Intoxicação, flumazenil, desmame e abstinência • clonazepam, alprazolam, diazepam, midazolam e medicamentos Z
Isolado, quase nunca mata: existe teto de efeito no receptor GABA-A, e a intoxicação pura costuma ser um paciente sonolento com sinais vitais preservados. O perigo mora em outro lugar — na associação com opioide e álcool, no flumazenil dado sem critério e na abstinência, que ao contrário da intoxicação pode ser fatal.
Suporte é o tratamentoFlumazenil raramenteAbstinência pode matarDesmame de 5% a 10%
22 min de leitura Atualizado em outubro de 2026
Em 30 segundos
O essencial de visão geral
Benzodiazepínicos são moduladores alostéricos positivos do receptor GABA-A: dependem do GABA endógeno e por isso têm teto de efeito.
A intoxicação isolada raramente mata; coma profundo, instabilidade ou depressão respiratória importante sugerem coingestão ou outra causa.
O tratamento é o suporte. O flumazenil tem indicações estreitas, e a abstinência — não a intoxicação — é a forma potencialmente fatal.
Quase todo usuário diário por mais de um mês tem dependência física: a retirada deve ser gradual, de 5% a 10% a cada 2 a 4 semanas.
Por que a intoxicação isolada raramente mata
Os benzodiazepínicos são moduladores alostéricos positivos do receptor GABA-A. Eles não abrem o canal de cloreto por conta própria: apenas aumentam a frequência com que ele se abre quando o GABA já está ligado. Como dependem do neurotransmissor endógeno, existe um teto de efeito.
É exatamente aí que reside a diferença em relação aos barbitúricos, que aumentam a duração da abertura e, em dose alta, abrem o canal independentemente do GABA. Sem teto, não há margem de segurança — e é por isso que o barbitúrico mata sozinho e o benzodiazepínico, em geral, não.
A consequência prática é direta: paciente em coma profundo, com instabilidade hemodinâmica ou depressão respiratória importante, provavelmente não está apenas com benzodiazepínico. Procure ativamente opioide, álcool, antidepressivo tricíclico, antipsicótico, hipoglicemia ou lesão intracraniana antes de atribuir tudo ao ansiolítico da caixinha que veio junto.
Os cinco efeitos e as cinco consequências
Todos os benzodiazepínicos compartilham cinco efeitos, em intensidades diferentes conforme a molécula e a dose. Cada um deles explica uma indicação clínica e, ao mesmo tempo, um risco — e é essa dupla face que torna o fármaco útil na emergência e problemático no uso crônico.
Ansiolítico
O mais buscado e o que sustenta a prescrição crônica.
Hipnótico e sedativo
Responsável pela sonolência, pela ataxia e pelas quedas.
Anticonvulsivante
A razão de serem primeira linha no estado de mal, e também a razão de a retirada abrupta cursar com convulsão.
Miorrelaxante
Útil no espasmo, perigoso na via aérea do idoso e no risco de queda.
Amnésia anterógrada
Desejável na sedação para procedimento, indesejável em todo o resto.
Teto de efeito
A margem de segurança que desaparece quando entram álcool, opioide ou barbitúrico.
Tolerância desigual
A tolerância se desenvolve rápido para os efeitos sedativo e anticonvulsivante, e muito mais devagar para o ansiolítico. Isso explica por que o paciente crônico não fica mais sonolento com o tempo, mas continua precisando da dose — e por que uma dose que seria sedativa em quem nunca usou pode ser inócua em quem usa há anos.
O cenário brasileiro
Os benzodiazepínicos estão entre os medicamentos mais prescritos do país e figuram consistentemente entre as principais causas de intoxicação medicamentosa notificada, com predomínio de tentativas de suicídio em mulheres jovens. A dispensação exige receituário azul B1, com retenção, mas a renovação automática por anos é a regra e não a exceção.
Clonazepam, alprazolam, bromazepam e diazepam concentram a maior parte das prescrições ambulatoriais. Na emergência e na terapia intensiva somam-se midazolam e lorazepam — este, no Brasil, disponível apenas por via oral. Vale conhecer também o cloxazolam, de uso frequente no Brasil e quase ausente da literatura internacional.
Praticamente todo paciente que usa benzodiazepínico diariamente por mais de um mês desenvolve dependência física. Isso não é o mesmo que transtorno por uso de substância, que atinge uma minoria — mas significa que a retirada abrupta é perigosa em quase todos eles. Desde 2020, a FDA exige advertência em tarja preta em todos os benzodiazepínicos sobre abuso, dependência física e reações de abstinência, incluindo convulsões potencialmente fatais na suspensão abrupta.
Classificação por meia-vida
A meia-vida determina três coisas que importam à beira do leito: a duração da intoxicação, o momento em que a abstinência aparece e a facilidade do desmame. Por isso, saber em qual grupo está o fármaco do paciente é a primeira pergunta tanto na sala de emergência quanto no consultório.
Grupo
Exemplos
Meia-vida aproximada
Implicação prática
Ação curta
Midazolam, triazolam
Menos de 6 horas
Intoxicação mais breve; abstinência precoce e intensa; maior potencial de uso problemático
Acúmulo em idoso e hepatopata; abstinência tardia; melhores para substituição no desmame
O diazepam tem meia-vida de eliminação que pode ultrapassar 100 horas quando se contam os metabólitos ativos, como o desmetildiazepam. Já lorazepam, oxazepam e temazepam são conjugados diretamente com ácido glicurônico, sem passar por oxidação hepática — por isso são os preferidos em hepatopatas e idosos.
O que orienta a conduta
Cinco ideias organizam todo o restante do artigo. As três primeiras valem para o paciente intoxicado na sala de emergência; as duas últimas, para o usuário crônico que chega por outro motivo ou que precisa parar o medicamento — e é nelas que mora o risco de morte que costuma passar despercebido.
Suporte
Via aérea, oxigenação e observação resolvem a grande maioria dos casos.
Coingestão
É o que transforma um caso banal em um caso grave — procure sempre.
Flumazenil
Indicações estreitas. Fora delas, o risco supera o benefício.
Abstinência
Ao contrário da intoxicação, pode ser fatal por convulsão e delirium.
Desmame
5% a 10% da dose diária a cada 2 a 4 semanas, ajustado à tolerância.
Apoio
Disque-Intoxicação 0800 722 6001 para discutir o caso; CVV 188 para o paciente em sofrimento.
Uma frase resume a atitude correta diante desse paciente: trate o paciente, não o receptor. Suporte clínico e vigilância valem mais do que qualquer tentativa de reversão farmacológica.
Glicemia capilar e eletrocardiograma em todos; QRS largo ou QT longo denunciam coingestão.
Triagem urinária negativa não exclui: clonazepam, lorazepam, alprazolam e as moléculas de desenho escapam dos imunoensaios.
Carvão ativado quase nunca, lavagem gástrica não, hemodiálise não. Alta após 6 horas assintomático, com avaliação psiquiátrica.
A toxíndrome sedativo-hipnótica
O quadro típico é o de um paciente sonolento mas despertável, com fala arrastada, marcha atáxica, nistagmo e sinais vitais essencialmente preservados. A pupila costuma ser normal ou levemente miótica, e o peristaltismo está mantido. Quando o exame foge desse retrato, a pergunta deixa de ser sobre o benzodiazepínico e passa a ser sobre o que mais está presente.
Compatível com benzodiazepínico isolado
Sonolência que responde ao estímulo verbal ou doloroso.
Disartria, ataxia e incoordenação.
Nistagmo horizontal.
Frequência cardíaca e pressão arterial normais ou pouco alteradas.
Saturação preservada em ar ambiente.
Amnésia do episódio.
Sugere outra coisa ou coingestão
Miose puntiforme com bradipneia — opioide.
Hipotensão e bradicardia — clonidina, betabloqueador, cálcio.
QRS alargado — antidepressivo tricíclico.
Coma profundo arreativo — barbitúrico, álcool, lesão estrutural.
Hipoglicemia — sempre medir.
Déficit focal — imagem de crânio.
A pergunta que organiza o caso não é "quanto ele tomou de clonazepam?", e sim "o que mais ele tomou junto?". A mortalidade da intoxicação por benzodiazepínico é quase inteiramente atribuível às associações.
Faixas de gravidade
A gravidade define o local de cuidado e, sobretudo, o grau de desconfiança. Quanto mais profundo o rebaixamento, menor a chance de o benzodiazepínico explicar o quadro sozinho — e maior a obrigação de procurar outra causa enquanto se oferece suporte.
Leve — observação em sala
Sonolência, disartria e ataxia, com paciente que abre os olhos ao chamado, protege a via aérea e mantém sinais vitais normais. Observação até a recuperação clínica, com reavaliação antes da alta.
Moderada — leito monitorizado
Resposta apenas ao estímulo doloroso, dessaturação leve corrigida com posicionamento e oxigênio, vômitos ou incapacidade de deambular. Exige monitorização contínua, glicemia, eletrocardiograma e investigação de coingestão.
Grave — via aérea e terapia intensiva
Coma sem resposta, depressão respiratória com hipercapnia, aspiração, instabilidade hemodinâmica ou convulsão. Nessa faixa, presuma coingestão ou outra causa e investigue amplamente enquanto oferece suporte avançado.
Glasgow na prática
Registrar o Glasgow por componentes na chegada e a cada reavaliação transforma a impressão de "melhorou" em dado objetivo. No intoxicado, a trajetória importa mais do que o número isolado: um Glasgow baixo que sobe rapidamente com estímulo é diferente de um coma estável ou em piora, que pede outra explicação.
Glasgow e Glasgow-Pupilas (GCS-P)
Soma e notação por componentes; o GCS-P subtrai da soma o escore de reatividade pupilar (0, 1 ou 2). No paciente intoxicado, o limiar de 8 não substitui a avaliação da capacidade de proteger a via aérea.
Escala de Coma de Glasgow—
GCS-P (Glasgow-Pupilas)—
Componente mais grave—
Via aérea—
Classificação—
Ferramenta de apoio. Muitos intoxicados com Glasgow baixo protegem a via aérea com posicionamento e despertam em poucas horas; a decisão de intubar é clínica (proteção da via aérea, hipercapnia, aspiração, trajetória).
Abordagem inicial
A sequência abaixo resolve a maior parte dos atendimentos sem nenhum antídoto. Ela tem duas metas simultâneas: manter o paciente seguro enquanto o efeito se dissipa e encontrar, cedo, a coingestão ou a causa alternativa que mudaria a conduta.
Via aérea e respiração
Posicionamento, aspiração de secreções, oxigênio suplementar e reavaliação frequente. Ventilação com bolsa-válvula-máscara resolve a maior parte dos episódios de hipoventilação transitória.
Glicemia capilar em todo paciente com nível de consciência alterado
É o exame que mais rapidamente muda a conduta.
Monitorização
Oximetria, cardioscopia e pressão arterial; considere capnografia quando disponível.
Eletrocardiograma de 12 derivações
Procurando QRS alargado e prolongamento do intervalo QT, que apontam coingestão.
Exame físico completo
Com atenção a pupilas, pele, sinais de trauma, marcas de punção e temperatura.
História com terceiros
Caixas trazidas, receitas, medicações da casa, uso crônico e tentativa prévia.
Laboratório dirigido
Eletrólitos, função renal, gasometria e, em tentativa de suicídio, paracetamol sérico e beta-hCG.
Descontaminação
Apenas se houver indicação e via aérea protegida — na prática, raramente.
Avaliação de risco de suicídio
Antes da alta, com apoio da saúde mental.
Paciente assintomático e com exame normal após 6 horas da ingestão pode em geral receber alta clínica, desde que a avaliação psiquiátrica e a rede de apoio estejam garantidas. Formulações de liberação prolongada e coingestões exigem observação mais longa.
O que os exames respondem — e o que não respondem
Nenhum exame confirma ou afasta a intoxicação em tempo útil, e a diretriz conjunta de 2025 reforça a cautela com os imunoensaios de urina. O valor dos exames está em outro ponto: encontrar o que é tratável e silencioso — hipoglicemia, cardiotoxicidade por coingestão, hipercapnia e paracetamol.
Exame
O que esperar
Consequência prática
Triagem urinária
Os imunoensaios habituais são desenhados para detectar metabólitos do tipo oxazepam. Clonazepam, lorazepam e alprazolam são detectados de forma pouco confiável
Um resultado negativo não exclui intoxicação por benzodiazepínico. Nunca descarte a hipótese com base nele
Novas moléculas
Benzodiazepínicos de desenho, como etizolam e bromazolam, não são detectados nos painéis de rotina
Sedação prolongada e inexplicada em usuário de drogas ilícitas pode ser justamente isso
Nível sérico
Sem correlação útil com gravidade e sem disponibilidade em tempo hábil
Não deve orientar decisão terapêutica
Glicemia capilar
Rápida, barata e decisiva
Obrigatória em todo rebaixamento de consciência
Eletrocardiograma
Benzodiazepínico isolado não altera
QRS alargado ou QT longo indicam coingestão e mudam completamente a conduta
Gasometria
Avalia hipercapnia e acidose respiratória
Orienta necessidade de suporte ventilatório
Paracetamol sérico
Coingestão silenciosa e tratável
Rastreio recomendado em toda tentativa de suicídio por ingestão
O eletrocardiograma denuncia a coingestão
Benzodiazepínico isolado não altera o traçado. Por isso, qualquer achado relevante no ECG de um paciente "só com clonazepam" é uma pista de outra substância. O alargamento do QRS por bloqueio de canal de sódio (tricíclicos, carbamazepina, difenidramina em dose alta) não tem traçado próprio aqui: procure QRS acima de 100 ms e R terminal em aVR, e trate com bicarbonato de sódio conforme o artigo de síndromes toxicológicas.
Três traçados, três raciocínios
Compare o ritmo esperado no benzodiazepínico isolado com dois padrões que obrigam a procurar coingestão.
BZD isolado
Ritmo sinusal normal: é o que se espera na intoxicação pura, mesmo com o paciente sonolento.
Onda P antes de cada QRS
QRS estreito
FC entre 60 e 100 bpm
Intervalo QT normal
QT longo
QT prolongado sugere antipsicótico, antidepressivo, metadona ou distúrbio de potássio e magnésio associado.
Onda T distante do QRS
QT maior que metade do RR
Bradicardia relativa
Bradicardia
Bradicardia com hipotensão aponta clonidina, betabloqueador ou bloqueador de canal de cálcio, e não benzodiazepínico.
Ritmo sinusal regular
FC abaixo de 50 bpm
QRS estreito
Traçados esquemáticos gerados por computador (25 mm/s, 10 mm/mV) para estudo e comparação. Confirme sempre no ECG de 12 derivações do paciente.
QT corrigido (Bazett e Fridericia)
Meça o QT na derivação em que ele é mais longo (habitualmente DII ou V5), do início do QRS ao fim da onda T. Bazett superestima o QTc em taquicardia e o subestima em bradicardia — nesses extremos, Fridericia é mais confiável.
QTc (Bazett), ms—
QTc (Fridericia), ms—
Leitura rápida—
QTc acima de 500 ms eleva expressivamente o risco de torsades de pointes: monitorize, corrija potássio e magnésio e revise os fármacos associados.
Diagnóstico diferencial do paciente sonolento
Rebaixamento de consciência com história de benzodiazepínico ainda é rebaixamento de consciência. As causas abaixo produzem quadro semelhante, somam efeito ou coexistem — e algumas delas têm tratamento específico que não pode esperar o efeito do ansiolítico passar.
CondiçãoAchado-chaveComo diferenciar
Opioides
Achado-chaveMiose puntiforme, bradipneia e resposta à naloxona.
Como diferenciarÉ a coingestão mais perigosa e a mais frequentemente presente sem que ninguém tenha contado.
Álcool
Achado-chaveHálito etílico, ataxia e nistagmo somados.
Como diferenciarA associação potencializa a depressão respiratória de forma desproporcional.
Outros sedativos
Achado-chaveBarbitúricos, gabapentinoides, antipsicóticos, anti-histamínicos e relaxantes musculares.
Como diferenciarProduzem quadro semelhante e somam efeito; revise a prescrição inteira.
Achado-chaveEm idosos, o rebaixamento pode ser a única manifestação inicial.
Como diferenciarNão atribua tudo à medicação de uso contínuo: procure foco, febre ou hipotermia e lactato.
Descontaminação: quase nunca
O adsorve benzodiazepínicos, mas o cálculo de risco e benefício quase sempre resulta em não administrar: a toxicidade isolada é baixa e a principal complicação da própria descontaminação — a aspiração — é justamente o risco que o paciente sonolento já tem.
Não dê carvão a paciente sonolento sem via aérea protegida — a contraindicação é formal.
Não intube apenas para administrar carvão em quem não tem risco de toxicidade significativa.
Não passe sonda sem intubação com a finalidade de dar carvão.
Não faça lavagem gástrica de rotina.
Não indique hemodiálise: o grande volume de distribuição e a alta ligação proteica tornam a remoção desprezível.
A situação em que o carvão pode ser discutido é a ingestão maciça recente com coingestão relevante — um antidepressivo tricíclico, por exemplo — em paciente ainda alerta ou já intubado por outra indicação. Nesses casos, a decisão é sobre a coingestão, não sobre o benzodiazepínico.
Em 30 segundos
O essencial de flumazenil
Antagonista competitivo do sítio benzodiazepínico: reverte a sedação em minutos, mas pode precipitar convulsão refratária e arritmia.
AHA 2023: pode ser útil apenas em depressão respiratória por benzodiazepínico puro, sem contraindicação; causa dano em quem tem risco de convulsão ou arritmia; sem papel na PCR.
Na suspeita de opioide associado, a naloxona vem primeiro; sedação residual depois dela pede suporte, não flumazenil.
Se usar: 0,1 a 0,2 mg EV titulados, monitorização por pelo menos 2 horas — a ressedação é a regra.
Um antídoto que raramente deve ser usado
O é um antagonista competitivo do sítio benzodiazepínico do receptor GABA-A. Reverte sedação de forma rápida e previsível — e é justamente por isso que se tornou perigoso: a reversão abrupta remove um efeito que, com frequência, estava protegendo o paciente.
Uma metanálise comparando flumazenil com placebo em suspeita de intoxicação por benzodiazepínico encontrou risco quase quatro vezes maior de eventos adversos graves, com número necessário para causar dano em torno de 50. Convulsão e arritmia ventricular são os desfechos temidos.
Existe um paradoxo cruel: a convulsão precipitada pelo flumazenil é tratada com benzodiazepínico — que agora encontra o receptor bloqueado. Pode ser necessário barbitúrico ou propofol, e o quadro pode se tornar refratário. Foi assim que se acumularam relatos de óbito.
O que a diretriz da AHA de 2023 recomenda
A atualização focada da American Heart Association sobre parada cardíaca e toxicidade grave por intoxicação (2023) transformou em recomendações formais o que a toxicologia já praticava. Repare que a única indicação favorável é restrita: benzodiazepínico puro, com depressão respiratória e sem contraindicação.
Recomendação
Força (AHA 2023)
Na prática
Flumazenil pode ser eficaz em casos selecionados de depressão ou parada respiratória por benzodiazepínico puro, sem contraindicações
Classe 2a, NE B-NR
Pense em sedação iatrogênica, criança com ingestão acidental e adulto virgem de benzodiazepínico.
Flumazenil associa-se a dano em pacientes com risco aumentado de convulsão ou arritmia
Classe 3 — dano, NE B-R
Usuário crônico, coingestão proconvulsivante, epilepsia, QRS largo: não use.
Flumazenil não tem papel na parada cardíaca por benzodiazepínico
Classe 3 — sem benefício, NE C-EO
Na PCR, RCP de alta qualidade e via aérea.
Na suspeita de intoxicação combinada por opioide e benzodiazepínico, administrar naloxona primeiro na depressão ou parada respiratória
Classe 2a, NE B-NR
A naloxona é segura, e o componente opioide é o que mais deprime a respiração.
NE = nível de evidência. A diretriz conjunta de desmame de 2025 acrescenta: nunca use flumazenil para acelerar a retirada do benzodiazepínico.
Quando considerar e quando não
A decisão depende menos da dose ingerida e mais de quem é o paciente. O mesmo flumazenil que é seguro na criança que engoliu o comprimido da avó pode ser fatal na mulher que usa clonazepam há dez anos e tomou amitriptilina junto.
Cenários de menor risco
Sedação iatrogênica para procedimento, com dose e fármaco conhecidos.
Ingestão acidental em criança, de benzodiazepínico puro, sem uso crônico.
Paciente sem exposição prévia, com depressão respiratória por benzodiazepínico isolado e comprovado, e sem nenhum fator de risco.
Reação paradoxal a dose terapêutica, com agitação e desinibição.
Contraindicações e situações de risco
Uso crônico ou dependência — risco de abstinência aguda com convulsão.
Epilepsia ou uso de anticonvulsivante por qualquer indicação.
Coma indiferenciado ou intoxicação de composição desconhecida.
Benzodiazepínico usado para condição ameaçadora — estado de mal, hipertensão intracraniana.
Sinais de toxicidade por tricíclico: QRS alargado, arritmia, mioclonia, colapso circulatório.
Flumazenil não tem papel na parada cardiorrespiratória e não deve ser usado como teste diagnóstico em coma de causa indeterminada. Também não é ferramenta para "acelerar alta" da terapia intensiva: a ressedação é a regra.
Checklist de segurança para o flumazenil
Responda a cada item. Os cinco primeiros são contraindicações de peso: a presença de qualquer um deles desaconselha fortemente o uso. Os quatro seguintes são situações de cautela. Este bloco responde à pergunta "posso dar?", e não à pergunta "preciso dar?" — essa segunda resposta, quase sempre, é não.
Posso usar flumazenil neste paciente?
9 itens. Qualquer contraindicação de peso bloqueia o uso.
Responda aos 9 itens. Qualquer "Sim" em contraindicação de peso já define a resposta.
Ausência de contraindicação não é indicação. Mesmo no cenário mais favorável, o suporte clínico costuma resolver o caso sem antídoto. Diante de dúvida, acione o Disque-Intoxicação, 0800 722 6001, antes de administrar.
Posologia, se decidir usar
A bula brasileira traz esquemas pensados para anestesia e terapia intensiva (dose inicial de 0,2 a 0,3 mg). Na intoxicação, a toxicologia prefere incrementos menores e mais espaçados: o objetivo é restaurar a ventilação, não acordar completamente o paciente, e cada passo a menos reduz a chance de reversão excessiva com convulsão.
Dose inicial
0,1 a 0,2 mg por via endovenosa, administrados lentamente. Uma abordagem cautelosa usa incrementos de 0,1 mg por minuto, titulando até obter resposta.
Dose total
A maioria dos respondedores melhora com 1 a 3 mg acumulados (a bula brasileira limita a 2 mg em terapia intensiva). Acima disso, o benefício adicional é improvável; ausência de resposta indica que a sedação não é benzodiazepínica.
Meia-vida
Cerca de 40 a 60 minutos, mais curta que a da maioria dos benzodiazepínicos. A ressedação é esperada e exige monitorização por pelo menos 2 horas.
Antes de administrar
Garanta via aérea, ventilação e acesso venoso. O flumazenil é adjuvante ao manejo, nunca substituto dele. Tenha material de via aérea e anticonvulsivante alternativo à mão.
Em paciente de alto risco, o intervalo de 1 minuto entre as doses pode ser curto demais: cada dose leva de 6 a 10 minutos para atingir o efeito pleno. Espaçar mais reduz a chance de reversão excessiva.
Rotas de tratamento
Cada rota abre o detalhamento com indicação, dose, via e cuidados; o nome do medicamento abre a ficha completa. Antes de qualquer antídoto, confira se o suporte (abaixo) já está adequado. Confira sempre a apresentação disponível e o protocolo do seu serviço antes de prescrever.
Quando esta rota entraMiose puntiforme com bradipneia e rebaixamento desproporcional ao esperado para benzodiazepínico isolado. Na suspeita de intoxicação combinada com depressão respiratória, a naloxona vem antes de qualquer outro antídoto (AHA 2023).
A naloxona é titulada até restaurar ventilação adequada, e não até despertar completamente — despertar abrupto precipita abstinência e agitação. Ela reverte apenas o componente opioide: sedação residual após naloxona eficaz sugere benzodiazepínico associado, e a conduta é suporte, não flumazenil.
Reverter a depressão respiratória por opioide3 esquemas
Indicação
Dose
Via / velocidade
Duração
Observações
1ª escolhaAdulto com pulso e respiração inadequada
0,04 a 0,4 mg (titulada)
EV, repetir a cada 2–3 min
Até FR ≥ 10 irpm e SpO₂ adequada
Em usuário crônico de opioide, comece por 0,04 mg. Dose cumulativa típica até 2 mg; sem resposta após ~10 mg, reveja o diagnóstico.
AlternativaSem acesso venoso
0,4 mg
IM ou SC, repetir a cada 2–3 min
Conforme resposta
Início mais lento que a via EV; mantenha ventilação com bolsa-válvula-máscara enquanto age.
ManutençãoRessedação por opioide de longa duração
2/3 da dose que reverteu, por hora
Infusão contínua (BIC)
Até a duração esperada do opioide
Metadona e opioides de liberação prolongada duram mais que a naloxona (30–90 min).
Duração: a naloxona tem duração mais curta que a maioria dos opioides e que os benzodiazepínicos — vigilância prolongada e possibilidade de novas doses ou infusão.
Drogas adulteradas: opioides ilícitos adulterados com benzodiazepínico produzem exatamente esse padrão de reversão parcial e prolongada.
Prevenção: pacientes que usam as duas classes devem receber prescrição de naloxona e orientação a familiares.
Prescrição conjunta: exige justificativa explícita, dose mínima e reavaliação frequente — há alerta regulatório de tarja preta sobre a combinação desde 2016.
Se o paciente melhorou a respiração com naloxona mas continua sonolento, isso é informação diagnóstica valiosa — e não indicação de flumazenil.
Quando esta rota entraSedação iatrogênica para procedimento; ingestão acidental pediátrica de benzodiazepínico puro; depressão respiratória por benzodiazepínico isolado em paciente sem exposição prévia; reação paradoxal. Nunca em usuário crônico, coingestão proconvulsivante, epilepsia, QRS largo ou benzodiazepínico usado para condição ameaçadora à vida.
Escolha o esquema pelo cenário4 esquemas
Indicação
Dose
Via / velocidade
Duração
Observações
PreferencialIntoxicação no adulto (titulação cautelosa)
0,1–0,2 mg, depois 0,1 mg/min
EV lento; em alto risco, espaçar mais (efeito pleno em 6–10 min)
Até resposta ou 1 mg; teto habitual 2–3 mg
Sem resposta após 5 min de 3 mg acumulados: a sedação provavelmente não é benzodiazepínica.
PadrãoReversão pós-procedimento (bula)
0,2 mg; depois 0,1 mg
EV em 15 s; repetir a cada 60 s
Máx. 1 mg (usual 0,3–0,6 mg)
Fármaco e dose conhecidos; paciente sem uso crônico.
PediatriaCriança acima de 1 ano
0,01 mg/kg (máx. 0,2 mg)
EV em 15 s; repetir a cada 60 s até 4 vezes
Máx. 0,05 mg/kg ou 1 mg
Ingestão comprovadamente de benzodiazepínico puro.
ManutençãoRessedação após resposta
0,1–0,4 mg/h
Infusão contínua (BIC), ajuste individual
Enquanto houver ressedação
Diluído em SF 0,9%, SG 5% ou Ringer lactato; descartar após 24 h.
Risco central: convulsão de difícil controle — a primeira linha seria benzodiazepínico, agora com receptor bloqueado. Pode exigir barbitúrico ou propofol. Antes de administrar, garanta via aérea, ventilação e acesso venoso: o flumazenil é adjuvante ao manejo, nunca substituto dele.
Suporte clínico: o tratamento de verdade
É o tratamento da intoxicação por benzodiazepínico. Na grande maioria dos casos, nada além disso é necessário — e nada além disso é seguro. As rotas acima são exceções; o quadro abaixo é a regra em quase todos os atendimentos.
Medida
Como fazer
Via aérea
Posicionamento, aspiração de secreções e reavaliação frequente. Ventilação com bolsa-válvula-máscara resolve a maior parte das hipoventilações transitórias
Oxigenação
Oxigênio suplementar conforme a saturação, com oximetria contínua e capnografia quando disponível
Glicemia capilar
Obrigatória em todo paciente com nível de consciência alterado
Eletrocardiograma
QRS alargado ou intervalo QT prolongado indicam coingestão e mudam completamente a conduta
Laboratório
Eletrólitos, função renal, gasometria e, em tentativa de suicídio, paracetamol sérico e beta-hCG
Descontaminação
Carvão ativado contraindicado no paciente sonolento sem via aérea protegida. Não intube apenas para administrá-lo
Hemodiálise
Sem papel — grande volume de distribuição e alta ligação proteica tornam a remoção desprezível
Alta
Assintomático e com exame normal 6 horas após a ingestão, com avaliação de risco de suicídio e rede de apoio garantidas
Antes de considerar qualquer antídoto, pergunte-se se o suporte já está adequado. Quase sempre a resposta resolve o caso.
Via aérea: quando intubar de fato
A intubação na intoxicação por benzodiazepínico é menos frequente do que se imagina, mas quando indicada não deve ser adiada por expectativa de reversão farmacológica. A decisão se baseia na proteção da via aérea e na ventilação, e não apenas no número do Glasgow.
Indicações
Incapacidade de proteger a via aérea, hipoventilação com hipercapnia progressiva, aspiração, necessidade de sedação profunda ou instabilidade que exija controle.
Antes de intubar
Tente posicionamento, cânula orofaríngea ou nasofaríngea e ventilação com bolsa-válvula-máscara — muitas vezes é suficiente.
Não intubar
Apenas para administrar carvão ativado em paciente sem risco de toxicidade significativa.
Indução
Considere a sedação já presente: doses habituais de indutor podem ser excessivas nesse paciente.
Depois da intubação
Procure ativamente a causa da deterioração — coingestão, aspiração, hipoglicemia, lesão intracraniana.
Sedação de manutenção
Se necessária, evite benzodiazepínico pela associação com delirium; a atualização PADIS 2025 sugere dexmedetomidina em vez de propofol quando sedação leve e redução de delirium são prioridade.
Extubação
Costuma ser possível assim que o efeito se dissipa. Não use flumazenil para antecipar o desmame ventilatório.
Na dúvida entre observar e intubar, a capnografia e a gasometria seriadas informam melhor do que a impressão de nível de consciência.
Em 30 segundos
O essencial de desmame
Diretriz conjunta de 2025 (ASAM e outras nove sociedades): reavaliar risco e benefício pelo menos a cada 3 meses; desmamar quando os riscos superam os benefícios.
Ritmo inicial de 5% a 10% da dose diária a cada 2 a 4 semanas, sem exceder 25% a cada 2 semanas; a reta final é a mais difícil.
Trocar por fármaco de meia-vida longa é opcional; as tabelas de equivalência divergem e são só ponto de partida.
Sintomas no caminho: desacelere ou pause, não recomece do zero. Ofereça TCC/TCC-I e naloxona a quem também usa opioide.
Quando desmamar
A diretriz conjunta publicada em 2025, liderada pela Sociedade Americana de Medicina do Vício com participação de outras nove sociedades, organizou o tema em torno de uma ideia simples: a decisão de continuar prescrevendo deve ser reavaliada periodicamente, e o desmame é indicado quando os riscos superam os benefícios. A reavaliação deve ser mais frequente em quem usa opioide, tem transtorno por uso de substância ou comorbidade que aumenta o risco, como apneia obstrutiva do sono.
Reavalie risco e benefício pelo menos a cada 3 meses em todo paciente em uso contínuo — e, no mínimo, a cada nova receita.
Use decisão compartilhada. Desmame imposto tem alta taxa de fracasso e de dano.
Não interrompa abruptamente quem usa diariamente ou quase diariamente há mais de um mês.
Desmame a maioria dos idosos (65 anos ou mais), salvo razão convincente para manter.
Ofereça intervenções psicossociais (TCC, TCC para insônia) como adjuvantes — o desmame farmacológico isolado tende a falhar.
Prescreva naloxona a quem usa benzodiazepínico associado a opioide.
Ajuste o ritmo à resposta do paciente, e não a um cronograma rígido no papel.
Não use flumazenil, propofol ou cetamina para acelerar a retirada.
Um dado ajuda a calibrar o discurso com o paciente: quase todos que usam por mais de um mês desenvolvem dependência física, mas apenas uma pequena minoria desenvolve transtorno por uso de substância. Dependência física não é vício — e confundir os dois estigmatiza o paciente e atrapalha o desmame.
Como desmamar
O ritmo recomendado hoje é deliberadamente mais lento do que o das orientações antigas, que falavam em 25% a 50% por etapa. A lógica é aceitar um processo mais longo em troca de menos sintomas — e sintoma é o principal motivo de abandono.
Ritmo inicial recomendado
Redução de 5% a 10% da dose diária total a cada 2 a 4 semanas. É deliberadamente mais lento do que as recomendações antigas, que falavam em 25% a 50%.
Teto de velocidade
O desmame não deve exceder 25% a cada 2 semanas. Quem usa dose baixa há pouco tempo — menos de 3 meses — costuma tolerar um ritmo mais rápido.
A reta final é a mais difícil
Os sintomas costumam se intensificar quando a dose se aproxima de um quarto da inicial. Nessa fase, reduza mais devagar — passos menores e intervalos maiores — e considere fracionar comprimidos ou usar formulação líquida.
Se surgirem sintomas de abstinência, desacelere; não recomece do zero. Voltar ao início desmoraliza o paciente e alonga o processo. Manter a dose atual por mais tempo antes do próximo passo costuma ser suficiente.
Substituir por um de meia-vida longa?
A diretriz de 2025 trata a troca como opção condicional, e não como regra. Ela faz mais sentido quando o paciente usa um fármaco de meia-vida curta e sente sintomas entre as doses; em quem já está estável em clonazepam ou diazepam, raramente acrescenta algo.
A favor
Concentrações plasmáticas mais estáveis, com menos sintomas entre doses.
Reduções percentuais menores são tecnicamente viáveis com o diazepam, que tem apresentações de 5 e 10 mg e permite fracionamento.
Útil quando o fármaco em uso é de meia-vida curta, como alprazolam ou lorazepam.
Contra
As tabelas de equivalência são aproximadas e a variação entre indivíduos é grande.
Risco de acúmulo em idoso e hepatopata, com sedação e quedas.
Nem todo paciente responde bem à troca; alguns pioram.
Trocar e reduzir ao mesmo tempo confunde a leitura dos sintomas.
Se optar pela substituição, faça-a gradualmente e antes de iniciar as reduções, trocando uma tomada por vez e estabilizando o paciente antes do primeiro passo do desmame.
Equivalência aproximada de doses
Os valores abaixo correspondem, de forma aproximada, a 10 mg de diazepam. São referências de orientação clínica, não conversões exatas. A própria diretriz de 2025 publica duas colunas que discordam entre si — a do Manual Ashton e a da diretriz VA/DoD de 2021 —, e a diferença chega ao dobro para alprazolam, clonazepam e lorazepam.
Fármaco
Dose equivalente (Ashton)
VA/DoD 2021
Meia-vida
Diazepam
10 mg
10 mg
Longa
Alprazolam
0,5 mg
1 mg
Intermediária
Bromazepam
5 a 6 mg
—
Intermediária
Clonazepam
0,5 mg
1 mg
Longa
Lorazepam
1 mg
2 mg
Intermediária
Clordiazepóxido
25 mg
25 mg
Longa
Clobazam
20 mg
—
Longa
Cloxazolam
1 a 2 mg
—
Longa
Estazolam
1 a 2 mg
1 mg
Intermediária
Flunitrazepam
1 mg
—
Intermediária a longa
Flurazepam
15 a 30 mg
15 mg
Longa
Lormetazepam
1 a 2 mg
—
Intermediária
Midazolam
7,5 a 15 mg
—
Curta
Nitrazepam
5 mg
—
Longa
Oxazepam
20 mg
30 mg
Intermediária
Triazolam
0,5 mg
0,25 mg
Curta
Zolpidem
20 mg
—
Curta
Zopiclona
15 mg
—
Curta
Use a equivalência como ponto de partida, não como prescrição pronta. A variação individual é substancial, e a troca deve ser feita de forma gradual, com reavaliação clínica a cada etapa. Os valores do cloxazolam são especialmente aproximados, por escassez de dados comparativos. "—" = sem valor publicado na tabela VA/DoD reproduzida pela diretriz de 2025.
Convertendo na prática
A conta é uma regra de três: divida a dose diária total pela dose equivalente do fármaco em uso e multiplique por 10 para obter o equivalente em diazepam (ou pela dose equivalente do fármaco de destino). Uma primeira redução de 5% a 10% corresponde então a retirar 5% a 10% desse equivalente. Os exemplos abaixo usam a coluna Ashton; pela VA/DoD, o equivalente em diazepam cairia pela metade nos três primeiros — mais um motivo para começar abaixo do calculado em idosos e hepatopatas.
Alprazolam 2 mg/dia
2 ÷ 0,5 × 10 = 40 mg/dia de diazepam (20 mg pela VA/DoD). Primeira redução: retirar 2 a 4 mg de diazepam por dia. Troca de meia-vida curta para longa: tende a facilitar o desmame, substituindo uma tomada por vez.
Clonazepam 2 mg/dia
2 ÷ 0,5 × 10 = 40 mg/dia de diazepam (20 mg pela VA/DoD). Como o clonazepam já é de meia-vida longa, a troca raramente acrescenta algo: desmame no próprio fármaco, com comprimidos de 0,5 mg ou solução oral.
Bromazepam 6 mg/dia
6 ÷ 5,5 × 10 ≈ 11 mg/dia de diazepam. Primeira redução: cerca de 0,5 a 1 mg de diazepam por dia.
Lorazepam 2 mg/dia → oxazepam
2 ÷ 1 × 20 = 40 mg/dia de oxazepam (≈ 20 mg de diazepam). Ambos conjugados: opção no hepatopata. Trocar meia-vida longa por curta, ao contrário, tende a dificultar o desmame.
As equivalências são aproximadas e servem de ponto de partida. Arredonde para apresentações comercialmente disponíveis, faça a troca de forma gradual e reavalie clinicamente a cada etapa. Em idoso e hepatopata, considere iniciar abaixo do equivalente calculado.
Cronograma de desmame
As reduções são calculadas sobre a dose vigente em cada etapa, e não sobre a dose inicial — por isso os passos ficam progressivamente menores, o que é justamente o comportamento desejado. O exemplo abaixo parte de 20 mg/dia de diazepam, com reduções de 10% a cada 4 semanas.
Etapa
Semana
Nova dose
% da inicial
0
Início
20 mg/dia
100%
1
4
18 mg/dia
90%
2
8
16,2 mg/dia
81%
3
12
14,6 mg/dia
73%
4
16
13,1 mg/dia
66%
6
24
10,6 mg/dia
53%
8
32
8,6 mg/dia
43%
10
40
7,0 mg/dia
35%
12
48
5,6 mg/dia
28%
14
56
4,6 mg/dia
23%
Na prática, arredonde cada passo para a apresentação disponível (comprimidos de 5 e 10 mg fracionados, ou solução oral). Abaixo de 25% da dose inicial, passos ainda menores e intervalos maiores do que os simulados aqui.
Quanto tempo leva até um quarto da dose
O número de etapas até chegar a 25% da dose inicial depende só do percentual escolhido; o tempo total depende do intervalo. Um cronograma de meses assusta à primeira vista — apresentá-lo como garantia de conforto, e não como obstáculo, muda a adesão.
28 etapas5% a cada 2 semanas → 56 semanas (≈ 13 meses)
≈ 2 anos5% a cada 4 semanas → 112 semanas
14 etapas10% a cada 2 semanas → 28 semanas (≈ 6,5 meses)
≈ 13 meses10% a cada 4 semanas → 56 semanas
5 etapas25% a cada 2 semanas (teto) → 10 semanas
Simulação para apoio ao planejamento, não prescrição. O cronograma real deve ser construído junto com o paciente, arredondado para as apresentações disponíveis e ajustado ao surgimento de sintomas. 25% por etapa é o teto de velocidade e só deve ser usado em uso de curta duração e dose baixa, com acompanhamento próximo.
Rotas de tratamento
O desmame é um processo de meses, e o principal preditor de sucesso não é o cronograma: é o vínculo e o acompanhamento. A rota abaixo resume o esquema farmacológico; os cards que vêm depois detalham substituição, cronograma, apoio e o que fazer quando o desmame falha.
Quando esta rota entraUso diário por mais de um mês, com riscos que superam os benefícios (idoso, quedas, opioide associado, prejuízo cognitivo, falta de indicação atual) e paciente estável, sem abstinência grave.
Fármaco do desmame (escolha UM)3 esquemas
Indicação
Dose
Frequência
Duração
Observações
PadrãoManter o próprio fármaco em uso
Dose diária atual, reduzida 5–10%
Mesmo horário de antes
A cada 2–4 semanas
Evita uma variável a mais. Preferível quando já é de meia-vida longa (clonazepam, diazepam).
AlternativaSubstituir por diazepam
Equivalente calculado (começar abaixo em idoso)
VO, em 2 a 3 tomadas; trocar uma tomada por vez
Estabilizar 1–2 semanas antes de reduzir
Útil com alprazolam ou lorazepam e sintomas entre doses.
AlternativaIdoso ou hepatopata
Equivalente calculado
VO, 2 a 3 tomadas
Ritmo mais lento que no adulto jovem
Conjugado, sem metabólitos ativos; oxazepam é a outra opção.
Exemplo: 20 mg/dia com reduções de 10% a cada 4 semanas leva cerca de 14 etapas, ou aproximadamente 13 meses, para chegar a 5 mg/dia — um quarto da dose inicial.
Substituição por meia-vida longa
Estratégia útil sobretudo quando o fármaco em uso tem meia-vida curta, como alprazolam ou lorazepam, e o paciente apresenta sintomas entre doses. A substituição não é obrigatória: muitos pacientes desmamam bem no próprio fármaco em uso, e isso evita uma variável a mais.
Aspecto
O que fazer
Racional
Concentrações plasmáticas mais estáveis, com menos oscilação e menos sintomas entre as tomadas
Agente preferido
Diazepam, pela meia-vida longa, pelos metabólitos ativos e pela facilidade de fracionamento das apresentações
Como fazer
Gradualmente e antes de iniciar as reduções: troque uma tomada por vez e estabilize o paciente antes do primeiro passo do desmame
Equivalência
Use as tabelas como ponto de partida — elas são aproximadas e a variação individual é grande. Considere iniciar abaixo do equivalente calculado
Cuidado no idoso
Risco de acúmulo, sedação e quedas. Nesses casos, muitas vezes é melhor desmamar o próprio fármaco em uso
Cuidado no hepatopata
Prefira lorazepam, oxazepam ou temazepam, que sofrem apenas conjugação e não dependem da oxidação hepática
Quando não substituir
Paciente estável em fármaco de meia-vida longa, ou paciente que já tentou a troca e piorou
Erro comum
Trocar e reduzir ao mesmo tempo — isso impede saber se o sintoma veio da troca ou da redução
Ritmo e ajustes do cronograma
O ritmo recomendado é deliberadamente mais lento que o das orientações antigas, que falavam em reduções de 25% a 50%. Os ajustes abaixo valem durante todo o processo e explicam por que o calendário escrito na primeira consulta quase nunca é o que se cumpre.
Ritmo inicial
5% a 10% da dose diária total a cada 2 a 4 semanas.
Teto de velocidade
Não exceder 25% a cada 2 semanas.
Uso curto e dose baixa
Quem usa há menos de 3 meses em dose baixa costuma tolerar ritmo mais rápido.
Base do cálculo
Calcule a redução sobre a dose vigente, não sobre a inicial — os passos ficam progressivamente menores, que é o comportamento desejado.
Reta final
Abaixo de 25% da dose inicial os sintomas se intensificam. Reduza mais devagar, com passos menores e intervalos maiores.
Ferramentas práticas
Fracionamento de comprimidos, apresentações de menor dosagem e, quando disponível, formulação líquida.
Se surgirem sintomas
Desacelere, não recomece. Manter a dose atual por mais tempo antes do próximo passo costuma bastar.
Reavaliação
Contato próximo após cada redução, com data marcada e canal acessível entre as consultas.
Apoio ao paciente
O principal preditor de sucesso do desmame não é o cronograma no papel: é o vínculo, a informação e o acompanhamento. Um paciente que entende o processo e sabe que pode desacelerar tolera muito mais do que um paciente que recebeu um cronograma e uma receita.
Decisão compartilhada: desmame imposto tem alta taxa de fracasso e de dano. Construa o plano com o paciente, incluindo o ritmo.
Expectativas: explique que sintomas são esperados, que não significam fracasso e que o ritmo pode ser ajustado a qualquer momento.
Intervenções psicossociais: terapia cognitivo-comportamental, TCC para insônia, higiene do sono, técnicas de relaxamento e grupos de apoio aumentam a taxa de sucesso (recomendação forte da diretriz de 2025).
Tratar a causa: ansiedade e insônia subjacentes precisam de tratamento próprio — inibidor da recaptação de serotonina, terapia cognitivo-comportamental para insônia e outras opções.
Reavaliação periódica: risco e benefício do uso continuado devem ser revisados pelo menos a cada 3 meses.
Naloxona: prescreva a pacientes que também usam opioide, com orientação a familiares.
Registro: documente a discussão, o plano acordado e as reavaliações — protege o paciente e o profissional.
Linguagem: dependência física não é vício. Confundir os dois estigmatiza o paciente e atrapalha o processo.
Quando o desmame falha
Fracasso do desmame quase sempre significa ritmo inadequado ou suporte insuficiente — não falta de vontade do paciente. Metade dos desmames bem-sucedidos passa por pelo menos uma pausa, e planejar essa possibilidade desde o início reduz a sensação de fracasso.
Situação
Conduta
Primeira medida
Desacelere. Prolongue o intervalo antes da próxima redução ou volte ao passo anterior
Não recomeçar do zero
Voltar ao início desmoraliza o paciente e alonga o processo sem benefício
Reavalie a causa
Ansiedade não tratada, insônia, dor, evento de vida estressante e abstinência de outra substância podem estar por trás
Considere estabilizar
Manter a dose atual por semanas ou meses antes de retomar é uma decisão legítima, e não um fracasso
Se houver risco maior
Reduza os riscos do uso continuado — dose mínima eficaz, revisão de sedativos associados, orientação sobre direção e prevenção de quedas
Encaminhamento
Serviço especializado quando há transtorno por uso de substância, uso de opioide associado ou histórico de abstinência complicada
Internação
Reservada a abstinência grave ou complicada, a risco iminente de dano e a casos em que o desmame ambulatorial se mostrou inviável com segurança
Reenquadre o objetivo
Redução de dose já é ganho clínico. Nem todo desmame precisa terminar em dose zero
Em 30 segundos
O essencial de abstinência
A intoxicação isolada quase nunca mata; a abstinência pode matar, por convulsão, estado de mal e delirium.
Início em horas a 2 dias nos de meia-vida curta e intermediária e em 2 a 7 dias nos de meia-vida longa — o atraso engana.
Abstinência grave: reinstituir o benzodiazepínico (de preferência de meia-vida longa), internar e só depois planejar a redução.
Reconciliação medicamentosa na admissão evita a forma mais comum e mais evitável do quadro.
A síndrome que realmente mata
Aqui está a inversão que mais surpreende quem estuda o tema: a intoxicação por benzodiazepínico isolado quase nunca é fatal, mas a abstinência pode ser. Assim como na abstinência alcoólica, o mecanismo é a retirada abrupta de um agonista do sistema GABAérgico em um cérebro adaptado, com hiperexcitabilidade resultante.
Náusea, vômito, diarreia, dor abdominal, perda de apetite
Graves
Delirium com alucinações visuais, estado de mal epiléptico, psicose
Suspender abruptamente o benzodiazepínico de um paciente internado — porque "não estava na lista de medicações de uso contínuo" ou porque "ele não precisa disso aqui" — é uma causa evitável e frequente de convulsão e delirium hospitalar. Reconcilie a medicação na admissão.
Linha do tempo
O momento de início depende diretamente da meia-vida do fármaco em uso — e essa informação, sozinha, evita boa parte dos diagnósticos errados. Pergunte sempre qual era o benzodiazepínico e quando foi a última dose.
Horas a 2 dias — meia-vida curta e intermediária
Alprazolam, lorazepam, midazolam e triazolam. Início rápido e sintomas frequentemente intensos. O alprazolam tem fama particularmente ruim nesse quesito, com sintomas que podem aparecer entre doses mesmo sem interrupção.
2 a 7 dias — meia-vida longa
Diazepam, clonazepam, clordiazepóxido e cloxazolam. O início tardio engana: o paciente que parou o clonazepam há cinco dias e chega convulsionando com frequência é investigado para tudo, menos para abstinência.
1 a 4 semanas — pico e resolução da fase aguda
A maior parte dos sintomas autonômicos e o risco convulsivo se concentram nesse período. Insônia e ansiedade tendem a persistir mais.
Meses — sintomas protraídos
Ansiedade, insônia, parestesias, dificuldade de concentração e hipersensibilidade sensorial podem persistir por meses após a retirada completa, em curso flutuante. Reconhecer isso evita reinstituir o fármaco desnecessariamente e evita rotular o paciente como não aderente.
Diferencie recorrência do transtorno original — sintomas iguais aos de antes, instalação gradual, sem componente sensorial — de abstinência, em que aparecem sintomas novos, como hipersensibilidade sensorial e despersonalização, com relação temporal clara à redução.
Manejo da abstinência
O tratamento da abstinência é, antes de tudo, o próprio benzodiazepínico: devolver ao receptor o agonista que ele perdeu e só depois retirá-lo devagar. A gravidade decide se isso se faz ajustando o desmame no ambulatório ou reinstituindo o fármaco em ambiente monitorizado.
Confirme o diagnóstico
Pela relação temporal com a redução ou interrupção e pela presença de sintomas novos, não apenas do transtorno de base.
Estratifique a gravidade
Convulsão, delirium, instabilidade autonômica importante ou incapacidade de manejo ambulatorial indicam internação.
Caso grave: reinstitua o benzodiazepínico
Em dose suficiente para controlar os sintomas, preferindo agente de meia-vida longa, e só depois planeje a redução.
Caso leve durante desmame planejado
Volte ao passo anterior ou apenas prolongue o intervalo antes da próxima redução — não é necessário recomeçar.
Procure fatores agravantes
Abstinência alcoólica concomitante, infecção, distúrbio metabólico, privação de sono e dor não controlada.
Considere fenobarbital
Em serviços com protocolo estabelecido, para abstinência grave ou refratária, com monitorização adequada.
Trate os sintomas
Com medidas não farmacológicas e adjuvantes, sem usar fármacos que reduzam o limiar convulsivo.
Planeje o seguimento
Antes da alta, com data marcada e contato acessível.
A pergunta prática na emergência é simples: este paciente parou o benzodiazepínico? Se a resposta for sim e o quadro for compatível, reinstituir o fármaco é diagnóstico e terapêutico ao mesmo tempo.
O que a diretriz de 2025 acrescentou
A diretriz conjunta de desmame dedicou recomendações específicas à abstinência grave ou complicada. Elas reforçam o ambiente monitorizado, a avaliação estruturada e a cautela com atalhos farmacológicos que parecem resolver rápido e trazem mais risco do que o próprio desmame lento.
Ambiente: abstinência grave ou complicada é manejada em internação ou unidade residencial com manejo médico.
Monitorização: sinais vitais regulares e escala estruturada de abstinência (por exemplo, a CIWA-B), com avaliação do risco convulsivo.
Fenobarbital e outros agentes de ação muito longa: podem ser considerados no paciente internado, conduzidos por quem tem experiência com eles.
Flumazenil: não usar para acelerar a retirada — risco de convulsão refratária e arritmia.
Propofol e cetamina: não usar como estratégia de desmame.
Internação também quando há risco iminente de dano (interação, overdose, quedas, suicidalidade) ou comorbidade que impede o manejo ambulatorial seguro.
O que o monitor mostra
A hiperatividade autonômica da abstinência aparece primeiro no monitor: taquicardia sinusal com hipertensão e tremor. Ela ajuda a graduar a gravidade e a acompanhar a resposta à reinstituição do benzodiazepínico, mas não é específica — febre, dor, hipovolemia e abstinência alcoólica produzem o mesmo traçado.
Taquicardia sinusal na abstinência
Taquicardia sinusal na abstinência
Ritmo sinusal acelerado, regular, com P antes de cada QRS: o padrão esperado na hiperatividade autonômica da abstinência.
Onda P positiva em DII antes de cada QRS
FC acima de 100 bpm
QRS estreito e intervalos regulares
Traçados esquemáticos gerados por computador (25 mm/s, 10 mm/mV) para estudo e comparação. Confirme sempre no ECG de 12 derivações do paciente.
Rotas de tratamento
Do ajuste de ritmo no consultório ao estado de mal epiléptico na emergência — o espectro é amplo e a conduta muda bastante. Abra a rota que corresponde à gravidade do seu paciente; o nome do medicamento abre a ficha completa.
Quando esta rota entraAnsiedade, insônia, irritabilidade, tremor fino, sudorese, náusea e hipersensibilidade sensorial leve, sem convulsão, delirium ou instabilidade.
Ajuste do ritmo (escolha UM)2 esquemas
Indicação
Dose
Frequência
Duração
Observações
1ª escolhaPausar na dose atual
Dose vigente
Mesmo esquema
Mais 2–4 semanas antes do próximo passo
Costuma bastar.
AlternativaVoltar ao passo anterior
Última dose bem tolerada
Mesmo esquema
Até estabilizar; depois passos menores
Nunca recomeçar do zero.
Sintomas leves durante o desmame são esperados e não indicam que o processo deu errado. Indicam que o ritmo precisa de ajuste.
Quando esta rota entraConvulsão tônico-clônica, delirium com alucinações visuais, psicose, instabilidade autonômica importante ou hipertermia em usuário que reduziu ou parou o benzodiazepínico.
Convulsão em curso (escolha UM)2 esquemas
Benzodiazepínico é a primeira linha e é ao mesmo tempo o tratamento da causa. Lorazepam endovenoso não é comercializado no Brasil. Persistindo a crise, siga o protocolo de estado de mal epiléptico.
Indicação
Dose
Via / velocidade
Duração
Observações
1ª escolhaCom acesso venoso
0,15–0,2 mg/kg (máx. 10 mg)
EV lento, até 5 mg/min, sem diluir
Pode repetir 1 vez em 5 min
Monitorize ventilação; tenha via aérea pronta.
1ª escolhaSem acesso venoso
10 mg (> 40 kg); 5 mg (13–40 kg)
IM, dose única
Dose única
Equivalente ao benzodiazepínico EV no estudo RAMPART.
Reinstituir e estabilizar3 esquemas
Indicação
Dose
Frequência
Duração
Observações
PreferencialControle dos sintomas
10–20 mg
VO a cada 1–2 h (ou 5–10 mg EV) até controle
Depois, dose total do 1º dia dividida em 2–3 tomadas
Endovenosa nos casos com convulsão ou impossibilidade de via oral; oral nos demais.
AlternativaIdoso ou hepatopata
1–2 mg
VO a cada 2–4 h até controle
Depois, dose fixa e redução lenta
Sem metabólitos ativos.
ResgateAbstinência grave ou refratária
10 mg/kg (peso ideal)
EV em 30 min, diluído em 100 mL de SF
Dose única; meia-vida de dias
Só com protocolo, monitorização e equipe experiente. Sem teto: depressão respiratória.
Diante de convulsão sem causa aparente em usuário crônico, pergunte quando foi a última dose. A resposta frequentemente fecha o diagnóstico.
Abstinência leve, em detalhe
Sintomas que surgem durante um desmame planejado, sem risco imediato, pedem ajuste de ritmo em vez de mudança de estratégia. O erro mais comum aqui é interpretar o desconforto como fracasso e reinstituir a dose plena.
Desacelerar o desmame — prolongar o intervalo antes da próxima redução ou voltar ao passo anterior
O que não fazer
Recomeçar o desmame do zero, ou interpretar o sintoma como recorrência do transtorno de base e reinstituir a dose plena
Diferencial
Recorrência tem instalação gradual e sintomas iguais aos de antes; abstinência traz sintomas novos, com relação temporal clara à redução
Medidas não farmacológicas
Higiene do sono, atividade física regular, técnicas de relaxamento e redução de cafeína e álcool
Acompanhamento
Contato mais frequente durante a fase sintomática, com canal acessível entre as consultas
Registro
Anote quais sintomas surgiram e em qual dose — essa informação orienta os próximos passos
Abstinência grave, em detalhe
Emergência médica. Ao contrário da intoxicação, esta é a forma da doença que pode matar, por convulsão, estado de mal e delirium. A maior parte desses casos decorre de suspensão abrupta evitável — e o tratamento central é devolver o benzodiazepínico.
Reinstituir o benzodiazepínico em dose suficiente para controlar os sintomas, preferindo agente de meia-vida longa.
Via
Endovenosa nos casos com convulsão ou impossibilidade de via oral; oral nos demais.
Ambiente
Internação com monitorização. Casos com estado de mal ou instabilidade exigem terapia intensiva.
Procurar agravantes
Abstinência alcoólica concomitante, infecção, distúrbio metabólico, privação de sono, dor não controlada.
Depois de estabilizar
Só então planeje a redução — lenta, com o paciente estável e com seguimento definido. Prevenção: reconcilie a medicação na admissão.
Fenobarbital nos casos refratários
O é alternativa em abstinência grave ou refratária, em serviços com protocolo estabelecido e monitorização adequada. A ausência de teto de efeito é exatamente o que o torna útil na refratariedade e perigoso fora de ambiente monitorizado — por isso a diretriz de 2025 restringe seu uso ao paciente internado e a equipes experientes.
Racional: atua no receptor GABA-A por sítio distinto do benzodiazepínico, mantendo o efeito mesmo com tolerância cruzada estabelecida.
Vantagem: meia-vida muito longa, com autodesmame e menor oscilação de níveis.
Indicação: abstinência grave, refratária ao benzodiazepínico, ou quando há necessidade de sedação com controle mais previsível.
Risco principal:depressão respiratória — ao contrário dos benzodiazepínicos, o barbitúrico não tem teto de efeito.
Monitorização: oximetria e capnografia contínuas, com material de via aérea disponível e equipe treinada.
Cautela: hipotensão, sedação prolongada e interações por indução enzimática.
Ambiente: uso restrito ao ambiente hospitalar, preferencialmente com protocolo institucional escrito.
Não fazer: iniciar fenobarbital ambulatorialmente para desmame de benzodiazepínico.
Adjuvantes: o que ajuda e o que atrapalha
Adjuvantes podem aliviar sintomas, mas nenhum substitui o ajuste do próprio benzodiazepínico, e a diretriz de 2025 pede que se considere primeiro pausar ou desacelerar. Alguns fármacos pioram o quadro e devem ser evitados — e a polifarmácia é justamente como muitos desses pacientes chegaram até aqui.
Situação
Orientação
Princípio
O tratamento da abstinência é o próprio benzodiazepínico, reinstituído ou reduzido mais devagar. Adjuvantes são complementares
Sintomas autonômicos
Betabloqueador pode atenuar tremor e taquicardia, sem efeito sobre o risco convulsivo
Insônia
Medidas de higiene do sono e terapia cognitivo-comportamental para insônia. Evite trocar por medicamento Z, que tem o mesmo problema
Ansiedade de base
Inibidor da recaptação de serotonina para o transtorno subjacente, sabendo que o efeito leva semanas
Evitar
Fármacos que reduzem o limiar convulsivo, como bupropiona e alguns antipsicóticos, durante a fase aguda
Evitar também
Álcool e outros sedativos, que apenas transferem o problema
Sem evidência robusta
Carbamazepina, pregabalina, melatonina e outros já foram estudados com resultados inconsistentes
Medidas gerais
Atividade física, redução de cafeína, rotina de sono e apoio psicossocial têm efeito real e nenhum risco
Cuidado com a tentação de resolver cada sintoma com um novo fármaco: a polifarmácia é justamente como muitos desses pacientes chegaram até aqui.
Em 30 segundos
O essencial de novas moléculas
Benzodiazepínicos de desenho (etizolam, bromazolam, flualprazolam, clonazolam, flubromazolam) escapam da triagem de rotina e têm potência imprevisível.
Comprimidos falsificados vendidos como alprazolam podem conter outra molécula ou opioide sintético.
Benzodiazepínico com opioide é a associação que mais mata; naloxona primeiro, e prescrição de naloxona a quem usa as duas classes.
Medicamentos Z atuam no mesmo sítio: mesma toxicologia, mesma dependência e risco próprio de comportamentos complexos do sono.
Benzodiazepínicos de desenho
São moléculas sintetizadas para escapar do controle legal, vendidas pela internet e em mercados ilícitos, muitas vezes em comprimidos que imitam apresentações farmacêuticas conhecidas. Compartilham o mecanismo dos benzodiazepínicos clássicos, mas com potência e duração imprevisíveis. As mais descritas são etizolam, bromazolam, flualprazolam, clonazolam e flubromazolam; algumas têm potência muito superior à do alprazolam por miligrama, o que torna a dosagem no uso ilícito essencialmente aleatória.
Nos Estados Unidos, o bromazolam passou a predominar entre os benzodiazepínicos de desenho a partir de 2022–2023, frequentemente misturado a fentanil — o que explica quadros de depressão respiratória que respondem só em parte à naloxona.
Não aparecem na triagem
Os imunoensaios de rotina não detectam essas moléculas. Um exame negativo em paciente com sedação prolongada e inexplicada não afasta a hipótese. A confirmação exige espectrometria de massa em laboratório de referência, indisponível em tempo hábil na assistência.
Sedação prolongada
Algumas apresentam meia-vida muito longa, com sedação que se estende por dias. A recuperação lenta gera investigação extensa e desnecessária quando a hipótese não é considerada.
Comprimidos falsificados
Comprimidos vendidos como alprazolam podem conter molécula diferente, dose muito maior ou opioide sintético. O paciente acredita ter tomado uma coisa e tomou outra.
Potência imprevisível
A mesma "dose" de um lote para outro pode variar muito. Na emergência, trate pelo quadro clínico, não pela história de quantidade ingerida.
A associação com opioides
É a combinação responsável por boa parte das mortes atribuídas a benzodiazepínicos. Os dois deprimem o drive respiratório por mecanismos diferentes, e o efeito somado é desproporcional à soma das partes. Por isso a AHA (2023) recomenda naloxona antes de qualquer outro antídoto quando há suspeita de intoxicação combinada com depressão respiratória.
Prescrição conjunta exige justificativa explícita, dose mínima e reavaliação pelo menos a cada 3 meses. Agências reguladoras mantêm alerta de tarja preta sobre a combinação desde 2016.
Prescreva para pacientes que usam as duas classes, junto de orientação a familiares sobre como reconhecer e tratar a depressão respiratória.
Na emergência, a naloxona reverte apenas o componente opioide. Sedação residual após naloxona bem-sucedida sugere benzodiazepínico associado — e a conduta é suporte, não flumazenil.
Drogas ilícitas adulteradas com benzodiazepínico junto a opioide sintético produzem exatamente esse quadro: reversão parcial e prolongada da consciência.
Vigilância prolongada é necessária, porque a duração do benzodiazepínico e a do opioide costumam exceder a da naloxona.
Os "medicamentos Z"
Zolpidem, zopiclona e eszopiclona não são benzodiazepínicos do ponto de vista químico, mas atuam no mesmo sítio do receptor GABA-A. Do ponto de vista clínico e toxicológico, comportam-se de modo muito semelhante. Desde 2019, a FDA exige advertência em tarja preta para eszopiclona, zaleplona e zolpidem por comportamentos complexos do sono com lesões graves e mortes, e contraindica o uso em quem já teve um episódio.
Intoxicação
Quadro sedativo-hipnótico igual ao dos benzodiazepínicos, com o mesmo perfil de baixa letalidade isolada e de perigo na associação.
Comportamentos complexos do sono
Sonambulismo, dirigir dormindo, comer e conversar sem memória do episódio. É motivo formal de suspensão do medicamento.
Dependência e abstinência
Ocorrem e exigem desmame, ainda que a percepção comum — inclusive entre prescritores — seja de que seriam mais seguros.
Idosos
Mesmo risco de queda, fratura e confusão. Trocar benzodiazepínico por medicamento Z no idoso não resolve o problema, apenas troca o rótulo.
O flumazenil também reverte a sedação por zolpidem e zopiclona — com as mesmas contraindicações e os mesmos riscos descritos para os benzodiazepínicos.
Álcool e outras associações
Boa parte das associações perigosas não vem de drogas ilícitas, e sim da própria prescrição: sedativos somados por médicos diferentes, sem que ninguém revise a lista inteira. A tabela resume o mecanismo do risco e o que muda na conduta.
Associação
Mecanismo do risco
Conduta
Álcool
Ação sinérgica no receptor GABA-A, com depressão respiratória e maior risco de aspiração
Observação prolongada; considere abstinência alcoólica concomitante nas horas seguintes
Opioides
Depressão do drive respiratório por vias distintas, com efeito somado
Naloxona para o componente opioide; suporte ventilatório; vigilância prolongada
Gabapentinoides
Sedação aditiva; associação cada vez mais frequente na prescrição ambulatorial
Revise a prescrição inteira; a soma de sedativos é frequentemente involuntária
Antipsicóticos e anti-histamínicos
Sedação aditiva e, em alguns casos, prolongamento do intervalo QT
Eletrocardiograma e correção de eletrólitos
Antirretrovirais e antifúngicos azólicos
Inibição do citocromo P450 com acúmulo dos benzodiazepínicos oxidados
Prefira lorazepam, oxazepam ou temazepam, que são apenas conjugados
Relaxantes musculares
Sedação aditiva com risco adicional de depressão respiratória
Evite a combinação, sobretudo em idoso e em apneia do sono
Remimazolam: um benzodiazepínico novo do lado farmacêutico
Nem toda molécula nova vem do mercado ilícito. O remimazolam é um benzodiazepínico de ação ultracurta, metabolizado por esterases plasmáticas, aprovado nos Estados Unidos (2020) e na Europa para sedação em procedimentos. Ele age no mesmo sítio dos demais e é revertido pelo flumazenil — o que, aqui, é uma vantagem: trata-se de sedação iatrogênica, com fármaco e dose conhecidos, o cenário de menor risco para o antídoto.
A recuperação rápida depende de metabolismo não hepático, mas os cuidados de sedação são os mesmos: monitorização, via aérea e atenção à associação com opioides usados no mesmo procedimento.
Em 30 segundos
O essencial de cenários especiais
Idoso: considerar desmame na maioria; preferir lorazepam ou oxazepam se o uso for indispensável. Hepatopata: só os conjugados.
Gestante: não suspender abruptamente; avisar a neonatologia sobre uso no fim da gestação.
Criança com ingestão acidental: suporte, observação e avaliação de negligência; é um dos poucos cenários de flumazenil de baixo risco.
Paciente crítico: evitar benzodiazepínico na sedação de rotina; em fim de vida, as regras de desmame não se aplicam.
Idoso e hepatopata
Nos dois cenários o problema é o mesmo: o fármaco fica mais tempo no organismo do que o esperado. No idoso, por sensibilidade aumentada, meia-vida prolongada e acúmulo de metabólitos; no hepatopata, porque a oxidação hepática está comprometida. A resposta também é parecida — preferir os conjugados e usar menos.
Idoso
Associação consistente com quedas, fraturas, acidentes de trânsito, delirium e prejuízo cognitivo; constam entre os medicamentos potencialmente inapropriados nos critérios de Beers (2023). Considere o desmame na maioria dos idosos em uso crônico, salvo razão convincente. Prefira lorazepam ou oxazepam quando o uso for indispensável. Reveja a prescrição a cada consulta.
Hepatopata
Diazepam, midazolam e alprazolam acumulam, com sedação prolongada e risco de encefalopatia. Prefira lorazepam, oxazepam ou temazepam, que sofrem apenas conjugação com ácido glicurônico. Reduza a dose e alongue o intervalo.
Gestante e lactante
Contexto em que tanto o uso quanto a retirada abrupta trazem risco. A diretriz de 2025 pede que a decisão considere a díade materno-fetal e seja planejada com o obstetra — a pior conduta é a suspensão brusca por medo do medicamento.
Gestante
Uso próximo ao parto associa-se à síndrome do bebê hipotônico, com hipotonia, dificuldade de sucção e hipotermia, e à abstinência neonatal, de instalação tardia. Não suspenda abruptamente — a abstinência materna também é danosa. Planeje o desmame com o obstetra e avise a neonatologia sobre o uso no fim da gestação.
Lactante
Passagem para o leite é pequena, mas o recém-nascido tem metabolização imatura, com risco de sedação e má sucção. Prefira agentes de meia-vida curta e dose única, observe o lactente quanto a sonolência e ganho de peso, e evite uso contínuo em dose alta.
Criança
Ingestão acidental domiciliar é o cenário mais comum, geralmente de medicação de um adulto da casa. O tratamento é suporte e observação, e é um dos poucos cenários em que o flumazenil tem risco baixo, quando a ingestão é comprovadamente de benzodiazepínico puro (0,01 mg/kg, máximo 0,2 mg por dose).
Além da toxicologia
Avalie negligência e oriente guarda segura de medicamentos. Ingestão em criança pequena de comprimido de liberação prolongada ou de molécula desconhecida pede observação mais longa.
Apneia do sono, DPOC e paciente crítico
Nos dois cenários o benzodiazepínico piora exatamente o que já está frágil: a ventilação durante o sono, no primeiro, e a função cerebral do paciente grave, no segundo. A atualização PADIS de 2025 manteve a preferência por sedação sem benzodiazepínico e não conseguiu recomendar seu uso para ansiedade na UTI.
Apneia do sono e DPOC
Redução do tônus da via aérea superior e do drive respiratório, com piora da hipoventilação noturna. Evite a prescrição. Quando indispensável, use a menor dose pelo menor tempo e trate a apneia em paralelo.
Paciente crítico em UTI
Benzodiazepínico é o fator de risco farmacológico mais consistentemente associado a delirium na terapia intensiva. Prefira propofol ou dexmedetomidina para sedação de rotina — esta última sugerida pela PADIS 2025 quando sedação leve e redução de delirium são prioridade. Reserve o benzodiazepínico para abstinência alcoólica, estado de mal e indicações específicas.
Direção, uso problemático e fim de vida
Três situações em que a conduta é menos farmacológica e mais de orientação e de objetivo de cuidado. Em cada uma delas, o registro da conversa no prontuário é parte do tratamento.
Direção e trabalho de risco
Prejuízo de tempo de reação e de atenção, com aumento documentado do risco de acidente, sobretudo nas primeiras semanas e após aumento de dose. Oriente explicitamente e registre a orientação. Reforce o risco na associação com álcool.
Transtorno por uso de substância
Minoria dos usuários crônicos, mas com risco muito maior de desfecho adverso, sobretudo se houver uso concomitante de opioide. Encaminhe para serviço especializado, prescreva naloxona quando houver opioide associado e mantenha abordagem de redução de danos, sem retirada abrupta punitiva.
Cuidados paliativos e fim de vida
O cálculo de risco e benefício é completamente diferente: o alvo é o conforto. As recomendações de desmame não se aplicam a esse contexto. Priorize controle de sintomas.
Erros comuns na emergência
Os erros do atendimento agudo têm um padrão: confiar demais no benzodiazepínico como explicação e no flumazenil como solução. Quase todos se evitam com glicemia, eletrocardiograma, busca de coingestão e paciência para observar.
Atribuir coma profundo ao benzodiazepínico e deixar de procurar coingestão ou causa neurológica.
Deixar de medir a glicemia capilar no paciente sonolento.
Excluir intoxicação por benzodiazepínico porque a triagem urinária veio negativa.
Usar flumazenil como teste diagnóstico em coma de causa indeterminada.
Dar flumazenil a usuário crônico e precipitar convulsão de difícil controle.
Dar alta logo após o flumazenil, sem contar com a ressedação.
Administrar carvão ativado a paciente sonolento sem via aérea protegida.
Indicar hemodiálise, que não remove benzodiazepínico de forma significativa.
Suspender abruptamente o benzodiazepínico do paciente internado por falha de reconciliação medicamentosa.
Erros comuns no seguimento
No consultório e na enfermaria, o padrão de erro se inverte: desmamar rápido demais, rotular o paciente e trocar um sedativo por outro achando que o problema foi resolvido. A diretriz de 2025 foi escrita, em boa parte, para corrigir esses erros.
Não reconhecer abstinência tardia em quem parou clonazepam ou diazepam há vários dias.
Desmamar rápido demais e concluir que "o paciente não consegue parar".
Recomeçar o desmame do zero a cada sintoma, em vez de apenas desacelerar.
Confundir dependência física com transtorno por uso de substância e estigmatizar o paciente.
Trocar benzodiazepínico por medicamento Z no idoso achando que resolveu o problema.
Prescrever benzodiazepínico junto com opioide sem justificativa e sem prescrever naloxona.
Renovar receita azul por anos sem reavaliar indicação, dose e alternativas.
Prescrever diazepam ou midazolam em hepatopata, em vez de lorazepam ou oxazepam.
Interpretar sintomas protraídos como recorrência do transtorno de base e reinstituir o fármaco.
Resumo do fluxo
Do paciente sonolento na sala de emergência ao usuário crônico no consultório, o caminho cabe em dez passos. Os cinco primeiros são do atendimento agudo; os cinco últimos, da alta e do seguimento.
Avalie via aérea, respiração e circulação; posicione, ofereça oxigênio e monitorize.
Meça a glicemia capilar e faça eletrocardiograma em todo rebaixamento de consciência.
Pergunte-se o que mais o paciente tomou: opioide, álcool, tricíclico, antipsicótico, paracetamol.
Ofereça suporte clínico e observe — na maioria dos casos, é todo o tratamento necessário.
Só considere flumazenil se o cenário for de baixo risco e não houver nenhuma contraindicação.
Se usar flumazenil, titule em incrementos pequenos e monitorize por pelo menos 2 horas pela ressedação.
Antes da alta, avalie risco de suicídio, reconcilie medicações e defina seguimento.
No paciente crônico, verifique se há indicação de desmame e reavalie risco e benefício a cada 3 meses.
Ao desmamar, reduza 5% a 10% a cada 2 a 4 semanas, com decisão compartilhada e apoio psicossocial.
Diante de sintomas de abstinência, desacelere ou reinstitua conforme a gravidade — nunca suspenda de vez.
Idoso: quedas, delirium e desmame
É a população com maior risco e maior benefício potencial do desmame. A melhora cognitiva e funcional após a retirada no idoso costuma surpreender a família — e vale ser mencionada como argumento na conversa inicial.
Aspecto
Orientação
Farmacocinética
Meia-vida prolongada, acúmulo de metabólitos e maior sensibilidade do sistema nervoso central
Riscos documentados
Quedas e fraturas, acidentes de trânsito, delirium, prejuízo cognitivo e hospitalização
Recomendação
Desmame na maioria dos idosos em uso crônico, salvo razão convincente para manter (diretriz conjunta de 2025)
Se o uso for indispensável
Prefira lorazepam ou oxazepam, de meia-vida intermediária e sem metabólitos ativos
Ritmo
Mais lento que no adulto jovem, com reavaliação frequente e atenção a sintomas cognitivos
Não trocar por medicamento Z
Zolpidem e zopiclona têm o mesmo perfil de risco nessa população — a troca só muda o rótulo
Revisão de prescrição
A cada consulta, procurando outros sedativos somados: anti-histamínicos, antipsicóticos, relaxantes musculares
Prevenção de quedas
Avaliação de marcha e equilíbrio, revisão do domicílio e correção de déficit visual
Gestante e lactante: o plano
A pior conduta é a suspensão brusca por medo do medicamento: ela troca um risco conhecido e manejável por outro maior e imprevisível. O plano abaixo organiza o que fazer antes do parto, na maternidade e durante a amamentação.
Uso próximo ao parto
Associa-se à síndrome do bebê hipotônico, com hipotonia, dificuldade de sucção, hipotermia e depressão respiratória.
Abstinência neonatal
De instalação tardia, com irritabilidade, tremores, hipertonia e dificuldade alimentar. Exige vigilância na maternidade.
Não suspender abruptamente
A abstinência materna também é danosa, com risco de convulsão e sofrimento fetal.
Planejamento
Desmame gradual em conjunto com o obstetra, idealmente antes do terceiro trimestre.
Comunicação
Avise a neonatologia sobre o uso no fim da gestação, para vigilância do recém-nascido.
Amamentação
A passagem para o leite é pequena, mas o recém-nascido metaboliza mal. Prefira meia-vida curta e dose única; observe sonolência, sucção e ganho de peso; evite uso contínuo em dose alta.
Alternativas
Terapia cognitivo-comportamental e antidepressivo compatível com a gestação para o transtorno de base.
Medicamentos Z: mesmo receptor, mesmo problema
Zolpidem, zopiclona e eszopiclona não são benzodiazepínicos quimicamente, mas atuam no mesmo sítio do receptor GABA-A e se comportam de modo semelhante. Se você está prescrevendo um medicamento Z para evitar prescrever um benzodiazepínico, vale revisar o raciocínio: o problema é o mesmo.
Aspecto
Na prática
Intoxicação
Quadro sedativo-hipnótico idêntico, com o mesmo perfil de baixa letalidade isolada e de perigo na associação
Comportamentos complexos do sono
Sonambulismo, dirigir dormindo, comer e conversar sem memória do episódio — motivo formal de suspensão e contraindicação (FDA, 2019)
Dependência e abstinência
Ocorrem e exigem desmame, apesar da percepção comum de que seriam mais seguros
Idosos
Mesmo risco de queda, fratura e confusão. Trocar benzodiazepínico por medicamento Z no idoso não resolve nada
Flumazenil
Reverte a sedação por zolpidem e zopiclona, com as mesmas contraindicações e os mesmos riscos
Equivalência aproximada
Cerca de 20 mg de zolpidem e 15 mg de zopiclona correspondem a aproximadamente 10 mg de diazepam
Desmame
Mesmos princípios: 5% a 10% a cada 2 a 4 semanas, com apoio psicossocial
Alternativa
Terapia cognitivo-comportamental para insônia é o tratamento de primeira linha da insônia crônica
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Artigo1998
Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Portaria SVS/MS n.º 344/1998 e atualizações — controle de substâncias sujeitas a controle especial, lista B1.
Aviso importante
Ferramenta de apoio à decisão clínica, de caráter educacional. Não substitui a avaliação médica presencial, o julgamento clínico, os protocolos institucionais nem a consulta às bulas. Doses, diluições e velocidades de infusão devem ser conferidas antes da administração. Doses, equivalências e cronogramas devem ser sempre conferidos e individualizados antes da aplicação. Em caso de intoxicação, acione o Disque-Intoxicação, 0800 722 6001. Se você ou alguém que você conhece estiver em sofrimento psíquico, o CVV atende pelo telefone 188, 24 horas por dia.
Ver a toxíndrome
Reconhecer a toxíndrome
O quadro típico da intoxicação por benzodiazepínico é o de um paciente sonolento mas despertável, com fala arrastada, marcha atáxica, nistagmo horizontal e sinais vitais essencialmente preservados. As pupilas costumam ser normais ou levemente mióticas e o peristaltismo está mantido. Isso decorre do próprio mecanismo: como esses fármacos apenas aumentam a frequência de abertura do canal de cloreto quando o GABA já está ligado, existe um teto de efeito e uma margem de segurança ampla.
A consequência clínica é direta: paciente em coma profundo, com instabilidade hemodinâmica ou depressão respiratória importante, provavelmente não está apenas com benzodiazepínico. Meça a glicemia capilar em todos e faça eletrocardiograma. A pergunta que organiza o caso não é quanto o paciente tomou, e sim o que ele tomou junto.
Miose + bradipneia
Aponta opioide.
QRS alargado
Aponta antidepressivo tricíclico.
Hipotensão + bradicardia
Clonidina, betabloqueador ou bloqueador de canal de cálcio.
Ver o manejo
Tratar com suporte
O suporte clínico é o tratamento, e na maioria dos casos é o único necessário. Garanta via aérea com posicionamento e aspiração de secreções, ofereça oxigênio suplementar e reavalie com frequência; a ventilação com bolsa-válvula-máscara resolve a maior parte dos episódios de hipoventilação transitória. Monitorize oximetria, cardioscopia e pressão arterial. Meça a glicemia capilar, faça eletrocardiograma de doze derivações e colha laboratório dirigido, incluindo paracetamol sérico e beta-hCG nas tentativas de suicídio.
O carvão ativado é contraindicado no paciente sonolento sem via aérea protegida, e não se deve intubar apenas para administrá-lo nem passar sonda sem intubação com essa finalidade. A hemodiálise não tem papel: o grande volume de distribuição e a alta ligação proteica tornam a remoção desprezível. Paciente assintomático e com exame normal seis horas após a ingestão pode em geral receber alta clínica, desde que a avaliação psiquiátrica e a rede de apoio estejam garantidas.
Via aérea
Posição, aspiração, O₂.
Glicemia + ECG
Em todos.
Coingestão
O que mais tomou?
Observar
≥ 6 h e saúde mental.
Ver o flumazenil
Pensar duas vezes no flumazenil
O flumazenil é um antagonista competitivo do sítio benzodiazepínico do receptor GABA-A. Reverte a sedação de forma rápida, mas remove um efeito que com frequência estava protegendo o paciente. Uma metanálise comparando flumazenil com placebo na suspeita de intoxicação encontrou risco quase quatro vezes maior de eventos adversos graves, com número necessário para causar dano em torno de cinquenta. O risco central é a convulsão, que se torna paradoxalmente difícil de tratar, porque a primeira linha seria justamente o benzodiazepínico, agora com o receptor bloqueado.
Está contraindicado no usuário crônico, na suspeita de coingestão proconvulsivante como tricíclicos e bupropiona, na epilepsia ou uso de anticonvulsivante, diante de sinais de toxicidade por antidepressivo cíclico e quando o benzodiazepínico está sendo usado para controlar condição ameaçadora à vida. Não deve ser usado como teste diagnóstico em coma indeterminado nem na parada cardiorrespiratória. Quando indicado, use 0,1 a 0,2 mg por via endovenosa lenta, titulados, e monitorize por pelo menos duas horas, porque a ressedação é esperada.
AHA 2023
O flumazenil pode ser útil apenas em casos selecionados de depressão respiratória por benzodiazepínico puro, sem contraindicações; está associado a dano em quem tem risco de convulsão ou arritmia e não tem papel na parada cardiorrespiratória.
Ver a abstinência
Respeitar a abstinência
Aqui está a inversão que mais surpreende: a intoxicação por benzodiazepínico isolado quase nunca é fatal, mas a abstinência pode ser. O mecanismo é o mesmo da abstinência alcoólica, com retirada abrupta de um agonista GABAérgico em um cérebro adaptado. As manifestações incluem ansiedade intensa, insônia, tremor, sudorese, taquicardia, hipersensibilidade a luz e som, parestesias, despersonalização e, nos casos graves, convulsão tônico-clônica, delirium com alucinações visuais e psicose.
O momento de início depende da meia-vida: horas a dois dias nos fármacos de meia-vida curta e intermediária, como alprazolam e lorazepam, e de dois a sete dias nos de meia-vida longa, como diazepam e clonazepam. Sintomas protraídos podem persistir por meses em curso flutuante. Nunca suspenda abruptamente quem usa diariamente há mais de um mês, e reconcilie a medicação na admissão hospitalar para não precipitar o quadro por descuido. O desmame recomendado é de cinco a dez por cento da dose diária a cada duas a quatro semanas, com decisão compartilhada e apoio psicossocial.
Horas–2 dInício: meia-vida curta/intermediária
2–7 dInício: meia-vida longa
5–10%Redução a cada 2–4 semanas
Antagonista competitivo do sítio benzodiazepínico do receptor GABA-A
Flumazenil
Ampola 5 mL com 0,5 mg (0,1 mg/mL), uso exclusivamente endovenoso
Intoxicação (titulação cautelosa)0,1–0,2 mg EV; depois 0,1 mg/min · Até resposta ventilatória · Teto habitual 2–3 mg
Papel no tratamento
Reverte a sedação benzodiazepínica em 1 a 2 minutos. Na intoxicação, tem indicações estreitas: o risco de convulsão refratária e arritmia supera o benefício na maioria dos casos.
Quando usar
Sedação iatrogênica para procedimento; ingestão acidental pediátrica de benzodiazepínico puro; depressão respiratória por benzodiazepínico isolado em paciente sem exposição prévia; reação paradoxal. AHA 2023: classe 2a apenas nesses casos selecionados, sem contraindicação.
Mecanismo
Antagonista competitivo do sítio benzodiazepínico; também reverte zolpidem e zopiclona. Não reverte barbitúricos, álcool ou opioides.
Ficha de consulta rápida
Classe
Antagonista competitivo do sítio benzodiazepínico do receptor GABA-A
Apresentação
Ampola 5 mL com 0,5 mg (0,1 mg/mL), uso exclusivamente endovenoso
Posologia principal
0,1–0,2 mg EV; depois 0,1 mg/min · Até resposta ventilatória · Teto habitual 2–3 mg
Outros esquemas
4 — ver aba Posologia
Atenção neste contexto
Metanálise de ensaios randomizados: risco quase 4 vezes maior de eventos adversos graves em relação ao placebo (NNH ≈ 50). A convulsão que ele precipita é tratada com benzodiazepínico — que encontrará o receptor bloqueado.
IV lento4 esquemas
Indicação
Dose
Frequência
Duração
Observações
Intoxicação (titulação cautelosa)
0,1–0,2 mg EV; depois 0,1 mg/min
Até resposta ventilatória
Teto habitual 2–3 mg
Efeito pleno de cada dose em 6 a 10 min: em alto risco, espace mais. Sem resposta após 3 mg acumulados, a sedação não é benzodiazepínica.
Terapia intensiva (bula)
0,3 mg EV
Repetir após 60 s se necessário
Máx. 2 mg
—
Pós-procedimento (bula)
0,2 mg EV em 15 s; depois 0,1 mg
A cada 60 s
Máx. 1 mg (usual 0,3–0,6 mg)
—
Criança acima de 1 ano
0,01 mg/kg (máx. 0,2 mg) em 15 s
Repetir a cada 60 s até 4 vezes
Máx. 0,05 mg/kg ou 1 mg
—
Infusão contínua1 esquema
Indicação
Dose
Frequência
Duração
Observações
Ressedação
0,1–0,4 mg/h
Contínua, ajuste individual
Enquanto houver ressedação
—
Como administrar
Diluição
Pode ser feito puro em bolus. Para infusão, compatível com SF 0,9%, SG 5% e Ringer lactato; descartar a solução após 24 h.
Velocidade
Exemplo de BIC: 5 ampolas (2,5 mg = 25 mL) + 25 mL de SF = 50 mL a 0,05 mg/mL → 0,1–0,4 mg/h = 2 a 8 mL/h.
Cálculo rápido
Titulação cautelosa: 0,1 mg por minuto até efeito ou até 1 mg acumulado. Se não houver resposta após 5 minutos de 3 mg acumulados, a sedação provavelmente não é benzodiazepínica.
Administração
Garanta antes via aérea, ventilação, acesso venoso, material de intubação e anticonvulsivante alternativo (barbitúrico ou propofol). Objetivo: ventilação adequada, não despertar completo.
Epilepsia ou anticonvulsivante por qualquer indicação.
Benzodiazepínico em uso para estado de mal ou hipertensão intracraniana.
Coma indiferenciado, teste diagnóstico e parada cardiorrespiratória.
Acelerar desmame ventilatório, alta da UTI ou retirada de benzodiazepínico.
Efeitos adversos
Convulsão, inclusive refratária, sobretudo em usuário crônico ou coingestão proconvulsivante.
Arritmias ventriculares (risco maior com tricíclicos).
Agitação, ansiedade, náusea e vômito ao despertar.
Abstinência aguda precipitada no usuário crônico.
Monitoramento
Monitoramento
Meia-vida de 40 a 60 minutos (em crianças, média de 40 min): monitorize por pelo menos 2 horas após a última dose pela ressedação. Oximetria, capnografia e cardioscopia.
Crianças
Aprovado a partir de 1 ano. Ingestão acidental de benzodiazepínico puro é o cenário pediátrico de menor risco.
Gestação
Dados limitados; em gestante intoxicada, o suporte clínico é preferível.
Epilepsia ou anticonvulsivante por qualquer indicação.
Benzodiazepínico em uso para estado de mal ou hipertensão intracraniana.
Efeitos adversos mais relevantes
Convulsão, inclusive refratária, sobretudo em usuário crônico ou coingestão proconvulsivante.
Arritmias ventriculares (risco maior com tricíclicos).
Agitação, ansiedade, náusea e vômito ao despertar.
Abstinência aguda precipitada no usuário crônico.
Antagonista competitivo de receptores opioides
Naloxona (cloridrato)
Ampola 1 mL com 0,4 mg (0,4 mg/mL)
Depressão respiratória por opioide0,04–0,4 mg EV · Repetir a cada 2–3 min · Até FR ≥ 10 irpm e SpO₂ adequada
Papel no tratamento
Neste artigo, reverte o componente opioide da intoxicação combinada — a associação que mais mata. Não reverte benzodiazepínico: sedação residual depois dela pede suporte, não flumazenil.
Quando usar
Miose puntiforme com bradipneia ou depressão respiratória na suspeita de intoxicação combinada: AHA 2023 recomenda a naloxona antes de outros antídotos (classe 2a). Na parada cardíaca, RCP de alta qualidade tem prioridade.
Ficha de consulta rápida
Classe
Antagonista competitivo de receptores opioides
Apresentação
Ampola 1 mL com 0,4 mg (0,4 mg/mL)
Posologia principal
0,04–0,4 mg EV · Repetir a cada 2–3 min · Até FR ≥ 10 irpm e SpO₂ adequada
Outros esquemas
2 — ver aba Posologia
Atenção neste contexto
Prescreva naloxona para casa a todo paciente que usa benzodiazepínico e opioide, com orientação aos familiares (recomendação forte da diretriz conjunta de 2025).
IV em bolus1 esquema
Indicação
Dose
Frequência
Duração
Observações
Depressão respiratória por opioide
0,04–0,4 mg EV
Repetir a cada 2–3 min
Até FR ≥ 10 irpm e SpO₂ adequada
Comece por 0,04 mg no usuário crônico de opioide. Sem resposta após ~10 mg acumulados, reveja o diagnóstico.
IM ou SC1 esquema
Indicação
Dose
Frequência
Duração
Observações
Sem acesso venoso
0,4 mg
Repetir a cada 2–3 min
Conforme resposta
—
Infusão contínua1 esquema
Indicação
Dose
Frequência
Duração
Observações
Manutenção (ressedação)
2/3 da dose que reverteu, por hora
Contínua
Pela duração esperada do opioide
—
Como administrar
Diluição
Para titulação: 1 ampola (0,4 mg) em 9 mL de SF = 0,04 mg/mL. Para infusão: 2 mg em 500 mL de SF ou SG 5% = 4 mcg/mL.
Velocidade
Exemplo: dose que reverteu = 0,4 mg → infusão de ≈ 0,27 mg/h = 66 mL/h da solução de 4 mcg/mL.
Administração
Titule até restaurar a ventilação, não até despertar: despertar abrupto precipita abstinência e agitação. Ventile com bolsa-válvula-máscara enquanto ela age.
Contraindicações e quando evitar
Usar para "acordar" o paciente com benzodiazepínico isolado — não tem efeito.
Duração de 30 a 90 minutos, mais curta que a de muitos opioides e dos benzodiazepínicos: observe por várias horas.
Como administrar
Diluição
Para titulação: 1 ampola (0,4 mg) em 9 mL de SF = 0,04 mg/mL. Para infusão: 2 mg em 500 mL de SF ou SG 5% = 4 mcg/mL.
Velocidade
Exemplo: dose que reverteu = 0,4 mg → infusão de ≈ 0,27 mg/h = 66 mL/h da solução de 4 mcg/mL.
Administração
Titule até restaurar a ventilação, não até despertar: despertar abrupto precipita abstinência e agitação. Ventile com bolsa-válvula-máscara enquanto ela age.
Crianças
Depressão respiratória: titular em doses pequenas (cerca de 0,01 mg/kg); reversão completa em criança sem dependência: 0,1 mg/kg (máx. 2 mg) por dose.
Gestação
Pode ser usada quando há risco de vida materno; evite reversão abrupta em gestante dependente de opioide.
Antes de prescrever, confira
Usar para "acordar" o paciente com benzodiazepínico isolado — não tem efeito.
Neste artigo, reverte o componente opioide da intoxicação combinada — a associação que mais mata. Não reverte benzodiazepínico: sedação residual depois dela pede suporte, não flumazenil.
Benzodiazepínico de ação longa (metabólitos ativos)
Diazepam
Ampola 2 mL com 10 mg (5 mg/mL); comprimidos de 5 e 10 mg
Convulsão (abstinência)0,15–0,2 mg/kg (máx. 10 mg) · Pode repetir 1 vez em 5 min · Depois, protocolo de estado de mal
Papel no tratamento
Neste artigo: primeira linha na convulsão da abstinência com acesso venoso, fármaco preferido para reinstituir na abstinência grave e principal opção de substituição no desmame de fármacos de meia-vida curta.
Quando usar
Reinstituição na abstinência grave, crise convulsiva com acesso venoso e substituição de fármacos de meia-vida curta no desmame.
Ficha de consulta rápida
Classe
Benzodiazepínico de ação longa (metabólitos ativos)
Apresentação
Ampola 2 mL com 10 mg (5 mg/mL); comprimidos de 5 e 10 mg
Posologia principal
0,15–0,2 mg/kg (máx. 10 mg) · Pode repetir 1 vez em 5 min · Depois, protocolo de estado de mal
Outros esquemas
2 — ver aba Posologia
IV em bolus1 esquema
Indicação
Dose
Frequência
Duração
Observações
Convulsão (abstinência)
0,15–0,2 mg/kg (máx. 10 mg)
Pode repetir 1 vez em 5 min
Depois, protocolo de estado de mal
AES 2016.
Oral2 esquemas
Indicação
Dose
Frequência
Duração
Observações
Abstinência grave — controle
10–20 mg VO (ou 5–10 mg EV)
A cada 1–2 h (EV: a cada 5–10 min)
Até controle dos sintomas
Depois, somar a dose do primeiro dia e dividir em 2 a 3 tomadas; reduzir lentamente após estabilizar.
Substituição no desmame
Equivalente calculado
2 a 3 tomadas/dia
Estabilizar 1–2 semanas, depois reduzir 5–10% a cada 2–4 semanas
10 mg ≈ 0,5–1 mg de alprazolam ou clonazepam ≈ 1–2 mg de lorazepam.
Como administrar
Administração
EV lento, até 5 mg/min, em veia calibrosa; não diluir (precipita) e não misturar com outras drogas. Via IM tem absorção errática — prefira midazolam IM.
Cálculo rápido
Alprazolam 2 mg/dia ≈ 40 mg/dia de diazepam (Ashton) ou 20 mg/dia (VA/DoD): comece pelo menor e ajuste aos sintomas.
Contraindicações e quando evitar
Hepatopatia grave.
Insuficiência respiratória grave e apneia do sono não tratada.
Diluição em soro (precipitação).
Efeitos adversos
Sedação, ataxia, depressão respiratória.
Flebite e dor no local da injeção.
Hipotensão com bolus rápido.
Monitoramento
Monitoramento
Oximetria e nível de consciência; risco de depressão respiratória, sobretudo com outros sedativos.
Como administrar
Administração
EV lento, até 5 mg/min, em veia calibrosa; não diluir (precipita) e não misturar com outras drogas. Via IM tem absorção errática — prefira midazolam IM.
Cálculo rápido
Alprazolam 2 mg/dia ≈ 40 mg/dia de diazepam (Ashton) ou 20 mg/dia (VA/DoD): comece pelo menor e ajuste aos sintomas.
Idosos
Meia-vida de eliminação que pode passar de 100 horas com os metabólitos: acúmulo, sedação e quedas. Prefira lorazepam ou oxazepam.
Hepático
Evitar na hepatopatia: oxidação hepática comprometida e risco de encefalopatia.
Gestação
Uso próximo ao parto: síndrome do bebê hipotônico e abstinência neonatal.
Antes de prescrever, confira
Hepatopatia grave.
Insuficiência respiratória grave e apneia do sono não tratada.
Diluição em soro (precipitação).
Efeitos adversos mais relevantes
Sedação, ataxia, depressão respiratória.
Flebite e dor no local da injeção.
Hipotensão com bolus rápido.
Papel neste contexto
Neste artigo: primeira linha na convulsão da abstinência com acesso venoso, fármaco preferido para reinstituir na abstinência grave e principal opção de substituição no desmame de fármacos de meia-vida curta.
Benzodiazepínico de ação curta, hidrossolúvel
Midazolam
Ampolas de 5 mg/mL (3 mL = 15 mg; 10 mL = 50 mg) e de 1 mg/mL (5 mL = 5 mg)
Convulsão sem acesso venoso10 mg (> 40 kg); 5 mg (13–40 kg) · Dose única · Depois, protocolo de estado de mal
Papel no tratamento
Opção para a convulsão da abstinência quando não há acesso venoso: a via intramuscular é rápida e confiável. É também o benzodiazepínico mais usado em sedação para procedimento — e o cenário de menor risco para o flumazenil.
Quando usar
Crise convulsiva na abstinência sem acesso venoso; sedação para procedimento.
Ficha de consulta rápida
Classe
Benzodiazepínico de ação curta, hidrossolúvel
Apresentação
Ampolas de 5 mg/mL (3 mL = 15 mg; 10 mL = 50 mg) e de 1 mg/mL (5 mL = 5 mg)
Posologia principal
10 mg (> 40 kg); 5 mg (13–40 kg) · Dose única · Depois, protocolo de estado de mal
Outros esquemas
1 — ver aba Posologia
IM1 esquema
Indicação
Dose
Frequência
Duração
Observações
Convulsão sem acesso venoso
10 mg (> 40 kg); 5 mg (13–40 kg)
Dose única
Depois, protocolo de estado de mal
RAMPART / AES 2016.
IV em bolus1 esquema
Indicação
Dose
Frequência
Duração
Observações
Convulsão com acesso venoso
0,1–0,2 mg/kg (máx. 10 mg)
Pode repetir 1 vez
—
—
Como administrar
Administração
IM na face anterolateral da coxa ou deltoide. EV lento em 2 a 3 minutos.
Antes de prescrever, confira
Sedação contínua de rotina na UTI (associação com delirium).
Uso com inibidores potentes do CYP3A4 sem ajuste.
Contraindicações e quando evitar
Sedação contínua de rotina na UTI (associação com delirium).
Uso com inibidores potentes do CYP3A4 sem ajuste.
Efeitos adversos
Depressão respiratória e apneia.
Hipotensão.
Delirium em uso prolongado na UTI.
Monitoramento
Monitoramento
Depressão respiratória, sobretudo com opioide associado; oximetria e capnografia.
Como administrar
Administração
IM na face anterolateral da coxa ou deltoide. EV lento em 2 a 3 minutos.
Papel neste contexto
Opção para a convulsão da abstinência quando não há acesso venoso: a via intramuscular é rápida e confiável. É também o benzodiazepínico mais usado em sedação para procedimento — e o cenário de menor risco para o flumazenil.
Hepático
Oxidado pelo CYP3A4: acumula na hepatopatia e com inibidores (azólicos, antirretrovirais, macrolídeos).
Idosos
Reduza a dose; maior sensibilidade e risco de delirium.
Antes de prescrever, confira
Sedação contínua de rotina na UTI (associação com delirium).
Uso com inibidores potentes do CYP3A4 sem ajuste.
Efeitos adversos mais relevantes
Depressão respiratória e apneia.
Hipotensão.
Delirium em uso prolongado na UTI.
Papel neste contexto
Opção para a convulsão da abstinência quando não há acesso venoso: a via intramuscular é rápida e confiável. É também o benzodiazepínico mais usado em sedação para procedimento — e o cenário de menor risco para o flumazenil.
Benzodiazepínico de ação intermediária, conjugado (sem metabólitos ativos)
Lorazepam
Comprimidos de 1 e 2 mg. A forma endovenosa não é comercializada no Brasil.
Abstinência — controle1–2 mg · A cada 2–4 h até controle · Depois, dose fixa e redução lenta
Papel no tratamento
Como é apenas conjugado com ácido glicurônico, é o benzodiazepínico preferido no idoso e no hepatopata — tanto para reinstituir na abstinência quanto como fármaco do desmame.
Quando usar
Paciente idoso, hepatopata ou em uso de inibidores do CYP450 que precisa de benzodiazepínico.
Ficha de consulta rápida
Classe
Benzodiazepínico de ação intermediária, conjugado (sem metabólitos ativos)
Apresentação
Comprimidos de 1 e 2 mg. A forma endovenosa não é comercializada no Brasil.
Posologia principal
1–2 mg · A cada 2–4 h até controle · Depois, dose fixa e redução lenta
Outros esquemas
1 — ver aba Posologia
Antes de prescrever, confira
Suspensão abrupta após uso diário por mais de um mês.
Oral2 esquemas
Indicação
Dose
Frequência
Duração
Observações
Abstinência — controle
1–2 mg
A cada 2–4 h até controle
Depois, dose fixa e redução lenta
—
Desmame
Equivalente calculado
2 a 3 tomadas/dia
Reduzir 5–10% a cada 2–4 semanas
1 mg ≈ 10 mg de diazepam (Ashton) ou 2 mg ≈ 10 mg (VA/DoD).
Como administrar
Administração
Sublingual ou oral. Fora do Brasil, o lorazepam EV é primeira linha no estado de mal (0,1 mg/kg, máx. 4 mg); aqui, use diazepam EV ou midazolam IM.
Antes de prescrever, confira
Suspensão abrupta após uso diário por mais de um mês.
Contraindicações e quando evitar
Suspensão abrupta após uso diário por mais de um mês.
Efeitos adversos
Sedação, tontura, ataxia.
Abstinência intensa e precoce se suspenso abruptamente.
Como administrar
Administração
Sublingual ou oral. Fora do Brasil, o lorazepam EV é primeira linha no estado de mal (0,1 mg/kg, máx. 4 mg); aqui, use diazepam EV ou midazolam IM.
Papel neste contexto
Como é apenas conjugado com ácido glicurônico, é o benzodiazepínico preferido no idoso e no hepatopata — tanto para reinstituir na abstinência quanto como fármaco do desmame.
Idosos
Preferido quando o uso é indispensável, em dose baixa.
Hepático
Não depende da oxidação hepática: opção segura na hepatopatia, com dose reduzida.
Gestação
Mesmos riscos neonatais dos demais se usado perto do parto.
Antes de prescrever, confira
Suspensão abrupta após uso diário por mais de um mês.
Efeitos adversos mais relevantes
Sedação, tontura, ataxia.
Abstinência intensa e precoce se suspenso abruptamente.
Papel neste contexto
Como é apenas conjugado com ácido glicurônico, é o benzodiazepínico preferido no idoso e no hepatopata — tanto para reinstituir na abstinência quanto como fármaco do desmame.
Barbitúrico de ação muito longa
Fenobarbital (fenobarbital sódico)
Ampola 2 mL com 200 mg (100 mg/mL); comprimidos de 50 e 100 mg
Abstinência grave ou refratária10 mg/kg (peso ideal) · Dose única, em 30 min · Meia-vida de 3 a 5 dias: autodesmame
Papel no tratamento
Resgate para abstinência grave ou refratária ao benzodiazepínico, apenas em paciente internado, com protocolo e equipe experiente (diretriz conjunta de 2025). Sem teto de efeito: deprime a respiração.
Quando usar
Abstinência grave refratária ao benzodiazepínico, ou quando há necessidade de sedação com controle mais previsível, sempre em ambiente monitorizado.
Mecanismo
Atua no receptor GABA-A por sítio distinto do benzodiazepínico, aumentando a duração da abertura do canal; mantém efeito mesmo com tolerância cruzada.
Ficha de consulta rápida
Classe
Barbitúrico de ação muito longa
Apresentação
Ampola 2 mL com 200 mg (100 mg/mL); comprimidos de 50 e 100 mg
Posologia principal
10 mg/kg (peso ideal) · Dose única, em 30 min · Meia-vida de 3 a 5 dias: autodesmame
Outros esquemas
1 — ver aba Posologia
Atenção neste contexto
A ausência de teto de efeito é exatamente o que torna o fenobarbital útil na refratariedade e perigoso fora de ambiente monitorizado.
IV lento2 esquemas
Indicação
Dose
Frequência
Duração
Observações
Abstinência grave ou refratária
10 mg/kg (peso ideal)
Dose única, em 30 min
Meia-vida de 3 a 5 dias: autodesmame
Esquema estudado na abstinência alcoólica (Rosenson, 2013); na abstinência de benzodiazepínico, siga o protocolo institucional.
Estado de mal (2ª linha)
15–20 mg/kg
Dose única
—
Velocidade até 50–100 mg/min (AES 2016).
Como administrar
Diluição
Diluir a dose em 100 mL de SF 0,9%.
Velocidade
Exemplo: 70 kg de peso ideal → 700 mg em 100 mL de SF em 30 min = 200 mL/h (≈ 23 mg/min).
Antes de prescrever, confira
Uso ambulatorial para desmame de benzodiazepínico.
Ambiente sem monitorização ou sem equipe treinada em via aérea.
Porfiria.
Contraindicações e quando evitar
Uso ambulatorial para desmame de benzodiazepínico.
Ambiente sem monitorização ou sem equipe treinada em via aérea.
Porfiria.
Efeitos adversos
Depressão respiratória (sem teto de efeito).
Hipotensão.
Sedação prolongada.
Indução enzimática com interações (anticoagulantes, contraceptivos, antirretrovirais).
Monitoramento
Monitoramento
Oximetria e capnografia contínuas, pressão arterial e nível de consciência; material de via aérea e equipe treinada à beira do leito.
Como administrar
Diluição
Diluir a dose em 100 mL de SF 0,9%.
Velocidade
Exemplo: 70 kg de peso ideal → 700 mg em 100 mL de SF em 30 min = 200 mL/h (≈ 23 mg/min).
Idosos
Maior risco de sedação prolongada e depressão respiratória: considere doses menores.
Hepático
Metabolismo hepático e indução enzimática: cautela e revisão de interações.
Antes de prescrever, confira
Uso ambulatorial para desmame de benzodiazepínico.
Ambiente sem monitorização ou sem equipe treinada em via aérea.
Porfiria.
Efeitos adversos mais relevantes
Depressão respiratória (sem teto de efeito).
Hipotensão.
Sedação prolongada.
Indução enzimática com interações (anticoagulantes, contraceptivos, antirretrovirais).
Papel neste contexto
Resgate para abstinência grave ou refratária ao benzodiazepínico, apenas em paciente internado, com protocolo e equipe experiente (diretriz conjunta de 2025). Sem teto de efeito: deprime a respiração.
Adsorvente para descontaminação gastrointestinal
Carvão ativado
Pó para suspensão oral (frascos ou sachês, conforme o fabricante)
Coingestão relevante, via aérea protegida1 g/kg (máx. 50 g) · Dose única · Maior benefício na 1ª hora; até 6 h conforme avaliação individualizada (CTRC 2026)
Papel no tratamento
Adsorve benzodiazepínicos, mas quase nunca está indicado nesta intoxicação: o risco de aspiração no paciente sonolento supera o benefício. A decisão, quando existe, é sobre a coingestão.
Quando usar
Ingestão maciça recente com coingestão relevante (por exemplo, antidepressivo tricíclico) em paciente alerta ou já intubado por outro motivo.
Ficha de consulta rápida
Classe
Adsorvente para descontaminação gastrointestinal
Apresentação
Pó para suspensão oral (frascos ou sachês, conforme o fabricante)
Posologia principal
1 g/kg (máx. 50 g) · Dose única · Maior benefício na 1ª hora; até 6 h conforme avaliação individualizada (CTRC 2026)
Oral ou sonda1 esquema
Indicação
Dose
Frequência
Duração
Observações
Coingestão relevante, via aérea protegida
1 g/kg (máx. 50 g)
Dose única
Maior benefício na 1ª hora; até 6 h conforme avaliação individualizada (CTRC 2026)
Paciente alerta que deglute com segurança, ou já intubado por outra indicação.
Como administrar
Administração
Suspensão em água; por sonda apenas com via aérea protegida.
Antes de prescrever, confira
Paciente sonolento sem via aérea protegida (contraindicação formal).
Intubar apenas para administrar carvão.
Passar sonda sem intubação com essa finalidade.
Contraindicações e quando evitar
Paciente sonolento sem via aérea protegida (contraindicação formal).
Intubar apenas para administrar carvão.
Passar sonda sem intubação com essa finalidade.
Efeitos adversos
Vômito e aspiração pulmonar.
Constipação.
Como administrar
Administração
Suspensão em água; por sonda apenas com via aérea protegida.
Papel neste contexto
Adsorve benzodiazepínicos, mas quase nunca está indicado nesta intoxicação: o risco de aspiração no paciente sonolento supera o benefício. A decisão, quando existe, é sobre a coingestão.
Crianças
1 g/kg, mesmas restrições de via aérea.
Antes de prescrever, confira
Paciente sonolento sem via aérea protegida (contraindicação formal).
Intubar apenas para administrar carvão.
Passar sonda sem intubação com essa finalidade.
Efeitos adversos mais relevantes
Vômito e aspiração pulmonar.
Constipação.
Papel neste contexto
Adsorve benzodiazepínicos, mas quase nunca está indicado nesta intoxicação: o risco de aspiração no paciente sonolento supera o benefício. A decisão, quando existe, é sobre a coingestão.
Informações rápidas
Benzodiazepínicos
Resumo
Observação
Assintomático por 6 horas após a ingestão permite alta clínica.
Flumazenil
0,1 a 0,2 mg EV lentos, titulados; 1 a 3 mg costumam bastar nos respondedores.
Ressedação
Meia-vida de 40 a 60 minutos: monitorize por pelo menos 2 horas.
Desmame
5% a 10% da dose diária a cada 2 a 4 semanas; teto de 25% a cada 2 semanas.
Equivalência
10 mg de diazepam ≈ 0,5 mg de alprazolam ≈ 0,5 mg de clonazepam ≈ 1 mg de lorazepam ≈ 5 a 6 mg de bromazepam (Ashton; a VA/DoD dobra alprazolam, clonazepam e lorazepam).
Abstinência
Início em horas a 2 dias nos de meia-vida curta e em 2 a 7 dias nos de meia-vida longa.
Apoio
Disque-Intoxicação 0800 722 6001 • CVV 188.
Não esqueça
Coma profundo
Coma profundo isolado provavelmente não é só benzodiazepínico.
Triagem urinária
Triagem urinária negativa não exclui a intoxicação — clonazepam, lorazepam e alprazolam são mal detectados.
Flumazenil
Flumazenil é contraindicado no usuário crônico.
Hemodiálise
Hemodiálise não remove benzodiazepínico.
Abstinência
A abstinência pode matar; a intoxicação isolada quase nunca.
Nunca de vez
Nunca suspenda abruptamente após um mês de uso diário. Lorazepam e oxazepam são os preferidos no hepatopata.
A banca cobra o mecanismo de teto no receptor GABA-A, as contraindicações do flumazenil e o fato de a abstinência ser mais perigosa do que a intoxicação.
Decore: benzodiazepínico aumenta a frequência de abertura do canal de cloreto e barbitúrico aumenta a duração; lorazepam, oxazepam e temazepam são conjugados e preferidos no hepatopata; triagem urinária negativa não exclui; desmame de 5% a 10% a cada 2 a 4 semanas.
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