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Atlas de Histologia • Lâminas de Órgãos

Estômago

Mucosa gástrica • stomach

Segmento dilatado do tubo digestivo. Na lâmina, a mucosa do corpo e do fundo é tomada por glândulas gástricas tubulares retas, com células parietais eosinófilas e células principais basófilas, sob um epitélio de superfície todo mucoso, sem caliciformes.

Tipo
Órgão do tubo digestivo
Onde está
Entre esôfago e duodeno
Pista na lâmina (HE)
Fossetas + glândulas com parietais
Função
Ácido, pepsina e fator intrínseco
10–12 min de leitura Atualizado em outubro de 2026

Reconheça a lâmina

A mucosa gástrica é espessa e "cheia" de glândulas apertadas umas contra as outras. Na superfície, as fossetas; no fundo, as glândulas com células de duas cores: rosa (parietais) e roxa (principais).

Lâmina histológica

Figura 1. Mucosa do corpo gástrico, HE, 100x. Epitélio cilíndrico mucoso na superfície e nas fossetas; glândulas tubulares retas com células parietais rosadas na metade superior e células principais basófilas na base; muscular da mucosa abaixo.

Roteiro de observação
  1. 1
    SuperfícieEpitélio cilíndrico simples com citoplasma apical claro (muco) em todas as células; nenhuma caliciforme.
  2. 2
    FossetasInvaginações rasas, cerca de um quarto da espessura da mucosa no corpo.
  3. 3
    GlândulasParietais grandes, redondas ou piramidais e eosinófilas no colo e no meio; principais basófilas na base.
  4. 4
    AbaixoMuscular da mucosa, submucosa e muscular própria com três camadas (oblíqua, circular, longitudinal).

Em 30 segundos

O essencial de visão geral

  1. Epitélio de superfície = células mucosas superficiais que formam uma lâmina contínua de muco, sem caliciformes.
  2. As fossetas gástricas desembocam na superfície e recebem as glândulas.
  3. Na glândula fúndica: parietais (HCl, fator intrínseco), principais (pepsinogênio), mucosas do colo, células-tronco e enteroendócrinas.
  4. Cárdia e piloro têm glândulas mucosas; no antro as fossetas são profundas e há células G (gastrina).

O que é o estômago na histologia

A parede do estômago tem as quatro camadas do tubo digestivo — mucosa, submucosa, muscular própria e serosa —, mas a mucosa é especializada em produzir suco gástrico e, ao mesmo tempo, proteger-se dele.

Com o órgão vazio, a mucosa e a submucosa formam pregas longitudinais (rugas) que se desfazem com a distensão. A muscular própria tem uma camada oblíqua interna extra, que ajuda a misturar o conteúdo.

Três regiões, três tipos de glândula

Reconhecer a região é questão de prova: compare a profundidade das fossetas e o tipo de célula nas glândulas.

RegiãoFossetasGlândulasCélulas típicas
CárdiaRasasTubulares, enoveladas, mucosasCélulas mucosas; poucas parietais
Fundo e corpoRasas (cerca de 1/4 da mucosa)Tubulares retas, longasParietais, principais, mucosas do colo
Antro e piloroProfundas (cerca de metade)Tubulares ramificadas, mucosasCélulas mucosas e células G

Junqueira & Carneiro; Ross & Pawlina.

O estômago em quatro imagens

Roteiro: superfície, fossetas, glândulas e, por fim, as camadas da parede.

Parede gástrica completa

Corpo gástrico, HE, 40x. Mucosa espessa ocupada por glândulas, muscular da mucosa fina, submucosa frouxa com vasos e muscular própria espessa com três camadas. Serosa na borda externa.

HE40xPanorâmica

Parietais e principais

Glândulas fúndicas, HE, 400x. Parietais grandes, redondas, com citoplasma rosado e núcleo central (às vezes dois); principais menores, de citoplasma basófilo e grânulos apicais, concentradas na base.

HE400xGlândula fúndica

Superfície mucosa com PAS

PAS, 200x. Faixa magenta contínua no ápice de todas as células superficiais e das fossetas: é a camada de muco neutro que protege a mucosa. Diferente do intestino, não há caliciformes isoladas.

PAS200xMuco

Mucosa antral (pilórica)

Antro, HE, 100x. Fossetas profundas, ocupando cerca de metade da mucosa, e glândulas mucosas claras e enoveladas, quase sem parietais. Compare com a foto 2: é a ausência de parietais que denuncia o antro.

HE100xAntro

Duas pistas bastam: epitélio superficial todo mucoso, sem caliciformes, e glândulas com células parietais rosadas. Sem vilosidades.

Aumento a aumento

  1. 40x — a parede

    Mucosa espessa e glandular, sem vilosidades; muscular própria grossa. Pregas (rugas) se o órgão estava vazio.

  2. 100x — fossetas x glândulas

    Meça a fosseta em relação à mucosa: rasa (corpo/fundo) ou profunda (antro).

  3. 400x — superfície

    Células cilíndricas com ápice claro, todas iguais. Caliciforme aqui é metaplasia intestinal.

  4. 400x — glândulas

    Parietais eosinófilas no colo e meio; principais basófilas na base.

  5. Coloração especial

    PAS cora o muco superficial; Giemsa ou imuno-histoquímica mostram H. pylori no muco.

Pegadinhas

Intestino tem vilosidades e caliciformes; estômago não. Glândula de Brunner na submucosa = duodeno. Junção esofagogástrica: transição brusca de pavimentoso para cilíndrico mucoso.

Descrição-modelo para a prova prática

Modelo de descrição

Corte histológico corado por HE de órgão tubular do sistema digestório. A mucosa é revestida por epitélio cilíndrico simples mucoso, sem células caliciformes, que se invagina formando fossetas gástricas rasas. A lâmina própria é ocupada por glândulas tubulares retas com células parietais grandes e eosinófilas, predominando na porção média, e células principais basófilas na base. Muscular da mucosa, submucosa de conjuntivo frouxo com vasos e muscular própria espessa em três camadas. Serosa. Diagnóstico: estômago, região do corpo/fundo.

Para o antro: fossetas profundas e glândulas mucosas, com raras parietais.

Mucosas do tubo digestivo

Todo o tubo digestivo tem o mesmo plano em camadas. O que muda é a mucosa: tipo de epitélio, vilosidades, caliciformes e glândulas.

ÓrgãoAchado-chaveComo diferenciar
Achado-chaveEstratificado pavimentoso
Como diferenciarSem fossetas; glândulas esofágicas na submucosa.
Achado-chaveVilosidades e caliciformes
Como diferenciarBorda em escova, células de Paneth na base das criptas.
Achado-chaveCriptas retas cheias de caliciformes
Como diferenciarSem vilosidades e sem parietais; superfície plana.
Achado-chaveÁcinos serosos basófilos
Como diferenciarÓrgão sólido sem luz central nem fossetas; ilhotas.

Ácido e pepsina são agressivos; o estômago só sobrevive por causa da barreira de muco e bicarbonato. Quase toda doença gástrica é desequilíbrio entre agressão e defesa — ou perda de células.

Gastrites e suas consequências

O Helicobacter pylori vive no muco, sobretudo no antro, e causa gastrite crônica com risco de úlcera, adenocarcinoma e linfoma MALT. Na gastrite autoimune, anticorpos contra a célula parietal e o fator intrínseco destroem o corpo gástrico.

Gastrite por H. pylori

  • Predomina no antro
  • Neutrófilos e plasmócitos na lâmina própria
  • Bacilos curvos no muco
  • Úlcera duodenal, adenocarcinoma, MALT

Gastrite autoimune

  • Predomina no corpo e fundo
  • Perda de parietais e principais
  • Acloridria e déficit de fator intrínseco
  • Anemia perniciosa (vitamina B12)

Sem célula parietal não há fator intrínseco: sem ele, a vitamina B12 não é absorvida no íleo — anemia perniciosa.

Patologias relacionadas no atlas

DoençaO que ocorreNa lâmina
O que ocorreNeoplasia glandular, ligada ao H. pylori
Na lâminaGlândulas atípicas invasivas ou células em anel de sinete.
O que ocorreEtapa pré-maligna
Na lâminaNúcleos alongados, estratificados, sem invasão.
O que ocorreMarcador de metaplasia intestinal
Na lâminaCaliciformes na mucosa gástrica não são normais.

Referências bibliográficas

  1. 1
    Livro-texto2023
    Junqueira LC, Carneiro J. Histologia Básica: texto e atlas. 14. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan; 2023.
  2. 2
    Livro-texto2021
    Ross MH, Pawlina W. Histologia: texto e atlas — correlações com biologia celular e molecular. 8. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan; 2021.
  3. 3
    Livro-texto2022
    Gartner LP. Tratado de Histologia. 5. ed. Rio de Janeiro: Elsevier; 2022.
  4. 4
    Livro-texto2014
    Young B, O’Dowd G, Woodford P. Wheater Histologia Funcional: texto e atlas em cores. 6. ed. Rio de Janeiro: Elsevier; 2014.
  5. 5
    Livro-texto2021
    Kumar V, Abbas AK, Aster JC. Robbins & Cotran Patologia: bases patológicas das doenças. 10. ed. Rio de Janeiro: Elsevier; 2021.

Fontes das imagens

As imagens deste atlas têm finalidade educacional e foram produzidas a partir de lâminas histológicas reais e de representações didáticas.

Parte delas pode ter sido editada ou aprimorada digitalmente para destacar as estruturas e os achados descritos no texto.

Aviso importante

Material educacional. Não substitui o laudo anatomopatológico, a avaliação clínica, os protocolos institucionais nem a consulta às bulas.

Atlas Astrenmed de Histologia • Conteúdo para educação médica. O diagnóstico e a conduta dependem da avaliação clínica individual.
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