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Atlas de Histologia • Lâminas de Órgãos

Próstata

Glândula prostática • prostate gland

Glândula acessória que envolve a uretra logo abaixo da bexiga. Na lâmina: glândulas tubuloalveolares de luz irregular, com dobras do epitélio, mergulhadas num estroma fibromuscular rico em músculo liso — e, na luz, as concreções prostáticas, que entregam o diagnóstico.

Tipo
Glândula acessória masculina
Onde está
Abaixo da bexiga, em volta da uretra
Pista na lâmina (HE)
Concreções na luz das glândulas
Função
Secreção do líquido seminal
10–12 min de leitura Atualizado em outubro de 2026

Reconheça a lâmina

Três achados juntos fecham o diagnóstico: glândulas de contorno irregular com pregas papilares, estroma com músculo liso (rosado, celular) entre elas e concreções eosinófilas e lameladas na luz.

Lâmina histológica

Figura 1. Próstata, HE, 100x. Glândulas tubuloalveolares de luz ampla e irregular, com dobras do epitélio; concreções prostáticas eosinófilas, redondas e em camadas concêntricas na luz; estroma fibromuscular com feixes de músculo liso entre as glândulas.

Roteiro de observação
  1. 1
    GlândulasLuz ampla, de contorno ondulado, com pregas que se projetam para dentro.
  2. 2
    ConcreçõesCorpos redondos, eosinófilos ou basofílicos, com lamelas concêntricas, na luz. Aumentam com a idade.
  3. 3
    EpitélioSimples cilíndrico a pseudoestratificado, com células secretoras luminais e uma camada de células basais achatadas.
  4. 4
    EstromaConjuntivo denso misturado a muitos feixes de músculo liso — não é só colágeno.

Em 30 segundos

O essencial de visão geral

  1. A próstata reúne 30 a 50 glândulas tubuloalveolares cujos ductos se abrem na uretra prostática.
  2. O estroma fibromuscular contrai na ejaculação e expulsa a secreção.
  3. O epitélio tem células secretoras luminais (PSA, fosfatase ácida) e células basais — a perda das basais ajuda a diagnosticar carcinoma.
  4. As concreções prostáticas (corpos amiláceos) são secreção condensada e lamelada; podem calcificar.

Organização da próstata

A próstata tem uma cápsula fibromuscular da qual partem septos para o interior. As glândulas se organizam em zonas concêntricas ao redor da uretra prostática, que a atravessa de cima para baixo e recebe os ductos ejaculatórios no colículo seminal.

A secreção prostática é fluida e levemente ácida, rica em ácido cítrico, zinco, fosfatase ácida e PSA (antígeno prostático específico, uma serina-protease que liquefaz o coágulo seminal). Seu crescimento depende da di-hidrotestosterona.

≈ 70%Do tecido glandular na zona periférica
≈ 25%Na zona central
≈ 5%Na zona de transição

Próstata ou glândula seminal?

As duas glândulas acessórias aparecem juntas em cortes e confundem. O lúmen da glândula seminal é muito pregueado e o epitélio tem pigmento; a próstata tem concreções e estroma fibromuscular difuso.

Próstata

  • Muitas glândulas separadas
  • Concreções prostáticas na luz
  • Estroma fibromuscular entre as glândulas
  • Secreção clara a rosa-pálida

Glândula seminal

  • Uma luz central muito pregueada (aspecto de favo)
  • Sem concreções
  • Camada muscular lisa contínua ao redor
  • Secreção eosinófila densa; pigmento de lipofuscina no epitélio

A próstata em quatro imagens

Roteiro: glândulas, concreções, estroma e, por último, a camada de células basais — o detalhe que separa o benigno do maligno.

Panorâmica

Próstata, HE, 40x. Glândulas de tamanhos variados, de luz ampla e contorno irregular, separadas por estroma fibromuscular; a uretra prostática pode aparecer em crescente no centro.

HEPequeno aumento

Concreções prostáticas

HE, 400x. Corpos redondos, lamelados como casca de cebola, eosinófilos ou arroxeados, livres na luz glandular. Comuns em adultos e idosos; podem calcificar e formar cálculos prostáticos.

HE400xCorpora amylacea

Epitélio de duas camadas

Imuno-histoquímica para p63 (núcleos marrons), 400x. As células basais formam uma camada contínua sob as secretoras luminais. No adenocarcinoma, essa camada some — base de um marcador diagnóstico.

IHQp63Células basais

Hiperplasia prostática benigna

Zona de transição, HE, 40–100x. Nódulos de glândulas aumentadas e dilatadas, com pregas papilares, e nódulos de estroma fibromuscular. A camada basal está preservada.

HEPatologiaHPB

Se você achou concreções na luz, está na próstata. Sem elas (próstata jovem), use o estroma fibromuscular e a forma das glândulas.

Aumento a aumento

  1. 40x — padrão geral

    Muitas glândulas de luz ampla e irregular espalhadas num estroma rosado e denso; às vezes a uretra no centro.

  2. 100x — concreções

    Procure corpos redondos e lamelados na luz. São o achado mais característico.

  3. 100x — estroma

    Feixes de músculo liso (núcleos em charuto, citoplasma rosa) misturados ao colágeno.

  4. 400x — epitélio

    Células cilíndricas ou cúbicas, citoplasma claro e granuloso, núcleos basais; por baixo, células basais achatadas.

Pegadinhas

Concreções podem lembrar coloide de tireoide, mas o coloide preenche o folículo todo e não tem lamelas. O epitélio varia muito de altura com a atividade: não use a altura para identificar. Glândulas pequenas e apertadas, sem células basais, sugerem carcinoma.

Descrição-modelo para a prova prática

Modelo de descrição

Corte de próstata corado por HE. Glândulas tubuloalveolares de tamanhos variados, com luz ampla e contorno irregular por pregas papilares do epitélio, revestidas por epitélio simples cilíndrico a pseudoestratificado, com células secretoras luminais e camada de células basais. Na luz de várias glândulas, concreções prostáticas eosinófilas, de aspecto lamelar concêntrico. Entre as glândulas, abundante estroma fibromuscular com feixes de músculo liso e fibras colágenas.

Se a uretra aparecer, cite o urotélio e o colículo seminal.

O que pode ser confundido

Glândulas dilatadas com secreção na luz aparecem em vários órgãos. Na próstata, o estroma com músculo liso e as concreções são os desempates.

EstruturaAchado-chaveComo diferenciar
Glândula seminal
Achado-chaveLuz muito pregueada
Como diferenciarPregas finas e ramificadas em favo, muscular contínua ao redor, sem concreções.
Achado-chaveFolículos com material eosinófilo
Como diferenciarColoide homogêneo enche o folículo; epitélio simples cúbico; estroma sem músculo liso.
Achado-chaveDuctos e alvéolos em estroma
Como diferenciarLóbulos em estroma frouxo e tecido adiposo; células mioepiteliais; sem concreções.
Achado-chaveGlândulas pequenas e apertadas
Como diferenciarAusência de células basais, nucléolos evidentes, infiltração do estroma.
Achado-chaveLuz central com urotélio
Como diferenciarÉ a luz única do centro, em crescente, não uma glândula.

As duas doenças mais comuns da próstata nascem em zonas diferentes: isso explica por que uma causa sintoma urinário cedo e a outra pode ser silenciosa e palpável no toque retal.

Hiperplasia benigna e carcinoma

A hiperplasia comprime a uretra porque cresce em volta dela; o carcinoma começa na periferia, longe da uretra, e por isso costuma ser assintomático no início.

Hiperplasia prostática benignaAdenocarcinoma
ZonaDe transição (periuretral)Periférica, na maioria
LâminaNódulos glandulares e estromais; basais preservadasGlândulas pequenas infiltrativas; basais ausentes; nucléolos
ClínicaJato fraco, noctúria, retençãoMuitas vezes assintomático; nódulo endurecido ao toque
HormônioDepende de DHT (5-alfa-redutase)Androgênio-dependente na maioria

Gradação do carcinoma pelo padrão arquitetural das glândulas (sistema de Gleason / grupos de grau ISUP).

HPB = zona de transição, comprime a uretra. Carcinoma = zona periférica, sem células basais.

PSA e tratamento hormonal

O PSA é produzido pelas células luminais normais e neoplásicas; sobe no carcinoma, mas também na HPB e na prostatite, por isso não é específico de câncer. Os inibidores da 5-alfa-redutase (como a finasterida) reduzem a DHT, diminuem o volume da glândula e baixam o PSA.

  • Prostatite aguda: bactérias de infecção urinária, glândula dolorosa
  • Prostatite crônica: dor pélvica, infiltrado linfocitário
  • Cálculos prostáticos: concreções calcificadas

Referências bibliográficas

  1. 1
    Livro-texto2023
    Junqueira LC, Carneiro J. Histologia Básica: texto e atlas. 14. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan; 2023.
  2. 2
    Livro-texto2021
    Ross MH, Pawlina W. Histologia: texto e atlas — correlações com biologia celular e molecular. 8. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan; 2021.
  3. 3
    Livro-texto2022
    Gartner LP. Tratado de Histologia. 5. ed. Rio de Janeiro: Elsevier; 2022.
  4. 4
    Livro-texto2014
    Young B, O’Dowd G, Woodford P. Wheater Histologia Funcional: texto e atlas em cores. 6. ed. Rio de Janeiro: Elsevier; 2014.
  5. 5
    Livro-texto2021
    Kumar V, Abbas AK, Aster JC. Robbins & Cotran Patologia: bases patológicas das doenças. 10. ed. Rio de Janeiro: Elsevier; 2021.

Fontes das imagens

As imagens deste atlas têm finalidade educacional e foram produzidas a partir de lâminas histológicas reais e de representações didáticas.

Parte delas pode ter sido editada ou aprimorada digitalmente para destacar as estruturas e os achados descritos no texto.

Aviso importante

Material educacional. Não substitui o laudo anatomopatológico, a avaliação clínica, os protocolos institucionais nem a consulta às bulas.

Atlas Astrenmed de Histologia • Conteúdo para educação médica. O diagnóstico e a conduta dependem da avaliação clínica individual.
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