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Atlas de Histologia • Lâminas de Órgãos

Tendão

Tecido conjuntivo denso modelado • tendon

Cordão de conjuntivo denso modelado que liga o músculo ao osso. Feixes paralelos de colágeno tipo I, muito eosinófilos, com tenócitos de núcleo achatado enfileirados entre eles: a estrutura ideal para transmitir tração numa só direção.

Tipo
Conjuntivo denso modelado
Onde está
Entre músculo e osso
Pista na lâmina (HE)
Feixes paralelos + núcleos em fileira
Função
Transmitir a força do músculo
9–11 min de leitura Atualizado em outubro de 2026

Reconheça a lâmina

Em corte longitudinal, o tendão é uma das lâminas mais fáceis: rosa intenso, fibras paralelas e núcleos finos em fila. O esquema mostra a organização em feixes e as bainhas, que a lâmina mostra só em parte.

Lâmina histológica

Figura 1. Tendão em corte longitudinal, HE, 400x. Feixes de colágeno paralelos, compactos e eosinófilos, levemente ondulados; entre eles, fileiras de núcleos achatados e escuros de tenócitos, com citoplasma quase invisível.

Roteiro de observação
  1. 1
    Cor e texturaRosa homogêneo e intenso, com pouquíssimo espaço entre as fibras.
  2. 2
    DireçãoTodas as fibras correm no mesmo sentido, com ondulação discreta.
  3. 3
    NúcleosFinos, alongados, escuros, alinhados em fileiras paralelas às fibras.
  4. 4
    VasosRaros, só nos septos (endotendão) entre os fascículos.

Em 30 segundos

O essencial de visão geral

  1. O tendão é conjuntivo denso modelado: fibras de colágeno tipo I paralelas, orientadas na direção da tração.
  2. Suas células são tenócitos (fibroblastos/fibrócitos especializados), com núcleos achatados enfileirados entre os feixes.
  3. É pouco vascularizado e pouco celular: resiste muito à tração, mas cicatriza devagar.
  4. Liga-se ao músculo pela junção miotendínea e ao osso pela êntese, com fibras de Sharpey.

Como o tendão é organizado

O tendão é quase só matriz: colágeno tipo I em grande quantidade, pequena proporção de proteoglicanos (como a decorina, que regula o diâmetro das fibrilas) e água. As fibrilas têm leve ondulação (crimp), que se desfaz quando o tendão é tracionado e funciona como reserva elástica.

Os tenócitos ficam entre as fibras, com prolongamentos finos em lâmina que as envolvem e se comunicam por junções comunicantes. Eles mantêm e renovam a matriz, mas em ritmo lento.

EnvoltórioOnde ficaO que contém
EndotendãoEntre os fascículosConjuntivo frouxo, vasos, nervos e linfáticos
EpitendãoEm volta de todo o tendãoConjuntivo denso, contínuo com o endotendão
ParatendãoPor fora, em tendões sem bainhaConjuntivo frouxo que permite deslizamento
Bainha sinovialTendões das mãos e pés, sob retináculosCamadas com líquido sinovial que reduzem o atrito

As duas extremidades

A força passa do sarcômero para o colágeno e depois para o osso. As duas interfaces são as regiões mais solicitadas — e as mais lesadas.

Junção miotendínea

Músculo → tendão.

  • Fibras musculares terminam em dobras profundas do sarcolema
  • Fibrilas colágenas entram nessas reentrâncias
  • Aumenta a área de contato e reduz o estresse

Êntese

Tendão → osso.

  • Fibrocartilaginosa: tendão → fibrocartilagem não mineralizada → mineralizada → osso
  • Fibras de Sharpey ancoradas na matriz óssea
  • Fibrosa: tendão direto no periósteo ou no osso

O tendão em quatro contextos

O aspecto muda muito com o plano de corte. Roteiro: decida se o corte é longitudinal ou transversal, depois procure os núcleos e os septos.

Corte longitudinal

HE, 100x. Faixas paralelas de colágeno rosa intenso, levemente onduladas, com fileiras de núcleos finos. Quase não há espaços claros nem vasos. Compare com o músculo liso, de citoplasma próprio e núcleos em charuto.

HE100xLongitudinal

Corte transversal

HE, 100x. Fascículos poligonais de colágeno separados por septos finos de endotendão com pequenos vasos; dentro dos fascículos, núcleos de tenócitos em perfil estrelado ou achatado entre as fibras cortadas.

HETransversalEndotendão

Junção miotendínea

HE ou tricrômico, 200x. Fibras musculares estriadas terminando em pontas afiladas e digitiformes, continuadas por feixes de colágeno. No tricrômico, músculo vermelho e colágeno azul ou verde.

JunçãoTricrômico

Êntese fibrocartilaginosa

HE, 100x. Transição tendão → fibrocartilagem (condrócitos em fileiras) → fibrocartilagem mineralizada → osso, com a linha basofílica (tidemark) separando as zonas não mineralizada e mineralizada.

ÊnteseSharpey

Tendão = muito colágeno, pouca célula, uma só direção. A dúvida na prova costuma ser com músculo liso e nervo, que também têm núcleos alongados e fibras paralelas.

Aumento a aumento

  1. 40x — panorâmica

    Estrutura homogênea e muito eosinófila, sem camadas de órgão nem luz; às vezes com músculo ou osso numa extremidade.

  2. 100x — orientação

    Longitudinal: faixas paralelas. Transversal: fascículos poligonais separados por septos finos.

  3. 400x — os núcleos

    Finos, escuros, achatados, enfileirados entre as fibras; citoplasma praticamente invisível.

  4. 400x — as fibras

    Colágeno compacto e acelular entre as fileiras, com ondulação regular.

  5. Colorações especiais

    Tricrômico de Masson cora o colágeno de azul/verde; picrossírius com luz polarizada mostra a birrefringência e o crimp.

Pegadinhas

Núcleos em charuto, centrais, cada um com citoplasma rosado próprio = músculo liso. Fibras onduladas com núcleos de Schwann e perineuro em volta = nervo. Feixes grossos em várias direções = conjuntivo denso não modelado (derme).

Descrição-modelo para a prova prática

Modelo de descrição

Corte longitudinal de tendão corado por HE, constituído por tecido conjuntivo denso modelado. Observam-se feixes espessos de fibras colágenas dispostos paralelamente, intensamente eosinófilos e levemente ondulados. Entre os feixes, fileiras de núcleos alongados, achatados e heterocromáticos de tenócitos, com citoplasma pouco evidente. Escassos vasos sanguíneos nos septos de endotendão. Ausência de inflamação ou degeneração.

Em corte transversal, descreva fascículos separados por endotendão e cite o epitendão, se presente.

Feixes paralelos que confundem

Vários tecidos mostram fibras paralelas e núcleos alongados. O que denuncia o tendão é a proporção: muito colágeno acelular e poucos núcleos finos, sem citoplasma próprio.

EstruturaAchado-chaveComo diferenciar
Achado-chaveNúcleos em charuto, centrais
Como diferenciarCélulas com citoplasma eosinófilo próprio; muito mais núcleos por campo.
Achado-chaveFibras onduladas, núcleos de Schwann
Como diferenciarEnvolto por perineuro; espaços claros da mielina; mais pálido.
Achado-chaveEstriações transversais
Como diferenciarFibras grossas com núcleos periféricos sob o sarcolema.
Achado-chaveFeixes grossos em várias direções
Como diferenciarDerme reticular: feixes entrecruzados, com anexos e vasos.

Pouco vascularizado e com poucas células, o tendão resiste muito, mas repara pouco. Sobrecarga repetida, idade e alguns fármacos levam à tendinopatia e à ruptura.

Tendinopatia e ruptura

Na tendinopatia crônica (tendinose), predomina a degeneração, não a inflamação: fibras desorganizadas, aumento de substância fundamental (degeneração mucoide), tenócitos arredondados e neovasos. Isso explica por que o repouso e a reabilitação de carga funcionam melhor que anti-inflamatórios a longo prazo.

Tendão calcâneo

Tendinopatia e ruptura em corredores e após os 30–50 anos; "pedrada" na panturrilha.

Fluoroquinolonas

Associadas a tendinopatia e ruptura, sobretudo em idosos e com corticoide.

Tenossinovite

Inflamação da bainha sinovial, como a de De Quervain no punho.

Xantomas tendíneos

Macrófagos espumosos no tendão: sinal de hipercolesterolemia familiar.

Tendão cicatriza com colágeno III desorganizado que só lentamente vira colágeno I alinhado: a cicatriz fica mais fraca que o tendão original.

Doenças relacionadas

DoençaO que falhaNa lâmina
O que falhaSobrecarga e reparo insuficiente
Na lâminaFibras desalinhadas, degeneração mucoide, neovasos.
O que falhaSinovite que invade bainhas e tendões
Na lâminaTenossinovite proliferativa; risco de ruptura de tendões extensores.
O que falhaDefeito de colágeno
Na lâminaHipermobilidade; lâmina pode parecer normal.

Referências bibliográficas

  1. 1
    Livro-texto2023
    Junqueira LC, Carneiro J. Histologia Básica: texto e atlas. 14. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan; 2023.
  2. 2
    Livro-texto2021
    Ross MH, Pawlina W. Histologia: texto e atlas — correlações com biologia celular e molecular. 8. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan; 2021.
  3. 3
    Livro-texto2022
    Gartner LP. Tratado de Histologia. 5. ed. Rio de Janeiro: Elsevier; 2022.
  4. 4
    Livro-texto2014
    Young B, O’Dowd G, Woodford P. Wheater Histologia Funcional: texto e atlas em cores. 6. ed. Rio de Janeiro: Elsevier; 2014.
  5. 5
    Livro-texto2021
    Kumar V, Abbas AK, Aster JC. Robbins & Cotran Patologia: bases patológicas das doenças. 10. ed. Rio de Janeiro: Elsevier; 2021.

Fontes das imagens

As imagens deste atlas têm finalidade educacional e foram produzidas a partir de lâminas histológicas reais e de representações didáticas.

Parte delas pode ter sido editada ou aprimorada digitalmente para destacar as estruturas e os achados descritos no texto.

Aviso importante

Material educacional. Não substitui o laudo anatomopatológico, a avaliação clínica, os protocolos institucionais nem a consulta às bulas.

Atlas Astrenmed de Histologia • Conteúdo para educação médica. O diagnóstico e a conduta dependem da avaliação clínica individual.
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