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Atlas de Histologia • Tecido Conjuntivo

Célula dendrítica

Célula apresentadora de antígeno profissional • dendritic cell (DC)

A apresentadora de antígeno mais eficiente do organismo: captura antígenos nos tecidos, migra pelos linfáticos até o linfonodo e ativa linfócitos T virgens. É a ponte entre a imunidade inata e a adaptativa. No HE é discreta; aparece bem com imuno-histoquímica.

Tipo
Célula apresentadora de antígeno
Origem
Precursores da medula óssea
Pista na lâmina
Prolongamentos; S100, CD1a, CD11c
Função
Ativa linfócitos T virgens
9–11 min de leitura Atualizado em outubro de 2026

Reconheça a célula

No HE, a célula dendrítica é uma célula clara, de núcleo irregular, perdida entre linfócitos. Na imuno-histoquímica ela se revela: corpo pequeno e longos prolongamentos ramificados que formam uma rede entre as outras células.

Lâmina histológica

Figura 1. Paracórtex de linfonodo, imuno-histoquímica para S100 (marrom), 400x. Células dendríticas interdigitantes com prolongamentos ramificados entrelaçados entre linfócitos T pequenos, não corados.

Roteiro de observação
  1. 1
    Onde olharParacórtex do linfonodo (zona T), epiderme, mucosas e interstício de órgãos.
  2. 2
    FormatoCorpo celular pequeno com vários prolongamentos longos, como os dendritos de um neurônio — daí o nome.
  3. 3
    Núcleo (HE)Irregular, endentado ou dobrado, pálido, com cromatina fina; citoplasma claro e mal delimitado.
  4. 4
    VizinhançaCercada por linfócitos T pequenos, perto de vênulas de endotélio alto no linfonodo.

Em 30 segundos

O essencial de visão geral

  1. É a única célula capaz de ativar linfócitos T virgens com eficiência — por isso é chamada apresentadora profissional.
  2. Origina-se de precursores da medula óssea e vive nos tecidos em contato com o meio externo: pele, mucosas, interstício.
  3. Captura o antígeno no tecido, amadurece e migra pelos linfáticos até o paracórtex do linfonodo.
  4. Inclui subtipos: convencionais (cDC1 e cDC2), plasmocitoides (interferon tipo I) e as células de Langerhans da epiderme.

O que é a célula dendrítica

A célula dendrítica é uma célula do sistema imune que funciona como sentinela e mensageira. Patrulha os tecidos, reconhece padrões de microrganismos e de dano por receptores como os do tipo Toll e leva amostras do que encontrou aos linfonodos.

No linfonodo, apresenta peptídeos em moléculas de MHC de classe II (para linfócitos T CD4) e de classe I (para T CD8, por apresentação cruzada). Sem esse primeiro contato, a resposta adaptativa a um antígeno novo não começa.

Convencional (cDC1, cDC2)

cDC1 faz apresentação cruzada a T CD8 (vírus, tumores); cDC2 ativa sobretudo T CD4.

Plasmocitoide

Aspecto de plasmócito; grande produtora de interferon tipo I nas infecções virais.

Célula de Langerhans

Na epiderme e em mucosas; tem grânulos de Birbeck e expressa CD1a e langerina (CD207).

Interdigitante

Nome histológico da célula dendrítica madura no paracórtex do linfonodo, entrelaçada aos linfócitos T.

Dendrítica ou dendrítica folicular?

O nome é parecido, mas são células diferentes. A dendrítica folicular fica nos centros germinativos, não vem da medula óssea (é de origem estromal) e não processa antígeno: retém imunocomplexos intactos na superfície para os linfócitos B.

Célula dendrítica

  • Origem hematopoiética
  • Paracórtex (zona T) e tecidos
  • Processa e apresenta peptídeo no MHC
  • Ativa linfócito T virgem

Dendrítica folicular

  • Origem estromal (mesenquimal)
  • Folículo e centro germinativo (zona B)
  • Retém antígeno intacto (imunocomplexos)
  • Seleciona linfócitos B; CD21 e CD35

A célula dendrítica em quatro contextos

No HE você vê pistas; na imuno-histoquímica, a célula inteira. Roteiro: localização primeiro, prolongamentos depois.

Paracórtex do linfonodo em HE

Linfonodo, HE, 400x. Entre linfócitos pequenos e escuros, células maiores e claras, de núcleo pálido, dobrado ou endentado, sem limites citoplasmáticos nítidos: células interdigitantes. Procure-as perto das vênulas de endotélio alto.

HE400xParacórtex

Rede dendrítica na imuno-histoquímica

Linfonodo, IHQ para S100 ou CD11c, 200x. A marcação marrom desenha uma malha de prolongamentos no paracórtex, enquanto os folículos ficam quase sem marcação. Compare com o padrão de CD21, que marca a rede folicular.

IHQS100Zona T

Células de Langerhans na epiderme

Pele, IHQ para CD1a, 400x. Células marrons com prolongamentos entre os queratinócitos da camada espinhosa, em posição suprabasal. No HE, seriam células claras de núcleo dobrado — fácil confundir com melanócito.

IHQCD1aEpiderme

Microscopia eletrônica

Célula dendrítica em ME de transmissão: núcleo irregular, citoplasma claro e pobre em lisossomos comparado ao macrófago, e prolongamentos finos que se encaixam entre linfócitos. Na célula de Langerhans, procure os grânulos de Birbeck, em forma de raquete.

MEProlongamentosBirbeck

A célula dendrítica é reconhecida por localização + núcleo irregular claro no HE e confirmada por imuno-histoquímica. Em prova prática, costuma aparecer no paracórtex do linfonodo ou na epiderme.

Aumento a aumento

  1. 40x — ache a zona T

    No linfonodo, identifique cápsula, córtex com folículos e, abaixo deles, o paracórtex, mais homogêneo e sem centros germinativos.

  2. 100x — padrão do paracórtex

    Lençol de linfócitos pequenos com vênulas de endotélio alto e algumas células claras dispersas, dando aspecto levemente salpicado.

  3. 400x — a célula

    Maior que o linfócito, núcleo pálido, endentado ou em "grão de café", nucléolo pequeno; citoplasma claro e mal delimitado.

  4. 400x — o que ela não tem

    Pouco material fagocitado e poucos vacúolos, ao contrário do macrófago; sem "roda de carroça", ao contrário do plasmócito.

  5. Imuno-histoquímica

    S100 e CD11c (dendríticas em geral); CD1a e langerina/CD207 (Langerhans); CD123 (plasmocitoide). MHC II é forte, mas não exclusivo.

Pegadinhas

Célula clara na epiderme pode ser Langerhans (suprabasal), melanócito (camada basal, com melanina) ou Merkel (basal, com grânulos neuroendócrinos). Célula clara no centro germinativo com corpos apoptóticos é macrófago de corpos tingíveis, não dendrítica.

Descrição-modelo para a prova prática

Modelo de descrição

Corte histológico de linfonodo corado por HE. No paracórtex, entre linfócitos pequenos de núcleo redondo e hipercromático, observam-se células maiores, de núcleo claro, irregular e endentado, com cromatina fina e citoplasma pálido, mal delimitado, sem material fagocitado: células dendríticas interdigitantes. Vênulas de endotélio alto no mesmo campo. Na imuno-histoquímica, as células são positivas para S100, com prolongamentos ramificados entre os linfócitos.

Na pele, descreva a posição suprabasal e cite CD1a/langerina (células de Langerhans).

Células claras e ramificadas que confundem

Várias células aparecem claras no HE ou têm prolongamentos. O que separa a dendrítica é a posição (zona T, epiderme suprabasal), o núcleo dobrado sem material fagocitado e o perfil imuno-histoquímico.

EstruturaAchado-chaveComo diferenciar
Achado-chaveCitoplasma amplo com material fagocitado
Como diferenciarVacúolos, lisossomos e restos celulares; CD68 e CD163 positivos. Fagocita muito, apresenta pouco a T virgem.
Achado-chaveDendrítica da epiderme
Como diferenciarSubtipo de célula dendrítica: suprabasal, CD1a e langerina positivas, grânulos de Birbeck na ME.
Achado-chaveCélula clara na camada basal
Como diferenciarFica na camada basal, contém melanina e é positiva para Melan-A e HMB-45; CD1a negativa.
Achado-chaveCélula clara basal associada a nervo
Como diferenciarCamada basal, grânulos neuroendócrinos e citoqueratina 20; sem prolongamentos longos.
Achado-chaveCélula estrelada que produz fibras reticulares
Como diferenciarEstromal, associada a fibras argirófilas na prata; não apresenta antígeno a T virgens.

Por ser a porta de entrada da resposta adaptativa, a célula dendrítica está no centro das vacinas, da alergia de contato, da transmissão de alguns vírus e de neoplasias próprias, como a histiocitose de células de Langerhans.

Por que ela importa

Adjuvantes de vacina funcionam, em boa parte, ativando células dendríticas. Na dermatite de contato, as células de Langerhans captam o hapteno na pele e sensibilizam linfócitos T no linfonodo regional; na reexposição, surge a reação de hipersensibilidade tardia.

Vacinas

Adjuvantes estimulam receptores de padrão das dendríticas e aumentam a apresentação do antígeno vacinal.

Dermatite de contato

Hipersensibilidade tipo IV iniciada pelas células de Langerhans que captam o hapteno.

HIV

Dendríticas de mucosa capturam o vírus (via DC-SIGN) e podem transferi-lo a linfócitos T CD4 no linfonodo.

Histiocitose de Langerhans

Proliferação clonal de células CD1a/CD207 positivas; mutação BRAF V600E em parte dos casos.

Sem célula dendrítica, o linfócito T virgem não é ativado: ela decide se e como a resposta adaptativa começa.

Doenças e situações relacionadas

DoençaPapel da dendríticaNa lâmina
Papel da dendríticaDendríticas plasmocitoides produzem interferon tipo I
Na lâminaAssinatura de interferon; dermatite de interface na pele.
Papel da dendríticaApresentação de autoantígenos na sinóvia
Na lâminaSinóvia hiperplásica com agregados linfoides e plasmócitos.
Papel da dendríticaAtivação local de linfócitos nas glândulas
Na lâminaFocos linfocíticos periductais em glândulas salivares.

Referências bibliográficas

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    Livro-texto2023
    Junqueira LC, Carneiro J. Histologia Básica: texto e atlas. 14. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan; 2023.
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    Ross MH, Pawlina W. Histologia: texto e atlas — correlações com biologia celular e molecular. 8. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan; 2021.
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    Gartner LP. Tratado de Histologia. 5. ed. Rio de Janeiro: Elsevier; 2022.
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    Kierszenbaum AL, Tres LL. Histologia e Biologia Celular: uma introdução à patologia. 5. ed. Rio de Janeiro: Elsevier; 2021.
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    Livro-texto2021
    Kumar V, Abbas AK, Aster JC. Robbins & Cotran Patologia: bases patológicas das doenças. 10. ed. Rio de Janeiro: Elsevier; 2021.

Fontes das imagens

As imagens deste atlas têm finalidade educacional e foram produzidas a partir de lâminas histológicas reais e de representações didáticas.

Parte delas pode ter sido editada ou aprimorada digitalmente para destacar as estruturas e os achados descritos no texto.

Aviso importante

Material educacional. Não substitui o laudo anatomopatológico, a avaliação clínica, os protocolos institucionais nem a consulta às bulas.

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