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Atlas de Histologia • Organelas

Centríolos e cílios

Centrossomo • corpúsculo basal • axonema • centrioles and cilia

Estruturas de microtúbulos em simetria de nove: o centríolo (9 trincas, sem par central) organiza o centrossomo e serve de corpúsculo basal; o cílio móvel tem axonema 9+2 e bate de forma coordenada. Na lâmina, cílios aparecem como uma franja no ápice, sobre uma linha escura de corpúsculos basais.

Tipo
Estruturas de microtúbulos
Onde está
Centrossomo; ápice de epitélios
Pista na lâmina (HE)
Franja apical + linha basal escura
Função
Organizar microtúbulos; mover fluido
9–11 min de leitura Atualizado em outubro de 2026

Reconheça a estrutura

O centríolo isolado só aparece na ME. Os cílios, porém, são grandes o bastante para o microscópio óptico: forme o hábito de procurar a franja e, logo abaixo dela, a linha de corpúsculos basais.

Lâmina histológica

Figura 1. Epitélio pseudoestratificado cilíndrico ciliado da traqueia, HE, 1000x. Cílios em franja no ápice e linha eosinófila escura de corpúsculos basais logo abaixo.

Roteiro de observação
  1. 1
    Superfície apicalFios finos, individuais, de altura regular, em paliçada.
  2. 2
    Linha basalFaixa escura contínua na base dos cílios: corpúsculos basais alinhados.
  3. 3
    Células vizinhasCaliciformes intercaladas (taça clara), sem cílios.
  4. 4
    MucoMaterial amorfo sobre os cílios: a “escada rolante” mucociliar.

Em 30 segundos

O essencial de visão geral

  1. O centrossomo é o centro organizador de microtúbulos: dois centríolos perpendiculares cercados de material pericentriolar (com gama-tubulina).
  2. O centrossomo duplica-se na interfase (fase S) e forma os polos do fuso na mitose.
  3. Na base de cada cílio, um centríolo vira corpúsculo basal, molde do axonema.
  4. Cílio móvel = 9+2 com dineína; cílio primário = 9+0, imóvel e sensorial. Defeitos causam discinesia ciliar e doença renal policística.

Centríolos e centrossomo

Cada centríolo é um cilindro curto de nove trincas de microtúbulos, sem microtúbulos centrais. No centrossomo, os dois centríolos ficam em ângulo reto, perto do núcleo e do complexo de Golgi, imersos no material pericentriolar, de onde nascem os microtúbulos citoplasmáticos.

Antes da divisão, cada centríolo forma um novo ao seu lado; os dois pares migram para polos opostos e organizam o fuso mitótico. Em células ciliadas, centríolos são produzidos em grande número e migram para o ápice, onde viram corpúsculos basais.

Como o cílio bate

O movimento nasce do deslizamento entre duplas vizinhas. Como as duplas estão presas na base e ligadas entre si, o deslizamento se transforma em curvatura.

  1. Dineína ciliar

    Braços interno e externo, presos à dupla vizinha, hidrolisam ATP e “andam” sobre ela.

  2. Nexina e raios

    Pontes de nexina limitam o deslizamento; raios radiais ligam as duplas ao par central e coordenam o batimento.

  3. Batimento em chicote

    Golpe efetivo rápido e rígido, retorno lento e curvado; cílios vizinhos batem em ondas (metacronia).

Onde há cílios

Vias aéreas

Cavidade nasal, traqueia, brônquios e bronquíolos: transporte de muco.

Tuba uterina

Cílios ajudam a levar o ovócito ao útero.

Epêndima

Revestimento dos ventrículos; movimento do líquor.

Dúctulos eferentes e espermatozoide

Cílios nos dúctulos; o flagelo do espermatozoide também é 9+2.

Centríolos e cílios em quatro imagens

Duas imagens de microscópio óptico e duas de ME. Roteiro: franja apical, linha basal, depois o arranjo dos microtúbulos.

Tuba uterina

Mucosa da ampola, HE, 400x. Epitélio simples cilíndrico com células ciliadas (franja apical) e células secretoras não ciliadas (em cúpula, sem franja), alternadas. As pregas da mucosa são longas e ramificadas.

HE400xCélulas ciliadas

Epêndima

Parede de ventrículo lateral, HE, 400x. Epitélio cúbico a cilíndrico simples, com cílios e microvilosidades voltados para o líquor e sem membrana basal verdadeira. Note a linha de corpúsculos basais.

HESNCEpendimócitos

Axonema 9+2 em corte transversal

ME de cílios da traqueia cortados transversalmente. Em cada círculo: nove duplas periféricas com braços de dineína e um par central. Abaixo, em outro plano, corpúsculos basais com nove trincas e sem par central.

ME9+2Dineína

Centrossomo com dois centríolos

ME de célula em interfase perto do núcleo. Um centríolo cortado transversalmente (anel de nove trincas, em “catavento”) e outro longitudinalmente, perpendicular a ele, cercados por material pericentriolar e microtúbulos irradiando.

MECentrossomo9×3

O cílio se reconhece em HE pela franja de fios individuais e pela linha de corpúsculos basais. Na ME, o corte transversal 9+2 encerra a dúvida.

Aumento a aumento

  1. 40–100x — escolha o órgão

    Traqueia, brônquio, tuba uterina, ventrículo cerebral: lugares onde se esperam cílios.

  2. 400x — superfície

    Franja regular, mais alta e mais “cabeluda” que a borda estriada; fios separados, não um bloco homogêneo.

  3. 1000x — linha basal

    Faixa escura logo abaixo da franja, na altura das junções: corpúsculos basais. Microvilosidades não têm essa linha.

  4. Imunofluorescência

    Tubulina acetilada marca os axonemas; gama-tubulina marca centrossomos (um ou dois pontos perto do núcleo).

  5. ME

    Corte transversal: 9+2 (cílio móvel), 9+0 (cílio primário), 9×3 sem centro (centríolo/corpúsculo basal).

Pegadinhas

Estereocílios (epidídimo) e borda estriada (intestino) não são cílios: são actina, sem corpúsculo basal. Centríolo é 9 trincas + 0; cílio é 9 duplas + 2. Muco aderido pode imitar franja — procure a linha basal.

Descrição-modelo para a prova prática

Modelo de descrição

Corte de traqueia corado por HE, em grande aumento, mostrando epitélio pseudoestratificado cilíndrico ciliado com células caliciformes. No ápice das células cilíndricas observa-se franja regular de cílios, sob a qual há linha escura contínua correspondente aos corpúsculos basais (centríolos modificados). O epitélio repousa sobre membrana basal espessa. Os cílios, de axonema 9+2, promovem o transporte mucociliar.

Para eletromicrografia, descreva o corte transversal: nove duplas periféricas com braços de dineína e par central.

Franjas apicais e arranjos de microtúbulos

No HE, o diferencial é entre as projeções apicais; na ME, entre os arranjos de microtúbulos. Corpúsculo basal e par central são os dois detalhes decisivos.

EstruturaAchado-chaveComo diferenciar
Achado-chaveFaixa apical curta e homogênea
Como diferenciarActina; sem fios individuais nem linha de corpúsculos basais; PAS positiva.
Achado-chaveTufos longos aglutinados
Como diferenciarActina, imóveis; epidídimo e ducto deferente; sem corpúsculo basal.
Achado-chaveCílios + caliciformes + núcleos em vários níveis
Como diferenciarContexto típico do cílio móvel na lâmina.
Achado-chaveProjeção única e muito longa
Como diferenciar9+2 com fibras densas externas e bainha mitocondrial na peça intermediária.

As ciliopatias vêm de defeitos do cílio móvel (infecções respiratórias, infertilidade) ou do cílio primário (cistos renais, retina, obesidade). O centrossomo, por sua vez, aparece alterado em muitos cânceres.

Discinesia ciliar primária e síndrome de Kartagener

Mutações autossômicas recessivas afetam braços de dineína, raios ou outros componentes do axonema. Sem batimento eficaz, o muco para nas vias aéreas e o espermatozoide nada mal. Na embriogênese, cílios do nó definem o lado esquerdo-direito: metade dos pacientes tem situs inversus (síndrome de Kartagener).

Vias aéreas

Rinossinusite crônica, otite e bronquiectasias desde a infância.

Situs inversus

Dextrocardia e inversão das vísceras na síndrome de Kartagener.

Infertilidade

Espermatozoides imóveis; nas mulheres, transporte tubário prejudicado.

Diagnóstico

Óxido nítrico nasal baixo, videomicroscopia do batimento, ME do axonema e teste genético.

Sem dineína não há batimento: muco parado, espermatozoide imóvel e, em metade dos casos, órgãos invertidos.

Outras correlações

SituaçãoRelação com cílios/centríolosO que observar
Doença renal policística autossômica dominante
Relação com cílios/centríolosPolicistinas 1 e 2 (PKD1, PKD2) no cílio primário
O que observarRins aumentados com múltiplos cistos revestidos por epitélio tubular.
Relação com cílios/centríolosPerda de cílios e troca do epitélio
O que observarEpitélio respiratório substituído por pavimentoso estratificado, sem cílios.
Síndrome de Bardet-Biedl
Relação com cílios/centríolosProteínas do cílio primário
O que observarDistrofia de retina, obesidade, polidactilia e alterações renais.
Câncer
Relação com cílios/centríolosAmplificação de centrossomos
O que observarFusos multipolares e mitoses atípicas, contribuindo para aneuploidia.

Referências bibliográficas

  1. 1
    Livro-texto2017
    Alberts B, Johnson A, Lewis J, Morgan D, Raff M, Roberts K, Walter P. Biologia Molecular da Célula. 6. ed. Porto Alegre: Artmed; 2017.
  2. 2
    Livro-texto2023
    Junqueira LC, Carneiro J. Histologia Básica: texto e atlas. 14. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan; 2023.
  3. 3
    Livro-texto2021
    Ross MH, Pawlina W. Histologia: texto e atlas — correlações com biologia celular e molecular. 8. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan; 2021.
  4. 4
    Livro-texto2022
    Gartner LP. Tratado de Histologia. 5. ed. Rio de Janeiro: Elsevier; 2022.
  5. 5
    Livro-texto2021
    Kumar V, Abbas AK, Aster JC. Robbins & Cotran Patologia: bases patológicas das doenças. 10. ed. Rio de Janeiro: Elsevier; 2021.

Fontes das imagens

As imagens deste atlas têm finalidade educacional e foram produzidas a partir de lâminas histológicas reais e de representações didáticas.

Parte delas pode ter sido editada ou aprimorada digitalmente para destacar as estruturas e os achados descritos no texto.

Aviso importante

Material educacional. Não substitui o laudo anatomopatológico, a avaliação clínica, os protocolos institucionais nem a consulta às bulas.

Atlas Astrenmed de Histologia • Conteúdo para educação médica. O diagnóstico e a conduta dependem da avaliação clínica individual.
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