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Atlas de Histologia • Lâminas de Órgãos

Bexiga

Bexiga urinária • urinary bladder

Reservatório da urina, com parede que se distende muito e volta ao tamanho original. Na lâmina: urotélio espesso e pregueado, lâmina própria, e uma camada muscular grossa de feixes entrelaçados — o músculo detrusor.

Tipo
Órgão oco das vias urinárias
Onde está
Pelve, atrás da sínfise púbica
Pista na lâmina (HE)
Urotélio + detrusor entrelaçado
Função
Armazenar e esvaziar a urina
8–10 min de leitura Atualizado em outubro de 2026

Reconheça a lâmina

A bexiga vazia mostra mucosa pregueada com um urotélio grosso por cima e, por baixo, uma massa de músculo liso em feixes que correm em todas as direções. É a parede muscular mais espessa das vias urinárias.

Lâmina histológica

Figura 1. Bexiga vazia, HE, 40x. Urotélio pregueado, lâmina própria frouxa e vascularizada, músculo detrusor em feixes entrelaçados e serosa ou adventícia.

Roteiro de observação
  1. 1
    UrotélioAté 6–7 camadas na bexiga vazia; células superficiais grandes, em cúpula, às vezes binucleadas.
  2. 2
    Lâmina própriaConjuntivo frouxo e vascular; feixes musculares isolados e finos podem aparecer (muscular da mucosa incompleta).
  3. 3
    DetrusorFeixes grossos de músculo liso cortados em vários planos, separados por conjuntivo.
  4. 4
    Camada externaSerosa na cúpula (face peritoneal); adventícia no restante.

Em 30 segundos

O essencial de visão geral

  1. Camadas: urotélio, lâmina própria, detrusor e serosa/adventícia; muscular da mucosa ausente ou incompleta.
  2. O detrusor tem três camadas de músculo liso (longitudinal interna, circular média, longitudinal externa), difíceis de separar.
  3. O urotélio afina quando a bexiga enche: as células em guarda-chuva se achatam e inserem membrana de reserva.
  4. O trígono tem mucosa lisa, sem pregas, mesmo com a bexiga vazia.

O que é a bexiga

A bexiga acumula a urina que chega pelos ureteres e a elimina pela uretra. Para isso, precisa de duas propriedades opostas: complacência para encher sem aumentar a pressão e força para esvaziar por completo.

O enchimento é passivo e silencioso; a micção é um reflexo parassimpático (nervos pélvicos) que contrai o detrusor e relaxa o esfíncter interno. O esfíncter externo, de músculo estriado, dá o controle voluntário.

Como o urotélio acompanha a distensão

A célula em guarda-chuva guarda membrana pronta em vesículas e a usa quando a bexiga enche.

  1. Bexiga vazia

    Vesículas fusiformes com placas de uroplaquinas ficam no citoplasma apical.

  2. Enchimento

    As vesículas se fundem à membrana apical e aumentam a superfície.

  3. Distensão

    Células se achatam e deslizam; o epitélio fica com 2–3 camadas.

  4. Esvaziamento

    Membrana é recolhida por endocitose e o epitélio volta a ficar alto.

A bexiga em quatro imagens

Roteiro: espessura do urotélio, células superficiais e organização do detrusor.

Parede da bexiga vazia

HE, 40x. Mucosa pregueada com urotélio espesso, lâmina própria clara e muito vascular e o detrusor ocupando a maior parte da parede. Não há glândulas.

HE40xPanorâmica

Urotélio relaxado

HE, 400x. Seis ou mais camadas; células superficiais grandes, em cúpula, de citoplasma eosinófilo, algumas com dois núcleos, cobrindo várias células subjacentes como um guarda-chuva.

HE400xCélulas em guarda-chuva

Urotélio distendido

HE, 400x, bexiga fixada cheia. Epitélio com 2–3 camadas e células superficiais achatadas, que lembram pavimentoso. A pista é a célula superficial ainda grande e com núcleo, sem queratina.

HE400xDistensão

Músculo detrusor

Tricrômico de Masson, 100x. Feixes grossos de músculo liso (vermelho) cortados em planos diferentes, separados por septos de colágeno (azul). As três camadas não formam limites nítidos.

Tricrômico100xDetrusor

Urotélio + parede muscular muito espessa em feixes entrelaçados + nenhuma glândula = bexiga. O ureter tem o mesmo epitélio, mas é um tubo pequeno de luz estrelada.

Aumento a aumento

  1. 40x — parede espessa

    Fragmento de parede (não um tubo inteiro), com mucosa fina por cima e muita musculatura lisa por baixo.

  2. 100x — mucosa

    Epitélio de várias camadas, lâmina própria frouxa e vascular; ausência de glândulas.

  3. 400x — urotélio

    Células superficiais grandes, abauladas, às vezes binucleadas; sem queratina e sem cílios.

  4. 100x — detrusor

    Feixes de músculo liso em várias direções, com conjuntivo entre eles.

  5. Colorações especiais

    Tricrômico separa músculo e colágeno; GATA3 e uroplaquinas na imuno-histoquímica confirmam origem urotelial.

Pegadinhas

Urotélio distendido pode parecer pavimentoso — procure as células superficiais grandes. Esôfago tem glândulas na submucosa e muscular da mucosa contínua. Em biópsia, saber se há detrusor na amostra é essencial para estadiar o carcinoma.

Descrição-modelo para a prova prática

Modelo de descrição

Corte histológico corado por HE de parede de órgão oco. Mucosa pregueada revestida por epitélio de transição (urotélio) com várias camadas celulares e células superficiais grandes, abauladas, algumas binucleadas, apoiada em lâmina própria de conjuntivo frouxo ricamente vascularizado, sem glândulas. Camada muscular espessa formada por feixes de músculo liso dispostos em várias direções, separados por conjuntivo (músculo detrusor). Externamente, adventícia [ou serosa]. Diagnóstico: bexiga urinária.

Se o epitélio estiver fino, cite "bexiga distendida".

Órgãos com urotélio ou parede muscular grossa

Os órgãos das vias urinárias compartilham o urotélio. O que muda é o calibre, a espessura da muscular e o que existe ao redor.

EstruturaAchado-chaveComo diferenciar
Achado-chaveTubo pequeno de luz estrelada
Como diferenciarCorte transversal completo; muscular mais fina (longitudinal interna, circular externa).
Achado-chaveEpitélio variável, glândulas de Littré
Como diferenciarPróstata, tecido erétil ou glândulas mucosas ao redor.
Achado-chavePavimentoso estratificado
Como diferenciarCélulas superficiais pequenas e achatadas; glândulas na submucosa.
Achado-chaveMiométrio espesso entrelaçado
Como diferenciarEndométrio com glândulas e estroma celular por dentro, não urotélio.
Achado-chaveCélulas em guarda-chuva
Como diferenciarÉ o tecido; a bexiga é o órgão com a maior espessura de urotélio.

O urotélio fica horas em contato com tudo o que é excretado na urina — inclusive carcinógenos do tabaco. Por isso a bexiga é sede frequente de carcinoma urotelial.

Carcinoma urotelial e estadiamento

A maioria dos tumores da bexiga é urotelial e se apresenta com hematúria indolor. O que define o tratamento é a profundidade: tumor que invade o detrusor (músculo próprio) muda a conduta, por isso o patologista precisa ver músculo na ressecção.

Não músculo-invasivo

  • Restrito ao urotélio ou à lâmina própria
  • Papilar ou carcinoma in situ
  • Alta taxa de recidiva

Músculo-invasivo

  • Invade o detrusor
  • Risco de metástase
  • Conduta mais agressiva

Bexiga = urotélio sobre um detrusor espesso de feixes entrelaçados; a invasão desse músculo é o divisor de águas do câncer vesical.

Outras condições

Cistite

Infecção bacteriana (E. coli na maioria); mucosa edemaciada com neutrófilos.

Metaplasia escamosa

Irritação crônica (cálculos, sonda, esquistossomose) troca o urotélio por pavimentoso.

Schistosoma haematobium

Ovos na parede, inflamação crônica e risco de carcinoma de células escamosas.

Bexiga de esforço

Obstrução prostática: detrusor hipertrofiado com trabeculações e divertículos.

Referências bibliográficas

  1. 1
    Livro-texto2023
    Junqueira LC, Carneiro J. Histologia Básica: texto e atlas. 14. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan; 2023.
  2. 2
    Livro-texto2021
    Ross MH, Pawlina W. Histologia: texto e atlas — correlações com biologia celular e molecular. 8. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan; 2021.
  3. 3
    Livro-texto2022
    Gartner LP. Tratado de Histologia. 5. ed. Rio de Janeiro: Elsevier; 2022.
  4. 4
    Livro-texto2014
    Young B, O’Dowd G, Woodford P. Wheater Histologia Funcional: texto e atlas em cores. 6. ed. Rio de Janeiro: Elsevier; 2014.
  5. 5
    Livro-texto2021
    Kumar V, Abbas AK, Aster JC. Robbins & Cotran Patologia: bases patológicas das doenças. 10. ed. Rio de Janeiro: Elsevier; 2021.

Fontes das imagens

As imagens deste atlas têm finalidade educacional e foram produzidas a partir de lâminas histológicas reais e de representações didáticas.

Parte delas pode ter sido editada ou aprimorada digitalmente para destacar as estruturas e os achados descritos no texto.

Aviso importante

Material educacional. Não substitui o laudo anatomopatológico, a avaliação clínica, os protocolos institucionais nem a consulta às bulas.

Atlas Astrenmed de Histologia • Conteúdo para educação médica. O diagnóstico e a conduta dependem da avaliação clínica individual.
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