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Atlas de Histologia • Tecido Muscular

Músculo Estriado Esquelético

Músculo esquelético • músculo voluntário • skeletal muscle

Tecido formado por fibras longas, cilíndricas e multinucleadas, com núcleos periféricos e estriações transversais produzidas pelo arranjo regular dos sarcômeros. É o músculo dos movimentos voluntários, da postura e da respiração.

Tipo
Tecido muscular estriado
Onde está
Músculos do esqueleto, língua, diafragma
Pista na lâmina (HE)
Estrias + núcleos periféricos
Função
Contração voluntária e rápida
10–12 min de leitura Atualizado em outubro de 2026

Reconheça o tecido

Em corte longitudinal, as estrias transversais e os núcleos encostados no sarcolema bastam para o diagnóstico. O esquema mostra de onde vêm as estrias: milhares de sarcômeros alinhados em todas as miofibrilas.

Lâmina histológica

Figura 1. Músculo esquelético, HE, 400x. Acima, corte longitudinal: fibras paralelas com estrias transversais claras e escuras e núcleos alongados na periferia. Abaixo, corte transversal: fibras poligonais de tamanho semelhante, com vários núcleos periféricos.

Roteiro de observação
  1. 1
    EstriasFaixas transversais alternadas: banda A (escura) e banda I (clara). Abaixe o condensador para realçar.
  2. 2
    NúcleosMuitos por fibra, achatados e encostados no sarcolema (periféricos).
  3. 3
    Corte transversalFibras poligonais, citoplasma pontilhado (miofibrilas em corte) e núcleos na borda.
  4. 4
    EnvoltóriosEndomísio fino entre as fibras; perimísio em volta dos fascículos.

Em 30 segundos

O essencial de visão geral

  1. Cada fibra é uma célula gigante e multinucleada (sincício), formada pela fusão de mioblastos.
  2. Os núcleos são periféricos, logo abaixo do sarcolema; o centro é ocupado por miofibrilas.
  3. As estrias vêm do sarcômero: bandas A e I, linhas Z e M e zona H em registro em todas as miofibrilas.
  4. A regeneração é limitada e depende das células satélite; o crescimento no adulto é por hipertrofia.

Como o tecido é organizado

A fibra muscular esquelética mede de 10 a 100 µm de diâmetro e pode ter vários centímetros de comprimento. Seu citoplasma (sarcoplasma) é tomado por miofibrilas, feixes de filamentos finos (actina, tropomiosina, troponina) e grossos (miosina II) organizados em sarcômeros.

O tecido conjuntivo dá forma ao músculo e transmite a força ao tendão. Vasos e nervos correm pelo perimísio e chegam a cada fibra pelo endomísio, rico em capilares.

Componente do sarcômeroO que contémNa contração
Banda A (anisotrópica)Filamentos grossos de miosina (e parte dos finos)Não muda de tamanho
Banda I (isotrópica)Só filamentos finos de actinaEncurta
Zona HSó miosina, no centro da banda AEncurta ou desaparece
Linha ZAlfa-actinina; ancora a actinaAs linhas Z se aproximam
Linha MProteínas que unem os filamentos grossosNão muda

Tipos de fibra

Os músculos misturam fibras com metabolismos diferentes. Todas as fibras de uma unidade motora são do mesmo tipo, definido pelo neurônio motor que as inerva.

Tipo I — lenta oxidativa

  • Vermelha: muita mioglobina e mitocôndrias
  • Contração lenta, resistente à fadiga
  • Músculos posturais

Tipo II — rápida

  • IIa: rápida oxidativa-glicolítica, intermediária
  • IIb/IIx: rápida glicolítica, pálida, fatiga logo
  • Movimentos rápidos e de força

O músculo esquelético em quatro contextos

Treine os dois planos de corte e as técnicas que revelam o que o HE não mostra. Roteiro: núcleos, estrias, envoltórios.

Corte longitudinal com estrias

HE ou hematoxilina férrica, 1000x (imersão). Estrias transversais nítidas: bandas A escuras, bandas I claras cortadas pela linha Z. Núcleos achatados na periferia da fibra. Com o condensador baixo, as estrias ficam mais evidentes.

HELongitudinalEstrias

Corte transversal e envoltórios

HE, 100x. Fascículos de fibras poligonais separados por perimísio com vasos; endomísio delicado entre as fibras; epimísio na periferia. Núcleos sempre na borda das fibras normais.

HETransversalPerimísio

Tipos de fibra (ATPase / NADH)

Histoquímica em corte congelado, 200x. Padrão em "tabuleiro de xadrez": fibras tipo I e tipo II misturadas, com cores diferentes conforme a reação. Agrupamento de fibras do mesmo tipo sugere desnervação e reinervação.

HistoquímicaTipo I / IIMosaico

Sarcômero na microscopia eletrônica

ME de transmissão de miofibrilas. Linhas Z escuras e finas, banda I clara, banda A densa com zona H mais clara e linha M no centro. Tríades na junção A-I. Mitocôndrias e glicogênio entre as miofibrilas.

MESarcômeroTríade

Dois achados definem o músculo esquelético: estrias transversais e núcleos múltiplos e periféricos. Confirme no corte transversal e diferencie do cardíaco pela posição dos núcleos e pela ausência de discos intercalares.

Aumento a aumento

  1. 40x — arquitetura

    Fascículos rosados separados por septos conjuntivos (perimísio); epimísio na periferia. Feixes paralelos, sem ramificações.

  2. 100x — plano de corte

    Longitudinal: fibras cilíndricas longas e paralelas. Transversal: mosaico de polígonos de tamanho semelhante.

  3. 400x — núcleos

    Vários por fibra, achatados, encostados no sarcolema. Núcleo central em fibra adulta é exceção (regeneração, miopatia).

  4. 400x — estrias

    Bandas claras e escuras alternadas, perpendiculares ao eixo da fibra. No transversal, citoplasma pontilhado (campos de Cohnheim).

  5. Colorações especiais

    Hematoxilina férrica realça as estrias; tricrômico de Masson cora fibras em vermelho e conjuntivo em azul; histoquímica (ATPase, NADH) separa os tipos de fibra.

Pegadinhas

Músculo cardíaco também é estriado, mas tem núcleo central, fibras ramificadas e discos intercalares. Na língua, fibras esqueléticas correm em três direções — não confunda com desorganização. Núcleos achatados por fora da fibra pertencem a fibroblastos e capilares do endomísio.

Descrição-modelo para a prova prática

Modelo de descrição

Corte histológico de músculo estriado esquelético corado por HE. Em corte longitudinal, observam-se fibras musculares longas, cilíndricas, paralelas e não ramificadas, com estriações transversais evidentes e múltiplos núcleos alongados situados na periferia, sob o sarcolema. Em corte transversal, fibras poligonais de diâmetros semelhantes com núcleos periféricos. Fibras envoltas por endomísio delicado e agrupadas em fascículos delimitados por perimísio com vasos; epimísio na periferia. Ausência de necrose, infiltrado inflamatório ou núcleos centrais.

Cite o órgão se for o caso (língua, diafragma, músculo do membro).

Tecidos que confundem com o esquelético

Três perguntas resolvem quase tudo: há estrias? onde estão os núcleos? as fibras se ramificam? O conjuntivo denso é a pegadinha mais frequente no corte longitudinal.

TecidoAchado-chaveComo diferenciar
Achado-chaveEstriado, núcleo central, ramificado
Como diferenciarDiscos intercalares; 1–2 núcleos centrais com halo claro; fibras que se bifurcam.
Achado-chaveSem estrias, células fusiformes
Como diferenciarUm núcleo central em charuto por célula; feixes em órgãos ocos e vasos.
Achado-chaveFeixes paralelos muito eosinófilos
Como diferenciarSem estrias; núcleos finos de fibrócitos enfileirados entre fibras colágenas, não na periferia de células.
Achado-chaveFibras onduladas com núcleos alongados
Como diferenciarPerineuro, axônios e espaços claros de mielina; sem estrias.

A biópsia muscular separa três grandes grupos: doenças da fibra (miopatias), do nervo motor (neurogênicas) e da junção neuromuscular. O padrão histológico aponta o grupo.

Padrões na biópsia muscular

Na miopatia, as fibras variam de tamanho de forma aleatória, há necrose, regeneração e núcleos centrais. Na desnervação, fibras atróficas angulares aparecem em grupos e, com a reinervação, os tipos de fibra se agrupam em vez do mosaico normal.

Padrão miopático

  • Variação aleatória do tamanho
  • Necrose e regeneração
  • Núcleos centrais
  • Fibrose e gordura no endomísio

Padrão neurogênico

  • Fibras atróficas angulares
  • Atrofia em grupos
  • Agrupamento de tipos de fibra
  • Pouca necrose

A fibra esquelética não se divide: cresce por hipertrofia e se repara pelas células satélite, desde que a lâmina basal esteja preservada.

Doenças do músculo esquelético

DoençaO que falhaNa lâmina
O que falhaAusência de distrofina
Na lâminaNecrose, regeneração, fibras hipercontraídas; depois fibrose e gordura.
O que falhaAnticorpos contra receptores de acetilcolina
Na lâminaFibras quase normais; lesão na junção neuromuscular.
O que falhaNecrose aguda de fibras
Na lâminaFibras necróticas pálidas, miofagocitose; CK muito elevada e mioglobinúria.
O que falhaInflamação e degeneração no idoso
Na lâminaVacúolos marginados, inclusões e infiltrado endomisial.
O que falhaIsquemia por pressão no compartimento
Na lâminaNecrose isquêmica de fibras; urgência cirúrgica (fasciotomia).

Referências bibliográficas

  1. 1
    Livro-texto2023
    Junqueira LC, Carneiro J. Histologia Básica: texto e atlas. 14. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan; 2023.
  2. 2
    Livro-texto2021
    Ross MH, Pawlina W. Histologia: texto e atlas — correlações com biologia celular e molecular. 8. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan; 2021.
  3. 3
    Livro-texto2022
    Gartner LP. Tratado de Histologia. 5. ed. Rio de Janeiro: Elsevier; 2022.
  4. 4
    Livro-texto2014
    Young B et al. Wheater Histologia Funcional: texto e atlas em cores. 6. ed. Rio de Janeiro: Elsevier; 2014.
  5. 5
    Livro-texto2021
    Kumar V, Abbas AK, Aster JC. Robbins & Cotran Patologia: bases patológicas das doenças. 10. ed. Rio de Janeiro: Elsevier; 2021.

Fontes das imagens

As imagens deste atlas têm finalidade educacional e foram produzidas a partir de lâminas histológicas reais e de representações didáticas.

Parte delas pode ter sido editada ou aprimorada digitalmente para destacar as estruturas e os achados descritos no texto.

Aviso importante

Material educacional. Não substitui o laudo anatomopatológico, a avaliação clínica, os protocolos institucionais nem a consulta às bulas.

Atlas Astrenmed de Histologia • Conteúdo para educação médica. O diagnóstico e a conduta dependem da avaliação clínica individual.
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