| Paracetamol | Alto | 8 horas | Clínica e nível sérico | Nível sérico a partir de 4 horas da ingestão, aplicado ao nomograma. Fase inicial pobre é a regra, e a hepatotoxicidade aparece em 24 a 72 horas. |
| Anti-inflamatório não hormonal | Baixo | 6 horas | Clínica | Toxicidade habitualmente leve. Ingestões maciças podem cursar com acidose, convulsão e lesão renal. |
| Benzodiazepínico ou medicamento Z | Baixo | 6 horas | Oximetria e nível de consciência | Isolado, raramente grave. O risco mora na coingestão com opioide e álcool. |
| Inibidor da recaptação de serotonina | Baixo | 6 horas | Clínica e eletrocardiograma | Procure síndrome serotoninérgica e prolongamento do intervalo QT, sobretudo com citalopram e escitalopram. |
| Antidepressivo tricíclico | Alto | 6 horas | Cardioscopia e eletrocardiograma seriado | Deterioração pode ser abrupta. QRS alargado indica bicarbonato de sódio. Assintomático com eletrocardiograma normal em 6 horas tem baixo risco. |
| Antipsicótico | Intermediário | 8 horas | Cardioscopia e eletrocardiograma | Atenção ao intervalo QT, à sedação prolongada e à síndrome neuroléptica maligna, que se instala em dias. |
| Opioide de liberação imediata | Alto | 6 horas | Oximetria, capnografia e frequência respiratória | Vigilância deve exceder a duração da naloxona. Frequência respiratória é o parâmetro mais sensível. |
| Metadona ou opioide de liberação prolongada | Alto | 24 horas | Cardioscopia, oximetria e capnografia | Meia-vida longa, prolongamento do intervalo QT e risco de depressão respiratória tardia. Observação mínima de 24 horas. |
| Betabloqueador | Alto | 8 horas | Cardioscopia contínua | Propranolol e sotalol são os mais perigosos. Liberação prolongada exige 24 horas em leito monitorizado. |
| Bloqueador de canal de cálcio | Alto | 12 horas | Cardioscopia contínua e pressão arterial | Deterioração tardia e abrupta é característica, sobretudo nas formulações de liberação prolongada, que exigem 24 horas monitorizadas. |
| Sulfonilureia | Alto | 24 horas | Glicemia capilar seriada | Hipoglicemia recorrente e tardia. Observação de 24 horas mesmo em criança assintomática, com glicemias seriadas. |
| Metformina | Intermediário | 12 horas | Gasometria, lactato e função renal | O risco é a acidose láctica, que se instala ao longo de horas, sobretudo com disfunção renal associada. |
| Salicilato | Alto | 12 horas | Níveis seriados, gasometria e eletrólitos | Absorção errática e formação de bezoar. Observe até que os níveis estejam em queda com o paciente assintomático. |
| Lítio | Intermediário | 12 horas | Níveis seriados e função renal | Na intoxicação crônica, a toxicidade ocorre em níveis muito menores que na aguda e a correlação com o nível é fraca. |
| Digoxina | Alto | 12 horas | Cardioscopia, potássio e nível sérico | Hipercalemia é marcador de gravidade na intoxicação aguda. Nível colhido antes de 6 horas superestima. |
| Carbamazepina ou valproato | Intermediário | 12 horas | Níveis seriados e nível de consciência | Absorção errática, formação de bezoar e níveis que continuam subindo por muitas horas após a ingestão. |
| Ferro | Alto | 6 horas | Clínica, gasometria e radiografia de abdome | Fase inicial gastrointestinal seguida de período de aparente melhora — que engana — e depois choque e hepatotoxicidade. |
| Organofosforado ou carbamato | Alto | 12 horas | Secreções, ausculta pulmonar e força muscular | Atenção à síndrome intermediária, com fraqueza respiratória entre 24 e 96 horas. Carbamato tem curso mais curto. |
| Metanol ou etilenoglicol | Alto | 12 horas | Gasometria, ânion gap e gap osmolar | A observação se guia pelo laboratório, não pelo relógio: mantenha até resolução da acidose e dos gaps. |
| Cocaína ou anfetamina | Intermediário | 8 horas | Cardioscopia, temperatura e creatinoquinase | Dor torácica de baixo risco exige 9 a 12 horas com eletrocardiograma e marcadores seriados. |
| Agente desconhecido | Intermediário | 12 horas | Cardioscopia, oximetria e reavaliação seriada | Sem identificar o agente, adote a postura mais conservadora e acione o centro de informação toxicológica. |