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Atlas de Histologia • Organelas

Membrana plasmática

Plasmalema • membrana celular • plasma membrane

Bicamada lipídica com proteínas que delimita a célula, controla o que entra e sai e recebe sinais. Fina demais para o microscópio óptico, ela se revela pelas especializações: microvilosidades, estereocílios, cílios, junções e invaginações basais.

Tipo
Bicamada lipoproteica
Onde está
Limite de toda célula
Pista na lâmina
Trilaminar na ME; glicocálice PAS+
Função
Barreira, transporte, sinalização
10–12 min de leitura Atualizado em outubro de 2026

Reconheça a estrutura

A membrana mede cerca de 7,5 a 10 nm: no microscópio óptico, o “contorno” da célula é a membrana somada ao citoplasma cortical. Na ME ela aparece como unidade de membrana trilaminar (duas linhas escuras e uma clara).

Lâmina histológica

Figura 1. Epitélio do intestino delgado, PAS com hematoxilina, 400x. Borda estriada magenta no ápice dos enterócitos: microvilosidades cobertas por glicocálice.

Roteiro de observação
  1. 1
    Limite celularNo HE, apenas a interface entre células vizinhas; a membrana em si não é resolvida.
  2. 2
    ÁpiceFaixa PAS positiva = microvilosidades + glicocálice (borda estriada).
  3. 3
    LateraisPontos escuros perto do ápice (barra terminal) = complexo juncional.
  4. 4
    BaseRepouso sobre a membrana basal, também PAS positiva.

Em 30 segundos

O essencial de visão geral

  1. É uma bicamada de fosfolipídios com colesterol e proteínas, organizada como mosaico fluido.
  2. Os folhetos são assimétricos: o glicocálice fica só na face externa; a fosfatidilserina, na interna (exposta, sinaliza apoptose).
  3. Transporta por difusão, canais, carreadores, bombas (Na+/K+-ATPase) e por vesículas (endocitose, exocitose, transcitose).
  4. Forma especializações apicais, laterais e basais que identificam epitélios na lâmina.

O que é a membrana plasmática

A membrana separa o citoplasma do meio externo e é seletivamente permeável: gases e moléculas pequenas apolares atravessam a bicamada; íons e moléculas polares precisam de proteínas. Toda organela membranosa segue o mesmo modelo, com composição própria.

Lipídios e muitas proteínas se movem lateralmente — por isso “fluido”. Junções de oclusão limitam esse movimento e mantêm domínios apical e basolateral diferentes nos epitélios, base da absorção e da secreção direcionadas.

Especializações por domínio

Apical

  • Microvilosidades (actina): borda estriada e em escova
  • Estereocílios (actina, longos): epidídimo, células ciliadas da orelha
  • Cílios (microtúbulos 9+2): vias aéreas, tuba uterina

Lateral

  • Zônula de oclusão (claudinas, ocludina)
  • Zônula de adesão (caderinas + actina)
  • Desmossomos (caderinas + queratina)
  • Junções comunicantes (conexinas)

Basal

  • Hemidesmossomos (integrinas + queratina)
  • Invaginações basais com mitocôndrias: túbulo proximal, ducto estriado

A membrana em quatro imagens

As especializações da membrana são o que você vai descrever na prova. Roteiro: domínio (apical, lateral, basal) e componente do citoesqueleto envolvido.

Unidade de membrana na ME

ME de alta resolução da superfície de duas células vizinhas. Cada membrana aparece trilaminar: duas linhas elétron-densas (cabeças polares) separadas por uma faixa clara (caudas hidrofóbicas). Na face externa, o glicocálice forma uma camada felpuda.

METrilaminarGlicocálice

Borda em escova do túbulo proximal

Córtex renal, PAS, 400x. Faixa apical magenta, alta e irregular, nos túbulos contorcidos proximais (borda em escova), ausente nos distais. São microvilosidades longas e densas que ampliam a área de reabsorção.

PASRimMicrovilosidades

Estereocílios do epidídimo

Ducto do epidídimo, HE, 400x. Epitélio pseudoestratificado com tufos longos e finos no ápice, que se aglutinam em pincel: estereocílios. Apesar do nome, são microvilosidades longas (actina), imóveis e sem corpúsculo basal.

HEEpidídimoEstereocílios

Complexo juncional

ME das faces laterais de duas células epiteliais perto do ápice. De cima para baixo: zônula de oclusão (membranas fundidas em pontos), zônula de adesão (placa com actina) e desmossomo (placas densas com filamentos de queratina). No HE, corresponde à barra terminal.

MEJunçõesBarra terminal

No microscópio óptico você reconhece onde está a membrana (limites celulares) e o que ela forma (borda estriada, estereocílios, barra terminal). A estrutura trilaminar é exclusiva da ME.

Aumento a aumento

  1. 100x — escolha o epitélio

    Intestino (borda estriada), rim (borda em escova), epidídimo (estereocílios), traqueia (cílios).

  2. 400x — superfície apical

    Faixa fina e regular = microvilosidades; tufos longos aglutinados = estereocílios; fios individuais com linha basal escura = cílios.

  3. 400x — PAS

    Glicocálice e microvilosidades ficam magenta; a membrana basal também.

  4. 1000x — laterais e base

    Barra terminal (ponto escuro perto do ápice) e estriação basal (invaginações com mitocôndrias) em túbulo proximal e ducto estriado.

  5. ME

    Linha trilaminar; junções, vesículas de endocitose (com clatrina) e cavéolas.

Pegadinhas

“Estereocílio” não é cílio. Borda estriada (intestino) e borda em escova (rim) são ambas microvilosidades. O contorno nítido das células no HE não é a membrana resolvida — ela está abaixo do limite de resolução do microscópio óptico (cerca de 0,2 µm).

Descrição-modelo para a prova prática

Modelo de descrição

Corte de intestino delgado corado por PAS e hematoxilina, em médio aumento, mostrando epitélio simples cilíndrico de enterócitos com faixa apical regular, intensamente PAS positiva: borda estriada, formada por microvilosidades revestidas por glicocálice, especialização apical da membrana plasmática. Entre os enterócitos, células caliciformes com mucina PAS positiva. Na porção lateral apical observa-se a barra terminal, correspondente ao complexo juncional.

Para epidídimo, troque por estereocílios; para traqueia, por cílios com corpúsculos basais.

Especializações apicais lado a lado

As três projeções apicais são as mais cobradas. Tamanho, motilidade, eixo do citoesqueleto e presença de corpúsculo basal resolvem a dúvida.

EstruturaAchado-chaveComo diferenciar
Achado-chaveFaixa apical curta, regular, PAS+
Como diferenciarEixo de actina, imóveis, sem corpúsculo basal; intestino e túbulo proximal.
Achado-chaveTufos longos aglutinados em pincel
Como diferenciarActina, imóveis, sem corpúsculo basal; epidídimo e ducto deferente.
Achado-chaveFios individuais com linha basal escura
Como diferenciarMicrotúbulos 9+2, móveis, corpúsculos basais; vias aéreas e tuba uterina.
Achado-chaveMaterial amorfo sobre o ápice
Como diferenciarIrregular, sem estrutura em paliçada; vem das células caliciformes.

Defeitos de canais, receptores, junções ou do esqueleto da membrana geram doenças clássicas de clínica e de prova.

Doenças da membrana e de suas especializações

Note que a mesma lógica se repete: identifique o componente da membrana e o tecido onde ele é mais importante.

DoençaComponente afetadoConsequência
Fibrose cística
Componente afetadoCFTR (canal de cloreto apical)
ConsequênciaMuco espesso em vias aéreas, pâncreas e intestino; suor salgado.
Hipercolesterolemia familiar
Componente afetadoReceptor de LDL (endocitose mediada por receptor)
ConsequênciaLDL alto desde a infância, xantomas e aterosclerose precoce.
Componente afetadoAutoanticorpos contra desmogleína 3 (desmossomo)
ConsequênciaAcantólise suprabasal; bolhas flácidas e erosões orais.
Componente afetadoEsqueleto da membrana (espectrina, anquirina)
ConsequênciaHemácias esféricas, sem halo central, removidas no baço.
Penfigoide bolhoso
Componente afetadoProteínas do hemidesmossomo
ConsequênciaBolha subepidérmica tensa em idosos.

Desmossomo falhou = acantólise dentro da epiderme (pênfigo); hemidesmossomo falhou = bolha abaixo dela (penfigoide).

Na rotina do patologista

Doença celíaca

Atrofia das vilosidades com perda da borda estriada: menos área de absorção.

Padrão de membrana na IHQ

Marcadores como HER2, E-caderina e CD20 coram o contorno celular — leitura que depende da membrana.

Referências bibliográficas

  1. 1
    Livro-texto2017
    Alberts B, Johnson A, Lewis J, Morgan D, Raff M, Roberts K, Walter P. Biologia Molecular da Célula. 6. ed. Porto Alegre: Artmed; 2017.
  2. 2
    Livro-texto2023
    Junqueira LC, Carneiro J. Histologia Básica: texto e atlas. 14. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan; 2023.
  3. 3
    Livro-texto2021
    Ross MH, Pawlina W. Histologia: texto e atlas — correlações com biologia celular e molecular. 8. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan; 2021.
  4. 4
    Livro-texto2022
    Gartner LP. Tratado de Histologia. 5. ed. Rio de Janeiro: Elsevier; 2022.
  5. 5
    Livro-texto2021
    Kumar V, Abbas AK, Aster JC. Robbins & Cotran Patologia: bases patológicas das doenças. 10. ed. Rio de Janeiro: Elsevier; 2021.

Fontes das imagens

As imagens deste atlas têm finalidade educacional e foram produzidas a partir de lâminas histológicas reais e de representações didáticas.

Parte delas pode ter sido editada ou aprimorada digitalmente para destacar as estruturas e os achados descritos no texto.

Aviso importante

Material educacional. Não substitui o laudo anatomopatológico, a avaliação clínica, os protocolos institucionais nem a consulta às bulas.

Atlas Astrenmed de Histologia • Conteúdo para educação médica. O diagnóstico e a conduta dependem da avaliação clínica individual.
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