A toxíndrome simpaticomimética
Cocaína, anfetaminas e catinonas sintéticas compartilham um mesmo desfecho fisiológico: excesso de catecolaminas na fenda sináptica. O quadro resultante é estereotipado e reconhecível à beira do leito, independentemente de qual substância específica foi usada — e é por isso que o tratamento inicial é o mesmo para todas.
Os cinco pilares da toxíndrome são agitação, taquicardia, hipertensão, midríase e hipertermia com sudorese. O detalhe que mais orienta na prática é a pele: quente e úmida na toxíndrome simpaticomimética, quente e seca na anticolinérgica. Junto disso, o peristaltismo costuma estar preservado ou aumentado, ao contrário do íleo anticolinérgico.
O que salva vida é sedação adequada com benzodiazepínico, resfriamento agressivo quando há hipertermia e o tratamento das complicações de órgão-alvo. Tratar esse paciente como "surto psiquiátrico" e contê-lo fisicamente sem sedar é uma das sequências de eventos mais letais da emergência — a AHA classifica a contenção física prolongada sem sedação como potencialmente danosa (classe 3, 2023).
