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Atlas de Histologia • Lâminas de Órgãos

Fígado

Parênquima hepático • liver

Maior glândula do corpo. Na lâmina, o fígado se organiza em lóbulos com uma veia centrolobular no meio, cordões de hepatócitos separados por sinusoides e espaços porta nos vértices, com a tríade veia porta, artéria hepática e ducto biliar.

Tipo
Glândula anexa do digestório
Onde está
Hipocôndrio direito
Pista na lâmina (HE)
Cordões, sinusoides e tríade portal
Função
Metabolismo, síntese e bile
10–12 min de leitura Atualizado em outubro de 2026

Reconheça a lâmina

Em pequeno aumento o fígado é um tecido uniforme de células poligonais rosadas. A orientação vem dos vasos: veias centrolobulares isoladas e espaços porta com três estruturas juntas.

Lâmina histológica

Figura 1. Fígado humano, HE, 100x. Cordões de hepatócitos irradiando de uma veia centrolobular em direção aos espaços porta da periferia; entre os cordões, sinusoides estreitos.

Roteiro de observação
  1. 1
    Veia centrolobularLuz isolada, parede fina, onde os sinusoides desembocam de todos os lados.
  2. 2
    Espaço portaConjuntivo com veia porta (maior, parede fina), artéria hepática (pequena, parede muscular) e ducto biliar (epitélio cúbico).
  3. 3
    CordõesHepatócitos poligonais de citoplasma eosinófilo, núcleo central redondo; binucleados frequentes.
  4. 4
    SinusoidesEspaços estreitos entre os cordões com núcleos achatados de endotélio e células de Kupffer.

Em 30 segundos

O essencial de visão geral

  1. O sangue entra pelo espaço porta (veia porta + artéria hepática), corre pelos sinusoides e sai pela veia centrolobular.
  2. A bile anda no sentido contrário: canalículos entre hepatócitos → ductos biliares do espaço porta.
  3. Os sinusoides têm endotélio fenestrado e descontínuo, células de Kupffer (macrófagos) e, abaixo, o espaço de Disse com células estreladas.
  4. Zona 3 (centrolobular) recebe o sangue mais pobre em oxigênio e sofre primeiro com hipóxia e certas toxinas.

O que é o fígado na histologia

O fígado é revestido pela cápsula de Glisson, que entra no hilo e acompanha os vasos até os espaços porta. O parênquima é formado por placas de hepatócitos com uma ou duas células de espessura, separadas por sinusoides.

É uma glândula com dupla função: exócrina (secreta bile) e metabólica e endócrina (secreta albumina, fatores de coagulação e lipoproteínas direto no sangue). Por isso o hepatócito tem um polo voltado ao sinusoide e outro ao canalículo biliar.

Células do sinusoide

Entre o sangue e o hepatócito há uma barreira muito permeável, que deixa o plasma chegar ao espaço de Disse e às microvilosidades do hepatócito.

Endotélio sinusoidal

Fenestrado, sem diafragma e com lâmina basal descontínua ou ausente.

Célula de Kupffer

Macrófago residente na luz do sinusoide; fagocita hemácias velhas e partículas.

Célula estrelada (Ito)

No espaço de Disse; armazena vitamina A em gotas lipídicas. Ativada, vira miofibroblasto e produz fibrose.

O fígado em quatro imagens

Roteiro: oriente-se pelos vasos, depois olhe os cordões e, por fim, os sinusoides.

Fígado de porco: lóbulos delimitados

HE ou tricrômico, 40x. No porco, septos de conjuntivo contornam cada lóbulo e deixam o hexágono evidente — por isso é a lâmina clássica para aprender o lóbulo. No humano esses septos não existem e os limites são imaginários.

HE40xPorco

Espaço porta

HE, 400x. Três estruturas no mesmo conjuntivo: ramo da veia porta (maior, parede fina), arteríola hepática (pequena, parede muscular espessa para o calibre) e ducto biliar (epitélio cúbico simples). Linfáticos completam o espaço.

HE400xTríade portal

Veia centrolobular e sinusoides

HE, 400x. Sinusoides convergem para a veia centrolobular. Note os núcleos achatados do endotélio e as células de Kupffer, de núcleo maior e saliente na luz.

HE400xSinusoides

Glicogênio no hepatócito

PAS, 400x. Grânulos magenta de glicogênio no citoplasma dos hepatócitos, que desaparecem após digestão com diastase. A intensidade varia com o estado nutricional.

PAS400xGlicogênio

O fígado não tem ácinos nem ductos espalhados pelo parênquima: é uma massa de cordões de células poligonais com sinusoides entre eles, pontuada por espaços porta e veias centrais.

Aumento a aumento

  1. 40x — padrão geral

    Parênquima uniforme e eosinófilo com áreas de conjuntivo (espaços porta) e luzes isoladas (veias centrais). Cápsula fina na borda.

  2. 100x — oriente o lóbulo

    Cordões irradiando de uma veia central; espaços porta na periferia, cerca de 3 a 6 por lóbulo.

  3. 400x — espaço porta

    Confirme as três estruturas: veia, artéria e ducto biliar de epitélio cúbico.

  4. 400x — hepatócito

    Célula poligonal grande, citoplasma eosinófilo e granuloso, núcleo redondo central com nucléolo; muitos binucleados.

  5. Colorações especiais

    PAS (glicogênio), reticulina (arcabouço dos cordões), tricrômico (fibrose), Perls (ferro).

Pegadinhas

Veia centrolobular é isolada, sem artéria nem ducto ao lado. Veias sublobulares maiores também ficam sozinhas e têm parede mais espessa. No humano, os limites do lóbulo não são visíveis: use os vasos.

Descrição-modelo para a prova prática

Modelo de descrição

Corte histológico corado por HE mostrando órgão parenquimatoso revestido por cápsula fina de conjuntivo. O parênquima é formado por cordões anastomosados de células poligonais com citoplasma eosinófilo e núcleo redondo central, algumas binucleadas (hepatócitos), separados por capilares sinusoides com células endoteliais achatadas e células de Kupffer. Os cordões irradiam de veias centrolobulares em direção a espaços porta, que contêm ramo da veia porta, arteríola hepática e ducto biliar revestido por epitélio cúbico simples. Diagnóstico: fígado.

Se for fígado de porco, cite os septos de conjuntivo delimitando lóbulos hexagonais.

Órgãos com células poligonais eosinófilas

Vários órgãos têm massas de células rosadas. A arquitetura (cordões e sinusoides x ácinos x túbulos) e os vasos característicos fecham o diagnóstico.

ÓrgãoAchado-chaveComo diferenciar
Achado-chaveÁcinos serosos com polo basófilo
Como diferenciarGrânulos de zimogênio apicais, ilhotas claras, ductos intercalares; sem espaço porta.
Achado-chaveCordões em zonas concêntricas
Como diferenciarCélulas espumosas lipídicas na fasciculada; medula central.
Achado-chaveTúbulos eosinófilos e glomérulos
Como diferenciarTúbulos com luz e membrana basal; corpúsculos renais.
Achado-chaveÁcinos serosos e ductos estriados
Como diferenciarLóbulos glandulares com ductos; tecido adiposo entre eles.

Saber onde fica cada zona do ácino e o que faz cada célula explica onde a lesão aparece na biópsia hepática.

Zonas do ácino e padrão de lesão

O sangue entra pela zona 1 (periportal), rica em oxigênio e nutrientes, e sai pela zona 3 (centrolobular). A zona 3 concentra enzimas do citocromo P450 e recebe o sangue mais pobre em oxigênio.

ZonaLocalizaçãoMais sensível a
Zona 1PeriportalToxinas que chegam pelo sangue portal; inflamação das hepatites
Zona 2IntermediáriaSituação intermediária
Zona 3CentrolobularHipóxia (choque, insuficiência cardíaca), paracetamol, álcool

Robbins & Cotran; Ross & Pawlina.

Necrose em volta da veia central = pense em hipóxia ou toxina metabolizada; inflamação no espaço porta = pense em hepatite.

Da esteatose à cirrose

Esteatose

Vacúolos de gordura empurram o núcleo do hepatócito; álcool, obesidade, diabetes.

Hepatites

Infiltrado no espaço porta, necrose de interface e corpos apoptóticos.

Cirrose

Células estreladas viram miofibroblastos; septos fibrosos e nódulos de regeneração.

Referências bibliográficas

  1. 1
    Livro-texto2023
    Junqueira LC, Carneiro J. Histologia Básica: texto e atlas. 14. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan; 2023.
  2. 2
    Livro-texto2021
    Ross MH, Pawlina W. Histologia: texto e atlas — correlações com biologia celular e molecular. 8. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan; 2021.
  3. 3
    Livro-texto2022
    Gartner LP. Tratado de Histologia. 5. ed. Rio de Janeiro: Elsevier; 2022.
  4. 4
    Livro-texto2014
    Young B, O’Dowd G, Woodford P. Wheater Histologia Funcional: texto e atlas em cores. 6. ed. Rio de Janeiro: Elsevier; 2014.
  5. 5
    Livro-texto2021
    Kumar V, Abbas AK, Aster JC. Robbins & Cotran Patologia: bases patológicas das doenças. 10. ed. Rio de Janeiro: Elsevier; 2021.

Fontes das imagens

As imagens deste atlas têm finalidade educacional e foram produzidas a partir de lâminas histológicas reais e de representações didáticas.

Parte delas pode ter sido editada ou aprimorada digitalmente para destacar as estruturas e os achados descritos no texto.

Aviso importante

Material educacional. Não substitui o laudo anatomopatológico, a avaliação clínica, os protocolos institucionais nem a consulta às bulas.

Atlas Astrenmed de Histologia • Conteúdo para educação médica. O diagnóstico e a conduta dependem da avaliação clínica individual.
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