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Atlas de Histologia • Tecido Epitelial

Epitélio Glandular

Epitélio secretor • glandular epithelium

Epitélio especializado em produzir e secretar. Nasce da superfície e invade o conjuntivo: se mantém um ducto, é exócrino; se perde a ligação e lança o produto no sangue, é endócrino.

Tipo
Tecido epitelial secretor
Origem
Invaginação do epitélio
Pista na lâmina (HE)
Ácinos, túbulos, cordões, folículos
Função
Síntese e secreção
10–12 min de leitura Atualizado em outubro de 2026

Reconheça o tecido

Numa glândula exócrina, a unidade que secreta é o ácino (ou túbulo) e o produto sai pelo ducto. Comece separando os dois: ácinos são cachos de células piramidais; ductos são tubos de luz mais nítida.

Lâmina histológica

Figura 1. Glândula submandibular (mista), HE, 400x. Ácinos serosos escuros e granulares, ácinos mucosos claros e espumosos, semiluas serosas e um ducto estriado de citoplasma eosinófilo.

Roteiro de observação
  1. 1
    Ácino serosoCélulas piramidais basófilas na base, grânulos eosinófilos no ápice, núcleo redondo basal, luz quase invisível.
  2. 2
    Ácino mucosoCitoplasma claro e espumoso (muco não cora no HE), núcleo achatado espremido na base, luz maior.
  3. 3
    Semilua serosaCapuz de células serosas na ponta de um túbulo mucoso: marca de glândula mista.
  4. 4
    DuctoTubo de luz nítida; o ducto estriado tem células cilíndricas eosinófilas com estriações basais.

Em 30 segundos

O essencial de visão geral

  1. Glândulas se formam por invaginação do epitélio de revestimento para o conjuntivo.
  2. Exócrinas têm ducto; endócrinas não têm ducto e são ricas em capilares fenestrados.
  3. Pela secreção, as exócrinas são serosas, mucosas ou mistas.
  4. Modos de liberação: merócrino (mais comum), apócrino (mama, apócrinas) e holócrino (sebácea).

O que é o epitélio glandular

São células epiteliais cuja tarefa principal é sintetizar, armazenar e liberar um produto: proteínas, muco, lipídios ou hormônios. Podem estar isoladas (glândula unicelular, como a célula caliciforme) ou formar órgãos inteiros (pâncreas, tireoide).

A célula secretora de proteína é polarizada: RER abundante na base (basofilia), Golgi acima do núcleo e grânulos de secreção no ápice (eosinofilia). Já a célula de muco tem o ápice cheio de mucinas, que o HE deixa claro e o PAS cora de magenta.

Como classificar uma glândula exócrina

Três critérios independentes: o ducto, a forma da porção secretora e o produto. Combine-os para nomear a glândula.

CritérioTiposExemplo
DuctoSimples (não ramificado) ou composto (ramificado)Glândulas intestinais (simples); parótida (composta)
Porção secretoraTubular, acinosa (alveolar) ou tubuloacinosaSudorípara (tubular enovelada); sebácea (acinosa)
ProdutoSerosa, mucosa ou mistaParótida (serosa); sublingual (mista, predomínio mucoso)
Modo de secreçãoMerócrina, apócrina ou holócrinaPâncreas (merócrina); mama (apócrina, lipídios); sebácea (holócrina)

Células mioepiteliais contráteis abraçam ácinos e ductos iniciais de salivares, mama e sudoríparas e ajudam a expulsar a secreção.

O epitélio glandular em quatro contextos

Roteiro: exócrina ou endócrina? Se exócrina, serosa, mucosa ou mista? Depois procure os ductos e os capilares.

Glândula unicelular: célula caliciforme

Epitélio intestinal, PAS-hematoxilina, 400x. Entre os enterócitos, células em forma de cálice com o ápice cheio de muco magenta (PAS positivo) e núcleo comprimido na base. É a glândula exócrina mais simples: secreta direto na superfície.

PAS400xMucosa

Parótida: ácinos serosos

Parótida, HE, 400x. Ácinos de células piramidais com base basófila e ápice com grânulos de zimogênio eosinófilos; núcleo redondo basal; luz mínima. Ductos intercalares finos e ductos estriados eosinófilos entre os ácinos; adipócitos isolados no parênquima.

HE400xSerosa

Glândula sebácea: secreção holócrina

Pele, HE, 200x. Ácinos ligados ao folículo piloso: células basais pequenas na periferia e, rumo ao centro, células cada vez maiores, cheias de vacúolos de lipídio e de núcleo picnótico, que se desintegram para formar o sebo.

HEPeleHolócrina

Tireoide: glândula endócrina folicular

Tireoide, HE, 200x. Folículos revestidos por epitélio simples cúbico, cheios de coloide eosinófilo; entre eles, capilares abundantes. Sem ductos: o hormônio vai direto para o sangue.

HEEndócrinaFolículos

Glândula é tecido compacto, lobulado e cheio de pequenas unidades arredondadas. O que decide a classificação é a cor do citoplasma e a presença de ductos ou de capilares.

Aumento a aumento

  1. 40x — arquitetura

    Lóbulos separados por septos de conjuntivo com ductos e vasos = glândula exócrina composta. Cordões ou folículos sem ductos = endócrina.

  2. 100x — tipos de unidade

    Ácinos escuros (serosos), ácinos claros (mucosos) ou mistura dos dois. Ductos de luz nítida entre eles.

  3. 400x — a célula serosa

    Piramidal, base basófila, ápice granular eosinófilo, núcleo redondo. Luz do ácino quase invisível.

  4. 400x — a célula mucosa

    Citoplasma pálido e espumoso, núcleo achatado contra a base. Luz maior e mais visível.

  5. Colorações de apoio

    PAS e alcian blue coram muco (magenta e azul); a célula serosa é PAS fraca. Imuno-histoquímica identifica hormônios nas endócrinas.

Pegadinhas

Ácino mucoso claro pode lembrar adipócito: o adipócito tem um único vacúolo vazio e núcleo em crescente; o ácino tem várias células em roda ao redor de uma luz. Pâncreas e parótida são ambos serosos: no pâncreas há ilhotas e células centroacinares; na parótida, ductos estriados e adipócitos.

Descrição-modelo para a prova prática

Modelo de descrição

Corte histológico corado por HE mostrando glândula exócrina composta, organizada em lóbulos separados por septos de tecido conjuntivo que contêm ductos interlobulares e vasos. O parênquima é formado por ácinos [serosos / mucosos / mistos]: as células serosas são piramidais, de base basófila e ápice com grânulos eosinófilos, núcleo redondo basal; as mucosas têm citoplasma claro e espumoso e núcleo achatado na base. Observam-se ductos intralobulares de epitélio cúbico a cilíndrico. Ausência de atipias.

Para glândula endócrina, descreva cordões ou folículos e a rica rede de capilares, sem ductos.

Glândulas que se parecem

Diante de uma glândula, pergunte: tem ducto? que cor tem o ácino? há estrutura “extra” (ilhota, coloide, semilua)? Essas três respostas resolvem a maioria das lâminas.

EstruturaAchado-chaveComo diferenciar
Achado-chaveExócrina serosa pura
Como diferenciarDuctos estriados evidentes e adipócitos no parênquima; sem ilhotas.
Achado-chaveÁcinos serosos com grânulos de zimogênio
Como diferenciarIlhotas de Langerhans claras entre os ácinos; células centroacinares; ductos estriados ausentes.
Achado-chaveGlândula unicelular mucosa
Como diferenciarIsolada no epitélio de revestimento, não forma ácinos; PAS positiva.
Achado-chaveFolículos com coloide
Como diferenciarEndócrina: folículos fechados, sem ductos; coloide eosinófilo na luz.
Achado-chaveCélula clara de vacúolo único
Como diferenciarUm vacúolo por célula e núcleo periférico; não há luz nem disposição em roda.

O epitélio glandular adoece de três jeitos: por secreção anormal (fibrose cística), por destruição imune (Sjögren) ou por proliferação neoplásica (adenoma, adenocarcinoma).

Quando a secreção falha

A qualidade da secreção depende de transporte de íons e água pelas células e ductos. Se o canal falha, o muco fica espesso e obstrui; se a glândula é destruída, falta secreção.

Fibrose cística

Defeito do canal CFTR: muco espesso obstrui ductos do pâncreas, brônquios e glândulas; suor salgado.

Síndrome de Sjögren

Infiltrado linfocitário destrói salivares e lacrimais: boca e olhos secos.

Acne

Glândula sebácea holócrina + obstrução folicular + bactérias e inflamação.

Tumor maligno do epitélio glandular = adenocarcinoma; formar glândulas ou produzir muco é a pista na lâmina.

Doenças ligadas ao epitélio glandular

DoençaO que falhaNa lâmina
O que falhaProliferação maligna glandular
Na lâminaGlândulas atípicas, irregulares e “costas com costas”, invadindo o estroma; muco às vezes.
O que falhaAutoimunidade contra glândulas exócrinas
Na lâminaFocos de linfócitos ao redor de ductos de glândulas salivares menores; atrofia acinar.
O que falhaDuctos sob agressão crônica
Na lâminaEpitélio pavimentoso dentro de ductos (cálculos, inflamação).

Referências bibliográficas

  1. 1
    Livro-texto2023
    Junqueira LC, Carneiro J. Histologia Básica: texto e atlas. 14. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan; 2023.
  2. 2
    Livro-texto2021
    Ross MH, Pawlina W. Histologia: texto e atlas — correlações com biologia celular e molecular. 8. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan; 2021.
  3. 3
    Livro-texto2022
    Gartner LP. Tratado de Histologia. 5. ed. Rio de Janeiro: Elsevier; 2022.
  4. 4
    Artigo2019
    Suvarna SK, Layton C, Bancroft JD. Bancroft’s Theory and Practice of Histological Techniques. 8th ed. Elsevier; 2019.
  5. 5
    Livro-texto2021
    Kumar V, Abbas AK, Aster JC. Robbins & Cotran Patologia: bases patológicas das doenças. 10. ed. Rio de Janeiro: Elsevier; 2021.

Fontes das imagens

As imagens deste atlas têm finalidade educacional e foram produzidas a partir de lâminas histológicas reais e de representações didáticas.

Parte delas pode ter sido editada ou aprimorada digitalmente para destacar as estruturas e os achados descritos no texto.

Aviso importante

Material educacional. Não substitui o laudo anatomopatológico, a avaliação clínica, os protocolos institucionais nem a consulta às bulas.

Atlas Astrenmed de Histologia • Conteúdo para educação médica. O diagnóstico e a conduta dependem da avaliação clínica individual.
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