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Atlas de Histologia • Lâminas de Órgãos

Pele (Espessa)

Pele glabra • thick skin

Pele das palmas das mãos e plantas dos pés: epiderme muito espessa, com as cinco camadas completas e um estrato lúcido bem definido, camada córnea grossa e ausência de pelos e glândulas sebáceas.

Tipo
Órgão: epitélio + conjuntivo
Onde está
Palmas e plantas
Pista na lâmina (HE)
Córnea grossa + estrato lúcido
Função
Resistência ao atrito
10–12 min de leitura Atualizado em outubro de 2026

Reconheça a lâmina

O que define a pele espessa é a epiderme, não a derme. Uma faixa córnea enorme, rosada e laminar sobre uma epiderme com cristas profundas é a assinatura no menor aumento.

Lâmina histológica

Figura 1. Pele espessa da palma, HE, 100x. Camada córnea muito espessa no topo; abaixo, faixa fina e clara (estrato lúcido), granulosa basófila, espinhosa e basal sobre papilas dérmicas profundas.

Roteiro de observação
  1. 1
    De cima para baixoCórnea → lúcido → granuloso → espinhoso → basal. Cinco estratos, todos visíveis.
  2. 2
    Camada córneaFaixa eosinófila, acelular e laminada, frequentemente mais grossa que o resto da epiderme.
  3. 3
    Estrato lúcidoLinha fina, clara e homogênea logo acima do granuloso — só bem visível na pele espessa.
  4. 4
    DermePapilas altas com Meissner; ductos sudoríparos espiralados atravessando a epiderme; sem folículos pilosos.

Em 30 segundos

O essencial de visão geral

  1. Reveste palmas, plantas e polpas digitais; sua espessura é dada pela epiderme (e sobretudo pela camada córnea).
  2. Tem os cinco estratos: basal, espinhoso, granuloso, lúcido e córneo.
  3. Não tem pelos, glândulas sebáceas nem músculo eretor; tem muitas glândulas sudoríparas écrinas.
  4. Cristas epidérmicas e papilas dérmicas profundas formam as impressões digitais (dermatóglifos).

O que é a pele espessa

A pele é dividida em espessa e delgada pela espessura da epiderme, e não da pele inteira: a derme das costas, por exemplo, é mais grossa que a da palma, mas a pele das costas é "delgada".

A pele espessa suporta atrito e pressão constantes. Por isso tem camada córnea grossa, cristas epidérmicas profundas que ancoram a epiderme na derme e muitos receptores táteis nas papilas.

Os cinco estratos da epiderme

Os queratinócitos nascem no estrato basal e sobem, diferenciando-se até virar escamas córneas mortas. O trajeto leva cerca de quatro semanas.

EstratoAspecto no HEO que acontece
Basal (germinativo)Uma fileira de células cúbicas/cilíndricas basófilasMitoses; células-tronco; melanócitos e Merkel entre elas
EspinhosoVárias camadas poligonais com "espinhos"Desmossomos; filamentos de queratina; células de Langerhans
Granuloso3–5 camadas achatadas com grânulos roxosGrânulos de querato-hialina e lamelares (barreira lipídica)
LúcidoFaixa fina, clara, homogêneaCélulas achatadas sem núcleo nem organelas, ricas em eleidina
CórneoLâminas eosinófilas sem núcleoEscamas de queratina que descamam continuamente

A pele espessa em quatro campos

Roteiro: primeiro a espessura da camada córnea, depois os estratos, depois a derme e os anexos.

Panorâmica: epiderme dominante

Pele da planta do pé, HE, 40x. A camada córnea ocupa quase metade da espessura epidérmica. Note as cristas epidérmicas profundas, alternando com papilas dérmicas, e a derme reticular densa abaixo, sem folículos pilosos.

HE40xPanorâmica

Granuloso e lúcido

HE, 400x. Células achatadas cheias de grânulos de querato-hialina intensamente basófilos (granuloso) e, logo acima, a faixa clara e brilhante do estrato lúcido, sem núcleos, separando-o da camada córnea rosada.

HE400xEstrato lúcido

Corpúsculo de Meissner

Papila dérmica, HE, 400x. Estrutura ovoide encapsulada com células achatadas empilhadas transversalmente, lembrando uma pinha. Mecanorreceptor de tato fino, abundante nas polpas digitais.

HEPapila dérmicaReceptor

Glândula sudorípara écrina

Derme profunda, HE, 400x. Porção secretora com células mais claras e mioepiteliais, e ductos com dupla camada de células cúbicas mais escuras. O ducto sobe espiralado e atravessa a epiderme (acrossiríngio).

HEAnexoÉcrina

Duas perguntas resolvem a lâmina: a camada córnea é muito grossa? e há folículos pilosos? Córnea grossa e nenhum pelo = pele espessa.

Aumento a aumento

  1. A olho nu / 40x — orientação

    Ache a superfície: faixa rosada laminada no topo. Abaixo, epiderme roxa com contorno ondulado e derme rosada; no fundo, gordura (hipoderme).

  2. 40x — anexos

    Procure folículos pilosos e glândulas sebáceas: na pele espessa não existem. Há muitos novelos de glândulas sudoríparas na derme profunda.

  3. 100x — estratos

    Identifique os cinco estratos. A camada córnea costuma ser mais espessa que as camadas vivas somadas.

  4. 400x — estrato lúcido

    Faixa estreita, clara e homogênea entre o granuloso (roxo) e o córneo (rosa). Confirma a pele espessa.

  5. 400x — derme papilar

    Corpúsculos de Meissner nas papilas; ductos sudoríparos em espiral cruzando a epiderme; corpúsculos de Pacini (lamelas concêntricas) na hipoderme.

Pegadinhas

Camada córnea grossa sozinha não basta: calosidades e hiperqueratose em pele delgada também espessam a córnea, mas aí aparecem folículos pilosos. A camada córnea pode se descolar no processamento, deixando um espaço artificial. Mucosa oral não queratinizada não tem granuloso nem córneo.

Descrição-modelo para a prova prática

Modelo de descrição

Corte histológico corado por HE mostrando pele espessa. Epiderme de epitélio estratificado pavimentoso queratinizado, com estratos basal, espinhoso, granuloso, lúcido e córneo bem definidos; camada córnea muito espessa e estrato lúcido evidente. Cristas epidérmicas profundas intercaladas com papilas dérmicas contendo corpúsculos de Meissner. Derme papilar de conjuntivo frouxo e reticular de conjuntivo denso não modelado, com glândulas sudoríparas écrinas e seus ductos. Ausência de folículos pilosos e glândulas sebáceas.

Cite os receptores (Meissner, Pacini) que conseguir ver no campo.

Epitélios estratificados que confundem

Toda lâmina com epitélio estratificado pavimentoso pode ser confundida com pele. Decida pela queratinização, pelo estrato lúcido e pelos anexos.

EstruturaAchado-chaveComo diferenciar
Achado-chaveCórnea fina, sem lúcido distinto
Como diferenciarFolículos pilosos, glândulas sebáceas e músculo eretor do pelo presentes.
Achado-chaveEstratificado pavimentoso não queratinizado
Como diferenciarNúcleos até a superfície; sem granuloso nem córneo; muscular da mucosa e camada muscular abaixo.
Achado-chaveTipo de epitélio, não órgão
Como diferenciarEm vagina, cérvice e boca: sem anexos cutâneos e geralmente sem queratina.
Achado-chaveNinhos invasivos com pérolas córneas
Como diferenciarAtipia nuclear e invasão da derme; a pele normal tem membrana basal contínua.

A pele espessa é feita para o atrito. Quando o atrito aumenta, a epiderme responde; quando a coesão entre queratinócitos falha, surgem bolhas.

Do calo à impressão digital

Calos e calosidades

Atrito repetido estimula a proliferação e a queratinização: hiperqueratose localizada, sem atipia.

Dermatóglifos

Cristas epidérmicas formadas na vida fetal; padrão individual e permanente, usado em identificação.

Hiperidrose palmoplantar

Excesso de suor das glândulas écrinas, abundantes na pele espessa; controle simpático colinérgico.

Queratodermias palmoplantares

Doenças genéticas (ex.: queratinas 1, 9 e 16) com espessamento córneo marcado de palmas e plantas.

Pele espessa = epiderme espessa (córnea + lúcido), sem pelos. A derme não define a classificação.

Patologias relacionadas

DoençaO que falhaNa lâmina
O que falhaAutoanticorpos contra desmogleína 3
Na lâminaAcantólise suprabasal; basais em "fileira de lápides".
Melanoma acral
O que falhaProliferação maligna de melanócitos
Na lâminaSubtipo mais comum em pele negra e asiática; ocorre em palmas, plantas e unhas.
O que falhaFibrose da derme
Na lâminaDerme espessada e compacta, anexos aprisionados; mãos frequentemente acometidas.

Referências bibliográficas

  1. 1
    Livro-texto2023
    Junqueira LC, Carneiro J. Histologia Básica: texto e atlas. 14. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan; 2023.
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  3. 3
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    Gartner LP. Tratado de Histologia. 5. ed. Rio de Janeiro: Elsevier; 2022.
  4. 4
    Livro-texto2014
    Young B, O’Dowd G, Woodford P. Wheater Histologia Funcional: texto e atlas em cores. 6. ed. Rio de Janeiro: Elsevier; 2014.
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    Livro-texto2021
    Kumar V, Abbas AK, Aster JC. Robbins & Cotran Patologia: bases patológicas das doenças. 10. ed. Rio de Janeiro: Elsevier; 2021.

Fontes das imagens

As imagens deste atlas têm finalidade educacional e foram produzidas a partir de lâminas histológicas reais e de representações didáticas.

Parte delas pode ter sido editada ou aprimorada digitalmente para destacar as estruturas e os achados descritos no texto.

Aviso importante

Material educacional. Não substitui o laudo anatomopatológico, a avaliação clínica, os protocolos institucionais nem a consulta às bulas.

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