).

Células e estruturas parecidas

O diferencial envolve outras células secretoras e os órgãos glandulares que se parecem em pequeno aumento.

EstruturaAchado-chaveComo diferenciar
Achado-chaveTaça clara, núcleo achatado
Como diferenciarIsolada no epitélio de revestimento; muco, não grânulos eosinófilos.
Achado-chaveQuadrada, núcleo central, lúmen nítido
Como diferenciarSem grânulos apicais nem basofilia basal; lúmen evidente.
Achado-chavePoliédrico, eosinófilo, em cordões
Como diferenciarPlacas entre sinusoides; sem ácinos; binucleação frequente.
Achado-chaveCélula achatada contrátil na base
Como diferenciarEntre a célula acinar e a lâmina basal; núcleo alongado.
Achado-chaveCitoplasma basófilo, núcleo excêntrico
Como diferenciarIsolado no estroma; halo de Golgi; não forma ácino.

As enzimas que a célula acinar produz são o centro de doenças graves quando ativadas no lugar errado, e a parótida serosa é alvo preferencial de vírus e de doenças autoimunes.

Doenças da célula serosa

Na pancreatite aguda, a ativação precoce do tripsinogênio dentro do pâncreas inicia a autodigestão: necrose acinar, necrose gordurosa e hemorragia. A amilase e a lipase que escapam para o sangue são os marcadores laboratoriais.

Pancreatite aguda

Autodigestão por enzimas ativadas; lipase e amilase séricas elevadas.

Fibrose cística

Secreção espessa obstrui ductos; ácinos atrofiam e são substituídos por fibrose e gordura: insuficiência exócrina.

Caxumba

Parotidite viral; pode acometer pâncreas e gônadas.

Síndrome de Sjögren

Infiltrado linfocitário destrói ácinos salivares e lacrimais: boca e olhos secos.

Pró-enzima armazenada inativa é a defesa da célula acinar: ativação dentro do pâncreas = pancreatite.

Referências bibliográficas

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    Livro-texto2023
    Junqueira LC, Carneiro J. Histologia Básica: texto e atlas. 14. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan; 2023.
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    Livro-texto2021
    Ross MH, Pawlina W. Histologia: texto e atlas — correlações com biologia celular e molecular. 8. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan; 2021.
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    Livro-texto2022
    Gartner LP. Tratado de Histologia. 5. ed. Rio de Janeiro: Elsevier; 2022.
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    Livro-texto2017
    Alberts B, Johnson A, Lewis J, et al. Biologia Molecular da Célula. 6. ed. Porto Alegre: Artmed; 2017.
  5. 5
    Livro-texto2021
    Kumar V, Abbas AK, Aster JC. Robbins & Cotran Patologia: bases patológicas das doenças. 10. ed. Rio de Janeiro: Elsevier; 2021.

Fontes das imagens

As imagens deste atlas têm finalidade educacional e foram produzidas a partir de lâminas histológicas reais e de representações didáticas.

Parte delas pode ter sido editada ou aprimorada digitalmente para destacar as estruturas e os achados descritos no texto.

Aviso importante

Material educacional. Não substitui o laudo anatomopatológico, a avaliação clínica, os protocolos institucionais nem a consulta às bulas.

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