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Atlas de Histologia • Tecido Muscular

Células de Purkinje

Fibras de Purkinje • células de condução cardíacas • Purkinje fibers

Cardiomiócitos modificados que formam a parte final do sistema de condução, logo abaixo do endocárdio dos ventrículos. São maiores e mais pálidos que os cardiomiócitos comuns: têm poucas miofibrilas, periféricas, e muito glicogênio, e conduzem o impulso mais rápido que qualquer outra célula do coração.

Tipo
Cardiomiócito de condução
Onde está
Subendocárdio ventricular
Pista na lâmina (HE)
Célula grande e pálida, halo claro
Função
Condução rápida aos ventrículos
8–10 min de leitura Atualizado em outubro de 2026

Reconheça a célula

Na parede ventricular, procure logo abaixo do endocárdio: as células de Purkinje aparecem em grupos, maiores e mais claras que o miocárdio vizinho. O esquema mostra por que são pálidas — o centro da célula é ocupado por glicogênio, não por miofibrilas.

Lâmina histológica

Figura 1. Endocárdio e subendocárdio ventricular, HE, 400x. Grupo de células de Purkinje volumosas, de citoplasma pálido com miofibrilas apenas na periferia e núcleo central com halo claro, entre o endocárdio (acima) e o miocárdio comum (abaixo).

Roteiro de observação
  1. 1
    LocalizaçãoCamada subendocárdica, envolta por tecido conjuntivo; o miocárdio contrátil fica mais profundo.
  2. 2
    TamanhoCélulas mais largas que os cardiomiócitos vizinhos, em feixes ou cordões.
  3. 3
    CitoplasmaCentro pálido (glicogênio dissolvido no processamento) e anel periférico de miofibrilas.
  4. 4
    NúcleoCentral, um ou dois, frequentemente cercado por halo claro.

Em 30 segundos

O essencial de visão geral

  1. São cardiomiócitos especializados na condução, não um tipo de neurônio.
  2. Ficam no subendocárdio dos ventrículos, na continuação dos ramos do feixe de His.
  3. Maiores e mais pálidos que os cardiomiócitos comuns: glicogênio abundante e miofibrilas escassas, na periferia.
  4. Conduzem o impulso mais rápido do coração e ativam os ventrículos quase ao mesmo tempo, do ápice para a base.

O que são as células de Purkinje

O coração tem dois tipos de cardiomiócitos: os contráteis, que formam a massa do miocárdio, e os especializados, que geram e conduzem o impulso. As células de Purkinje são o último elo dessa cadeia: recebem o estímulo dos ramos do feixe de His e o distribuem pela face interna dos ventrículos.

Não confunda com os neurônios de Purkinje do cerebelo, descritos pelo mesmo anatomista, Jan Evangelista Purkinje. No coração, são células musculares modificadas, ligadas umas às outras e ao miocárdio comum por discos intercalares.

O caminho do impulso

Cada etapa do sistema de condução tem uma velocidade diferente. A rede de Purkinje é a mais rápida: garante que todo o ventrículo se contraia de forma coordenada.

  1. Nó sinoatrial

    Gera o impulso (marcapasso).

  2. Nó atrioventricular

    Retarda a condução: os átrios esvaziam antes.

  3. Feixe de His e ramos

    Atravessam o septo até o ápice.

  4. Rede de Purkinje

    Distribuição rápida ao miocárdio ventricular.

As células de Purkinje em quatro contextos

Nas aulas práticas, o coração de boi ou de carneiro mostra a rede de Purkinje com mais clareza que o humano. Roteiro: endocárdio primeiro, depois a camada pálida logo abaixo.

Subendocárdio em menor aumento

Parede ventricular, HE, 100x. Faixa de células claras e volumosas entre o endocárdio e o miocárdio comum, mais escuro. A diferença de tonalidade já denuncia o tecido de condução antes de aumentar.

HE100xSubendocárdio

Cortes transversais de fibras de Purkinje

HE, 400x. Perfis redondos e largos, com anel periférico de miofibrilas rosadas, centro claro e núcleo central, às vezes dois. Compare o diâmetro com o dos cardiomiócitos comuns no mesmo campo.

HE400xTransversal

Glicogênio pelo PAS

Coloração de PAS, 400x. O citoplasma das células de Purkinje cora intensamente em magenta pelo glicogênio, contrastando com o miocárdio vizinho, pouco corado. Com digestão por diastase, a coloração desaparece.

PASGlicogênioDiastase

Coração de ungulado (aula prática)

Ventrículo de boi ou carneiro, HE ou tricrômico de Masson, 200x. Feixes de fibras de Purkinje muito largas, separadas do miocárdio por bainha conjuntiva bem visível (azul ou verde no Masson).

MassonBainha conjuntivaUngulado

A identificação depende de lugar e aspecto: células grandes e claras, logo abaixo do endocárdio ventricular, com miofibrilas só na periferia. O PAS confirma o glicogênio.

Aumento a aumento

  1. 40x — oriente-se

    Identifique a parede ventricular: endocárdio (face interna lisa), miocárdio espesso e epicárdio com gordura.

  2. 100x — camada subendocárdica

    Logo abaixo do endotélio e do conjuntivo do endocárdio, procure uma faixa mais pálida que o miocárdio.

  3. 400x — tamanho e citoplasma

    Células mais largas, centro claro, miofibrilas em anel periférico; estrias pouco evidentes.

  4. 400x — núcleo

    Central, às vezes dois, com halo perinuclear claro.

  5. Colorações especiais

    PAS positivo (glicogênio), abolido pela diastase. Masson destaca a bainha conjuntiva que isola os feixes do miocárdio comum.

Pegadinhas

O citoplasma claro não é gordura nem degeneração: é glicogênio dissolvido no processamento. O cardiomiócito comum também tem halo perinuclear claro, mas é menor e cheio de miofibrilas. "Célula de Purkinje" no cerebelo é neurônio — leia o contexto da lâmina.

Descrição-modelo para a prova prática

Modelo de descrição

Corte histológico de parede ventricular cardíaca corado por HE. Na camada subendocárdica, abaixo do endotélio e do tecido conjuntivo do endocárdio, observam-se feixes de células musculares volumosas, maiores que os cardiomiócitos adjacentes, com citoplasma pálido, miofibrilas escassas dispostas na periferia e núcleo central (por vezes dois) com halo claro: fibras de Purkinje do sistema de condução. Miocárdio comum subjacente sem alterações.

Se houver PAS, acrescente: citoplasma fortemente PAS positivo (glicogênio).

Células claras no coração e homônimos

O diagnóstico diferencial mistura células do próprio coração que podem parecer claras e o homônimo do cerebelo, que cai em prova por causa do nome.

EstruturaAchado-chaveComo diferenciar
Achado-chaveCélula estriada ramificada, cheia de miofibrilas
Como diferenciarMenor, citoplasma eosinófilo uniforme, estrias nítidas; forma a massa do miocárdio.
Achado-chaveCélulas pequenas em muito colágeno
Como diferenciarFicam no átrio direito, junto à veia cava superior; são menores, não maiores.
Achado-chaveGrande corpo celular piriforme
Como diferenciarTecido nervoso, entre camada molecular e granulosa; dendritos em leque.
Achado-chaveCélula vazia com núcleo achatado na periferia
Como diferenciarGordura epicárdica ou infiltrada: sem miofibrilas, núcleo comprimido em anel.

O sistema His-Purkinje define a forma do QRS no eletrocardiograma. Quando ele falha, o QRS alarga; quando dispara sozinho, surgem arritmias ventriculares.

Do tecido ao eletrocardiograma

Como a rede de Purkinje ativa os ventrículos quase ao mesmo tempo, o QRS normal é estreito. No bloqueio de ramo, um ventrículo é ativado lentamente, célula a célula, pelo miocárdio comum: o QRS alarga.

Bloqueio de ramo

Fibrose ou isquemia do ramo direito ou esquerdo: QRS largo.

Ritmo de escape

Se nada chega de cima, o sistema His-Purkinje dispara num ritmo lento, de QRS largo.

Arritmias

Células de Purkinje que sobrevivem à isquemia podem originar extrassístoles e taquicardias ventriculares.

Por ficarem no subendocárdio e terem glicogênio, as fibras de Purkinje sobrevivem melhor à isquemia — mas, irritadas, viram foco de arritmia no infarto.

Condições relacionadas

CondiçãoRelação com o sistema de conduçãoNa lâmina
Relação com o sistema de conduçãoBloqueios e arritmias ventriculares
Na lâminaNecrose do miocárdio; faixa subendocárdica de células de Purkinje frequentemente preservada.
Relação com o sistema de conduçãoSubstrato para arritmias ventriculares
Na lâminaDesarranjo de cardiomiócitos hipertróficos e fibrose intersticial.
Doenças de depósito de glicogênio
Relação com o sistema de conduçãoAcúmulo também no miocárdio comum
Na lâminaCardiomiócitos difusamente vacuolizados e PAS positivos, não só no subendocárdio.

Referências bibliográficas

  1. 1
    Livro-texto2023
    Junqueira LC, Carneiro J. Histologia Básica: texto e atlas. 14. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan; 2023.
  2. 2
    Livro-texto2021
    Ross MH, Pawlina W. Histologia: texto e atlas — correlações com biologia celular e molecular. 8. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan; 2021.
  3. 3
    Livro-texto2022
    Gartner LP. Tratado de Histologia. 5. ed. Rio de Janeiro: Elsevier; 2022.
  4. 4
    Livro-texto2014
    Young B et al. Wheater Histologia Funcional: texto e atlas em cores. 6. ed. Rio de Janeiro: Elsevier; 2014.
  5. 5
    Livro-texto2021
    Kumar V, Abbas AK, Aster JC. Robbins & Cotran Patologia: bases patológicas das doenças. 10. ed. Rio de Janeiro: Elsevier; 2021.

Fontes das imagens

As imagens deste atlas têm finalidade educacional e foram produzidas a partir de lâminas histológicas reais e de representações didáticas.

Parte delas pode ter sido editada ou aprimorada digitalmente para destacar as estruturas e os achados descritos no texto.

Aviso importante

Material educacional. Não substitui o laudo anatomopatológico, a avaliação clínica, os protocolos institucionais nem a consulta às bulas.

Atlas Astrenmed de Histologia • Conteúdo para educação médica. O diagnóstico e a conduta dependem da avaliação clínica individual.
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