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Atlas de Histologia • Tecido Muscular

Músculo cardíaco – corte longitudinal

Miocárdio em corte longitudinal • cardiac muscle, longitudinal section

Fibras ramificadas, com estriações transversais, um ou dois núcleos centrais e linhas escuras que cruzam a fibra em degraus — os discos intercalares. É a vista que prova que o músculo é cardíaco.

Tipo
Lâmina · tecido muscular
Onde está
Miocárdio (parede do coração)
Pista na lâmina (HE)
Ramificações e discos intercalares
Função
Contração rítmica involuntária
9–11 min de leitura Atualizado em outubro de 2026

Reconheça a lâmina

O corte longitudinal mostra ao mesmo tempo as estriações (é estriado), os núcleos centrais (não é esquelético) e os discos intercalares (é cardíaco). O esquema mostra a rede de células que a lâmina sugere.

Lâmina histológica

Figura 1. Músculo cardíaco em corte longitudinal, HE, 400x. Fibras estriadas que se ramificam e se anastomosam, com núcleos ovais centrais, halo perinuclear claro e discos intercalares como linhas transversais escuras.

Roteiro de observação
  1. 1
    RamificaçõesFibras que se dividem em Y e se unem às vizinhas, formando uma rede.
  2. 2
    NúcleoUm (às vezes dois), oval, no centro da fibra, com zona clara em cada polo.
  3. 3
    EstriaçõesPresentes, porém mais discretas que no esquelético.
  4. 4
    Discos intercalaresLinhas escuras transversais, retas ou em degraus, que atravessam a fibra.

Em 30 segundos

O essencial de visão geral

  1. O músculo cardíaco é estriado e involuntário, formado por cardiomiócitos curtos e ramificados.
  2. Cada célula tem um ou dois núcleos centrais; ao redor do núcleo há uma zona clara com lipofuscina e glicogênio.
  3. Os discos intercalares unem as células e permitem que o miocárdio contraia como um sincício funcional.
  4. O endomísio é muito rico em capilares — o miocárdio depende de oxigênio o tempo todo.

O que se vê no corte longitudinal

No corte longitudinal as fibras correm paralelas, mas não são cilindros isolados como no esquelético: elas se bifurcam e se reúnem, formando uma malha. Essa "fibra" é na verdade uma fileira de células unidas pelas extremidades.

O núcleo fica no centro, e nos polos dele o sarcoplasma não tem miofibrilas: é a zona perinuclear clara, onde se acumula lipofuscina (pigmento de desgaste) com a idade. No átrio, essa região guarda grânulos do peptídeo natriurético atrial.

Ramificação

Rede tridimensional de células; no CT, perfis irregulares.

Núcleo central

Oval, eucromático, 1 ou 2 por célula.

Disco intercalar

Linha escura transversal, em escada; melhor com PTAH.

Capilares

Muito numerosos no endomísio; quase um por célula.

Cardíaco ou esquelético em corte longitudinal?

Os dois são estriados. Separe pelos núcleos e pela forma da fibra; o disco intercalar, quando visível, encerra a questão.

Cardíaco

  • Fibras ramificadas, em rede
  • 1–2 núcleos centrais
  • Discos intercalares
  • Estriação mais discreta
  • Muitos capilares

Esquelético

  • Fibras longas, paralelas, sem ramos
  • Muitos núcleos periféricos
  • Sem discos intercalares
  • Estriação nítida
  • Fascículos com perimísio evidente

O miocárdio em quatro imagens

Roteiro: ramos e núcleos primeiro; estriações e discos depois, no maior aumento.

Panorâmica: fibras em rede

HE, 100x. Fibras eosinófilas que se ramificam e se reúnem, com espaços estreitos de endomísio entre elas. Os núcleos ficam no eixo das fibras. Note que não há fascículos bem demarcados como no esquelético.

HE100xRamificação

Núcleo central e zona perinuclear

HE, 400x. Núcleo oval no centro da fibra, com áreas claras nos polos onde faltam miofibrilas. Grânulos castanho-dourados de lipofuscina podem aparecer nessa zona, sobretudo em adultos mais velhos.

HE400xLipofuscina

Discos intercalares

HE, 1000x (imersão). Linhas transversais escuras e mais grossas que as estriações, às vezes em degraus, cruzando a fibra de lado a lado. No HE nem sempre são nítidos; o PTAH os mostra bem.

HE1000xDisco intercalar

Corte transversal para comparar

HE, 400x. Perfis irregulares, de tamanhos variados, com núcleo único e central e halo claro ao redor; muitos capilares no endomísio. Compare com o esquelético, cujos polígonos são maiores, regulares e de núcleos periféricos.

HECorte transversalComparação

Músculo estriado + núcleo central + ramificação = cardíaco. Se encontrar um disco intercalar, não há dúvida. Comece no menor aumento procurando a rede de fibras.

Aumento a aumento

  1. 40x — o órgão

    Parede espessa e eosinófila; às vezes endocárdio de um lado e epicárdio com gordura do outro. Fibras em várias direções (o miocárdio é espiralado).

  2. 100x — escolha a área longitudinal

    Procure fibras paralelas e veja se elas se bifurcam. Núcleos no eixo da fibra, espaçados.

  3. 400x — núcleo e halo

    Núcleo oval central com zona clara nos polos. Estriações visíveis fechando o diafragma do condensador.

  4. 400–1000x — discos

    Linhas escuras transversais, mais espessas que as estriações, retas ou em escada.

  5. Colorações especiais

    PTAH cora estriações e discos de azul-escuro; tricrômico mostra o pouco conjuntivo do endomísio e eventual fibrose.

Pegadinhas

Estriações do cardíaco são mais fracas que as do esquelético — não descarte o diagnóstico por isso. Células grandes, claras e com poucas miofibrilas logo abaixo do endocárdio são fibras de Purkinje, não artefato. Linhas transversais densas e grosseiras em fibras hipereosinófilas podem ser bandas de contração (lesão), não discos.

Descrição-modelo para a prova prática

Modelo de descrição

Corte histológico longitudinal corado por HE mostrando tecido muscular estriado cardíaco. Fibras eosinófilas com estriações transversais, que se ramificam e se anastomosam, compostas por células com um ou dois núcleos ovais centrais, ladeados por zona perinuclear clara. Observam-se discos intercalares como linhas transversais escuras, retilíneas ou em degraus, entre células adjacentes. Endomísio delicado e ricamente capilarizado. Ausência de necrose, fibrose ou infiltrado inflamatório.

Cite os três critérios: estriação, núcleo central e disco intercalar.

Fibras longitudinais que confundem

Em corte longitudinal, músculo cardíaco, esquelético, liso e até conjuntivo denso podem parecer faixas rosadas paralelas. O segredo é olhar estriação, posição do núcleo e ramificação.

EstruturaAchado-chaveComo diferenciar
Achado-chaveNúcleos múltiplos e periféricos
Como diferenciarFibras longas, sem ramos, estriação nítida, sem discos intercalares.
Achado-chaveSem estriações; núcleo em charuto
Como diferenciarCélulas fusiformes entrelaçadas, sem ramificação nem discos.
Achado-chaveCélulas grandes e pálidas sob o endocárdio
Como diferenciarPoucas miofibrilas periféricas, muito glicogênio, núcleo central; mesmo órgão.
Achado-chaveFeixes acelulares com núcleos finos
Como diferenciarNúcleos achatados entre fibras, sem citoplasma celular próprio nem estriação.
Achado-chaveMesmo tecido, outra coloração
Como diferenciarLâmina 41: PTAH realça discos e estriações em azul-escuro.

O cardiomiócito adulto praticamente não se divide. Por isso o miocárdio responde à sobrecarga com hipertrofia e repara a necrose com cicatriz fibrosa, não com músculo novo.

O que muda na doença

A lâmina normal é a referência para reconhecer as lesões: fibras de espessura regular, núcleos ovais centrais, endomísio fino. Hipertrofia aumenta fibra e núcleo; isquemia muda a cor e a estrutura da fibra.

Quase 0Capacidade de regeneração do cardiomiócito adulto
"Caixa"Núcleo grande e retangular na hipertrofia
TroponinaProteína do sarcômero liberada na necrose

Miocárdio perdido vira cicatriz de colágeno: a reparação é por fibrose, não por regeneração.

Doenças ligadas a esta lâmina

DoençaO que falhaNo corte longitudinal
O que falhaIsquemia e necrose de coagulação
No corte longitudinalFibras hipereosinófilas, onduladas, sem núcleo; bandas de contração; depois neutrófilos e tecido de granulação.
O que falhaMutações de proteínas do sarcômero
No corte longitudinalFibras hipertróficas, desorganizadas ("disarray"), com fibrose intersticial.
Miocardite
O que falhaInflamação do miocárdio
No corte longitudinalInfiltrado linfocitário entre fibras, com necrose de cardiomiócitos adjacentes.

Referências bibliográficas

  1. 1
    Livro-texto2023
    Junqueira LC, Carneiro J. Histologia Básica: texto e atlas. 14. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan; 2023.
  2. 2
    Livro-texto2021
    Ross MH, Pawlina W. Histologia: texto e atlas — correlações com biologia celular e molecular. 8. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan; 2021.
  3. 3
    Livro-texto2022
    Gartner LP. Tratado de Histologia. 5. ed. Rio de Janeiro: Elsevier; 2022.
  4. 4
    Livro-texto2014
    Young B, O’Dowd G, Woodford P. Wheater Histologia Funcional: texto e atlas em cores. 6. ed. Rio de Janeiro: Elsevier; 2014.
  5. 5
    Livro-texto2021
    Kumar V, Abbas AK, Aster JC. Robbins & Cotran Patologia: bases patológicas das doenças. 10. ed. Rio de Janeiro: Elsevier; 2021.

Fontes das imagens

As imagens deste atlas têm finalidade educacional e foram produzidas a partir de lâminas histológicas reais e de representações didáticas.

Parte delas pode ter sido editada ou aprimorada digitalmente para destacar as estruturas e os achados descritos no texto.

Aviso importante

Material educacional. Não substitui o laudo anatomopatológico, a avaliação clínica, os protocolos institucionais nem a consulta às bulas.

Atlas Astrenmed de Histologia • Conteúdo para educação médica. O diagnóstico e a conduta dependem da avaliação clínica individual.
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