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Atlas de Histologia • Lâminas de Órgãos

Vesícula Biliar

Gallbladder

Saco que armazena e concentra a bile. Na lâmina: mucosa com pregas altas e ramificadas revestidas por epitélio cilíndrico simples, sem muscular da mucosa e sem submucosa, uma camada muscular frouxa e serosa ou adventícia.

Tipo
Órgão oco do trato biliar
Onde está
Face inferior do fígado
Pista na lâmina (HE)
Pregas + cilíndrico, sem caliciformes
Função
Armazenar e concentrar a bile
8–10 min de leitura Atualizado em outubro de 2026

Reconheça a lâmina

A vesícula parece intestino à primeira vista, mas tem só um tipo de célula no epitélio (nenhuma caliciforme) e a mucosa encosta direto na camada muscular — não há submucosa.

Lâmina histológica

Figura 1. Vesícula biliar, HE, 100x. Pregas da mucosa ramificadas com epitélio cilíndrico simples, lâmina própria frouxa, camada muscular lisa em feixes irregulares e conjuntivo perimuscular.

Roteiro de observação
  1. 1
    PregasAltas e ramificadas; cortadas obliquamente, parecem "criptas" ou glândulas fechadas.
  2. 2
    EpitélioCilíndrico simples alto, núcleos basais, citoplasma claro; sem caliciformes.
  3. 3
    Sem submucosaLâmina própria frouxa encosta direto na muscular; não há muscular da mucosa.
  4. 4
    Parede externaMuscular lisa em feixes desordenados, conjuntivo perimuscular espesso, serosa ou adventícia.

Em 30 segundos

O essencial de visão geral

  1. Camadas: mucosa, muscular, conjuntivo perimuscular e serosa/adventícia — sem muscular da mucosa e sem submucosa.
  2. Epitélio cilíndrico simples absortivo, com microvilosidades, sem células caliciformes.
  3. O epitélio retira sódio e água da bile, concentrando-a várias vezes.
  4. A colecistocinina (CCK) contrai a muscular e relaxa o esfíncter de Oddi.

O que é a vesícula biliar

A vesícula é um saco em forma de pera ligado ao ducto cístico. Entre as refeições, a bile produzida pelos hepatócitos reflui para ela, onde fica armazenada e é concentrada. Após a refeição gordurosa, a CCK provoca a contração e a bile vai ao duodeno.

As pregas da mucosa servem de reserva de superfície: com a vesícula cheia, elas se achatam. Glândulas mucosas tubuloacinosas existem apenas perto do colo; no corpo, a mucosa não tem glândulas.

Como o epitélio concentra a bile

A célula epitelial é uma célula de transporte de água, parecida com a do túbulo proximal e do intestino.

  1. Entrada de sódio

    Sódio entra pelo ápice, que tem microvilosidades curtas.

  2. Bomba basolateral

    A Na+/K+-ATPase das membranas laterais bombeia sódio para os espaços intercelulares.

  3. Água segue

    A água acompanha por osmose; os espaços laterais se dilatam (visíveis na vesícula ativa).

  4. Bile concentrada

    Sais biliares, colesterol e bilirrubina ficam mais concentrados — o que favorece cálculos se houver desequilíbrio.

A vesícula biliar em quatro imagens

Roteiro: pregas ramificadas, epitélio de uma só célula e a ausência de submucosa.

Panorâmica da parede

HE, 40x. Pregas altas e ramificadas da mucosa, lâmina própria frouxa e, logo abaixo, a camada muscular em feixes; por fora, conjuntivo perimuscular espesso com vasos e serosa. Note que não há submucosa entre mucosa e muscular.

HE40xCamadas

Epitélio cilíndrico simples

HE, 400x. Células altas, de núcleo oval basal e citoplasma levemente eosinófilo, com borda apical discreta (microvilosidades). Nenhuma célula caliciforme. Espaços intercelulares laterais podem aparecer dilatados.

HE400xEpitélio

Pregas cortadas obliquamente

HE, 100x. Cortes oblíquos das pregas formam espaços fechados revestidos por epitélio, que imitam glândulas. Não são glândulas verdadeiras: falta a camada de células secretoras e a continuidade com ductos.

HE100xPegadinha

Seios de Rokitansky-Aschoff

Colecistite crônica, HE, 40–100x. Invaginações da mucosa que atravessam a camada muscular, às vezes com bile ou cálculos no interior, e parede espessada por fibrose e infiltrado linfocitário.

HEPatologiaColecistite crônica

Pregas altas + epitélio cilíndrico sem caliciformes + nenhuma submucosa = vesícula biliar. O erro clássico é chamá-la de intestino ou de tuba uterina.

Aumento a aumento

  1. 40x — órgão oco pregueado

    Parede relativamente fina, mucosa com pregas altas; sem vilosidades com eixo de lâmina própria bem definido como no intestino.

  2. 100x — conte as camadas

    Mucosa → muscular → conjuntivo perimuscular → serosa. Procure a muscular da mucosa: não existe.

  3. 400x — o epitélio

    Uma única linha de células cilíndricas altas, núcleos basais e alinhados; sem caliciformes e sem cílios.

  4. 400x — a muscular

    Feixes de músculo liso frouxos, em várias direções, separados por conjuntivo — não forma as duas camadas nítidas do intestino.

  5. Colorações especiais

    PAS mostra pouca mucina no corpo (glândulas mucosas só no colo); tricrômico evidencia o conjuntivo entre os feixes musculares.

Pegadinhas

Tuba uterina também tem pregas ramificadas, mas o epitélio tem células ciliadas e intercalares. Intestino tem caliciformes, criptas, muscular da mucosa e submucosa. Corte oblíquo de prega imita glândula.

Descrição-modelo para a prova prática

Modelo de descrição

Corte histológico corado por HE de órgão oco cuja mucosa forma pregas altas e ramificadas, revestidas por epitélio cilíndrico simples de núcleos basais, sem células caliciformes, apoiado em lâmina própria de conjuntivo frouxo. Não se observam muscular da mucosa nem submucosa. A camada muscular é formada por feixes de músculo liso orientados em várias direções, entremeados por conjuntivo. Externamente, conjuntivo perimuscular denso e serosa. Diagnóstico: vesícula biliar.

Se houver invaginações atravessando a muscular, cite seios de Rokitansky-Aschoff (colecistite crônica).

Órgãos de mucosa pregueada

Vários órgãos ocos têm pregas e epitélio cilíndrico. Separe-os pelo tipo de célula do epitélio e pela presença de submucosa.

EstruturaAchado-chaveComo diferenciar
Achado-chavePregas ramificadas com epitélio ciliado
Como diferenciarCélulas ciliadas e intercalares (em cavilha); muscular em duas camadas.
Achado-chaveVilosidades e caliciformes
Como diferenciarCriptas, células caliciformes e de Paneth, muscular da mucosa e submucosa.
Achado-chaveGlândulas retas cheias de caliciformes
Como diferenciarSem pregas altas; mucosa plana com criptas paralelas; submucosa presente.
Achado-chaveEpitélio mucoso de superfície e glândulas
Como diferenciarFovéolas e glândulas gástricas com células parietais; muscular da mucosa.
Achado-chaveUma camada de células altas
Como diferenciarÉ o tecido; a vesícula é o órgão que o usa sem caliciformes.

Concentrar a bile tem um preço: quando colesterol, sais biliares e fosfolipídios saem de equilíbrio, formam-se cálculos, a doença mais comum do trato biliar.

Colelitíase e colecistite

A maioria dos cálculos no Ocidente é de colesterol. O cálculo que obstrui o ducto cístico causa cólica biliar e colecistite aguda (parede edemaciada, inflamação e às vezes necrose). Episódios repetidos levam à colecistite crônica, com fibrose e seios de Rokitansky-Aschoff.

ColesterolTipo mais comum de cálculo no Ocidente
CCKContrai a vesícula após refeição gordurosa
0Submucosa e muscular da mucosa

Vesícula = mucosa pregueada sem caliciformes, sem submucosa e com muscular frouxa; é o epitélio que concentra a bile.

Outros achados de prova

Colesterolose

Macrófagos espumosos com colesterol na lâmina própria das pregas ("vesícula em morango").

Seios de Rokitansky-Aschoff

Divertículos da mucosa através da muscular, típicos da colecistite crônica.

Adenocarcinoma

Associado a cálculos e inflamação crônica; vesícula em porcelana é fator de risco clássico.

Ductos de Luschka

Pequenos ductos na face hepática; podem causar fístula biliar após colecistectomia.

Referências bibliográficas

  1. 1
    Livro-texto2023
    Junqueira LC, Carneiro J. Histologia Básica: texto e atlas. 14. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan; 2023.
  2. 2
    Livro-texto2021
    Ross MH, Pawlina W. Histologia: texto e atlas — correlações com biologia celular e molecular. 8. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan; 2021.
  3. 3
    Livro-texto2022
    Gartner LP. Tratado de Histologia. 5. ed. Rio de Janeiro: Elsevier; 2022.
  4. 4
    Livro-texto2014
    Young B, O’Dowd G, Woodford P. Wheater Histologia Funcional: texto e atlas em cores. 6. ed. Rio de Janeiro: Elsevier; 2014.
  5. 5
    Livro-texto2021
    Kumar V, Abbas AK, Aster JC. Robbins & Cotran Patologia: bases patológicas das doenças. 10. ed. Rio de Janeiro: Elsevier; 2021.

Fontes das imagens

As imagens deste atlas têm finalidade educacional e foram produzidas a partir de lâminas histológicas reais e de representações didáticas.

Parte delas pode ter sido editada ou aprimorada digitalmente para destacar as estruturas e os achados descritos no texto.

Aviso importante

Material educacional. Não substitui o laudo anatomopatológico, a avaliação clínica, os protocolos institucionais nem a consulta às bulas.

Atlas Astrenmed de Histologia • Conteúdo para educação médica. O diagnóstico e a conduta dependem da avaliação clínica individual.
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