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Atlas de Histologia • Tecido Epitelial

Célula de transição

Célula urotelial • célula em guarda-chuva (superficial) • urothelial cell, umbrella cell

Célula do urotélio, o epitélio estratificado que reveste as vias urinárias. As células superficiais — grandes, abauladas, às vezes binucleadas — mudam de forma conforme a bexiga enche e formam a barreira contra a urina.

Tipo
Célula epitelial de revestimento
Onde está
Pelve renal, ureter, bexiga
Pista na lâmina (HE)
Célula superficial em cúpula
Função
Barreira distensível à urina
9–11 min de leitura Atualizado em outubro de 2026

Reconheça a célula

A célula de transição só faz sentido dentro do urotélio: procure a camada mais superficial do epitélio da bexiga vazia. As células em guarda-chuva ficam por cima, abauladas para o lúmen, cobrindo várias células menores abaixo.

Lâmina histológica

Figura 1. Urotélio de bexiga vazia, HE, 400x. Várias camadas de células; na superfície, células grandes em cúpula, de citoplasma eosinófilo e borda apical mais densa, algumas binucleadas.

Roteiro de observação
  1. 1
    Ache a superfícieDo lado do lúmen, células maiores que as de baixo, com a face livre convexa.
  2. 2
    Conte os núcleosCélulas superficiais com dois núcleos (ou um núcleo grande, poliploide) são típicas.
  3. 3
    Borda apicalFaixa eosinófila mais densa no topo da célula: membrana espessa com placas de uroplaquina.
  4. 4
    Camadas de baixoCélulas intermediárias em pera ou poligonais e células basais cúbicas sobre a membrana basal.

Em 30 segundos

O essencial de visão geral

  1. É a célula do urotélio, que reveste cálices, pelve renal, ureteres, bexiga e parte da uretra.
  2. As células superficiais (em guarda-chuva) são grandes, abauladas e frequentemente binucleadas.
  3. A membrana apical tem placas de uroplaquina e junções oclusivas que tornam o epitélio impermeável à urina.
  4. Na bexiga cheia o epitélio afina e as células superficiais se achatam: daí o nome “de transição”.

O que é a célula de transição

O termo designa as células do urotélio, epitélio estratificado exclusivo das vias urinárias. O nome antigo vem da ideia de que ele seria uma “transição” entre o pavimentoso e o cilíndrico; hoje se prefere urotélio, mas “de transição” continua em prova.

A estrela é a célula superficial: grande, poliploide ou binucleada, com membrana apical especializada. As células intermediárias e basais servem de reserva e repõem a superfície, que se renova devagar em condições normais.

Como a célula acompanha o enchimento

A bexiga muda muito de volume. O urotélio se adapta sem rasgar e sem deixar a urina hipertônica atravessar — a mudança acontece na forma das células, não no número delas.

Bexiga vazia

  • Epitélio espesso, com várias camadas
  • Células superficiais em cúpula, abauladas para o lúmen
  • Membrana apical dobrada; vesículas fusiformes guardam membrana extra

Bexiga cheia

  • Epitélio fino, com 2–3 camadas aparentes
  • Células superficiais achatadas, quase pavimentosas
  • Vesículas fusiformes se fundem à membrana e aumentam a área apical

A célula de transição em quatro contextos

Roteiro: primeiro identifique o órgão (luz, parede muscular), depois a camada superficial e, por fim, o formato das células de cima.

Bexiga vazia: células em guarda-chuva

Bexiga em repouso, HE, 400x. Urotélio com várias camadas; no topo, células grandes e abauladas, algumas com dois núcleos e borda apical eosinófila. Abaixo, células intermediárias piriformes e basais cúbicas sobre uma membrana basal lisa, sem papilas de conjuntivo.

HE400xBexiga vazia

Bexiga distendida

Bexiga cheia, HE, 400x. O mesmo epitélio agora tem 2–3 camadas e as células superficiais estão achatadas. Sem a história do órgão, poderia ser confundido com estratificado pavimentoso fino — a pista é a ausência de queratina e de camadas organizadas como na pele.

HEDistensãoUrotélio fino

Ureter: luz estrelada

Ureter em corte transversal, HE, 100x. A mucosa forma pregas longitudinais e a luz fica estrelada; o urotélio reveste todas as pregas. Ao redor, músculo liso em camadas e adventícia. Aproxime para ver as células superficiais.

HE100xUreter

Membrana apical em ME

Microscopia eletrônica de transmissão da célula superficial. Membrana apical espessa e festonada, com regiões rígidas (placas de uroplaquina) alternadas com dobradiças; no citoplasma, vesículas fusiformes achatadas; junções oclusivas no ápice lateral.

MEUroplaquinaVesículas fusiformes

Você reconhece a célula de transição pelo órgão e pela superfície: um epitélio estratificado, sem queratina, cuja camada de cima tem células maiores que as de baixo.

Aumento a aumento

  1. 40x — o órgão

    Órgão oco com parede muscular espessa (bexiga) ou tubo de luz estrelada (ureter). A mucosa é a faixa roxa que reveste a luz.

  2. 100x — o epitélio

    Estratificado, sem queratina, com espessura variável. A interface com o conjuntivo é plana (sem papilas como na pele ou no esôfago).

  3. 400x — a superfície

    Células superficiais grandes, em cúpula, abauladas para o lúmen. Procure as binucleadas e a borda apical mais eosinófila.

  4. 400x — abaixo delas

    Células intermediárias piriformes e basais cúbicas. Cada célula superficial pode cobrir várias células de baixo.

  5. Colorações e marcadores

    HE basta. Na imuno-histoquímica, uroplaquinas e GATA3 marcam o urotélio — úteis para saber se um carcinoma é de origem urotelial.

Pegadinhas

Bexiga cheia tem urotélio fino e células achatadas: não descreva como pavimentoso. Estratificado pavimentoso tem células de cima menores e achatadas que as de baixo; no urotélio, as de cima são as maiores.

Descrição-modelo para a prova prática

Modelo de descrição

Corte histológico de bexiga urinária corado por HE. A mucosa é revestida por epitélio estratificado de transição (urotélio), não queratinizado, com várias camadas celulares. As células basais são cúbicas e pequenas; as intermediárias, poligonais a piriformes; as superficiais são grandes, em forma de cúpula, abauladas para o lúmen, algumas binucleadas, com borda apical eosinófila (células em guarda-chuva). Lâmina própria de conjuntivo frouxo subjacente, sem papilas. Ausência de atipias.

Se o órgão estiver distendido, registre que o epitélio está adelgaçado e as células superficiais achatadas.

Epitélios que podem ser confundidos

A pergunta-chave é: quem é maior, a célula de cima ou a de baixo? Depois, confira o órgão e se há cílios, queratina ou papilas.

EstruturaAchado-chaveComo diferenciar
Achado-chaveCélulas superficiais achatadas, menores
Como diferenciarAchatamento progressivo até a superfície; papilas de conjuntivo; pode ter queratina.
Achado-chaveNúcleos em alturas diferentes, cílios
Como diferenciarBorda ciliada e células caliciformes; todas as células tocam a membrana basal; vias aéreas.
Achado-chaveCélula fina e achatada
Como diferenciarNa bexiga cheia o urotélio lembra pavimentoso, mas ainda tem 2–3 camadas e células superficiais largas.
Achado-chaveDuas camadas de células cúbicas
Como diferenciarDuctos de glândulas (sudoríparas, salivares); superfície sem células em cúpula.
Achado-chaveEpitélio pavimentoso no lugar do urotélio
Como diferenciarIrritação crônica (cálculo, sonda, esquistossomose): superfície pavimentosa, às vezes queratinizada.

O urotélio fica em contato prolongado com a urina e com o que ela concentra. Por isso é sede de carcinomas ligados a carcinógenos excretados e de lesões por irritação crônica.

A barreira e quando ela falha

A impermeabilidade depende de três peças: placas de uroplaquina na membrana apical, junções oclusivas entre as células superficiais e uma camada de glicosaminoglicanos sobre a superfície. Defeitos nessa barreira são uma das hipóteses para a cistite intersticial (síndrome da bexiga dolorosa).

Uroplaquinas

Proteínas das placas apicais; também servem de receptor para fímbrias da E. coli uropatogênica.

Junções oclusivas

Selam o espaço entre as células superficiais e impedem a passagem de água e ureia.

Camada de GAG

Glicosaminoglicanos na superfície reduzem a adesão de bactérias e cristais.

Células de cima maiores que as de baixo, em cúpula e binucleadas = urotélio. É também onde nasce o carcinoma urotelial, o câncer mais comum da bexiga.

Doenças do urotélio

CondiçãoO que aconteceNa lâmina
Carcinoma urotelial
O que aconteceTabagismo e aminas aromáticas são os principais fatores
Na lâminaPapilas com eixo fibrovascular ou lesão plana (in situ); perda da maturação e das células em guarda-chuva, atipia nuclear.
O que aconteceLesão plana de alto grau
Na lâminaCélulas atípicas em toda a espessura ou parte dela, sem invadir a lâmina própria.
O que aconteceIrritação crônica
Na lâminaEpitélio pavimentoso substitui o urotélio; na esquistossomose (S. haematobium), risco de carcinoma escamoso.
O que aconteceSobre metaplasia escamosa
Na lâminaNinhos com queratinização e pontes intercelulares na parede vesical.

Referências bibliográficas

  1. 1
    Livro-texto2023
    Junqueira LC, Carneiro J. Histologia Básica: texto e atlas. 14. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan; 2023.
  2. 2
    Livro-texto2021
    Ross MH, Pawlina W. Histologia: texto e atlas — correlações com biologia celular e molecular. 8. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan; 2021.
  3. 3
    Livro-texto2022
    Gartner LP. Tratado de Histologia. 5. ed. Rio de Janeiro: Elsevier; 2022.
  4. 4
    Livro-texto2014
    Young B, O’Dowd G, Woodford P. Wheater Histologia Funcional: texto e atlas em cores. 6. ed. Rio de Janeiro: Elsevier; 2014.
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    Livro-texto2021
    Kumar V, Abbas AK, Aster JC. Robbins & Cotran Patologia: bases patológicas das doenças. 10. ed. Rio de Janeiro: Elsevier; 2021.

Fontes das imagens

As imagens deste atlas têm finalidade educacional e foram produzidas a partir de lâminas histológicas reais e de representações didáticas.

Parte delas pode ter sido editada ou aprimorada digitalmente para destacar as estruturas e os achados descritos no texto.

Aviso importante

Material educacional. Não substitui o laudo anatomopatológico, a avaliação clínica, os protocolos institucionais nem a consulta às bulas.

Atlas Astrenmed de Histologia • Conteúdo para educação médica. O diagnóstico e a conduta dependem da avaliação clínica individual.
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