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Atlas de Histologia • Lâminas de Órgãos

Paragânglio (Corpo Carotídeo)

Glomo carotídeo • carotid body, glomus caroticum

Pequeno órgão quimiorreceptor na bifurcação da carótida comum, que "prova" o sangue e avisa o tronco encefálico quando falta oxigênio. Na lâmina: ninhos de células glômicas tipo I envoltos por células tipo II, entre capilares sinusoides muito abundantes.

Tipo
Paragânglio quimiorreceptor
Onde está
Bifurcação da carótida comum
Pista na lâmina (HE)
Ninhos celulares entre capilares
Função
Detecta hipóxia, CO₂ e acidose
8–10 min de leitura Atualizado em outubro de 2026

Reconheça o órgão

O corpo carotídeo é um dos tecidos mais vascularizados do corpo. Na lâmina, aparece como lóbulos de ninhos celulares ("Zellballen") separados por capilares cheios de hemácias, com nervos e vasos maiores nos septos.

Lâmina histológica

Figura 1. Corpo carotídeo, HE, 400x. Ninhos arredondados de células glômicas tipo I, de citoplasma claro a granuloso e núcleo redondo; na periferia de cada ninho, células tipo II achatadas; capilares sinusoides com hemácias entre os ninhos.

Roteiro de observação
  1. 1
    LóbulosSeptos de conjuntivo com nervos e vasos dividem o órgão em lóbulos.
  2. 2
    NinhosGrupos arredondados de células (Zellballen) dentro de cada lóbulo.
  3. 3
    Célula tipo ICentro do ninho: célula poligonal, citoplasma claro ou finamente granuloso, núcleo redondo.
  4. 4
    Célula tipo II e capilaresNúcleos alongados e achatados na borda do ninho; capilares com hemácias em volta.

Em 30 segundos

O essencial de visão geral

  1. Fica na bifurcação da artéria carótida comum e é o principal quimiorreceptor periférico.
  2. As células tipo I (glômicas), da crista neural, detectam queda de O₂, aumento de CO₂ e de H⁺; as tipo II são de sustentação.
  3. O sinal segue pelo nervo glossofaríngeo ao tronco encefálico e aumenta a ventilação.
  4. Faz parte da família dos paragânglios, que inclui a medula adrenal; seu tumor é o paraganglioma do corpo carotídeo.

O que é um paragânglio

Paragânglios são agrupamentos de células neuroendócrinas derivadas da crista neural, associados ao sistema nervoso autônomo. Todos têm o mesmo desenho básico: células principais em ninhos, envoltas por células sustentaculares, em rede capilar densa.

Os simpáticos (medula adrenal, órgão de Zuckerkandl, paragânglios ao longo da cadeia simpática) secretam catecolaminas no sangue. Os parassimpáticos da cabeça e do pescoço (corpo carotídeo, aórticos, jugulotimpânicos) em geral não secretam hormônio para a circulação: funcionam como sensores químicos.

Corpo carotídeo

  • Bifurcação carotídea
  • Paragânglio da cabeça e do pescoço
  • Quimiorreceptor (O₂, CO₂, pH)
  • Inervação aferente do glossofaríngeo
  • Pouca secreção sistêmica

Medula adrenal

  • Centro da adrenal
  • Paragânglio simpático
  • Secreta adrenalina e noradrenalina
  • Inervação pré-ganglionar simpática
  • Células cromafins

Como o glomo detecta a hipóxia

O corpo carotídeo recebe um fluxo de sangue enorme para o seu tamanho, de modo que mede a composição do sangue arterial quase em tempo real. A resposta é rápida: em segundos a ventilação aumenta.

  1. Hipóxia

    PaO₂ cai (ou CO₂/H⁺ sobem).

  2. Célula tipo I

    Canais de K⁺ sensíveis a O₂ fecham; a célula despolariza.

  3. Cálcio e grânulos

    Entrada de Ca²⁺ e liberação de transmissores.

  4. Tronco encefálico

    Fibra aferente (glossofaríngeo) dispara; a ventilação aumenta.

Não confunda

O seio carotídeo é outra estrutura, vizinha: uma dilatação da parede da carótida interna com barorreceptores (pressão). O corpo carotídeo é um órgão separado, com quimiorreceptores.

O corpo carotídeo em quatro imagens

Do lóbulo ao ninho, e do HE às técnicas que separam as duas células.

Panorama lobulado

HE, 40x. Órgão pequeno, com cápsula fina e septos que delimitam lóbulos; nos septos, feixes nervosos e vasos. Às vezes vem no mesmo corte da parede da carótida, o que ajuda a localizar.

HE40xLóbulos

Zellballen em maior aumento

HE, 400x. Ninhos de células tipo I de citoplasma claro a granuloso, contornados por núcleos achatados de células tipo II, com capilares cheios de hemácias entre eles. É o padrão "em bola de células" que também define o paraganglioma.

HE400xZellballen

Cromogranina: células tipo I

Imuno-histoquímica para cromogranina A, 200x. Os centros dos ninhos ficam marrons (células tipo I, neuroendócrinas); a borda de cada ninho e o estroma ficam negativos. Sinaptofisina dá padrão semelhante.

IHQCromograninaTipo I

S100: células tipo II

Imuno-histoquímica para S100, 200x. Marcação em células finas e alongadas na periferia de cada ninho, desenhando uma "rede" em volta das células tipo I. Esse padrão sustentacular ajuda a confirmar paraganglioma em biópsias.

IHQS100Tipo II

O desenho é sempre o mesmo: ninho de células claras, cerca de células achatadas, capilares em volta. Some a isso a vizinhança da carótida e o diagnóstico está feito.

Aumento a aumento

  1. 40x — lóbulos e vizinhança

    Pequeno órgão lobulado junto à adventícia de uma artéria elástica ou muscular grande; septos com nervos.

  2. 100x — ninhos

    Grupos arredondados de células separados por rede capilar densa.

  3. 400x — células tipo I

    Poligonais, citoplasma claro ou granuloso, levemente basófilo ou anfofílico; núcleo redondo com cromatina fina.

  4. 400x — células tipo II

    Núcleos alongados e escuros, achatados na periferia do ninho; citoplasma pouco visível no HE.

  5. Técnicas especiais

    Cromogranina e sinaptofisina marcam as tipo I; S100 marca as tipo II. Impregnação argêntica mostra as fibras nervosas entre os ninhos.

Pegadinhas

Sem a vizinhança da carótida, o padrão em ninhos lembra a medula adrenal ou um tumor neuroendócrino. No HE, as células tipo II são difíceis de ver — não é erro dizer que elas são melhor demonstradas pela S100.

Descrição-modelo para a prova prática

Modelo de descrição

Corte histológico corado por HE de pequeno órgão lobulado, adjacente à parede de artéria de grande calibre, com septos de tecido conjuntivo contendo nervos e vasos. Os lóbulos são formados por ninhos arredondados de células poligonais de citoplasma claro a finamente granuloso e núcleo redondo (células glômicas tipo I), circundados por células de núcleo alongado e achatado (células tipo II, sustentaculares), em meio a rede abundante de capilares sinusoides com hemácias. Diagnóstico: paragânglio — corpo carotídeo.

Se houver imuno-histoquímica, diga qual marcador corresponde a qual célula.

Ninhos celulares entre capilares

O padrão em ninhos com capilares é comum aos tecidos neuroendócrinos. O que define o corpo carotídeo é a dupla população (tipo I no centro, tipo II na borda) e a localização junto à carótida.

EstruturaAchado-chaveComo diferenciar
Achado-chaveCélulas cromafins em ninhos
Como diferenciarCercada pelo córtex adrenal (espongiócitos); veias medulares grandes.
Achado-chaveNeurônio cercado por células satélites
Como diferenciarNeurônios muito maiores, com Nissl e nucléolo evidente; um neurônio por "ninho".
Achado-chaveCordões de células claras
Como diferenciarCordões, não ninhos; células oxifílicas e adipócitos; vizinha da tireoide.
Achado-chaveIlha clara de células endócrinas
Como diferenciarDentro do pâncreas, cercada por ácinos serosos; sem células sustentaculares S100.
Achado-chaveGrupos de células claras no pescoço
Como diferenciarÁcinos serosos com lúmen e ductos estriados; não há ninhos neuroendócrinos.

O corpo carotídeo responde à hipóxia crônica crescendo e pode originar um tumor do pescoço que afasta as carótidas: o paraganglioma.

Hipóxia e controle da respiração

Quem vive em grandes altitudes ou tem doença pulmonar crônica com hipoxemia pode ter corpos carotídeos hiperplásicos. Na DPOC com retenção de CO₂, o estímulo hipóxico ganha peso no controle da ventilação.

Altitude

Hiperventilação reflexa e, com o tempo, hiperplasia do glomo.

Doença pulmonar crônica

Hipoxemia persistente estimula o corpo carotídeo e pode aumentá-lo.

Endarterectomia

Lesão bilateral do glomo reduz a resposta ventilatória à hipóxia.

Corpo carotídeo = quimiorreceptor (O₂, CO₂, pH). Seio carotídeo = barorreceptor (pressão). Os dois usam o glossofaríngeo.

Tumores de paragânglio

TumorOrigemPista clínica / na lâmina
Paraganglioma do corpo carotídeo
OrigemCélulas tipo I do glomo
Pista clínica / na lâminaMassa cervical lateral pulsátil, móvel lateralmente; na imagem, afasta as carótidas interna e externa. Zellballen com rede S100+.
OrigemMedula adrenal (paragânglio simpático)
Pista clínica / na lâminaSecreta catecolaminas: hipertensão em crises, cefaleia, sudorese.
Paragangliomas hereditários
OrigemMutações germinativas (como genes da succinato desidrogenase)
Pista clínica / na lâminaTumores múltiplos ou em jovens; indicam avaliação genética e familiar.

Referências bibliográficas

  1. 1
    Livro-texto2023
    Junqueira LC, Carneiro J. Histologia Básica: texto e atlas. 14. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan; 2023.
  2. 2
    Livro-texto2021
    Ross MH, Pawlina W. Histologia: texto e atlas — correlações com biologia celular e molecular. 8. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan; 2021.
  3. 3
    Livro-texto2022
    Gartner LP. Tratado de Histologia. 5. ed. Rio de Janeiro: Elsevier; 2022.
  4. 4
    Livro-texto2014
    Young B, O’Dowd G, Woodford P. Wheater Histologia Funcional: texto e atlas em cores. 6. ed. Rio de Janeiro: Elsevier; 2014.
  5. 5
    Livro-texto2021
    Kumar V, Abbas AK, Aster JC. Robbins & Cotran Patologia: bases patológicas das doenças. 10. ed. Rio de Janeiro: Elsevier; 2021.

Fontes das imagens

As imagens deste atlas têm finalidade educacional e foram produzidas a partir de lâminas histológicas reais e de representações didáticas.

Parte delas pode ter sido editada ou aprimorada digitalmente para destacar as estruturas e os achados descritos no texto.

Aviso importante

Material educacional. Não substitui o laudo anatomopatológico, a avaliação clínica, os protocolos institucionais nem a consulta às bulas.

Atlas Astrenmed de Histologia • Conteúdo para educação médica. O diagnóstico e a conduta dependem da avaliação clínica individual.
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