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Atlas de Histologia • Técnicas e colorações

Imuno-histoquímica

IHQ • immunohistochemistry (IHC)

Técnica que usa anticorpos para localizar uma proteína específica no corte. O ponto de ligação é revelado por uma reação enzimática que deixa um precipitado marrom sobre fundo azul. É a base do diagnóstico da linhagem e da origem dos tumores.

Tipo
Técnica antígeno-anticorpo
Usa-se em
Tumores, linfomas, infecções
Resultado
Marrom (DAB) sobre fundo azul
Para que serve
Linhagem, origem, alvo terapêutico
10–12 min de leitura Atualizado em outubro de 2026

Reconheça a técnica

Uma lâmina de imuno-histoquímica tem quase sempre duas cores: o marrom da reação, onde está a proteína, e o azul-claro da hematoxilina, que só serve de mapa. A pergunta é: quais células são marrons, e em que lugar da célula?

Lâmina histológica

Figura 1. Carcinoma de mama, receptor de estrogênio (IHQ, DAB), 200x. Núcleos das células tumorais em marrom; estroma e linfócitos negativos, apenas azulados.

Roteiro de observação
  1. 1
    Quem marcaCélulas tumorais, células normais, ambas? Sempre identifique a célula positiva.
  2. 2
    Onde marcaNúcleo, citoplasma ou membrana: o padrão precisa combinar com a proteína pesquisada.
  3. 3
    Quanto marcaPorcentagem de células positivas e intensidade (fraca, moderada, forte).
  4. 4
    ControleEstruturas normais que devem ser positivas (controle interno) estão marcadas?

Em 30 segundos

O essencial de visão geral

  1. Detecta proteínas específicas no tecido por reação antígeno-anticorpo, preservando a morfologia.
  2. Revelação mais comum: peroxidase + DAB (marrom), com contracoloração de hematoxilina (azul).
  3. O formol mascara epítopos; a recuperação antigênica pelo calor os expõe novamente.
  4. Usos: linhagem de tumor indiferenciado, sítio primário de metástase, marcadores preditivos (ER, PR, HER2, PD-L1) e agentes infecciosos.

O que é a imuno-histoquímica

Enquanto as colorações histoquímicas detectam classes de moléculas (glicogênio, colágeno, lipídio), a imuno-histoquímica detecta uma proteína, com a especificidade de um anticorpo. É feita no mesmo bloco de parafina usado para o HE.

No método direto, o anticorpo primário já carrega a enzima; no indireto, usado na rotina, um anticorpo secundário (ou polímero) carrega muitas moléculas de enzima, o que amplifica o sinal. A imunofluorescência usa o mesmo princípio, com fluorocromos em vez de enzima.

Etapas da técnica

Hoje é feita em equipamentos automatizados, mas as etapas são as mesmas da técnica manual.

  1. Corte e desparafinização

    Corte de parafina em lâmina carregada, desparafinizado e hidratado.

  2. Recuperação antigênica

    Calor em tampão (citrato ou EDTA) desfaz parte das ligações cruzadas do formol e expõe os epítopos.

  3. Bloqueios

    Peróxido de hidrogênio inativa a peroxidase endógena; proteínas bloqueiam ligações inespecíficas.

  4. Anticorpos

    Primário contra o alvo; depois sistema de detecção (polímero com peroxidase).

  5. Revelação e contracoloração

    DAB forma precipitado marrom; hematoxilina dá o fundo azul; desidratação e montagem.

Três padrões de marcação e um painel

Roteiro: o marrom está no núcleo, no citoplasma ou na membrana? O padrão precisa combinar com onde a proteína vive.

Nuclear: Ki-67

Linfonodo ou tumor, Ki-67, 200x. Núcleos marrons nas células em ciclo celular e azuis nas quiescentes. A porcentagem de núcleos positivos é o índice de proliferação, usado para graduar tumores.

IHQNuclearProliferação

Citoplasmática: citoqueratina

Metástase de carcinoma em linfonodo, citoqueratina AE1/AE3, 200x. Ninhos de células epiteliais com citoplasma marrom em meio a linfócitos negativos. Mostra que o tumor é epitelial e acha focos pequenos difíceis de ver no HE.

IHQCitoplasmáticaCarcinoma

Membranar: HER2 3+

Carcinoma de mama, HER2, 400x. Contorno marrom forte e completo da membrana em mais de 10% das células, em "favo de mel" ou "rede de galinheiro". Escore 3+ indica tumor elegível a terapia anti-HER2.

IHQMembranarPreditivo

Painel CK7 / CK20

Mesma metástase hepática em dois cortes seriados: CK7 negativo e CK20 positivo, com CDX2 nuclear positivo. O perfil aponta origem colorretal. Raciocínio de painel, nunca de um marcador isolado.

IHQPainelSítio primário

Lâmina com fundo azul-claro e alguns grupos de células em marrom (ou vermelho, com outros cromógenos) é imuno-histoquímica. Leia sempre ao lado do HE do mesmo caso e saiba qual anticorpo foi usado.

Aumento a aumento

  1. 40x — controle interno

    Procure estruturas normais que deveriam marcar (ex.: epitélio normal na citoqueratina, linfócitos no CD45).

  2. 100x — distribuição

    Difusa, focal, em ninhos, células isoladas? A marcação está no tumor ou em células normais entremeadas?

  3. 400x — localização celular

    Nuclear, citoplasmática, membranar, perinuclear em ponto? Deve ser a esperada para o antígeno.

  4. Quantificação

    Proporção de células positivas e intensidade; alguns marcadores têm escore próprio (HER2 0 a 3+, Ki-67 em %).

Pegadinhas

Melanina e hemossiderina são marrons e imitam DAB — use cromógeno vermelho em melanomas. Marcação só nas bordas do corte ou em áreas de necrose costuma ser artefato. Células normais aprisionadas no tumor podem ser as positivas, não o tumor.

Descrição-modelo para a prova prática

Modelo de descrição

Corte histológico submetido a imuno-histoquímica para [anticorpo], revelada por DAB, com contracoloração por hematoxilina. Observa-se marcação [nuclear / citoplasmática / membranar], de intensidade [fraca / moderada / forte], em [porcentagem] das [células tumorais / células epiteliais / linfócitos]. Controle interno [positivo / adequado]. Interpretação: [positivo / negativo] para [antígeno].

Sempre diga onde na célula está o marrom e em qual população.

IHQ ou outra técnica?

Outras técnicas também dão uma cor sobre fundo azul. O que separa a IHQ é a especificidade de um anticorpo e o marrom típico do DAB.

TécnicaResultadoComo diferenciar
ResultadoRoxo e rosa em todo o tecido
Como diferenciarMorfologia geral, sem detectar proteína específica.
ResultadoMagenta em glicogênio e mucina
Como diferenciarHistoquímica: reage com grupos químicos, não com uma proteína.
Imunofluorescência
ResultadoBrilho verde em fundo escuro
Como diferenciarMesmo princípio, com fluorocromo; exige microscópio de fluorescência (rim, pele).
ResultadoNegro sobre fundo claro
Como diferenciarFibras e agentes negros; cor por depósito de prata, não marrom DAB.

A IHQ transformou a patologia: hoje quase todo tumor maligno tem o diagnóstico confirmado e classificado por um painel de anticorpos, e muitos tratamentos dependem dela.

Primeira pergunta: qual linhagem?

Diante de um tumor maligno indiferenciado, o painel inicial separa as grandes famílias. Cada uma depois tem marcadores mais específicos.

LinhagemMarcadores de triagemExemplos específicos
Carcinoma (epitelial)Citoqueratinas (AE1/AE3)CK7, CK20, TTF-1, CDX2, GATA3
Linfoma (hematolinfoide)CD45 (antígeno leucocitário comum)CD20 (B), CD3 (T), CD30
MelanomaS100, SOX10HMB-45, Melan-A
Sarcoma (mesenquimal)Vimentina (pouco específica)Desmina, miogenina, CD34, CD31, ERG
NeuroendócrinoCromogranina, sinaptofisinaINSM1; Ki-67 para o grau

Nenhum marcador é 100% específico: interpretar sempre em painel e com a morfologia.

Marcadores preditivos e prognósticos

Mama

Receptores de estrogênio e progesterona (hormonioterapia), HER2 (terapia anti-HER2), Ki-67.

Reparo de DNA

Perda de MLH1, PMS2, MSH2 ou MSH6 sugere instabilidade de microssatélites (síndrome de Lynch, imunoterapia).

Imunoterapia

PD-L1 em pulmão e outros tumores orienta o uso de inibidores de checkpoint.

Agentes infecciosos

CMV, herpes, HPV (p16 como substituto), Helicobacter pylori.

IHQ = anticorpo + proteína específica. Leia sempre quem marca, onde na célula e quanto — e interprete em painel.

Referências bibliográficas

  1. 1
    Livro-texto2019
    Suvarna SK, Layton C, Bancroft JD. Bancroft’s Theory and Practice of Histological Techniques. 8. ed. Elsevier; 2019.
  2. 2
    Livro-texto2019
    Dabbs DJ. Diagnostic Immunohistochemistry: Theranostic and Genomic Applications. 5. ed. Elsevier; 2019.
  3. 3
    Livro-texto2021
    Kumar V, Abbas AK, Aster JC. Robbins & Cotran Patologia: bases patológicas das doenças. 10. ed. Rio de Janeiro: Elsevier; 2021.
  4. 4
    Livro-texto2023
    Junqueira LC, Carneiro J. Histologia Básica: texto e atlas. 14. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan; 2023.
  5. 5
    Livro-texto2021
    Ross MH, Pawlina W. Histologia: texto e atlas — correlações com biologia celular e molecular. 8. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan; 2021.

Fontes das imagens

As imagens deste atlas têm finalidade educacional e foram produzidas a partir de lâminas histológicas reais e de representações didáticas.

Parte delas pode ter sido editada ou aprimorada digitalmente para destacar as estruturas e os achados descritos no texto.

Aviso importante

Material educacional. Não substitui o laudo anatomopatológico, a avaliação clínica, os protocolos institucionais nem a consulta às bulas.

Atlas Astrenmed de Histologia • Conteúdo para educação médica. O diagnóstico e a conduta dependem da avaliação clínica individual.
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