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Neovascularização de íris

Rubeose iridis • rubeosis iridis • NVI

Crescimento de vasos anormais na superfície da íris e no ângulo, estimulado pelo VEGF liberado por uma retina isquêmica. É sinal de doença ocular grave — retinopatia diabética proliferativa, oclusão da veia central, síndrome isquêmica ocular — e precursor do glaucoma neovascular.

Íris e ânguloIsquemia retiniana → VEGFGlaucoma neovascularAnti-VEGF + panfotocoagulação
16–20 min de leitura Atualizado em outubro de 2026

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Imagem clínica

Neovasos finos e irregulares sobre a superfície da íris e na margem pupilar. Toque para ampliar.

Principais achados
  1. 1
    Vasos finos e tortuosos na margem pupilar
  2. 2
    Vasos irregulares cruzando o estroma, sem padrão radial
  3. 3
    Neovasos no ângulo (NVA) e no esporão escleral à gonioscopia
  4. 4
    Ectrópio uveal (epitélio pigmentar puxado para a frente)
  5. 5
    PIO elevada, sinéquias anteriores periféricas
  6. 6
    Hifema espontâneo em casos avançados

Em 30 segundos

O essencial de visão geral

  1. Rubeose iridis = neovasos na íris; costuma começar na margem pupilar e no ângulo.
  2. A causa é quase sempre isquemia da retina, que libera VEGF para o segmento anterior.
  3. Principais causas: retinopatia diabética proliferativa, oclusão da veia central isquêmica e síndrome isquêmica ocular.
  4. Sem tratamento, evolui para glaucoma neovascular: anti-VEGF e panfotocoagulação.

O que é

Os vasos normais da íris são radiais, ficam dentro do estroma e quase não são vistos em íris escuras. Os neovasos são diferentes: finos, irregulares, sem direção definida, na superfície da íris. Costumam aparecer primeiro como pequenos tufos na margem pupilar e/ou no ângulo, e depois se espalham.

O estímulo é o VEGF (fator de crescimento do endotélio vascular), produzido pela retina com falta de oxigênio, que se difunde até o segmento anterior. Qualquer doença que cause isquemia extensa da retina — ou do olho inteiro — pode causar rubeose.

Rubeose iridis é uma urgência relativa: o objetivo é fazer os vasos regredirem antes que o ângulo feche.

Da isquemia ao glaucoma neovascular

  1. Isquemia retiniana

    Áreas sem perfusão na retina.

  2. VEGF

    Difunde para a câmara anterior.

  3. NVI / NVA

    Neovasos na íris e no ângulo, PIO ainda normal.

  4. Ângulo aberto

    Membrana fibrovascular obstrui a malha: PIO sobe.

  5. Ângulo fechado

    Contração da membrana: sinéquias e glaucoma neovascular.

Em 30 segundos

O essencial de quadro clínico

  1. Fase inicial: assintomática; só detectável à lâmpada de fenda e na gonioscopia.
  2. Glaucoma neovascular: dor, olho vermelho, edema de córnea, PIO muito alta.
  3. Sintomas da doença de base: baixa visual por retinopatia, oclusão ou isquemia.
  4. Hifema espontâneo pode ser a primeira manifestação.

Sinais e sintomas

Tufos na margem pupilar

Achado mais precoce na maioria dos casos.

Vasos no estroma

Irregulares, ramificados, sem padrão radial.

PIO elevada

Pode chegar a 40–60 mmHg no glaucoma neovascular.

Dor e olho vermelho

Quando a PIO sobe; córnea edemaciada.

Baixa visual

Pela doença de base e pelo edema de córnea.

Hifema espontâneo

Neovasos frágeis sangram.

Estágios

Classificar o estágio orienta a urgência e o tipo de tratamento.

EstágioAchadosImplicação
Rubeose (pré-glaucomatoso)NVI e/ou NVA, PIO normalMelhor momento: anti-VEGF + panfotocoagulação
Glaucoma de ângulo abertoMembrana fibrovascular no ângulo aberto; PIO altaPode reverter se os neovasos regredirem
Glaucoma de ângulo fechadoSinéquias anteriores periféricas, ectrópio uveal; PIO muito altaGeralmente exige cirurgia; prognóstico visual reservado
Gonioscopia

Neovasos no ângulo

Vasos finos cruzando o esporão escleral e subindo pela malha trabecular — achado que pode vir antes dos vasos na íris.

Avançado

Ectrópio uveal

A membrana fibrovascular puxa o epitélio pigmentar sobre a margem da pupila, que fica com uma "borda escura" larga.

Em 30 segundos

O essencial de diagnóstico

  1. Examinar a íris ANTES de dilatar a pupila: a midríase esconde os vasos da margem pupilar.
  2. Gonioscopia em todo paciente de risco: o ângulo pode ser acometido primeiro.
  3. Fundo de olho, angiografia fluoresceínica e OCT-A identificam a isquemia.
  4. Sem causa retiniana evidente: Doppler de carótidas (síndrome isquêmica ocular).

Avaliação passo a passo

  1. Lâmpada de fenda sem midríase

    Grande aumento na margem pupilar e no estroma; íris clara facilita, íris escura dificulta.

  2. Gonioscopia

    Neovasos sobre o esporão escleral e a malha; extensão em horas; sinéquias anteriores periféricas.

  3. Tonometria

    Separa rubeose sem glaucoma de glaucoma neovascular.

  4. Fundo de olho com midríase

    Retinopatia diabética, oclusão venosa, descolamento, tumores.

  5. Angiografia fluoresceínica / OCT-A

    Áreas de não perfusão; na íris, a angiografia mostra vazamento dos neovasos.

  6. Investigação sistêmica

    Glicemia/HbA1c, pressão arterial; Doppler de carótidas se suspeita de isquemia ocular.

Causas

Três causas respondem pela grande maioria dos casos: retinopatia diabética, oclusão da veia central da retina e síndrome isquêmica ocular.

Retinopatia diabética proliferativa

Causa mais comum; risco maior após vitrectomia ou lensectomia sem laser adequado.

Oclusão da veia central (isquêmica)

Neovasos surgem tipicamente nos primeiros 3 meses — o clássico "glaucoma dos 90 dias".

Síndrome isquêmica ocular

Estenose carotídea grave; PIO pode ser normal pela baixa produção de aquoso.

Descolamento de retina crônico

Retina descolada e isquêmica.

Tumores

Melanoma de coroide, retinoblastoma, metástases.

Inflamação e outras

Uveíte crônica, oclusão de artéria central, retinopatia falciforme, radiação.

Diagnóstico diferencial

CondiçãoAchado-chaveComo diferenciar
Vasos normais da íris
Achado-chaveRadiais, dentro do estroma
Como diferenciarComuns em íris azul; não chegam à margem pupilar nem ao ângulo.
Achado-chaveVasos ingurgitados com inflamação
Como diferenciarSomem com o controle da inflamação; células e precipitados.
Achado-chaveVasos intrínsecos numa massa
Como diferenciarVasos restritos à lesão; massa sólida.
Achado-chaveSangue com história de trauma
Como diferenciarSem neovasos após clarear.
Glaucoma agudo de ângulo fechado
Achado-chavePIO alta, dor, pupila média fixa
Como diferenciarÍris sem neovasos; ângulo fechado por bloqueio pupilar.

Galeria oftalmológica

Observe onde estão os vasos (margem pupilar, estroma, ângulo), se seguem padrão radial e se há sinais de glaucoma (córnea turva, ectrópio uveal).

Rubeose iridis

Rede de vasos finos e irregulares sobre a superfície da íris, mais densa ao redor da pupila. Compare com os vasos normais, que são radiais e ficam dentro do estroma.

NVIEstroma

Neovascularização da íris

A seta aponta um vaso fino e tortuoso atravessando o estroma sem direção radial. Na íris clara, eles se destacam; na escura, exigem grande aumento.

Vasos tortuososLâmpada de fenda

Rubeose e glaucoma neovascular

Neovasos com sinais de pressão alta: hiperemia difusa, reflexo turvo por edema de córnea e pupila em médio-midríase. A gonioscopia mostraria sinéquias fechando o ângulo.

Glaucoma neovascularPIO alta

Neovasos na margem pupilar

Pequenos tufos vasculares na borda da pupila — o local onde a rubeose costuma começar. Examine antes de dilatar a pupila.

Margem pupilarFase inicial

Em 30 segundos

O essencial de tratamento

  1. Anti-VEGF intravítreo: regressão dos neovasos em dias; efeito temporário.
  2. Panfotocoagulação da retina isquêmica: tratamento definitivo da fonte de VEGF.
  3. PIO alta: supressores do aquoso; evitar pilocarpina; prostaglandinas com cautela.
  4. Glaucoma refratário: implante de drenagem ou ciclofotocoagulação.

Panfotocoagulação a laser (PRP)

A PRP destrói a retina periférica isquêmica, que é a fonte do VEGF. Deve ser feita assim que a transparência dos meios permitir — muitas vezes depois de uma injeção de anti-VEGF ter reduzido os vasos e o sangramento. Se os meios não permitem laser (hemorragia vítrea, catarata densa), indica-se crioterapia periférica ou vitrectomia com endolaser.

Oclusão da veia central

No Central Vein Occlusion Study, a PRP profilática não foi superior a esperar: recomenda-se seguimento frequente (mensal nos primeiros meses) e PRP imediata ao surgirem neovasos na íris ou no ângulo.

Rotas de tratamento

Os anti-VEGF são aplicados pelo oftalmologista (retina). Esquemas e intervalos variam entre serviços.

Cirurgia do glaucoma neovascular

Implante de drenagem

Válvula de Ahmed ou tubos (Baerveldt): opção preferida em muitos serviços, de preferência após anti-VEGF.

Trabeculectomia com antimetabólito

Maior falência por fibrose neste glaucoma; melhor após regressão dos neovasos.

Ciclofotocoagulação

Laser no corpo ciliar para reduzir produção de aquoso; frequente em olhos com baixo potencial visual.

Em 30 segundos

O essencial de prognóstico

  1. Detectada com ângulo aberto, a rubeose costuma regredir e a PIO normalizar.
  2. Com ângulo fechado, o glaucoma é crônico e difícil de controlar.
  3. A visão final depende sobretudo da doença de base (mácula e nervo óptico).

O que define a evolução

O glaucoma neovascular é um dos glaucomas de pior prognóstico. O diagnóstico precoce depende de examinar a íris e o ângulo de forma rotineira nos pacientes de risco — diabéticos com retinopatia grave e pacientes com oclusão venosa central, nos primeiros meses.

  • Diabéticos com retinopatia proliferativa: gonioscopia e íris sem midríase nas consultas.
  • Oclusão da veia central isquêmica: consultas mensais nos primeiros meses.
  • Controle sistêmico: glicemia, pressão arterial, lipídios; avaliação vascular carotídea quando indicada.

Referências bibliográficas

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    Livro-texto2025
    American Academy of Ophthalmology. Basic and Clinical Science Course (BCSC), Section 12: Retina and Vitreous. San Francisco: AAO; 2024–2025.
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    Shields MB, Ritch R, Krupin T. The Glaucomas. St. Louis: Mosby; 1996.
  9. 9
    Revisão online2026
    EyeWiki — American Academy of Ophthalmology. Neovascular Glaucoma. Acesso em 2026.

Fontes das imagens

As imagens deste atlas têm finalidade educacional e foram produzidas a partir de referências clínicas reais e de representações anatômicas didáticas.

Parte delas pode ter sido editada ou aprimorada digitalmente para destacar as estruturas e os achados descritos no texto.

Aviso importante

Material educacional. Não substitui a avaliação oftalmológica, os protocolos institucionais nem a consulta às bulas. Anti-VEGF intravítreo é aplicado pelo oftalmologista; doses e intervalos seguem o protocolo do serviço.

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